Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela
PUC de São Paulo, autora dos
livros ("Quero Ser Mãe", editora
Palavra Mágica, e "Por Que a Gra-
videz Não Vem?", editora Atheneu)

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

Ginecologistas

Urologistas

Acupunturistas

 Visitas  
 
Americana de 41 anos espera seu 18º filho

Revista HypeScience

Michelle, o marido e a prole

Uma mulher nos EUA espera seu 18º filho. Grávida de seis semanas, Michelle Duggar dará a luz no Réveillon a um bebê que virá a se somar a uma prole de sete irmãs e dez irmãos _entre eles dois gêmeos.

Michelle esteve grávida durante mais de 11 anos de sua vida e a família está no processo de filmagem de uma série do canal Discovery Health. Leia e veja mais no site: http://health.discovery.com/convergence/duggars/duggarfamily.html

O filho mais velho do casal, Josh, tem 20 anos e a mais jovem, Jennifer, tem nove meses de idade. A família vive em Tontitown, no estado do Arkansas, em uma casa de 650 m2.

Todas as crianças, cujos nomes começam com a letra J, são educadas em casa. Nos EUA é legal que a educação formal das crianças seja feita em casa, o que é chamado de home-school.

O programa da Discovery Health mostrará o ocorre no interior da casa, onde as tarefas_ ou "jurisdições"_ são designadas a cada criança. Um episódio do novo programa envolve uma "troca de jurisdição" onde os meninos farão as tarefas atribuídas tradicionalmente às meninas e vive-versa.

Michelle e seu marido, Jim Bob Duggar, disseram que continuarão a ter filhos enquanto Deus desejar. "O sucesso em uma família é, em primeiro lugar, o amor a Deus e, em Segundo, tratar a cada um como se quer ser tratado", disse Jim. "Nosso objetivo é que nossos filhos sejam os melhores amigos uns dos outros. E cada um trabalhando junto para servir ao outro faz isso acontecer."

As outras crianças do casal entre Joshua e Jennifer são Jana, 18; John-David, 18; Jill, 16; Jessa, 15; Jinger, 14; Joseph, 13; Josiah, 11; Joy-Anna, 10; Jeremiah, 9; Jedidiah, 9; Jason, 7; James, 6; Justin, 5; Jackson, 3; e Johannah, 2.

Não é uma história inacreditável?

Escrito por Cláudia Collucci às 20h22
Gravidez natural após fazer FIV

"Guerreiras e futuras vencedoras, eu não podia me calar de jeito nenhum e por isso lhes escrevo. Minha luta foram de seis anos de tentativas, duas operações, uma inseminação, três FIVS, muuuuuuuito hormônio, dosagem máxima de Gonal sem obter quase resposta... Em outubro de 2006, decidi com meu marido tentarmos pela última vez, já estávamos cansados e calejados. Segundo o meu médico, que foi super sincero comigo, minhas possibilidades de engravidar mesmo fazendo FIV seria de 5%... E lá fomos nós! Dosagem máxima de Gonal mais uma vez, e no final "apenas" dois óvulos, desses dois óvulos ficou nossa benção que hoje tem quase dez meses e supera cada dia mais tudo aquilo que imaginava ser mãe. É indescritível!

E a história não termina por aqui não... Mês passado, depois de muitos dias de atraso e de pensar que estava com algum probleminha de saúde (eu ainda estava amamentando...) veio a grande surpresa da minha vida: tô gravida novamente, NATURALMENTE, desafiando tudo e todos! E hoje, queridas, completo 12 semanas de gestação. Venho aqui neste espaço, que já me ajudou muito em momentos de luta, lhes contar esta vitória, este milagre, para dizer a vocês que para DEUS TUDO _ABSOLUTAMENTE_ TUDO É POSSíVEL! Creiam e não se desesperem, lutem e creiam no tempo e no plano de DEUS nas nossas vidas. Bjs no coração de cada uma."

Taci deixou essa linda mensagem no fórum e é com ela que eu quero encerrar esta semana. Para todas nós que estamos em busca da maternidade, os próximos dias tendem a ser desafiadores. Na TV, nos jornais, nas revistas, nos shoppings, onde quer que olhemos só vamos encontrar imagens de felizes mães com seus rebentos de todas as idades. Eu mesma, calejada com Dias das Mães anteriores, me vi nesta semana com lágrimas nos olhos diante de um comercial de TV qualquer.

Mensagens como a da Taci nos enchem de esperanças. Faz-nos olhar com cautela algumas "verdades" médicas que às vezes minam as expectativas de uma gravidez natural. Conheço outras dezenas de casos semelhantes e gostaria de reuni-los aqui. Infelizmente não os selecionei e não conseguiria procurá-los nas mais de 10 mil mensagens que já foram postadas neste blog.

Portanto, peço às mulheres que já passaram por essas situações _tiveram uma primeira gravidez por FIV e depois outra naturalmente_, que me escrevam. Gostaria de escrever uma linda reportagem  sobre esse tema. Penso que essas histórias nos faz acreditar que a vida é realmente incrível e nos reserva surpresas inimagináveis.  

PS - Taci, Fátima, Simone e Cláudia: obrigada pela colaboração de vocês. Foi um prazer o contato. Quem quiser ler a matéria que saiu no Dia das Mães, o link é : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/inde11052008.htm  

Escrito por Cláudia Collucci às 20h16
Antes de adotar, é preciso elaborar o luto pelo filho não-gerado

Aproveitando a proximidade do Dia das Mães e o recém-aprovado cadastro único de adoção no país, a psicóloga Luciana Leis nos escreveu um artigo muito interessante sobre o tema. Assino embaixo as colocações, especialmente quando ela diz que, antes de partir para a adoção, é preciso elaborar o luto pela perda do filho biológico que não foi gerado.

 

Penso que elaborar esse luto não significa, muitas vezes, enterrar em definitivo o sonho de gestação. Conheço dezenas de histórias de gravidezes improváveis após uma adoção. O importante, porém, é reconhecer que as tentativas frustradas de gravidez implicam luto e elaborá-lo é fundamental para o  exercício de outras formas de  maternidade.

 

Adoção: Abrindo novos caminhos para a maternidade e paternidade

 

A maioria das pessoas- tanto homens quanto mulheres- possui dentro de si o desejo de ter filhos, de poder continuar existindo através de um outro que o represente.

         Porém, não necessariamente, isso tem a ver com continuidade genética, já que é possível também se fazer existir por meio de valores e atitudes passados a uma criança com a qual não há laços consanguíneos.

         Nem todas as famílias possuem uma configuração na qual há continuidade genética, uma vez que, as relações parentais que se formam nas famílias adotivas são baseadas fundamentalmente em laços de amor que unem seus membros.

         A palavra “adoção” significa cuidar, considerar, se apropriar; é também o ato de dar um lar a crianças que não puderam ser criadas por seus pais biológicos; e significa ainda, dar a possibilidade de ter filhos à pessoas que tiveram problemas com a fertilidade ou que optaram por cuidar de crianças sem ter laços biológicos.

         No caso de casais com dificuldade de gravidez, nota-se que a adoção surge como uma outra porta que pode ser aberta a caminho da maternidade e paternidade. No entanto, para que essa porta possa se abrir, é necessário que o luto pela perda do filho biológico possa ser vivenciado.

         Não há como adotar uma criança, de forma saudável, sem se passar pelo processo de aceitação e elaboração da infertilidade, pois é justamente após esse processo que o casal pode, aos poucos, abrir espaço emocional para a chegada do filho de uma outra forma, diferente da idealizada, mas uma forma possível e não menos satisfatória.

         Faz-se relevante destacar também, que o desejo de ajudar uma criança não é suficiente para que a adoção se dê, pois não estamos falando de um ato de amor ao próximo e sim, da constituição de uma família, dentro da qual é necessário que essa criança tenha um lugar de filho, assim como qualquer filho biológico. A criança adotiva precisa se sentir escolhida e desejada por seus pais.

         Portanto, a adoção sempre implicará em tomar para si algo que antes era estranho e que, com o tempo, poderá se tornar muito familiar. Coloco para finalizar uma questão: Muitas mulheres não conseguem adotar os próprios filhos, será que são mães?

 

Luciana Leis- e-mail: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 15h25
Cadastro nacional de adoção será lançado na terça e vai unificar listas

Será lançado na próxima terça o Cadastro Nacional de Adoção, que pretende reunir, em seis meses, informações completas sobre os pretendentes de um lado e de outro (quem quer adotar e que está disponível para adoção). Uma das principais vantagens da iniciativa é unificar as listas e evitar que elas fiquem restritas às comarcas, que em geral abrangem um município ou região, como acontece hoje.

Com o cadastro, idealizado e coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os candidatos a pais não precisarão mais fazer inscrições separadas em cada comarca onde gostariam de avançar no processo de adoção. Os interessados em adotar uma criança de qualquer ponto do país poderão encontrar um filho no outro extremo com a consulta ao cadastro que será feita pelos juízes da Infância e da Adolescência.

Já conversamos sobre o assunto no início do ano, mas agora a coisa parece que é para valer. Alegro-me, sobretudo, porque há pessoas influentes no governo federal e no Senado preocupados com a questão. Um exemplo é o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, que está fila de adoção há dois anos. Ele e a mulher querem uma menina de até dois anos, morena ou branca. Carvalho tem dois filhos e uma filha do primeiro casamento.

A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) é outra que está engajada nesta questão. Em 2006, ela adotou Maria Beatriz, hoje com três anos. Saboya, que é mãe de três jovens (19, 23 e 24 anos), diz que vai batalhar bastante para ser a relatora da Lei Nacional de Adoção, quando chegar ao Senado. Antes disso, a lei terá que ser aprovada no plenário pela Câmara.

Aliás, na Câmara há um outro aliado, o autor do projeto de lei sobre adoção, deputado João Matos (PMDB-SC). Ele e a mulher já tinham três filhos adultos quando resolveram adotar Cleber, à epoca com dez meses. Aos 15 anos, o menino morreu vítima de um tumor cerebral.

Vamos esperar que o cadastro realmente consiga atingir seu objetivo e que a lei de adoção seja vista como prioridade na Câmara e no Senado.

Escrito por Cláudia Collucci às 16h50
Ter ou não ter filhos: eis a questão!

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e publicada neste último domingo na Folha revela dados bem curiosos sobre a fecundidade no Brasil. Primeiro, o que não chega a ser uma grande novidade, é o fato de que quatro em cada dez filhos não foram planejados. Isso acontece tanto entre os mais pobres como entre os estão no topo da pirâmide social.

Outro dado da pesquisa foi verificar que a grande maioria dos entrevistados (60%) não estão satisfeitos com as escolhas que fizeram em relação aos filhos: 24% teriam menos filhos, 21% teriam mais e 15% não teriam filhos. Essa última constatação, aliás, foi a grande surpresa da pesquisa, segundo os demógrafos. É sobre ela que eu gostaria de discorrer hoje porque esse assunto (não ter filhos) esteve presente no meu dia-a-dia durante a última semana.

Pelas mais diversas razões, mulheres do meu círculo familiar e de amizade, que já são mães, têm tentado me desencorajar da busca pela maternidade. Usam como argumentos desde a liberdade e os prazeres que uma vida sem filhos nos dá até os conflitos entre pais e filhos que, em geral, surgem na adolescência e início da vida adulta.

No final da semana passada, uma tia de Ribeirão Preto (frustrada no casamento e cansada da dependência financeira das filhas em relação à ela) insistia: "Claudiiiinha, você que é feliz de não ter filhos. Filho só dá dor de cabeça. Aproveita a sua vida." Pouco tempo depois, minha prima seguia a mesma linha de raciocínio: "Se eu soubesse que ter filhos seria esse inferno, teria evitado. Não tenho tempo para mais nada, me olho no espelho e não me reconheço mais. Sua vida é que é ótima", disse ela, mãe de três filhos, sendo que último acabou de ser diagnosticado autista.

E não adiantou eu argumentar o contrário, de que a maternidade pode ser encarada sim de uma forma mais leve mesmo levando em conta todas as mudanças e turbulências que estão associadas a ela. Em outras palavras, elas sutilmente me disseram que minha visão sobre filhos era míope justamente porque eu não os tinha. Não quis insistir mais pois seria perda de tempo.  

O assunto só estava começando. Durante a semana, foi a vez de três das minhas amigas (todas com nível superior e boa situação financeira) reclamar de suas respectivas proles. Uma delas foi mãe na adolescência (aos 16 e 18 anos) e tem dois rapazes com 25 e 27 anos. "Cláu, esquece essa história de filho. Se eu pudesse voltar no tempo, não teria tido nenhum. Continua aproveitando a sua vida, fazendo as suas viagens, os seus cursos. Acredite em mim, sua vida dessa forma é maravilhosa", disse ela, no auge da revolta pelo fato de os dois filhos estarem perdidos, sem saber o que fazer da vida e ela se vendo na obrigação de sustentá-los financeiramente.

A outra amiga, mãe de uma garota de 10 anos com dificuldade motora em razão de ter nascido prematura, reclama que nunca mais teve paz de espírito desde o nascimento da garota. "Tenho medo de que ela não consiga ter uma vida independente de mim. É uma angústia permamente, um peso. Sinceramente, se eu soubesse que ser mãe seria esse sofrimento, não teria sido. Aliás, não teria nem casado", desabafou ela, também injuriada com o marido ausente.

Também usou esses mesmos argumentos minha outra amiga, que é mãe de um garoto de 14 anos, bom aluno no colégio, obediente, mas, como qualquer outro adolescente, começa a ter suas crises e está batendo de frente com a mãe. Na semana passada, ela soube que o filho havia experimentado cigarro na saída da escola, e o mundo dela quase caiu....

É curioso ouvir essas opiniões e desabafos de pessoas tão próximas e, ao mesmo tempo, acompanhar a luta de tantas mulheres em busca de um filho. Não só acompanhar como também fazer parte desta luta. Penso que muitas das frustrações, de ambos lados, de quem quer ter filhos e de quem se arrepende de tê-los tido, resida em projeções idealizadas da maternidade. É um tremendo erro colocar nos filhos a expectativa de nossas realizações pessoais. Com ou sem filhos, não podemos nos esquecer de que somos seres únicos e que a construção do nosso bem-estar depende única e exclusivamente de nós.

Projetar nos filhos ou mesmo nos maridos a nossa expectativa de felicidade é uma grande cilada e, se não acordarmos a tempo, corremos o risco de ver a vida passar sem, contudo, ter conseguido vivê-la da forma plena e intensa. O que sei, minhas amigas, é que sou feliz sim (pelo menos a maior do tempo) com vida que tenho hoje. Não sei se serei mais ou menos feliz na condição de mãe. O que eu espero é nunca abandonar meus sonhos e meus projetos de vida. E neles cabem, sim, a dor e a delícia da maternidade.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 10h57
A hora de dizer basta

Olá queridas, venho aqui dizer a vocês que sempre me acolheram, me deram conselhos e, principalmente, força durante minha luta, que desisti de fazer tratamentos para engravidar.

Minha última tentativa de, ao menos, ovular, foi em fevereiro. Estou nessa luta há quatro anos e nunca consegui uma ovulação sequer por conta da SOMP, embora tenha uma excelente reserva ovariana. Emagreci, usei Clomid, Femara, Menopur, Gonal F e nada. Até que, enfim, cansei e decidi colocar minha vida, meu sonho de ser mãe definitivamente nas mãos de Deus.

Talvez eu ser mãe neste momento não é o propósito dele para mim e eu demorei a entender isso. Se um dia Ele quiser, Ele vai me dar o bebê que tanto sonho, mas somente se Ele quiser porque não vou mais me martirizar por uma criança que desejo mas não vem. É muito dinheiro gasto, muita lágrima derramada, muitas outras coisas deixadas de lado por uma luta inglória.

A última recomendação do meu médico é que eu faça uma cauterização dos microcistos, mas eu resisto a essa idéia diante da possibilidade de ter menopausa precoce ou aderência dos ovários em outros órgãos (isso foi ele próprio quem me disse).Durante este tempo acompanhei a luta e as conquistas de várias e sempre muito fiquei feliz com as vitórias que aqui foram relatadas pois via que havia casos mais complicados que o meu em que as meninas obtiveram sucesso. Ficava triste também com as decepções das amigas que, como eu, não conseguiram realizar seu sonho. Enfim, muita sorte a todas as tentantes e gravidinhas. Fiquem com Deus. Mari

Querida Mari, leio a sua mensagem às vesperas da transferência dos meus últimos embriões congelados e me identifiquei com cada palavra do seu texto. Nunca tive problemas para ovular. Já engravidei espontaneamente e, na minha primeira e única FIV, produzi 23 embriões, todos considerados bons e ótimos do ponto de vista morfológico. Mas, como você coloca, talvez não seja esse o momento para uma gravidez. Talvez não seja esse o caminho escolhido por Deus para eu exercer a maternidade. Neste último ano, a cada negativo nas mãos, questionei muito até que momento eu tentaria. Vivi toda espécie de emoção: da tristeza à raiva. Hoje, porém, não me martirizo mais.

Não acho que a luta até aqui tenha sido inglória. Tenho aprendido muito nesse processo todo e, em muitos momentos, a tentante tem se fundido à jornalista e vice-e-versa. Penso que, do ponto de vista profissional, as dificuldades de gravidez me fizeram estudar, pesquisar, fazer um mestrado, escrever dois livros e dezenas de reportagem sobre o assunto. Muito antes da era Orkut, nossa comunidade no UOL nasceu, cresceu e é um exemplo vivo de solidariedade on line. E o melhor: nesses últimos anos, as mulheres têm perdido a vergonha de falar sobre suas dificuldades de gravidez e o quanto sofrem com elas.

Enfim, para mim, as dificuldades me trouxeram processos muito ricos, muito férteis, muito criativos. Talvez, se eu já tivesse sido mãe lá atrás, nada disso teria caminhado dessa forma. Essas mesmas dificuldades me apontaram também o caminho da adoção. Então, eu agradeço sim a vida ter me dado esse desafio. Do ponto de vista pessoal, a maior lição tem sido aprender a abrir mão do meu auto-controle ou, usando as suas palavras, "colocar meu sonho de ser mãe nas mãos de Deus". Que Ele nos ajude a confiar no curso natural da vida, a enxergar nossos caminhos para a maternidade e a tirar das nossas costas o peso de um sonho que não depende apenas de nós para se realizar.

Um sonho não deve pesar nunca. Senão, vira pesadelo.

Um beijo, Cláudia

Escrito por Cláudia Collucci às 19h21
Leitora relata as angústias do pós-parto

Ana nos presenteia hoje com um emocionante relato que deve ser leitura obrigatória para todas as mulheres que desejam ser mães ou que já o são. Obrigada Ana por abrir o seu coração com a gente.

Cláudia, acho que a questão do pós-parto tem mesmo de ser discutida, pois tanto as mulheres que facilmente engravidaram, quanto as que tiveram dificuldade (no meu caso, uma videolaparoscopia para desobstruir as trompas e no mês seguinte a gravidez natural), têm pensamentos e fantasias maravilhosas sobre ser mãe. A maternidade talvez seja a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mas teve sim um ônus e te afirmo com todas as letras NÃO FOI FÁCIL. O meu marido já tinha um filho de uma relação esporádica, então era pai, mas não sabia o que era realmente ser pai, afinal nunca morou junto com a mãe do filho dele.

Então, chegou a hora do nascimento da nossa filha, e com ele momentos transformadores e perturbadores... Eu não esperava passar por aquilo, como poderia ser se havia desejado tanto aquele bebê? E o pior de tudo, aquela falta de entendimento sobre o que estava acontecendo comigo, carregando uma tonelada de culpa por não estar feliz era reforçada diariamente pelo meu marido, que me culpava por ter uma filha tão linda e viver chorando.

O processo foi muito doloroso para ambos, pois ele depois de 8 dias (licença-paternidade), vida normal: trabalho, estudo (ele estava fazendo pós-graduação) e até um happy hour para desestressar. Eu, sozinha em casa (minha mãe já faleceu, a empregada não dormia), amamentando o dia todo, EXAUSTA e sem entender o porquê daquela tristeza imensa que me acompanhava todo o tempo.

A chegada de um filho corresponde à chegada de um novo e totalmente diferente estilo de vida _especialmente quando se trata do primogênito. O cotidiano muda radicalmente, no sentido mais literal dessa palavra. A gente se vê diante de um ser que precisa de você 100% do tempo, e que manifesta isso por meio de choro e gritos. Essa é a única comunicação que ele sabe fazer, e não é fácil se adequar a ela. Ver seu filho chorando e não saber o que significa pode ser algo muito angustiante. Além disso, toda a sua vida profissional, social, seu tempo para relaxar, suas manhãs preguiçosas do fim de semana _tudo isso lhe é arrancado bruscamente, de uma hora para outra.

A isso soma-se o delicado processo da amamentação, que é pura doação, um ato de amor. No começo, dói, machuca, assusta. Seu corpo está totalmente diferente _no meu caso, operado numa cesárea. Você fica com os órgãos soltos na barriga, e sangra por, pelo menos, 20 dias seguidos. Dorme pouco e de forma caótica. Isola-se do mundo durante o resguardo. Não bastasse tudo isso, depois de passar pela primeira semana heroicamente, de olhos fechados para todos esses incômodos e novidades, apaixonada pela filhota e seus encantos, vem a tal queda de hormônios. Todas as químicas internas que durante a gravidez estavam nas alturas, caem subitamente dias após o parto. Comigo, foi com uma semana. E veio o blues pós-parto, para não dizer, depressão.

Comecei a sentir desespero, agonia, medos intensos. Ouvir o choro da neném me causava frio na barriga. Nos primeiros dias dessa tristeza eu fingi que nada estava acontecendo, não conseguia admitir para mim mesma que não estava dando conta sozinha. Não queria precisar de ninguém... ficava pensando: "Como assim, como eu não vou dar conta de ser mãe e viver esse sonho que aguardei por tanto tempo?" Aí vem a culpa, a sensação de inadequação, a impressão de fracasso: "Que tipo de mãe sou eu?" Fiquei fritando minha alma com esses pensamentos e questionamentos até que desabei. É químico, físico, não dá para controlar essas sensações. Portanto, não há culpados, julgados e condenados.

Só que no meio dessa caos, além de ter um serzinho frágil, dependendo de mim para tudo, tive um inquisitor apontando o dedo para mim e dizendo que todo mundo tinha filho e não era esse desespero todo (fácil, quando se é apenas expectador). Esse meu desabafo não é para detonar o meu marido, que apesar de seus erros, virou muita madrugada com nossa filha, me levava para dar uma volta quando eu entrava em desespero (pode parecer se contentar com pouco, mas era uma higiene mental). É apenas um alerta para que as futuras mamães se informem de todas as mudanças que vêm com a maternidade, e os futuros papais também... Porque, pelo menos para mim, a situação só começou a melhorar quando eu e o meu marido resolvemos conversar e tentar recomeçar de uma outra perspectiva (nem preciso dizer que diante de tudo que relatei o casamento quase terminou).

Nessa conversa expus a minha fragilidade diante daquele mundo novo que se apresentava para mim e percebi que ele, apesar de já ser pai, não tinha a menor noção do papel do MARIDO nessa nova etapa. De propósito coloquei MARIDO em destaque, porque ele sabia toda técnica, dava banho, trocava fralda, colocava a neném para dormir... Mas nem desconfiava do que estava se passando comigo, e diante de uma criação machista onde o homem é o provedor e a mulher cuida do lar (apesar de os dois trabalharem e manterem a casa), ele não tinha parado para pensar que simplesmente eu não estava preparada para abrir mão de uma vida onde eu cuidava apenas de mim e somado a isso o turbilhão de emoções que a queda hormonal causa na mulher.

Então, com o passar do tempo a nossa filha foi nos ensinando talvez a melhor lição que podíamos aprender: DOAÇÃO. Eu deixava de ser a mulher independente, realizada na profissão e cheia de conquistas e passava a admitir a minha fragilidade e construir uma relação de aprendizado e afeição com a minha filha. Meu marido, aos poucos vem abandonando a capa de perfeição, com soluções prontas para todos os problemas, pois um bebê coloca à prova qualquer pseudo "sabe-tudo". Ele então entendeu que a tarefa de cuidar de um ser, passar valores, ter uma dose altíssima de paciência, disponibilidade e DOAÇÃO, é aprendida a cada dia e só a convivência, as doencinhas da primeira infância, as madrugadas insones, o cinema cancelado porque o bebê está vomitando ensinam isso ao casal.

Saldo do meu relato, o nascimento de um bebê gera uma mudança absurda na vida de um casal sem filhos, mas com diálogo, paciência e boa dose de tolerância de ambas as partes a relação se fortalece. A gente enxerga que para o conjunto funcionar temos que dar o melhor que podemos, isso significa também um cineminha a dois, uma conversa com os amigos, para que o tempo dedicado ao filho seja de intensa e profunda qualidade. E assim continuamos a nossa caminhada, errando, acertando; mas principalmente nos permitindo aprender.

Escrito por Cláudia Collucci às 14h50
Proteínas facilitam a gravidez! Será???

Há duas semanas, o "Jornal Nacional" destacou: proteínas facilitam a gravidez! A reportagem falava de uma pesquisa com 52 pacientes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que teria identificado proteínas capazes de facilitar a gravidez de mulheres que recorrem à fertilização assistida para ter filhos.

Foram acompanhadas mulheres de 24 a 42 anos que tentavam ter um bebê. O foco da pesquisa foi o endométrio, tecido que reveste o útero. Em todas as mulheres que levaram a gravidez adiante, o médico identificou a presença de três proteínas.

E todas as que não tiveram sucesso apresentaram uma quarta proteína estudada, considerada um fator inibidor da gestação. Os médicos disseram acreditar que, monitorando essas proteínas, será possível determinar o melhor momento para a fertilização, o que pouparia as pacientes de desgastes físico, emocional e financeiro. Além do "JN", a mesma notícia foi enviada para toda imprensa pela Secretaria Estadual da Saúde.

Acontece que a história não é bem assim. Pelo menos é que dizem alguns médicos renomados da área da reprodução assistida, igualmente pesquisadores. Em primeiro lugar, um estudo feito com um número tão pequeno de pacientes e com tantas variáveis, não pode concluir nada, afirmam eles. Seria necessário pesquisar centenas, milhares de mulheres. Condutas médicas só podem ser mudadas mediante evidência científica, o que ainda existe neste caso. 

Além do mais, a proteína em questão (claudin-4) não é novidade nenhuma no mundo da reprodução assistida. Ela foi descrita em 1997 e desde então vem sendo estudada como marcadora de implantação embrionária. Porém, não há uma definitiva conclusão até o momento.

Segundo o ginecologista José Franco Júnior, a expressão do RNA para a claudine 4 e de outras proteínas supostamente ligadas a marcação endometrial do processo de implantação necessita de uma biópsia de endométrio em ciclo anterior, o que limita o emprego desses marcadores na rotina médica. Além disso, durante a estimulação ovariana (ciclo de FIV), ela costuma variar seu perfil de expressão, ou seja, apresentar resultados opostos.

Nenhum grupo no mundo usa uma marcação endometrial prévia (porque há mais de mais de 500 proteínas que se expressam no momento da implantação) como critério de cancelamento de ciclo de FIV/ICSI, como sugeriram os médicos do HC na reportagem do "Jornal Nacional", alerta Franco Júnior.

A divulgação de uma tema dessa natureza, com tamanho estardalhaço, mais atrapalha do que ajuda porque, antes de mais nada, cria falsas expectativas. Soube que, depois da reportagem, inúmeras mulheres começaram a pedir para que seus médicos solicitem a dosagem dessa proteína (claudine-4) e de outras antes da realização de um ciclo de fertilização "in vitro".

Como não há evidência científica, essa conduta na rotina das clínicas não tem a menor justificativa. Não há nenhum trabalho científico publicado atestando a obrigatoriedade da realização de um perfil protéico endometrial antes da FIV e tampouco a sua eficácia.

O ginecologista Artur Dzik também partilha da mesma opinião. Para ele, o tema da implantação embrionária é a chave da medicina reprodutiva moderna e quem resolver esse impasse será fortíssimo candidato a "prêmio nobel". Portanto, meninas, a implantação embrionária continua sendo sim um mistério, uma imensa caixa-preta desse mundo da reprodução humana.

Escrito por Cláudia Collucci às 16h54
Mulher com implante de tecido no ovário engravida pela segunda vez

Médicos oncologistas dinamarqueses conseguiram que uma mulher engravidasse, pela segunda vez, após receber um implante de tecido do ovário. O feito é inédito no mundo. O implante foi realizado após a paciente ter se submetido a um tratamento contra o câncer.

Como a quimioterapia costuma deixar as mulheres estéreis, os médicos utilizaram a técnica de retirar e congelar o tecido antes que a mulher recebesse o tratamento. Uma vez curada do câncer, o tecido foi reimplantado, de acordo com o jornal "Fyens Sitftidende".

Stinne Holm Bergholdt, natural da Odense (Dinamarca) e de 31 anos, que já deu à luz a uma criança em 2007, não precisou de inseminação artificial para ficar grávida pela segunda vez. Ela teve um câncer nos ossos diagnosticado em 2004.

Antes de iniciar a quimioterapia, o tecido ovárico da paciente foi retirado e conservado congelado a 196 graus abaixo de zero até ser reimplantado no final do tratamento. Andersen e Erik Ernst, do hospital dinamarquês de Skejby em Aarhus, foram os oncologistas encarregados de realizar a intervenção com essa técnica.

Segundo o "Fyens Stistiftende", outras quatro mulheres no mundo deram à luz uma vez após terem se submetido a um reimplante do tecido ovariano e superar um câncer.

Não é uma ótima notícia?

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h53
O que fazer quando o marido não quer filhos?

Algumas amigas mais jovens, perto dos 30 anos, andam se queixando da inflexibilidade dos maridos para o assunto filhos. A sensação que eu tenho é que esse desejo tem aparecido mais cedo para elas do que para eles. O interessante é que a história é sempre a mesma: relacionamentos estáveis, há mais cinco anos, carreiras profissionais e situação financeira relativamente estáveis também. Coincidentemente, recebi a mensagem abaixo da Patrícia, que muito enriquece esse debate que eu quero fazer com vocês:

Querida Claudia,

Meu nome é Patrícia, sou casada há 5 anos e meio e tenho 28 anos. Minha questão está antes de tentar a gravidez. Por isso gostaria de ouvir alguma sugestão sobre minha questão. Meu marido não quer ter filhos, diz que ainda não está preparado, que nao é hora para isso. Ele está em uma fase de crescimento profissional e busca por estabilidade financeira, além de querer conhecer diversos lugares no mundo. Moramos fora do Brasil há um ano e as oportunidades realmente são muito boas.

Sempre que falavamos no assunto as desculpas surgiam: faculdade, pós-graduação, carro novo, cursos, carreira, vida financeira, e o assunto "filhos! ficava e fica sempre por último. Eu quero e muito ter filho, engravidar. Tomo anticoncepcional há 9 anos direto. Sempre que recebo a notícia de que alguma amiga ou alguém da família que está grávida o assunto aflora; eu fico muito alegre por isso e também acabo vivendo um pouco estas gravidezes, procuro sites na internet, penso em que roupinha seria legal comprar para dar de presente e por fim, me imagino grávida.

Não sei o que faço, pois se o problema fosse eu, ou se estivessemos tentando e fazendo algum tratamento, tudo bem, mas estou antes disso. A frustração foi maior quando ouvi que agora não é o momento, que ele não está preparado para mudar a vida de casado sem filhos para casado com filho, que ainda não está no coração dele este desejo. Ao ser questionado por mim quando podemos iniciar o processo a resposta é sem alternativas para mim: não sei.

Sei que você é uma excelente profissional e lendo seu blog percebo que muitas mulheres também o lêem, tendo talvez problemas ou vivendo situações muito mais difíceis que a minha, porém já mergulhadas no processo. O meu caso é antes de iniciar qualquer tentativa. Gostaria de alguma ajuda ou sugestão, como devo conduzir este assunto.

Ana, imagino o quanto essa situação te faça sofrer. E penso que uma forma de trabalhar isso tudo é sendo muito franca com seu marido, abrir o coração mesmo. Espere uma ocasião que vocês estiverem num clima legal, de muito amor, sem estresse, e diga a ele o quanto você deseja esse filho, o quanto você sonha em ser mãe e o quanto sofre com essa falta de perspectiva em realizar esse sonho. Proponha um planejamento, um acordo. Se ele continuar resistindo à idéia, tornando-se inflexível, a decisão volta para você sobre o que fazer.

Conversando com a psicóloga Luciana Leis sobre essa questão, ela me disse que isso aparece bastante em vários pacientes. Segundo ela, na maioria das vezes, o filho faz parte do "contrato" de casamento dos casais, porém, quando o tempo de cada um para permitir a chegada de um filho em suas vidas é diferente, ou então, não existe o desejo de filhos em um dos parceiros, a questão pode complicar. "Muitas pessoas podem inclusive se sentirem traídas por seus companheiros(as), já que o plano do casal não é o mesmo", diz Luciana.

A psicóloga afirma perceber que muitos homens que tiveram problemas no relacionamento com a figura paterna, ou que assumiram precocemente o papel de pai (devido à morte do mesmo ou ausência dessa figura), têm dificuldades em entrar em contato com a paternidade. Na maioria das vezes, idealizam um modelo de pai que teriam que ser para compensar as faltas do que tiveram, que fica praticamente inatingível, sendo necessário um tempo de terapia para trabalharem-se essas questões, tornando, assim, a paternidade mais possível ou chegando-se à conclusão de que essa realmente não será uma escolha.

Luciana avalia que não há como ter um filho dentro de um casamento se essa realmente não for uma escolha de ambos. Diante desse impasse, o casal precisa reavaliar o "contrato" de casamento e perceber se é possível continuar juntos sem filhos ou não, cada um precisa olhar para as suas prioridades internas para fazer essa escolha. Muitos casais podem escolher ficarem juntos em nome da relação e dos sentimentos que vivem sem terem filhos, porém, para outros, o projeto de filhos pode ser muito importante para um dos parceiros e até mesmo mais forte do que o relacionamento que estão vivendo.

Luciana lembra do filme "Juno" (ainda em cartaz em São Paulo), onde a mulher decide assumir a maternidade sozinha frente à dúvida de ter filhos do marido e eles se separam, em meio a um casamento que também parecia não estar mais tão bem. "Acredito que o casal fique frente a um impasse entre continuar sem filhos e juntos ou buscar um outro parceiro(a), para dar continuidade à um projeto pessoal que lhe é mais importante, sendo que essa escolha precisa ser individualmete muito bem avaliada para ser posta em prática."

É isso, Patrícia. Espero que essa discussão seja útil no seu processo. Um beijo e boa sorte. Cláudia

Escrito por Cláudia Collucci às 15h20
A inveja das barrigas alheias

Como controlar a nossa inveja pelas barrigas alheias? Esse é um tema recorrente aqui no blog seja por meio dos posts seja por meio das mensagens de muitas de vocês. E também é um assunto que aparece freqüentemente nos consultórios de psicologia. É sobre isso que a psicóloga Luciana Leis escreve no artigo abaixo:

 

Inveja e culpa em meio à infertilidade

 

Desde que nascemos nos são passados valores por nossos familiares para que possamos ser “boas meninas” e, no futuro, “boas mulheres”. Assim, são esperados pensamentos, atitudes e sentimentos “nobres” para sermos aceitas e amadas pelos que nos rodeiam.

               

Ser amável, educada e gentil; não sentir raiva, ódio ou inveja são alguns dos exemplos de qualidades esperadas para pessoas consideradas “boas”. Porém, sentimentos menos nobres também fazem parte do mundo emocional de todas nós, e, no entanto, nem sempre podemos e/ou conseguimos reconhecê-los, o que pode causar diversos danos emocionais.

    

A vivência de infertilidade é por demais frustrante e, na maioria das vezes, traz em seu bojo sentimentos de raiva (por exemplo, quando perguntam por que você e seu marido não têm filhos), inveja (quando uma amiga engravida assim que pára de tomar a pílula), sensação de fracasso (por tentar engravidar todo mês e o “não” vir  confirmado a cada menstruação), entre muitos outros.

 

Todos esses sentimentos, rechaçados pela sociedade e – quase sempre – por nós mesmas, em vários momentos são experimentados e logo em seguida bloqueados, não sendo permitido que tenhamos contato com eles para não irmos contra um modelo ideal que os outros sonharam para nós.

 

Lembro-me de uma paciente que se culpava muito por invejar a irmã, que engravidara antes dela, e, a cada menstruação, acreditava estar sendo castigada por Deus por esse sentimento. Outra paciente suportava calada todas as cobranças de amigos e familiares por receio de ser indelicada caso dissesse que não queria falar sobre esse assunto, quando, na verdade, este cabia somente a ela e ao marido.

 

Há necessidade de certa flexibilidade emocional e permissão para que alguns sentimentos hostis possam ser reconhecidos e vivenciados sem culpa em meio à dificuldade de gravidez. Nossos sentimentos e atitudes nem sempre são “enobrecedores” e nem têm obrigação de ser. Sendo menos rígidas e mais tolerantes com nós mesmas, abrimos a possibilidade de vivenciar a totalidade de nossas emoções, boas ou más, tornando-nos, assim, mais humanas.

 

Quem quiser mandar mensagem para a Luciana Leis , o e-mail dela é: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 17h56
Irlanda troca ingresso para festivais de música por esperma

 

Por conta da crise nos estoques de bancos de sêmen, os centros de reprodução irlandeses resolveram inovar lançando a campanha "Esperma por ingressos". A intenção é trocar doações de esperma por entradas em qualquer festival de música na Europa. Este aí em cima, por exemplo, é para um festival em Amsterdan (Holanda).
 
Nos últimos quatro anos, os bancos de sêmen na Irlanda apresentaram uma queda de 40% nas doações de esperma. Segundo o site da campanha  http://www.spermfortickets.com/index.html, qualquer cidadão da União Européia pode participar.
 
O lema da campanha é o seguinte: "We need sperm donation...You need festival tickets...Wanna strike a deal?" Traduzindo: Nós precisamos de doação de esperma. Você precisa de tickets para festivais. Vamos fechar negócio? 
 
As amostras de esperma poderão ser mandadas via correio para os bancos de fertilidade em contêineres especiais. O kit enviado pelos doadores é bancado pela "Esperma por ingressos".

A idéia é atrair doadores mais jovens do que a média. Os ingressos para os festivais de música são bancados pela campanha, mas passagens aéreas e acomodação não estão incluídos.

No Brasil, essa moda não tem chance de pegar, pelo menos oficialmente. O Conselho Federal de Medicina proíbe qualquer tipo de negócio envolvendo gametas (óvulos e espermatozóides). Mas a gente sabe que a coisa não é bem assim.

Mesmo ferindo as regras do CFM, há clínicas que pagam ou oferecem outras vantagens (tratamentos de reprodução ou check-up grátis) às mulheres que doarem óvulos. Já os homens, pelo menos até onde eu sei, não ganham nada em troca da doação de espermatozóides. Há estoques de esperma suficientes nos bancos das clínicas.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 16h23

E para encerrar a semana, cujo assunto de principal relevância foi a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que iria decidir a liberação ou não das pesquisas com células-tronco embrionárias, divido com vocês o artigo de uma querida amiga, a advogada bioeticista Patrícia Bono, publicado originalmente no site jurídico "Ultima Instância". É uma análise muito bem formulada, como é de praxe tudo o que a Patrícia escreve, com a qual concordo plenamente.

Início da vida e a discórdia sobre o artigo 5º da Lei de Biossegurança

Patricia Bono

Pesquisa em células-tronco embrionárias é o novo carro chefe das discussões entre bioeticistas e biojuristas de plantão. Não que o tema seja novo, mas tomou outro tempero desde que foi votada uma nova norma jurídica, pelos nossos congressitas, a Lei nº 11.105/05 (Lei de Biossegurança), que, logo após, o presidente tratou de sancionar.

Se a história tivesse parado por aí, o discurso de proteção à vida (que implica na reprimenda ao Brasil na pesquisa com células-tronco, clonagem terapêutica, aborto, reprodução humana assistida, entre outros) feito pelos religiosos e pessoas que entendem que a vida se inicia com a concepção (leia-se "com o encontro dos gametas") teria tido um ponto final.

Mas, em decorrência da tentativa de dar caráter de inconstitucionalidade à Lei de Biossegurança, promovida pelo então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, a coisa tomou outro caminho, quando ele propôs uma Adin (ação direta de incostitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal).

No Brasil sabemos quando alguém morre, pois existem dispositivos normativos indicando a morte cerebral, o que, aliás, facilita a retirada de órgãos, na conformidade da lei, que resulta na possibilidade de vida para muitos enfermos e, na grande maioria dos casos, em uma real melhora em sua qualidade de vida.

Mas a Adin pretende mesmo é saber quando a vida começa. Se a inconstitucionalidade arguida pelo procurador se cristalizar, o Brasil passa a pensar legalmente da mesma forma que várias religiões, em especial a Católica, que defende o início da vida na fecundação, ou seja, no encontro dos gametas e no surgimento de um inédito código genético, mesmo que este "corpo" que detém tal DNA não tenha meios efetivos de se desenvolver, nascer e ser titular de direitos e obrigações, conforme indica o artigo 2º de nosso Código Civil.

Se a postura for esta, estarão impedidas as pesquisas com relação às células-tronco embrionárias, ou seja, células indiferenciadas que são retiradas de embriões inviáveis para uma gravidez, ou que estejam congelados há mais de três anos.

E, impedidas as pesquisas nestes embriões inviáveis, por uma simples questão de lógica, eles terão um destino certo: o lixo.

E pelo que parece, os defensores do início da vida na ocorrência da concepção, bem como o procurador que aponta a inconstitucionalidade da Lei de Biossegurança entendem que o lixo é um destino zilhões de vezes mais ético que a utilização desses mesmos embriões inviáveis para pesquisas que podem, num futuro muito próximo, livrar de sofrimento os enfermos de acidentes vasculares cerebrais, diabetes, mal de Parkinson, Alzheimer, entre outras tantas possibilidades.

O que me aflige não é a postura de cada Chefe de Estado ou de cada religião sobre o tema, mas sim os desdobramentos que estas mesmas posturas podem provocar.

Fala-se tanto em proteção à vida, fala-se mais ainda sobre qual o momento em que ela começa, mas ninguém se preocupou em conceituar vida. Pelo menos, não no campo jurídico. Certo está que este não deve ser o mote da lei. Todavia, seria uma ferramenta interessante que auxiliaria nossos legisladores na defesa de pessoas que, reféns de posturas que impedem o desenvolvimento tecnológico, pudessem brigar um pouco mais, ou não correr o risco de ver a ciência amordaçada.

Observe, também, que a realização de pesquisas em células-tronco embrionárias somente podem ser realizadas com a autorização dos genitores.

Temos, então, que tão importante quanto a pesquisa é o fato de que o Brasil, através da Lei nº 11.105/05, extremamente altruísta no que tange à pesquisa com células-tronco, cristalizou o direito de escolha. E talvez esse fato também afronte as perspectivas do citado procurador ou dos religiosos que perseguem o engessamento de biopesquisas através de leis. Ora, o Biodireito não tem essa função.

Independentemente do resultado alcançado no dia 05 de março de 2008, durante o julgamento da ação citada, uma norma se sedimentará no acervo jurídico do país. E possibilitar o aborto, a reprodução humana assistida, a pesquisa em células-tronco embrionárias no Brasil, entre outras tantas tecnologias que vão surgindo, significa dar aos cidadãos o direito de escolher sobre seu futuro.

Significa, também, tirar da marginalização as mulheres sem recursos financeiros que correm risco de vida ao buscar a realização do abortamento em clínicas de reputação duvidosa; significa dar alento e a possibilidade de se ter um filho para aquele casal com problemas de fertilidade, significa dar esperança para quem sofre com alguma enfermidade, e vê a medicina com mãos atadas.

Se fala muito acerca da proteção da vida e isso é louvável. Mas só devemos nos preocupar com a vida se ela for uma expectativa? Uma promessa de vida? O que tem os defensores da proibição da pesquisa com células-tronco embrionárias a dizer às pessoas que já estão aqui e que, em decorrência de um fator patológico ou de um trauma, estão impedidas de ver seus sonhos realizados?

E mais, devemos usar dois pesos e duas medidas para analisar as tecnologias que podem dar qualidade de vida aos enfermos? Ora, na bandeira contra o aborto, quem defende a proibição indica que seu objetivo é a proteção à vida. Então, quando a Igreja Católica condena o uso de preservativos poderíamos entender que ela não se preocupa com a Aids? Alguém vai ter que fazer essa lição de casa.

Agora, se pensarmos que o embrião guarda a riqueza do que será sua vida - se vier a nascer - ou seja, o DNA, possivelmente em alguns anos também estarão impedidas as pesquisas na carga genética dos gametas, já que, estes sim, são potenciais condutores da expectativa de um novo ser.

Uma proibição dá margem ao surgimento de outra. E de outra. E esse, como já dito, não é o objetivo do Biodireito. Os teólogos costumam dizer que o dogma "não matarás" tem uma ligação íntima com a questão da alma, o que significa que, com a fecundação, uma nova alma se formou e, realizando-se pesquisas em embriões, esta mesma alma se perderia. O que me incomoda é pensar que o lixo é um lugar melhor para essa alma que o implemento de qualidade de vida dos enfermos que poderão ser amparados pelo resultado das pesquisas. Essa aritmética é muito infeliz.

Se a ciência e a religião quase nunca andaram de mãos dadas, folgo em saber que ainda vivemos em um país laico, que prevê a separação dos poderes e entre eles não se encontra um destinado à religião. A religião é uma escolha de foro íntimo e assim deve ser mantida. Não pode qualquer uma delas pretender mudanças na legislação já posta, que impedirá melhora na qualidade de vida de tantos brasileiros.

O que é mais coerente é deixar que as pessoas escolham o destino do produto da junção de seu DNA. Aliás, tal postura não impede que as pessoas contrárias à Lei de Biossegurança não autorizem a pesquisa sobre seus embriões.

Se o STF confirmar a constitucionalidade da norma que trata de biossegurança, evitará que uma "multidão" de embriões sejam destinados ao lixo, e também estará consagrando o direito de escolha de pessoas que não comungam dos dogmas de várias religiões, jogando um pouco de luz sobre a momentânea névoa do obscurantismo que pairou sobre o Brasil.

As pesquisas sobre as células-tronco embrionárias não pretendem reduzir ao sentido biológico ou genético o que entendemos por vida, mas sim, traçar uma nova possibilidade de futuro para os nossos doentes e dar a cada um de nós a possibilidade de escolher qual será o destino de nosso código genético. E se tivermos tal possibilidade, porque não fazê-lo?

Nenhuma das pessoas envolvidas nas pesquisas com células-tronco embrionárias está dizendo que o embrião não é vida, mas sim que o resultado das pesquisas certamente vai ajudar as pessoas que já estão aqui, entre nós, neste momento. E para minha sorte, os fósforos da Inquisição não podem mais ser usados. 

Escrito por Cláudia Collucci às 14h26
Até que ponto os embriões congelados são inviáveis?

Teremos nesta semana, a partir de quarta-feira, o julgamento mais importante dos 180 anos da história do STF (Supremo Tribunal Federal): a liberação ou não de pesquisas com células-tronco de embriões humanos. A tendência é que os ministros, a maioria católicos, votem pela liberação, apesar da forte pressão contrária da Igreja Católica.

O interessante é que, neste debate todo, não vi sequer um comentário de uma parte da população que deveria estar bem atenta e se posicionando a respeito: os casais que têm embriões congelados nas clínicas. Afinal, o que pensam eles? Uma pesquisa feita pela clínica Fertility, com cerca de 700 casais, detectou que mais da metade deles doaria seus embriões congelados para a pesquisa.

Não só na Fertility mas como em outras clínicas _por exemplo, o centro de reprodução humana Franco Júnior, em Ribeirão Preto, que detém mais de 90% dos embriões congelados em condições de serem usados em pesquisas_, os casais costumam ser muito mais favoráveis à utilização dos seus embriões para pesquisa do que para a doação a outro casal com dificuldade de gravidez.

Talvez a opção se justifica pelo fato de que é mais confortável saber que seus embriões tiveram um fim consumado no laboratório, pelo "bem da ciência", do que ficar pensando que eles podem ter se implantado no útero de uma outra mulher e que no futuro eles poderão se encontrar com seus filhos e, meu Deus, quem sabe o que pode acontecer a partir daí...

Sou inteiramente favorável à liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias. Pesquisá-las é muito importante para compreender e futuramente tratar várias doenças degenerativas, como mal de Parkinson, diabetes, doenças cardíacas e até câncer. Mas me incomoda um pouco neste debate afirmações de que os embriões congelados há mais de três anos são inviáveis e que "jamais se implantariam no útero".

Não é bem assim. Nesses últimos dez anos, entrevistei ao menos seis casais que tiveram bebês a partir de embriões congelados há mais de cinco anos. Pelos critérios da Lei de Biossegurança, seriam inviáveis, não é? O último caso foi emblemático e já o contei aqui neste blog no ano passado: após quatro tentativas frustradas de fertilização in vitro, entre 1997 e 1999, uma mulher teve um filho gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos.

O casal já tinha desistido das FIVs e adotado um menino, quando foi chamado pelo centro de reprodução para decidir o que fariam com os cinco embriões congelados há quase uma década. Aos 41 anos, a mãe optou por transferir dois embriões, já que três não sobreviveram ao processo de descongelamento. Seis meses depois nasceu Vinícius, pesando apenas 1,2 kg e medindo 36 cm. Hoje está ótimo.

Sei que ao lembrar essa história, corro o risco de vê-la sendo usada por grupos que defendem a proibição das pesquisas com células-tronco por julgarem que a vida tem início quando o espermatozóide fecunda o óvulo e que, por isso, o embrião já teria direitos semelhantes aos humanos já nascidos. Por experiência própria, também não posso concordar com essa tese.

Por conta de uma hiperestimulação ovariana na minha primeira FIV, precisei congelar meus embriões. Nas clínicas de reprodução, é praxe fotografar um-a-um os embriões que serão congelados. Lembro-me que, na primeira vez que vi as fotos daqueles montinhos de células, enxergava neles meus futuros filhos. Imaginava que aquelas seriam as primeiras fotos do bebê e já tinha até legenda para elas: você, no segundo dia de fecundação, com cinco células. 

Mas aí começaram as transferências dos embriões congelados, todos considerados de ótima qualidade morfológica. Foram três transferências, somando dez embriões, e nenhum implantado até o momento. Ainda restam cinco embriões congelados. Confesso que hoje, ao olhar as fotos dos embriões, só enxergo montinhos de células agrupadas.

Tal como a carruagem da Cinderela que volta a ser abóbora à meia-noite, o sonho de considerar embrião sinônimo de filho se desfez. É claro que sempre resta uma pontinha de esperança, ainda mais quando me lembro, por exemplo, de histórias como a do bebê Vinícius. São elas que ainda não me deixam ser arrebatada totalmente pelo pragmatismo da ciência.

Escrito por Cláudia Collucci às 16h41
Contar ou não sobre a adoção?
"Adotei um bebê e choro quase todos os dias em ter que contar algum dia para ele [sobre a adoção]. Sofro muito, mas peço a Deus que me dê a sabedoria para dizer no tempo certo"

"O Lucas chegou no dia 12 de outubro 1997. Sou muito feliz com meu filho. O único problema é que não consigo dizer a verdade para ele, não sei como contar, tenho medo que me rejeite"

Muitos pais vivem esse drama relatado nos trechos acima extraídos de mensagens de leitoras do fórum de discussão. Afinal, quando a criança deverá saber que é adotada?

O quanto antes melhor, dizem os psicólogos e terapeutas. Para os especialistas no assunto, a criança tem o direito de conhecer a história de sua vida e o ideal é que o assunto seja tratado o mais cedo possível, de forma verdadeira e natural.

Os especialistas orientam que, até os três anos, os pais coloquem, com muita ternura, a palavra adoção no dia-a-dia da criança, usando frases do tipo "Estou muito feliz de ter adotado um (a) menino (a) tão carinhoso (a) como você". "Meu filho (a), o momento mais feliz de nossa vida foi o dia em que adotamos você".

Entre três e cinco anos, os filhos começam a fazer perguntas do tipo "De onde eu vim"?

Esse, segundo os especialistas, é um momento chave para os pais adotivos. Eles devem explicar ao filho que ele nasceu de um pai e de uma mãe que o amava, mas que não puderam cuidar dele e que, por isso, ele ganhou "pais do coração". E uma história de amor linda pode ser construída a partir daí. Por exemplo, dizer que ela saiu do lugar mais importante do corpo humano, que é o coração. E que os bebês que nasceram em outras barrigas são tão queridos e amados pelas mães adotivas como se tivessem nascidos delas.

Se os pais não conseguiram fazer isso até os cinco anos, os psicólogos sugerem que esperem a fase "dos cinco aos sete" passar porque esse período é muito importante na formação da criança e pode fazer com que ela entenda isso como um sentimento de perda e que carregue para a maturidade traumas de rejeição.

Mas atenção: os pais adotivos não devem "enrolar" muito para abrir o jogo. O aconselhável é que essa revelação aconteça antes da adolescência. Não é exagero lembrar que todo adolescente tem os seus conflitos naturais e que, tratar de um assunto tão delicado com alguém que está em plena turbulência hormonal, pode ser muito mais difícil.

Manter a adoção como segredo por toda vida é muito sofrido, especialmente para os pais. Além disso, existe sempre a possibilidade da criança ficar sabendo sem querer, por outras pessoas que não sejam os pais. Quando ela descobre dessa forma poderá surgir um sentimento de traição por achar que foi enganada, de tal modo que perca a confiança nos pais, sofram muito e sintam vergonha da sua situação.

Por isso, aos que vivem o fantasma de serem rejeitados e abandonados caso a verdade sobre a adoção seja revelada, saibam que, segundo os especialistas, após as emoções se acomodarem, os laços entre os pais e os filhos adotivos ficam ainda mais fortes porque a relação estará sob uma forte base de amizade, amor e confiança.

*
 
Um assunto correlato surgiu hoje com a seguinte mensagem recebida de um leitor:
 
"Eu e minha esposa somos casados há quase 10 anos, a partir do segundo ano de casados, suspendemos o remédio e iniciamos as tentativas para engravidar, ficamos quase um ano nas tentativas, e nada. Nesse momento, todos suspeitavam que minha esposa tinha problema.
Realizamos todos os exames e para nossa surpresa, eu tinha problema.
 
Isso foi uma bomba na minha familia, filho primogênito de pais muito tradicionais, família de origem rural com forte tradição, primeiro neto da linhagem. Foi dificil, tentamos tratamentos em inúmeros médicos, e não conseguimos o nosso bebê.
 
Como o problema é meu (sofro de azoospermia severa, os médicos suspeitam que ocorreu devido a caxumba que tive na puberdade), sofri durante todos os dias a dor de não poder ser pai e ainda mais, de privar minha esposa, que é uma verdadeira companheira dessa felicidade.
 
No ano passado, tomei uma decisão radical, aceitei realizar o tratamento de inseminação artificial com sêmen de doador. Tivemos um cuidado muito grande ao escolher a clínica, o banco de sêmen e as características do doador, ele deveria se parecer em temperamento e fisicamente comigo, isso foi o mais difícil pois meu fenotipo é muito especifico, mas tudo deu certo.
 
Resolvi escrever-lhe, porque decidimos não contar nada ao nosso(s) filho(s)... Tomamos essa decisão porque nossa estrutura familiar não está preparada para lidar com essa informação, acreditamos que nosso filho sofrerá preconceito de primos e parentes devido sua "condição de origem". Além disso, essa foi a maneira que eu encontrei para não desenvolver uma rejeição ou transferir a frustação de não poder ser pai para ele. Aceitando essa decisão, já me sinto pai. Gostaria que vc colocasse o tema em discussão no seu blog, afinal, é sempre bom ler opiniões diferente a respeito".

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h53