Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela
PUC de São Paulo, autora dos
livros ("Quero Ser Mãe", editora
Palavra Mágica, e "Por Que a Gra-
videz Não Vem?", editora Atheneu)
"Quero Ser Mãe"
O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas
"Por Que a Gravidez Não Vem?"
Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema
Ginecologistas
- Artur Dzik
- Carlos Alberto Petta
- Cláudia Gazzo
- Daniel Faúndes
- Eduardo Motta
Urologistas
- Jorge Hallak
- Paulo Augusto Neves
- Rodrigo Pagani
Acupunturistas
- Maria Auxiliadora Florentino
- Lilian Fumie Takeda


Visitas
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Manicures e martines

A Associação Americana de Fertilidade lançou há algum tempo um programa de informação e prevenção com o nome intrigante de “Manicures & Martinies”! À primeira vista, álcool e cosmética não misturam bem com fertilidade. No entanto, a presença de tais estimulantes visa criar um ambiente relaxado, favorável à conversação aberta sobre as questões relacionadas com a fertilidade, atraindo também mulheres mais jovens, que assim poderão ajustar a tempo algumas das suas opções e comportamentos, em função do desejo de terem filhos no futuro. É uma iniciativa interessante, porque mostra como é quase indispensável recorrer a meios “ilícitos” para alguém hoje ouvir falar sobre prevenção da fertilidade. Na verdade, por que razão devia uma mulher jovem e saudável preocupar-se com isso? Por que razão a possibilidade distante de ter filhos deveria sequer ocorrer a adolescentes ou jovens adultos? As pessoas que passaram pela experiência da infertilidade conhecem muito bem a resposta a estas perguntas: simplesmente porque o sofrimento causado pela infertilidade pode ser devastador e alterar para sempre a vida de cada um. É a força (e o trauma) desta experiência que move as pessoas que por ela passaram. E se for preciso oferecer um martini e um tratamento cosmético para que escutem, havendo patrocinadores, pois que assim seja… * O texto foi extraído do blog da Associação Portuguesa de Fertilidade, nossa parceira
Escrito por Cláudia Collucci às 11h15

"O homem não é apenas um espermatozoide"

Estou em Goiânia desde domingo, no Congresso Brasileiro de Urologia, aprendendo um pouco mais sobre a saúde do homem. Ontem, uma importante discussão sobre infertilidade masculina aconteceu por aqui. Os urologistas presentes criticaram a forma como a maioria das clínicas de reprodução lidam com a infertilidade masculina, ou seja, em vez de investigar e tratar o problema do homem, indicam de imediato as técnicas de fertilização, como a FIV e a ICSI. "A FIV deveria ser a última escolha do tratamento", afirmou Sandro Esteves, da clínica Androfert, de Campinas (SP).
Segundo ele, caso o homem tenha varicocele, é recomendável primeiro a cirurgia. Mesmo que a gravidez não aconteça de forma natural, as chances de o homem engravidar a parceira por meio da FIV aumentam quase três vezes quando ele opera antes a varicocele. "O homem não é apenas um espermatozoide. É uma pessoa. Precisa checar como está sua saúde, sua alimentação, parar de fumar", explica o médico.
Para ele, a reprodução assistida poderá gerar uma série de riscos no futuro. “No momento, nós podemos especular que pode haver um aumento da população infértil, pois muitos indivíduos herdarão a infertilidade dos pais, especialmente nos casos genéticos de infertilidade masculina. Poderá aumentar também as doenças hereditárias, pois muitas serão transmitidas pela fertilização, o que seria evitado pelo mecanismo de seleção natural.” Outra questão que Esteves levantou foi a da incidência de múltiplos com a fertilização in vitro. Dados apresentados por ele mostraram que no Brasil 44% dos casos de fertilização geram mais de um bebê. “Publicações recentes têm sugerido uma associação entre a fertilização artificial e o aumento da frequência de certas doenças raras que aparecem quando há defeito no processo de imprinting genômico”. Imprinting é o processo de ativação ou desativação de genes paternos ou maternos que ocorre durante a formação e desenvolvimento do embrião.
Já o urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da Universidade de São Paulo (USP), apresentou dados que mostram o impacto dos poluentes ambientais na saúde reprodutiva do homem. “A poluição atrapalha a produção de espermatozoides. E a qualidade do gameta influencia no número de abortos."
De acordo com Hallak, os homens que trabalham nas ruas e inalam muita poluição têm uma maior concentração de radicais livres de oxigênio no sangue, o que prejudicaria também na fabricação de espermatozóides de qualidade.
O médico está finalizando um estudo sobre a influência da maconha na infertilidade masculina. Segundo ele, as drogas como maconha, crack e cocaína também causam estragos na fertilidade do homem.
“A maconha altera a produção do espermatozóide. Ele muda de formato e perde a mobilidade. Basta consumir a droga uma vez por semana para desenvolver esses efeitos”, disse Hallak. A pesquisa vem acompanhando 32 homens, no período de dois a sete anos, que consomem a erva.
Hallak afirma que há tratamento nos dois casos (poluição e maconha). “É preciso administrar vitaminas como a E e a C para melhorar a qualidade do espermatozoide. Mas o tratamento dura em média sete meses”, explicou.
COMENTÁRIO: O dr. Eduardo Motta, diretor da clínica Huntington, enviou o seguinte comentário referente a este post: "Em parte concordo com as afirmaçoes, mas existem diversos questionamentos a serem levados em consideração: 1 - Embora o tratamento do homem seja mandatório nestas situçõesa, ainal ele participa com um dos gametas, ninguém sabe até hoje se podemos culpar unica e exclusivamente a varicocele e mais, se a cirurgia tem este poder rejuvenescedor. Certamente ela estabiliza o processo, mas não recupera tudo.
São raríssimos os homens que teriam sua indicação de uma FIV, tal a gravidade da varicocele, transformada em gestação natural por conta da cirurgia, ou seja, mesmo com a cirurgia é muito provável que a indicação da FIV nestes casos ainda exista, mas, lógico, que com um prognóstico melhor, pelo lado masculino;
2 - Se realizada, a varicocelectomia, por mãos inapropriadas e não por microcirurgia, o risco de piorar o quadro aumenta, levando até a falência testicular se forem ligadas as artérias;
3 - Nunca se esqueçam da IDADE DA MULHER. Pouco adianta operar um homem, esperar 6 a 12 meses e a mulher entrar na faixa dos 40. Seguramente perdemos tempo, Enfim, na verdade gostaria de dar a ATENÇÃO que o contexto do tratamento não é do "homem" ou da "mulher", nem do "urologista" ou do "ginecologista", mas integrado, por equipes que tenham ambos os profissionais, e que juntos possam avaliar o casal."
Escrito por Cláudia Collucci às 12h53

Rede internacional defende doação de gametas aberta e informada
No final de 2008, foi criada em Toronto (Canadá) uma rede internacional de associações na área da doação de gametas http://inodco.org/. A rede defende um conjunto de princípios com vista a um novo equilíbrio entre as três partes envolvidas nos processos de doação: as pessoas com problemas de fertilidade, os doadores e as crianças. Para se conseguir uma doação de gametas aberta e informada, propõem a seguinte agenda, já respeitada em alguns países: 1. Acabar com a doação anônima de gâmetas, sendo obrigatória a identificação de doadores; 2. Preservar toda a informação sobre doadores em ficharios centrais, sob tutela de organizações governamentais, por prazo indeterminado; 3. Todos os nascimentos com doação de gâmetas devem ser declarados; 4. Fixar um limite para o número de crianças concebidas por cada dador; 5. Obrigar os doadores à manutenção atualizada do sua história clínica; 6. Todos os doadores devem ser submetidos a testes genéticos exaustivos; 7. Promover o acompanhamento clínico da doadoras de óvulos; 8. Tornar obrigatório o aconselhamento e a informação de todos os que pretendam recorrer à doação de gametas; 9. Requerer apoio legal e financeiro para que todos os doadores anônimos se sintam seguros e possam futuramente facilitar a sua identificação, caso sejam procurados pelos filhos biológicos; Para nós, pode parecer estranho isso tudo, mas eu não tenho dúvida de que logo, logo essa discussão chega aqui. Faço um paralelo com a adoção de crianças, que por muito tempo permaneceu em uma zona obscura, com os pais escondendo dos seus filhos essa preciosa informação. Hoje, é inconcebível que isso aconteça. O próximo passo será tirar a doação de gametas dessa zona cinzenta. Já disse e repito: doação de óvulos e de espermatozoides não é uma decisão simples. É preciso estar liberto do sentimento de apego e outras inseguranças. A criança a ser gerada tem um direito inquestionável de conhecer a verdadeira história da sua concepção. PS - Um especial obrigado à Associação Portuguesa de Fertilidade pela informação da criação da rede.
Escrito por Cláudia Collucci às 17h00
Procurando Luciana
Em meio a uma depressão pós-parto, Luciana fugiu de casa em junho sem dinheiro nem documentos, deixando uma bebê de 11 meses. Desde então, a família não teve mais notícias.
A irmã dela criou o blog http://www.procurandoluciana.blogspot.com/ na tentativa de obter qualquer informação sobre o paradeiro da Luciana. O blog não só serve de ajuda à família como também é um importante alerta sobre a seriedade e gravidade da depressão pós parto.
Vale a pena dar uma olhada no site e divulgá-lo entre seus amigos.
Escrito por Cláudia Collucci às 19h27

O patrimônio genético

Um assunto muito importante circula hoje nas agências internacionais: um doador de esperma de 23 anos, que desconhecia ter uma cardiopatia, passou a doença cardíaca para nove filhos biológicos, causando a morte de um deles. O tema levanta a discussão sobre o o rigor dos exames feitos no sêmen e no óvulo doado. Quando doam esperma ou óvulos, os/as candidatos/as respondem a perguntas sobre o histórico de doenças na família, mas algumas não são óbvias ou conhecidas. Em um artigo publicado na revista especializada "Journal of the American Medical Association", médicos americanos argumentaram que a cardiomiopatia deveria ser incluída entre os testes rotineiros dos doadores. Mas os especialistas britânicos acham que a medida poderia desencorajar potenciais doadores. Estima-se que a cardiomiopatia hipertrófica atinja uma a cada 500 pessoas da população adulta e é uma das causas mais comuns de morte súbita entre jovens. Esta é uma doença genética dominante, o que significa que os filhos de alguém que carregue o gene têm uma chance de 50% de herdar o problema. Os sintomas podem ser inexistentes ou vagos, como dores no peito, falta de ar, palpitações e desmaios, mas um exame cardíaco pode identificar a condição. O fato é que esse problema é apenas a ponta do iceberg. Há várias doenças genéticas para as quais não são feitos testes no sêmen ou no óvulo doado e nem sempre os casais são alertados para isso no momento em que decidem tentar uma gravidez por ovo/esperma/doação. No Brasil, todas as amostras doadas são testadas previamente para doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e hepatite. Mas os testes genéticos ainda são raros aqui e em todo mundo. O que acaba valendo é a palavra do doador, que nem sempre sabe que carrega um gene mutante. Para o especialista britânico Allan Pacey, da Universidade de Sheffield e da Sociedade Britânica de Fertilidade, esta é uma questão que precisa ser debatida. "Se você for considerar todas as doenças, a lista seria interminável. E algumas coisas sempre vão passar pela peneira", disse ele. Mas o especialista afirma que a questão deve ser investigada mais a fundo para determinar se as regras devem ser modificadas. Ou seja, a decisão de uma gravidez com ovodoação/espermadoação vai muito além do dilema emocional. Muitos casais no Brasil omitem a verdadeira origem biológica com medo de uma futura rejeição do filhos. Mas esses mesmos casais devem estar cientes de há os riscos relacionados à genética de cada um. E hoje cada vez mais é importante sabermos, de antemão, as doenças que podemos herdar dos nossos antepassados. Eu, por exemplo, sei que minha avó e minha tia materna morreram após derrame cerebral (AVC). Minha mãe é hipertensa e tem altas taxas de HDL (colesterol ruim). Por saber dos meus riscos cardiovasculares, desde dos 30 anos, tomo cuidados preventivos: faço exercícios físicos, evito comidas gordurosas, prefiro alimentos integrais, entre outros. Por isso tudo, tenho a convicção de que os filhos têm sempre o direito de conhecer seu patrimônio genético. Eles precisam saber, por exemplo, se têm maior risco de desenvolver um câncer de mama ou de próstata e começar os exames preventivos o quanto antes. Eles precisam conhecer seus riscos cardiovasculares. Eles não serão crianças a vida toda.
Escrito por Cláudia Collucci às 13h12

A polêmica do teste genético
Publiquei hoje na Folha uma reportagem que merece atenção: a validade ou não de fazer o teste genético pré-implantacional (PGD) para casos de idade avançada (após 39 anos), abortos recorrentes ou sucessivas falhas de FIV. Quando foi criado, esse teste se propunha a evitar a transmissão de doenças hereditárias, identificadas previamente na família. Após tratamento de reprodução assistida, são retiradas uma ou duas células de um embrião de três dias (estágio de 6 a 12 células) para análise. Os embriões alterados são descartados, e os saudáveis transferidos para o útero. O que muitas clínicas de reprodução não informam é que existem ao menos três riscos associados ao teste: ele pode destruir o embrião, falhar em 10% dos casos ou simplesmente descartar embriões saudáveis (apresentaram alteração no exame, mas se "autocorrigiriam" na divisão celular). A validade ou não do exame tem sido tema dos últimos congressos de reprodução. Entre os médicos, há opiniões divergentes. Uns concordam que os últimos estudos mostram que o exame não é tão benéfico em casos que não sejam evitar doenças hereditárias já conhecidas na família. Outros dizem que o teste melhora a taxa de implantação, mas é preciso ser feito por uma equipe experiente. Para o médico Antonio Fernandes Moron, professor titular de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em medicina fetal, o teste continua muito importante na detecção de doenças gênicas hereditárias, mas o seu uso é questionável nos outros casos. "Não há evidência científica. Vende-se a falsa impressão de que, fazendo o teste genético em mulheres mais maduras, o processo de fertilização seria mais controlado. Isso é um absurdo. Não é um processo seguro até porque há riscos de doenças associadas à manipulação embrionária", afirma. A matéria completa pode ser acessada pela Folha Digital: http://edicaodigital.folha.com.br. Ao abrir, vá para a Editoria Saúde.
Escrito por Cláudia Collucci às 20h46
Famílias alternativas

Assisti recentemente a um ótimo documentário canadense (http://www.fatherhooddreams.com/) sobre as chamadas famílias alternativas. Inclui uma série de entrevistas de pais gays e lésbicos, solteiros ou casados, de seus filhos, amigos e familiares. O documentários nos convida a conhecer o dia a dia dos pais gays Scott, Steve, Randy e Drew, que realizaram o sonho da paternidade por meio da adoção, barriga de aluguel ou "co-parenting". Há depoimentos muito emocionantes que nos mostram como a questão gênero ou opção sexual é totalmente irrelevante quando o assunto é maternidade/paternidade. O que importa é o amor, a atenção, a dedicação e o carinho que essas pessoas dedicam aos filhos. Abaixo, segue um pequeno trecho do documentário disponível no "You Tube". http://www.youtube.com/watch?v=IozpcuGR174
Escrito por Cláudia Collucci às 12h10

Hoje, dia 17/10, é comemorado o Ano Novo hindu. Os indianos orientam que haja flores e velas acesas nas nossas casas para que a divindade Lakshmi nos abençoe. Lakshmi é a personificação da beleza, amor, fartura e generosidade. É o principal símbolo da potência feminina, reconhecida por sua eterna juventude e beleza. É esposa de Vishu, o sustentador do Universo. A imagem de Lakshmi é repleta de simbolismos. As duas mãos abaixo, significam doação e proteção. E as duas mãos levantadas, com o lótus cor de rosa (apesar de a ilustração mostrar o lótus amarelo...), sugere que você deve ter amor no seu coração. Rosa é o símbolo do amor e da compaixão. Acreditando ou não nisso tudo, é uma ótima oportunidade para comemoramos a Vida. Feliz Ano Novo para todas!
Escrito por Cláudia Collucci às 12h52

Onde você coloca o sal?
O velho Mestre pediu a uma jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo de água e bebesse. - Qual é o gosto?, perguntou o Mestre. - Ruim, disse a aprendiz. O Mestre sorriu e pediu à jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e a jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse: - Beba um pouco dessa água. Enquanto a água escorria do queixo da jovem, o Mestre perguntou: - Qual é o gosto? - Bom!, disse ela. - Você sente o gosto do sal?, perguntou o Mestre. - Não, disse a jovem. O Mestre, então, sentou-se ao lado da jovem, pegou em suas mãos e disse - A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um lago. Após dois meses de dor (pelo aborto e pelo infarto do meu pai), quase já não sinto mais o gosto do sal. As férias em cidades acolhedoras de Minas (Tiradentes, Ouro Preto e, por último, Gonçalves) me fizeram muito bem. Encantei-me, sobretudo, com Gonçalves. Os bosques de araucárias, as majestosas cachoeiras, os pássaros multicores, o arco-íris após a chuva, a boa comida, a visita ao ateliê da minha amiga ceramista Cynthia Gavião (que trocou a loucura de Sampa pelo paraíso). Tudo isso ajudou a cicatrizar as feridas abertas. E a trazer as cores para os dias cinzentos. E a agradecer ao Universo por tudo. Abaixo, alguns registros de Gonçalves. 





Escrito por Cláudia Collucci às 19h59

Inspiração na dor
É possível encontrar inspiração na dor? Nossa amiga portuguesa, que mantém um blog no site da Associação Portuguesa de Fertilidade, nos mostra que sim. Também uma tentante que enfrentou abortos anteriores, ela compôs uma linda poesia sobre esse sentimento que a gente conhece tão bem. Conheçam o trabalho dela no seguinte link http://aromadeamora.blogspot.com/ Fica comigoDá-me a mão e deixa-me conhecer-te Dá forma aos meus sonhos tornando-te na minha realidade Faz com que possa ouvir o teu nome, chamar-te, presenciar-te, viver-te e sentir-te Permite que a felicidade me inunde E que o mundo se decomponha numa gargalhada
Fica comigo
Para que troquemos vida para além dos afectos Para que a minha alegria adquira um rosto Para que possa desprezar este enfado, este desânimo Dando um abraço apertado ao nosso amor
Fica comigo
Para que respiremos um ar de beijos Para que falemos somente palavras de ternura Para que olhemos somente para o amor que nos consome
Não me deixes somente com a luta Com o sabor inglório de uma guerra perdida Com a face impregnada de sal de lágrimas Deixa-me saborear a aroma da vitória, o cálido prazer de te ter finalmente conhecido.
Deixa-me acreditar que tudo valeu a pena.
Por isso... fica comigo.
Escrito por Cláudia Collucci às 15h41

Compaixão

Queridas (os), a mensagem é para agradecer as palavras de apoio e de conforto que vocês me encaminharam nos últimos dias. Li e reli, emocionada, cada uma delas. Ontem, venci a última etapa desse dolorido processo, a aspiração uterina. Meu corpo gostou tanto de ficar grávido que não havia o menor sinal de expulsão do embriãozinho. É o que se chama de aborto retido. Ainda estou para conhecer uma experiência tão triste quanto ser internada em uma maternidade, passar pelos corredores cheios de flores e de lembrancinhas dos recém-nascidos e saber que, ao sair do centro cirúrgico, não haverá bebê para ser amamentado, acariciado. Sobrará apenas um vazio enorme no peito. E uma saudade das nove semanas de gestação. Dos seios inchados, dos enjoos semanais e dos projetos que a gente faz tão logo se confirma a gravidez. Sei que, com o passar dos dias, a dor tende a se dissipar. Por isso, não me furto de viver e de elaborar, neste momento, o inevitável luto. Há muito tempo abandonei a ideia de que existem soluções fáceis para as situações difíceis da vida. Não perco mais tempo procurando atalhos. Prefiro lembrar que viver é correr riscos, dá trabalho e que o jeito é respirar fundo e seguir em frente. Nesse período, tenho lembrado muito de uma antiga história chinesa, que diz respeito ao karma e relata mais ou menos o seguinte: No tempos medievais vivia na China um velho camponês que tinha um cavalo fraco e cansado no qual atrelava o arado para trabalhar no seu pequeno pedaço de terra. Um dia o cavalo doente fugiu para as montanhas. Os vizinhos se solidarizaram: "Que má sorte!", repetiam lamentando. "Má sorte? Boa sorte? Quem pode dizer?", respondia o velho camponês. Uma semana mais tarde, o cavalo voltou acompanhado de outros cavalos selvagens das montanhas. Os vizinhos apareceram para ver e, reunidos em torno do camponês, dessa vez se alegraram com sua boa sorte. A resposta, no entanto, foi a mesma: "Boa sorte? Má sorte? Quem pode dizer?" Algum tempo depois, enquanto tentava domar um dos cavalos selvagens, o único filho do camponês sofreu uma queda e quebrou a perna. Todos consideraram um sinal de má sorte. "Má sorte? Boa sorte? Quem poderá dizer?", repetia o ancião. Semanas mais tarde, o exército do imperador marchou pelo vilarejo convocando todos os homens jovens e saudáveis para se alistar, mas o filho do camponês, na cama com a perna quebrada, foi deixado para trás. Boa sorte? Má sorte? Quem poderá saber? O budismo nos ensina que, em vez de querer rotular os fatos consumados como bons ou ruins, o mais importante é encará-los e se preocupar principalmente com a qualidade da resposta que vamos dar a eles. As coisas são como são, é a nossa reação que vai perpetuar ou minimizar as causas de sofrimentos futuros. Se não temos controle sobre o que chega a nós, temos escolha sobre o que lançamos no mundo. Querer ser mãe e os desafios que tenho encontrado me fizeram entender melhor o conceito da compaixão, que é muito diferente de pena. Sentir pena implica um distanciamento, é estar de fora olhando a dor alheia lá e a gente aqui, passivamente. Na compaixão existe uma empatia, reconhecemos a dor do outro como nossa e não queremos fugir dali, ao contrário, nos sentimos mobilizados a fazer alguma coisa para acabar com aquele sofrimento. Nesses últimos dias, meu marido, minha família, meus amigos mais próximos e vocês, minhas queridas leitoras, cobriram-me de compaixão, de carinho e de muito amor. Obrigada por fazerem parte da minha vida.
PS - Saio de férias a partir da próxima semana. Tempo de descanso e de recarregar as baterias.
Escrito por Cláudia Collucci às 15h58

Maternidade interrompida
Esperava começar setembro com boas novas para vocês. Já preparava um texto para anunciar a minha tão esperada gravidez, quando, novamente, fui surpreendida por mais um aborto espontâneo. Ontem, último dia de agosto, o ultrassom detectou que o embrião parou seu desenvolvimento, na oitava semana de gestação. O momento é de dor, tristeza e de poucas palavras. Sei que vocês me entendem. Porém, farei do meu luto uma ponte para divulgar um trabalho muito bonito da professora portuguesa Maria Manuela Pontes. Ela lançou recentemente o livro “Maternidade interrompida - O drama da perda gestacional” (Editora Ágora, 2009), que tem tudo a ver com esse meu momento. Na obra, Maria Manuela Pontes, que sofreu dois abortos espontâneos, quebra o silêncio e dá voz às mulheres que enfrentam esse drama. Entre os depoimentos está o de Mafalda Sobral, que apesar de ter sofrido nove abortos espontâneos, não perdeu o sonho de ser mãe. “Sofri indescritivelmente a dor da perda, de nove filhos que partiram. Todo o processo de sofrimento me condicionou como pessoa, mulher e profissional. É impossível não mudar, não se transmutarem os valores, as prioridades. Hoje, encaro o processo de perda como uma fase da vida que me ajudou a crescer como mulher”, relata a advogada. Ela ignorou a opinião de médicos, amigos e família, acreditou que conseguiria ser mãe e hoje tem dois filhos. Maria, hoje mãe de dois filhos, fundou há oito anos o Projeto Artémis, em Portugal, onde vive. A associação apoia as mulheres vítimas desse tipo de perda e é uma das maiores organizações não-governamentais na área, oferecendo atendimento psicológico e aconselhamento às mães e a seus familiares. Para a autora, o aborto espontâneo é um tema pouco divulgado. “Existe um enorme silêncio ao redor do assunto, com nuances de um tabu que deve ser quebrado. A perda gestacional destrói vidas, famílias. É preciso dignificá-la e conhecê-la para que, de forma correta e humana, possamos ajudar essas mulheres”, afirma. A seguir, trechos da entrevista Maria Manuela concedeu ao site “Vila Filhos”: Como as mulheres reagem quando perdem um bebê espontaneamente? Todas as mulheres, sem exceção, reagem mal. Sentem-se revoltadas, sozinhas, com muitas perguntas. Um dos sentimentos dominantes é a incompreensão, que leva a estados depressivos e a situações mais graves de psicoses, que necessitam de intervenção profunda e prolongada. A sociedade não aceita que estas mulheres chorem e as pessoas não compreendem porque se chora por um bebê que não nasceu. Por isso, elas se sentem completamente à margem do processo de luto. Passam-se anos, e a data da perda continua viva dentro delas. A perda passa a ser uma cicatriz e faz delas mulheres que calam um grito, essencialmente de dor e revolta. O sofrimento dessas mulheres dura normalmente quanto tempo? Toda a vida. Sei que deve parecer exagero, mas é a verdade. A dor apenas se transforma em saudade. Eu ainda hoje choro por meus bebês que partiram. Choro quando uma nova mamãe chega à Artémis e carrega toda aquela vivência que um dia foi minha. E as mulheres sofrem, por exemplo, quando chega a data em que deveria nascer o bebê, choram todos os anos as datas que marcam a perda e até quando voltam a ser mães e dão à luz. Todas as mulheres sofrem por toda a vida, apenas a dimensão é alterada.
Como eles conseguem superar a depressão e a dor? Qual a sua sugestão para essa superação? Elas vão superando a dor aprendendo a conviver com ela. Por vezes, o apoio familiar é vital, o desabafar é uma ótima forma de ultrapassar o sofrimento, transformando-o em “acreditar” de novo. A depressão é mais complicada. Dificilmente uma depressão se auto-cura. É preciso intervenção de um profissional que oriente de forma terapêutica. Acredito que viver e conviver com histórias muito idênticas à nossa é a forma mais poderosa de se viver este luto. E como encarar o desafio de uma nova gravidez? O desafio de uma nova gravidez, para quem já perdeu um filho, é algo atroz e bastante violento. Costumo dizer que quando engravidei da minha filha Vitória, todos os dias me preparava para perdê-la. Há mulheres que pura e simplesmente não fazem o enxoval do bebê antes do nascimento e vivem em sobressaltos diários, procuram sangramentos, dores, movimentos fetais indicadores de que mais uma vez, tudo vai acontecer. Viver uma gravidez depois de uma perda, depois de termos cicatrizados na memória momentos de autêntico drama, é muito complicado e bastante desgastante emocionalmente. 
Escrito por Cláudia Collucci às 17h02

As mudanças necessárias na reprodução assistida
O escândalo motivado pelos processos, e, nesta semana, pela prisão do médico Roger Abdelmassih desencadeou uma série de discussões sobre a necessidade de se atualizar a legislação sobre a reprodução assistida no país. A única resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) foi publicada 17 anos atrás e, além de desatualizada, não é seguida à risca. Os conselhos de medicina querem incluir o assunto na reforma do código de ética médica, que está em andamento.
O certo é que pouco avanço haverá enquanto o Congresso não aprovar regras claras para o setor. Apesar de o primeiro bebê de proveta brasileiro já ter completado 25 anos, não existe sequer um projeto de lei aprovado que regulamente a reprodução assistida no país. Todos os projetos apresentados nos últimos anos eram de deputados ligados à Igreja ou a organizações não governamentais, continham sérios viéses ideológicos e não foram em frente.
Enquanto isso, as clínicas privadas nadaram de braçada. Não só ganhando muito dinheiro (já que os valores dos tratamentos são altíssimos), mas também com práticas nada éticas, como receber comissões de laboratórios que fabricam os remédios usados no tratamento e das distribuidoras que vendem as drogas. Eu mesma já denunciei essa prática há alguns anos na Folha, mas, infelizmente, nenhuma investigação séria (nem dos conselhos de medicina e nem do Ministério Público) foi realizada.
Anos atrás, também foi denunciado que Roger Abdelmassih anunciava abertamente a prática de transferência de citoplasma de óvulos de mulheres jovens como forma de "turbinar ou vitaminar" óvulos de mulheres mais velhas, mesmo isso não tendo evidência científica e nem aval de nenhuma sociedade médica do mundo. Nada aconteceu.
Outras denúncias foram feitas dando conta que, não só Roger, mas outros médicos da área admitiam a prática da sexagem para a escolha do sexo do bebê (não para a evitar a transmissão de doenças genéticas, o que é permitido pela resolução, mas por vontade do casal de ter menino ou menina) e de compra de óvulos, o que também é proibido pela norma do CFM. Nada aconteceu. As denúncias de abuso e assédio sexual (agora, as acusações são de estupro. A mudança aconteceu em razão de uma nova legislação sobre crimes de natureza sexual, em vigor desde 7 de agosto) que recaem sobre Abdelmassih também não são novas. Ouço histórias, no meio médico, há mais de uma década sobre elas. As poucas vítimas com as quais tive contato tinham medo de denunciá-lo por falta de provas. Os médicos conheciam essas histórias por meio das pacientes, mas também usavam dos mesmos argumentos para justificar o silêncio em vez da denúncia ao conselho regional de medicina.
Agora, a casa caiu graças à coragem de um grupo de mulheres, que fez a primeira denúncia, e de outras que apareceram em seguida, encorajadas pelas primeiras. Espero que tudo isso seja o início de uma grande limpeza nessa área da reprodução assistida. Espero que o Ministério Público, a Receita Federal e os conselhos de medicina foquem investigações nesse setor e estejam atentos a outras práticas também graves que, por ventura, estejam ocorrendo.
E mais: que o Ministério da Saúde e o sistema suplementar (planos e seguros de saúde) cumpram o direito constitucional de todo casal com dificuldade de gravidez ter acesso a serviços de reprodução assistida. Somente com a expansão dos serviços públicos, baseados em protocolos científicos, a criação de uma legislação federal para área da reprodução assistida e uma fiscalização sistemática das autoridades competentes é que essa limpeza no setor será possível.
Escrito por Cláudia Collucci às 19h02

Grávida de 12 bebês
O tabloide britânico "The Sun" traz hoje uma reportagem, no mínimo, assustadora. Uma professora da Tunísia está grávida de 12 bebês. Depois de fazer um tratamento em uma clínica de fertilidade, a mulher espera seis meninas e seis meninos, segundo o relato.
Especialista ouvidos pelo "Sun" confirmaram a possibilidade de a gravidez recorde ser real, mas disseram que o risco dela é "colossal". Segundo a reportagem, a mulher está em situação boa de saúde, mas sendo monitorada o tempo todo. Ela teria dito que quer dar à luz de forma natural, mas os médicos dizem ser impossível. Dr Mark Hamilton, da Sociedade Britânica de Fertilidade, disse: "Doze bebês é uma situação extraordinária e de muitos riscos. Essa mulher deve ter recebido tratamentos de estimulação hormonal sem controle. Na FIV (fertilização in vitro), há mais controle (o casal decide quantos embriões serão transferidos)." Em janeiro, Nadya Suleman, da Califórnia (EUA), surpreendeu o mundo quando deu luz a óctuplos. Se a gravidez da tuniasiana realmente se confirmar (o que eu duvido; quando se trata de "The Sun", é preciso ter cautela), será mais um capítulo na história das irresponsabilidades médicas que, vez ou outra, abalam o mundo da reprodução assistida. http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/2592012/Woman-in-Tunisia-pregnant-with-12-babies.html
Escrito por Cláudia Collucci às 15h34

O perigo da endometriose

M., 30, sempre teve cólicas menstruais horríveis. Nos últimos anos, só conseguia ter alívio da dor com potentes analgésicos e anti-inflamatórios, alguns deles aplicados intra-muscular em pronto-socorros. Além das cólicas, sentia também dor abdominal durante a relação sexual, dor no intestino na época das menstruações, entre outros sintomas clássicos da endometriose. Mas esses sinais não foram suficientes para que a sua ginecologista suspeitasse da doença. Nas entrelinhas, a médica chegou a sugerir que as queixas eram "manhas de menina mimada". Enquanto isso, M. e o marido tentavam há dois anos uma gravidez. No início do ano, M. engravidou e sofreu um aborto com sete semanas de gestação. Após conversas com amigas, procurou um novo ginecologista que, na primeira consulta, suspeitou da endometriose. Logo em seguida, pediu exames de imagem (ultrassonografia e ressonância pélvica), que apontaram uma endometriose severa, impregnada em vários órgãos. Há poucos dias, M. fez uma laparoscopia. O susto foi grande. A doença havia tomado grande parte do intestino, o que motivou a retirada de 15 cm do órgão e oito dias de internação. Acompanhei, aflita, o drama de M., que é mulher de um grande amigo meu. Bem sei que a endometriose é ainda uma doença bastante subnotificada. É muito comum suas vítimas demorarem anos para ter o diagnóstico e o tratamento corretos. Difícil é entender a razão disso. As fontes de informação são imensas e as mais variáveis possíveis. Basta darmos um "google" para aparecer uma lista de 476 mil páginas sobre o assunto. Também sabemos que o não-tratamento da endometriose acarreta consequências desastrosas à saúde e à vida da mulher. Uma das principais é a infertilidade. Ainda assim, há ginecologistas que acompanham anos uma mulher, ouve suas queixas e nem ao menos se dão o trabalho de investigá-las. Falta de conhecimento? Desatenção? Não sei responder. A pergunta que não se cala é: como isso é possível????
Escrito por Cláudia Collucci às 19h42
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