A vida real e a fantasia da reprodução assistida

Sarah Jessica Parker exibe suas gêmeas geradas em barriga de aluguel. Debbie Rowe, mãe biológica de dois dos filhos de Michael Jackson, diz que o cantor não era o pai biológico das crianças e que a inseminação foi feita com material de doador anônimo. Não quer saber das crianças. Na novela da Globo, Caminho das Índias, a personagem de Cissa Guimarães, quase uma cinquentona, comemora a gravidez a partir de óvulo congelado há anos e de sêmen doado.
No primeiro caso, nada contra. Já foi dito que o casal tinha algum problema que levava a abortos recorrentes e que a barriga de aluguel foi sugestão médica, legitimada por lei.
No caso dos filhos de Jackson, confesso que tenho muita pena dessas crianças, frutos de um negócio e órfãos da tecnologia. Em entrevista recente, Debbie Rowe diz claramente que não pretende reivindicar a guarda dos filhos. E que cedeu seu útero para “agradar Michael”, que queria muito ter filhos. Depois de complicações da segunda gravidez, afirma ter sido abandonada pelo cantor. Não conta, porém, que recebeu milhões de dólares para abrir mão da guarda das crianças e que hoje tem uma vida para lá de confortável.
Katherine Jackson, mãe do cantor, ganhou a guarda temporária das crianças, embora os padrinhos e até a ex-babá também queiram ficar com elas. Já imaginaram a cabeça dessas crianças? Criadas no mundo da fantasia, sempre encobertas quando apareciam em público e vivendo ao lado de um pai de comportamento para lá de bizarro?
Por fim, a novela, mais uma vez a desserviço da vida real. Mais uma vez vendendo a imagem falsa que tudo é muito fácil e simples no mundo da reprodução assistida. A mocinha que um dia desejava ser mãe, mas que não tinha um namorado fixo resolve congelar seus óvulos. Muitos anos depois, por volta dos 50, resolve que estava na hora de descongelar seus óvulos, consegue o sêmen de um doador, fecunda o óvulo e, de primeira, gravidíssima! E sai propagando que as amigas solteironas deveriam fazer o mesmo.
Enganação das bravas. As taxas de gravidez com óvulos congelados ainda são baixíssimas não há garantia nenhum de que após anos de congelamento eles permanecerão com qualidade para a fecundação.
Fico me perguntando quando é que vão tratar desse assunto de maneira séria. Quando é que um programa de TV vai mostrar a face real, nua e crua da reprodução assistida? Os anos de espera, as tentativas frustradas, as fortunas gastas em vão e as dívidas acumuladas em razão de tratamentos que não financiados nem pelos planos de saúde e nem pelo poder público?
O duro é que a gente sabe que não há exagero algum nesse cenário. Quem acompanha esse blog deste início já cansou de ler histórias que retratam exatamente a descrição acima. As chances de fracasso na reprodução assistida são infinitamente maiores do que as de sucesso. A maioria dos casais vão chegar ao fim dessa jornada sem os filhos que tanto desejavam e, não raras as vezes, separados já que tudo isso é um campo minado para a relação a dois. Mas, na mídia, só há espaço para o “happy end”.
Ficaria muito feliz se, além de mostrar a vida real dos tratamentos de reprodução assistida, houvesse também abertura de espaços para discutir as outras formas de maternidade e paternidade, seja pela adoção seja por outros caminhos que não necessariamente passam pela existência de filhos.
Escrito por Cláudia Collucci às 10h55

NY aprova pagamento a mulher que doar óvulo para pesquisa

O Estado de Nova York acaba aprovar remuneração à mulher que decide doar óvulos para pesquisa. Até então, não havia um consenso ético sobre isso. As clínicas americanas de reprodução assistida pagam as mulheres que desejam "doar" seus óvulos para tratamento de fertilização in vitro, mas os bioeticistas se posicionavam contrários à possibilidade de as mulheres serem pagas pela ovodoação em pesquisas. Vale lembrar que, independentemente dos fins, a doação de óvulos envolve injeções de hormônios para estimular os ovários a produzirem mais. Além de muito desconfortável, é uma situação que envolve riscos. Desde 2005, porém, a academia americana desencoraja o pagamento quando se trata de óvulos para pesquisa. Como resultado, os cientistas que trabalham com célula-tronco têm encontrado dificuldades para obter o material. "Não dá para entender a razão ética que permite a doação remunerada para a FIV e não permite para as pesquisas", diz David Hohn, da Roswell Park Cancer Institute in Buffalo (NY). Jonathan Moreno, um bioeticista da University of Pennsylvania (Philadelphia), está preocupado com a reação do público americano, que não seria lá muito favorável às pesquisas com células-tronco. Outros Estados americanos, contudo, têm fechado os olhos para a reação do público. Na Califórnia, por exemplo, desde 2006 é permitido o pagamento a mulheres que doarem seus óvulos para pesquisa. Doar ou não doar, o importante, na minha opinião, é ter uma lei regulamentando isso. Não é ficar nesse faz-de-conta brasileiro. As clínicas de reprodução e as mulheres receptoras dos óvulos "doados" fazem de conta que não pagam, e as que "doam" fazem de conta que não recebem.
Escrito por Cláudia Collucci às 19h07

Injeção de emergência "salva" ciclo frustrado de FIV
Nem tudo está perdido quando, durante um ciclo de FIV (Fertilização In Vitro), nenhum óvulo é fertilizado. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa da equipe de reprodução humana do Hospital Pérola Byington, que será apresentada no próximo mês no Congresso Europeu de Reprodução Humana, em Amsterdã (Holanda). Os pesquisadores acompanharam um grupo de 46 pacientes que não conseguiu produzir nenhum embrião durante a FIV. Em vez deles cancelarem o ciclo _o que normalmente acontece_, decidiram aplicar a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides). Para quem não está familiarizado com essas siglas, o que aconteceu foi o seguinte: Na FIV, os médicos colocam os óvulos e os espermatozóides em um meio de cultura, e a fertilização ocorre "naturalmente". Na ICSI, deles pegam um espermatozóide e injetam diretamente no óvulo. Pois bem, nesse estudo do Pérola, 10% das mulheres que não tiveram nenhum óvulo fecundado na FIV conseguiram engravidar com a ICSI. Segundo o ginecologista Artur Dzik, da equipe do Pérola, o trabalho reforça a necessidade de se fazer ICSI de urgência nas clínicas privadas. "Nesse estudo, se não tivéssemos tentado a ICSI, a taxa de gravidez teria sido de 0%", explica Dzik. Para Mario Cavagna, também do Pérola, apesar do índice de gravidez ter sido relativamente baixo, a tentativa do ICSI pode valer à pena para não interromper o ciclo e reverter o processo frustrado de fertilização inicial. "É uma alternativa para evitar que o casal tenha de aguardar para realizar o ciclo novamente, processo que pode durar de três a quatro meses", diz o médico.
Escrito por Cláudia Collucci às 13h24

"Viagens: a arte e a ciência de fazer bebês"
Estreou há um mês nos EUA um dos melhores documentários produzidos por clínicas de fertilização (no caso, a Fertility Centers of Illinois) sobre a experiência da infertilidade e o cotidiano dos tratamentos, acompanhando a história de quatro casais. O filme documenta os sonhos e as dificuldades dessa jornada em busca de um filho. O casal Lia and Steve Sulkin, um dos participantes, relata sobre as inúmeras tentativas de FIV frustradas, a dor do aborto que sofreram e, finalmente, o nascimento do bebê tão esperado. "Foi um caminho longo, mas nunca desistimos de procurar ajuda. Uma das mais difíceis experiências da nossa vida, agora parece nada quando olhamos nos olhos de nossa linda criança", dizem em um trecho do documentário. Vocês podem ver o trailer (em inglês) do documentário "Journeys, The Art & Science of Making a Baby" no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=jrwDPvyABs0. Mais informações no site da clínica www.fcionline.com.
Escrito por Cláudia Collucci às 18h52

Sarah Parker e "A Grande Família" reabrem debate sobre "barriga de aluguel"
(Novela "Barriga de Aluguel, 1990)
Quase 20 anos depois do sucesso de "Barriga de Aluguel", novela de Glória Peres que tinha Cássia Kiss e Cláudia Abreu como protagonistas, o assunto volta a ter destaque na mídia. E mais uma vez com uma certa dose de sensacionalismo e desinformação. Dois fatos desencadearam as repercussões desse assunto polêmico: as gêmeas da atriz Sarah Jessica Parker, 44, famosa pelo seriado e filme homônimo, Sexy and the city, e do ator Matthew Broderick, 47, e o seriado da Globo "A Grande Família". O casal Parker e Broderick , que já tem um filho de 6 anos, tomou a decisão depois de muitas tentativas frustradas de uma segunda gravidez. Agora reclama da perseguição que a família _e mais a mulher que está gerando as gêmeas_ está sofrendo por conta dos paparazzi. No seriado A Grande Família, os personagens Bebel e Agostinho estão afundados em um mar de dívidas. E a solução mágica para o problema envolve uma proposta financeira para que a personagem seja “barriga de aluguel” de um casal de amigos. Paralelamente a isso, em sites de relacionmento, como o Orkut, há dezenas de anúncios de mulheres oferecendo para "alugar" a barriga a preços que vão de R$ 4.000 mensais a R$ 80 mil por toda a gestação. No Brasil, esse tipo de "negócio" é proibido. O uso de uma barriga alheia para a gestação de um filho só é permitido em caráter solidário. Ou seja, entre mulheres com algum vínculo afetivo (com parentesco de até segundo grau). "A justificativa para essa recomendação é exatemente coibir a comercialização. Caso não haja vínculo familiar, é preciso pedir autorização ao Conselho Regional de Medicina onde o casal reside. É completamente desaconselhada a busca de incubadoras humanas na internet, nas redes sociais e em sites de classificados", diz o ginecologista Joji Ueno, diretor da Clínica GERA. A legislação sobre barriga de aluguel varia de país para país. O procedimento só pode ser remunerado em alguns Estados americanos, como a Califórnia e a Flórida, e na Índia. Desde 2002, quando a prática foi legalizada pelas autoridades do país, as mulheres indianas vêm sendo muito procuradas por casais de estrangeiros. O motivo é o baixo preço do aluguel de sua barriga _7.000 dólares, em média. O negócio assumiu tal proporção que se fala, inclusive, em "turismo da medicina reprodutiva". Entre as americanas, o valor da barriga de aluguel gira em torno de 25 mil dólares. "Como não há leis brasileiras sobre o tema, o que temos como elemento norteador é a resolução feita pelo Conselho Federal de Medicina, CFM, que se restringe à atividade médica, mas na lacuna de outras leis, é usada como orientação também para profissionais da Justiça também”, diz Ueno. A prática da barriga de aluguel também envolve questões psicológicas delicadas, tanto para a gestante, quanto para a mãe e o pai biológicos. De um lado, está uma mulher que passa por todas as transformações físicas e psíquicas ocasionadas pela gravidez de uma criança que não é e nunca será sua. "Esse processo é muito confuso para o psiquismo, uma vez que o registro mental existente é que toda mulher que dá a luz é mãe, sendo necessária uma redefinição interna do que vem a ser uma mãe”, explica a psicóloga Luciana Leis. Do outro lado, está um casal que tem de recorrer ao útero de outra mulher para realizar o sonho de ter um filho. "O sentimento de impotência costuma aparecer neste momento. Além disso, há a entrada de um terceiro elemento na relação do casal, podendo mobilizar muitas fantasias. Outros medos comuns se relacionam com uma possível separação dos pais biológicos, em meio à gestação, ou então, com uma possível malformação da criança. Todos estes temas merecem um acompanhamento psicológico apropriado”, diz Luciana.
Escrito por Cláudia Collucci às 14h03

Mãe aos 66 anos

A empresária britânica Elizabeth Munro, de 66 anos, se tornará no próximo mês a mais velha mulher a dar à luz no Reino Unido. Em entrevista ao "Sunday Mirror" publicada neste domingo, http://www.mirror.co.uk/sunday-mirror/, a grávida de oito meses disse que não se importa com a idade. "Não me interessa o fato de me tornar a mãe mais velha do meu país. A minha idade física não é o importante. É como eu me sinto. Alguns dias, sinto-me com 39 anos. Outros, com 56 anos." Ela também disse que se sente mais em forma e saudável que algumas das meninas de 20 anos que trabalham com ela.
Munro, divorciada há mais de 15 anos e sem outros filhos, defendeu sua decisão de viajar à Ucrânia para fazer o tratamento de fertilização que permitiu que ela conseguisse engravidar. Ela disse ter pago o equivalente a 10 mil libras (quase R$ 32 mil). A mulher afirmou que não importa com a polêmica criada em torno da gravidez. "É um assunto privado e não espero que as pessoas entendam isso. É um assunto meu e do meu bebê e de ninguém mais. Para mim, é maravilhoso." Ela, que vive e trabalha em Newmarket, Suffolk, também disse ao jornal não ter medo de criar seu filho sozinha.
Munro já marcou seu parto, que deve ocorrer no mês que vem, em um hospital privado em Cambridge. Ela já havia tentado antes tratamentos para engravidar, mas todos falharam. Elizabeth Munro é quatro anos mais jovem do que a mãe mais velha do mundo. Omkari Panwar, da Índia, deu luz a gêmeos no ano passado aos 70 anos. Em ambos os casos, a fertilização in vitro foi feita com óvulos de uma mulher mais jovem.
Escrito por Cláudia Collucci às 15h31

Lula sanciona lei que obriga planos de saúde a pagarem FIV. Será?
O presidente Luis Inácio Lula da Silva sancionou a Lei N.º 11.935, publicada hoje (12/05) no Diário Oficial da União, que, entre outras coisas, trata do custeio de tratamento de reprodução pelos planos de saúde. Tive curiosidade de acessar o texto da lei, que, na realidade, apenas altera o art. 35-C da Lei N.º 9.656, de 3 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. A novo texto tem a seguinte redação: "Art. 35-C. É obrigatória a cobertura do atendimento nos casos: I - de emergência, como tal definidos os que implicarem risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis para o paciente, caracterizado em declaração do médico assistente; II - de urgência, assim entendidos os resultantes de acidentes pessoais ou de complicações no processo gestacional; III - de planejamento familiar Confesso que fiquei bem desapontada porque não há nenhum detalhamento no item III, que trata do planejamento familiar. Todos nós sabemos muito bem que, mesmo quando está tudo "preto no branco" já é difícil o cumprimento de leis nesse país, fico imaginando se algum plano vai realmente cumprir essa lei redigida de forma tão genérica. Quem trabalhou em defesa da lei entende que ela obriga os planos de saúde privados a cobrirem os gastos com procedimentos médicos conceptivos e contraceptivos. E que a fertilização in vitro estaria incluída aí. Para mim, uma leiga em legislação, isso não está nem um pouco claro no texto da lei. Querem saber mais? Duvido que, sem pressão popular, vá mudar alguma coisa. A menos que haja uma regulamentação desta lei (acho que, nesse caso, isso não vai ocorrer), deixando muito claro quais os procedimentos que serão bancados pelos planos de saúde. É a mesma coisa que está acontecendo com a lei da mamografia. O presidente Lula sancionou uma lei que garante o acesso anual à mamografia no SUS a toda mulher acima de 40 anos. Mas o próprio braço do governo responsável pelas políticas de câncer no país, o Inca, acha um equívoco isso e diz que tudo continua igual ao que era antes: na faixa dos 40 anos, só se a mulher tiver indicação médica (histórico familiar de câncer, por exemplo) para o exame. Ou seja, é uma lei que já nasceu morta, pelo menos no que diz respeito à ampliação do acesso à mamografia. De qualquer forma, o que devemos fazer agora em relação à nova lei dos planos é fiscalizar. Entrar em contato com nossos planos de saúde e saber qual a posição deles. E botar a boca no trombone caso a coisa comece a cheirar a "enrolation". Já está mais do que na hora de os casais com dificuldade de gravidez deste país mostrarem sua cara. Todas as conquistas na área da saúde demandaram lutas. Ao vivo e a cores. E não apenas pela internet.
Escrito por Cláudia Collucci às 00h06

Nós e o Dia das Mães
Pela primeira vez, desde que o blog foi inaugurado, não preparo nada de especial para o Dia das Mães. Para falar bem a verdade, só hoje caiu a ficha de que o famoso dia que tanto nos atormenta já tinha chegado novamente. A vida anda muito corrida desde que a gripe suína...
Ou talvez porque esse dia já não me atormenta mais. É estranho. Hoje, ao lembrar que depois de amanhã é o Dia das Mães, o que primeiro me veio a mente foi: Puxa! não comprei nada para a minha mãe! Aquela angústia, aquele vazio, aquela urgência pelo filho que ainda não veio simplesmente desapareceram.
Não que eu tenha jogado a toalha neste sonho. Mas creio que passei a viver melhor os dias que tenho, a amar mais e mais as pessoas que estão ao meu lado e não projetar minha felicidade em um projeto ainda não realizado. De qualquer forma, a psicóloga Luciana Leis mais uma vez empresta sua sensibilidade para este espaço e nos presenteia com um novo artigo justamente sobre o tema. Que ele nos sirva de inspiração para continuar na luta!
Dia das Mães e infertilidade: cultivando o sonho É véspera do Dia das Mães e o tom melancólico na fala das muitas mulheres que batalharam pelo objetivo de um filho revela uma coisa só: “Mais um Dia das Mães chega e o bebê não veio!”. Em meio aos muitos pensamentos... questionamentos: “Quando ele virá?”; “O que acontece comigo que não engravido?”; “Será que engravidarei um dia?”; “E se isso não ocorrer?”.
Essas são algumas das muitas perguntas sem respostas que a maioria das mulheres que vivencia essa dificuldade faz a si mesma; além disso, noto, nos atendimentos que realizo, que quanto maior o tempo de infertilidade menores ficam as esperanças de ver o sonho realizado um dia: é como se o sonho fosse ficando cada vez mais distante ao perceberem que tanto tempo se passou e nada ocorreu.
A vivência de frustração e tristeza costuma se intensificar nessa época e, em decorrência desses sentimentos, percebe-se a tendência ao negativismo, prevalecendo o pensamento de que nada dará certo. A infertilidade fragiliza a mulher, mexendo com sua autoestima e a fazendo acreditar que não é capaz de ser mãe em função dos diversos “nãos” a cada mês.
Desta forma, a crença interna nesta incapacidade de gerar pode dificultar ainda mais a gravidez, uma vez que escreve no psiquismo um “não” no lugar de um “sim” para o filho. Exemplo disso são as gravidezes que ocorrem de forma espontânea depois da conquista do primeiro bebê, após várias tentativas de tratamento, ou após adoção.
Assim, acredito que um dos desafios da mulher que apresenta dificuldades para engravidar é continuar acreditando que pode ser mãe, seja pela via “natural” ou por outros caminhos que ela consiga abrir para chegar ao seu objetivo.
O trabalho interno visando melhorar a autoestima ajuda no enfrentamento desse processo, uma vez que é preciso também olhar para as conquistas da vida em meio ao tempo de espera pelo filho; ao se dar conta de tudo que já realizou, a mulher pode construir uma autoimagem de pessoa mais forte e que pode lidar com dificuldades.
No atendimento a casais que vivenciaram muitos anos de infertilidade até a chegada do filho, percebo que, para eles se manterem estruturados, existiam outras fontes de investimentos das quais colhiam resultados enquanto o bebê não vinha (como trabalho, cursos, negócios, lazer etc.).
Além disso, noto também que a religiosidade, a fé e a troca de experiências com pessoas que vivenciaram essa dificuldade ajudam a manter a crença interna de que o filho em algum momento será possível, mantendo assim a esperança que impulsiona a realização do sonho. Luciana Leis e-mail: luciana_leis@hotmail.com
Escrito por Cláudia Collucci às 22h29
Os planos de saúde e os tratamentos de reprodução
Meninas, está no ar um abaixo-assinado superimportante com o intuito de forçar nossos governantes a aprovar uma lei que determina que os planos de saúde cubram todos os métodos contraceptivos, como laqueadura e vasectomia, e também os que possibilitem a concepção, como a inseminação e a fertilização in vitro. O projeto já foi aprovado pela Câmara e aguarda agora a sanção do presidente Lula. É uma iniciativa para lá de importante porque quem entra nessa via-crucis dos tratamentos de reprodução conhece muito bem o custo emocional e financeiro. Atualmente, poucos hospitais públicos oferecem esse tipo de tratamento gratuitamente. Nos serviços particulares, chegam a custar R$ 20 mil. Por isso, vamos colaborar, assinar e encaminhar essa reivindicação. O endereço é o seguinte: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4157
Escrito por Cláudia Collucci às 19h29

Histórias de encantar

Matthew adorava ler livros antes de dormir. Aconchegava-se todas as noites à mãe ou ao pai ou a ambos, para ler um livro. Umas noites era uma história de piratas, outras noites de algum rei ou mesmo histórias de monstros. Mas havia uma história que era a preferida de Matthew. A mãe dizia que também era a sua predilecta, o conto de encantar a família. Matthew adorava ouvir essa história. - “Mamãe?” perguntava Matthew - “Diz”, respondia a mãe - “Conta-me a nossa história preferida” - “Está bem. Estás pronto?” - “Sim!” Assim começa o livro “Hope and Will have a Baby”, a história de um menino que descobre a luta e sucesso que os pais tiveram em criar a sua família, tendo recorrido à adoção de um embrião. Este título faz parte de uma coleção de quatro livros, escritos por Iréné Celcer e ilustrados por Horácio Gatto, redigidos numa linguagem própria para crianças, de modo a explicar quatro caminhos diferentes para a concepção: doação de óvulos, de esperma, de embrião ou maternidade de substituição. O livro não está disponível no Brasil, mas pode ser encomendado pela Amazon http://www.amazon.com/ PS - Este texto foi extraído do blog da "Associação Portuguesa de Fertilidade", nosso parceiro.
Escrito por Cláudia Collucci às 11h04

Homens também têm relógio biológico, sugere pesquisa
Os homens também teriam um relógio biológico e começam a perder a fertilidade a partir dos 30 anos, sugere uma pesquisa apresentada durante a última Conferência Européia de Fertilidade, ocorrida em Barcelona, na Espanha. Os pesquisadores analisaram cerca de 12 mil casais em tratamento para infertilidade e observaram que a qualidade do sêmen começa a deteriorar a partir dos 35 anos e cai de maneira significativa após os 40 anos de idade. Segundo o estudo, a índice de gravidez por ciclo de tratamento cai de 13,6% entre os casais com homens na faixa etária do início dos 30, para 9,3% entre aqueles com mais de 45 anos. Os pesquisadores analisaram também a idade das mulheres, no entanto, o estudo sugere que a queda no índice de fertilidade estava associada com a idade dos homens e não de suas parceiras. Apesar dos resultados, os pesquisadores ainda não sabem identificar os mecanismos que levam à queda na fertilidade. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é a de que o DNA contido no sêmen dos homens mais velhos pode ser mais danificado e, por isso, rejeitado pelo óvulo de suas parceiras. Os pesquisadores analisaram casais que estavam fazendo tratamento no Centro Eylau de Reprodução Assistida, em Paris, entre janeiro de 2002 e dezembro de 2006. Os casais tinham feito inseminação artificial ou intra-uterina – técnica na qual o sêmen é inserido no útero da mulher quando ela está ovulando. Esse processo é usado no caso de casais em que as mulheres não têm problemas de fertilidade e é considerado menos invasivo que a fertilização in vitro. Os pesquisadores analisaram o sêmen dos homens em algumas características como quantidade, habilidade de locomoção, tamanho e formato. Além disso, os cientistas registraram os índices de gravidez, aborto natural e nascimentos. O estudo indica que a idade da mãe teve um impacto no caso de mulheres acima dos 35 anos. As mulheres dessa faixa etária tinham mais chances de ter um aborto e também menor taxa de concepção. No entanto, os cientistas observaram ainda que, quando o pai estava na faixa etária de mais de 30 anos, os abortos eram mais comuns do que entre os casais com homens mais novos. De acordo com a pesquisa, se o homem tivesse mais de 40 anos, as chances de a mulher engravidar eram ainda menores. No caso desses casais, cerca de 27% das gestações acabavam em aborto e apenas 10% dos tratamentos resultavam em gravidez. De acordo com Stephanie Belloc, que apresentou o estudo durante a conferência, a pesquisa "tem implicações importantes para os casais que estão esperando para formar uma família". "Métodos como a FIV (Fertilização in Vitro) , apesar de não serem garantia de sucesso, podem ajudar os casais com homens mais velhos a conseguirem engravidar suas parceiras de modo mais rápido e também reduzir o risco de aborto [por conta da seleção do melhor espermatozóide]", disse Belloc. Para o especialista em fertilidade da Universidade de Sheffield e secretário da Sociedade Britânica de Fertilidade, Alan Pacey, há cada vez mais provas de que o homem não está imune à perda de fertilidade pela idade. "Estudos anteriores com casais que estavam tentando engravidar naturalmente ou através da fertilização in vitro já indicaram que homens acima dos 40 anos são menos férteis do que os mais novos. Além disso, quando conseguem engravidar suas parceiras, há mais chances de aborto", afirmou. "Esse estudo reforça a mensagem de que os homens não estão isentos da perda de fertilidade", concluiu.
Escrito por Cláudia Collucci às 09h08

Nasce nos EUA bebê concebido com sêmen congelado há 22 anos
Já tínhamos contato ano passado a história da gravidez com sêmen congelado já mais de 22 anos nos EUA. Agora, veio o final feliz. Ontem, médicos americanos anunciaram o nascimento da menina Stella, o bebê fruto desse feito. O pai do bebê, Chris Biblis, 39, teve leucemia na adolescência e, antes de iniciar o tratamento de radioterapia que o tornaria infértil, a família decidiu congelar seu esperma. Stella Biblis foi gerada por meio de uma técnica de fertilização in vitro chamada ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóide). Os especialistas selecionaram um espermatozoide saudável, que havia sido descongelado, e o injetaram no óvulo de Melodie, mulher de Biblis. Depois, o embrião foi transferido para o seu útero. Os especialistas responsáveis pelo tratamento, feito em uma clínica em Charlotte, na Carolina do Norte, em junho de 2008, afirmam que o intervalo de 22 anos entre o congelamento do sêmen, em 1986, e a concepção seja o mais longo já registrado. Chris Biblis recebeu tratamento para leucemia entre os 13 e os 18 anos. O congelamento ocorreu aos 16, antes de ser submetido a sessões de radioterapia. Ele está livre da doença há 20 anos. Em entrevista ao programa de TV "Good Morning America" (ABC News), Biblis disse que a ideia do congelamento do sêmen foi da sua mãe. "Não passava pela minha cabeça casar ou ter filhos. Mas minha mãe realmente acreditava que eu venceria o câncer e iria querer minha própria família."
Escrito por Cláudia Collucci às 22h18

Quando é para ser
A reportagem abaixo é da minha amiga Flávia Mantovani, repórter super competente da Folha. A história de Izabel é para lá de surpreendente e nos leva, mais uma vez, a ter certeza de que a natureza é muito sábia e dá sempre a palavra final. Não adianta a gente se espernear, se encher de por ques. Quando é para ser, as coisas simplesmente acontecem. Assim como aconteceu com a improvável gravidez de Izabel. Milagre? Não sei. Prefiro continuar acreditando que a Mãe Natureza sabe o que faz. No seu tempo, não no nosso.
Tinha tudo para dar errado. Por algum motivo desconhecido, o óvulo fecundado, que normalmente é levado pelos cílios da tuba uterina até o útero, tomou o caminho contrário e se instalou na cavidade abdominal, perto do intestino. A placenta, que em geral se adere à parede interna do útero para obter nutrientes que alimentam o bebê, ficou do lado de fora e poderia ter deixado o feto sem nutrição ou se descolado a qualquer momento, gerando uma hemorragia fatal para mãe e filho. E a escassez de líquido amniótico (causada pelo funcionamento incompleto da placenta), em geral, deixa a criança sem espaço para se desenvolver e leva a más-formações de membros e órgãos. Foi assim, contrariando uma sucessão de prováveis fracassos, que a gravidez da dona de casa Izabel Aparecida Rodrigues, 32, vingou. A placenta encontrou um jeito de nutrir o feto, expandindo-se mais do que o normal em busca de vasos sanguíneos por fora do útero. Durante a gestação, o órgão sofreu pequenos descolamentos que geraram hemorragias, mas elas puderam ser controladas com transfusões. Izabel sentiu muita dor e teve que ser internada para receber sangue e repousar quase todo mês. Mas a barriga foi crescendo -inclinada para a esquerda, é verdade- e, no dia 12 de fevereiro deste ano, na 36ª semana de gestação, nasceu o bebê, uma menina de 2,2 quilos, chorando e saudável. Natural de Cachoeiro do Itapemirim (ES) e mãe de mais três filhos, de 14, dez e nove anos, Izabel procurou um médico aos dois meses de gestação, queixando-se de dor e sangramento. As duas notícias, sobre a gravidez e o local inusitado onde o feto havia se instalado, vieram juntas. "Fiz um ultrassom e vi que o bebê estava fora do útero. Pensei que poderia estar dentro da trompa, mas não parecia. Pedi que outro médico olhasse, fizemos uma ressonância magnética e confirmamos a gravidez abdominal", conta seu obstetra, Roberto Bastos, da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro do Itapemirim. A reação, segundo Izabel, foi um misto de alegria e tristeza. Ela tinha o direito de abortar, pois estava com a vida em risco. Mas, quando perguntou ao obstetra se havia chance de a gestação ir adiante e ele disse que sim, apesar de remota, ela preferiu confiar. "Decidi deixar ir para a frente. Confiava sempre em Deus e no médico", diz. A gravidez era acompanhada com ultrassom no mínimo a cada 15 dias associado a um doppler, que mostrava se a circulação da placenta estava funcionando. Todo mês, a dona de casa ficava internada por cerca de uma semana para receber sangue e repousar. Acabou tendo que abandonar um emprego que tinha conseguido dois meses antes, como doméstica. O marido e amigos, ao vê-la passando tanto mal, chegaram a sugerir que ela abortasse, mas Izabel diz que essa hipótese não passou por sua cabeça. Quando completou 36 semanas, o médico decidiu fazer uma cesárea, pois temia que a falta de líquido amniótico causasse sequelas. A incisão, geralmente transversal e acima do púbis, foi longitudinal e do lado esquerdo do umbigo. "Tivemos que descobrir o melhor local para tirar o bebê. Nossa preocupação era que o intestino estivesse na frente, pois não queríamos mexer nele", diz Bastos. A placenta, que nos partos vaginais é expelida e nas cesáreas é retirada pelo médico, teve que ficar -e está até hoje no organismo de Izabel. "Como a placenta dela ficou ligada a vasos importantes, não podemos tirá-la sob o risco de causar hemorragia. É preciso esperar que ela seja reabsorvida naturalmente", diz Bastos, que acredita que o processo demorará dois ou três meses. "Me senti muito feliz quando ouvi o choro. Foi nessa hora que fiquei sabendo que era uma menina", lembra Izabel. Ela não teve dúvidas: chamou a filha de Maria Vitória. A recém-nascida foi levada para a UTI neonatal porque teve uma ligeira dificuldade respiratória, típica de prematuros. Mas, cinco dias depois, mãe e filha tiveram alta. Segundo Izabel, Maria Vitória é agitada, mas não dá muito trabalho. "Ela é espertinha e vive virando na cama e se mexendo, mas não é de chorar muito, não."
Caso raríssimo A gravidez abdominal é muito rara. Segundo estudos, sua incidência varia de 1 para cada 10 mil a 1 para cada 64 mil partos. Mesmo entre as gestações ectópicas (fora do útero), trata-se de um caso incomum, pois, quase sempre, o embrião se instala na tuba, onde não se desenvolve por falta de espaço. Mais raro ainda é esse tipo de gravidez ir adiante. A chance de sobrevivência neonatal é de no máximo 20%. "A gente estuda na faculdade que isso pode acontecer, mas eu estou formado há 22 anos e nunca tinha visto", conta Bastos. O médico procurou referências na literatura científica e só encontrou um artigo no Brasil que reportasse uma gestação abdominal em que o bebê nasceu vivo, em 1999, em Recife (PE). O texto cita outros dois casos relatados em Fortaleza (CE) e em João Pessoa (PB). Bastos, agora, escreve um artigo sobre o caso de Izabel.
Escrito por Cláudia Collucci às 00h03

"Sexo selvagem" melhora a fertilidade, diz médico

"Sexo selvagem e desinibido é a chave para a concepção". É o que recomenda o andrologista Allan Pacey, da Sheffield University (Inglaterra). Segundo ele, os casais devem investir no "sexo gourmet", algo como saborear a relação sexual e torná-la uma ótima experiência, como a de saborear uma boa comida. A sugestão consta em reportagem publicada pelo "Guardian". "Casais que estão tentando ter um bebê frequentemente mencionam que o sexo se transformou em uma obrigação, um tanto mecânica. É uma coisa errada para se fazer quando se pensa em ter um filho", afirma o médico. "O sexo deve ser selvagem e eletrizante como foi quando vocês se encontraram pela primeira vez, quando ninguém pensava sobre bebês", acrescentou Pacey, que é secretário da British Fertility Society. Segundo ele, os homens podem aumentar em 50% a produção de espermatozóides quando "bem estimulados". Ele afirma que cinco minutos de atividade sexual antes da ejaculação podem produzir um extra de 25 milhões de espermas. Para as mulheres, mais orgasmos não só resulta em mais prazer como também aumenta a fertilidade. "Quando a mulher experimenta um orgasmo, a intensidade das contrações musculares ajuda a depositar o esperma no cérvix e, depois, no útero", explica o médico. Não faço idéia se existe algum estudo amparado pela medicina baseada em evidência que comprove a teoria de Pacey. Mas também nem precisa, né? A sugestão dele não tem efeitos colaterais. Ou melhor, tem sim. Ótimos efeitos!
Escrito por Cláudia Collucci às 19h50

Alimentos podem alterar qualidade do sêmen
A comida que ingerimos pode ter impacto na fertilidade? Alguns estudos têm mostrado que sim. O último deles, publicado no site da American Society for Reproductive Medicine com o título "Food intake and its relationship with semen quality: a case-control study", diz que as alterações na qualidade do sêmen podem estar relacionadas principalmente aos hábitos alimentares. Nesse estudo foram avaliados dois grupos: o primeiro com 30 homens com o esperma alterado e o segundo com outro grupo de 31 homens com esperma normal. Ambos possuíam características físicas e estilo de vida semelhantes e tiveram suas dietas comparadas. Os homens com problemas de fertilidade se alimentavam mais com yogurte, produtos derivados da carne, já o aqueles com melhor fertilidade ingeriam mais frutos do mar, mariscos, vegetais crus ou cozidos, tomates, alface, pêssegos e apricot. O trabalho sugere que a causa da alteração do esperma é a possível presença de hormônios e antibióticos (xenoestrógenos e xenobióticos) que incorporam os alimentos industrializados. "Os resultados desta pesquisa médica são coerentes com a baixa qualidade seminal associada a um maior consumo de produtos que podem incorporar xenobióticos, principalmente xenoestrogens ou certos esteróides anabolizantes. O uso desses compostos na indústria alimentar resulta em um aumento do nível total xenoestrogens esteróides sexuais e em alimentos processados, tais como a carne ou o leite, cuja ingestão diária contribui significativamente", afirma Arnaldo Cambiaghi, medico especialista em reprodução humana do IPGO – Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução. O estudo esclarece ainda que os xenoestrogenios que aparecem com frequência em alimentos ricos em gordura saturada, como carne e leite, podem ser os responsáveis pela diminuição da qualidade do sêmen. Já os alimentos ricos em antioxidantes e micronutrientes, como as verduras e legumes, possuem uma influência positiva na manutenção ou melhoria da qualidade seminal. "O que prega este estudo é que os alimentos benéficos, por sua vez, são aqueles que contêm uma quantidade maior de substâncias antioxidante, as quais ajudam eliminar os radicais livres considerados substâncias tóxicas prejudiciais a saúde das pessoas. Uma dieta assim altera o resultado do espermograma, aumentando a quantidade, a qualidade e a mobilidade do esperma", diz Cambiaghi.
Escrito por Cláudia Collucci às 12h49
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