Casais vão ao extereior em busca de óvulos

Casais brasileiros estão viajando ao exterior para fazer fertilização com óvulos comprados de mulheres mais jovens. Em 2011, ao menos 35 foram à Espanha e aos EUA com esse intuito. O Brasil proíbe o comércio de gametas.

O cenário revela uma realidade que aflige o mundo da reprodução: a escassez de óvulos em um momento no qual cada vez mais brasileiras tentam engravidar depois dos 35 anos, quando crescem as chances de infertilidade.

Elas representam hoje 50% do movimento das clínicas de reprodução no país. Dessas, 20% têm mais de 40 anos, faixa etária em que as chances de gravidez com óvulos próprios são inferiores a 5%.

Como solução, um grupo de médicos está tentando fazer com que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afrouxe as regras para importação de gametas (óvulos e espermatozoides). Hoje, só é permitida a importação individual e em casos comprovados de inexistência de doadores brasileiros.

Ao mesmo tempo, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina) discute uma norma para permitir que casais que necessitem de uma ovodoação paguem pelo tratamento de outros casais em troca de parte dos óvulos (doação compartilhada).

Algumas clínicas já adotam essa prática, mas sem amparo legal. Juízes e advogados entendem que isso configura comércio. No Brasil, a doação de gametas também deve ser anônima.

TÉCNICA INVASIVA

Até produzir óvulos suficientes para uma fertilização in vitro a mulher precisa usar hormônios e passar por um procedimento invasivo de retirada dos óvulos dos ovários.

Ou seja, uma doação por altruísmo é bem complicada, diferentemente do caso dos homens, que só precisam se masturbar para doar sêmen.

"Pouquíssimas mulheres se submeteriam ao tratamento hormonal, à punção [dos óvulos] e depois doariam os óvulos para outra paciente usar", diz Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

Nas clínicas, a fila de espera por óvulos doados chega a um ano. "Não temos óvulos disponíveis. São quase cem pacientes à espera. Algumas desistem", conta o médico Ricardo Baruffi, do centro de reprodução Franco Júnior.

Na clínica do urologista Edson Borges, pelo menos 50 pacientes estão à espera de óvulos doados. A demora é de seis a oito meses.

Quando os casais têm pressa e dinheiro, uma alternativa é encaminhá-los a centros de reprodução no exterior. "Tenho mandado para a Espanha. Preparo o útero aqui [hormônios que fazem crescer o endométrio] e elas passam lá uma semana. Mas é um absurdo ter que ir para a Espanha para um tratamento tão simples", afirma Dzik.

A taxa de gravidez com óvulo doado, segundo ele, chega a 60%. Na Espanha, o tratamento fica em torno de € 10 mil (R$ 25 mil). Nos EUA, o procedimento custa o equivalente a R$ 28 mil.

Nesses países, a venda de óvulos é permitida. A maioria das doadoras na Espanha é de mulheres do Leste Europeu, que ganham mil euros por ciclo de tratamento. Nos EUA, muitas estudantes vendem óvulos a preços que vão de US$ 2.500 a US$ 4.000.

DISCUSSÃO

A "legalização" da doação compartilhada de óvulos vem sendo discutida em uma câmara técnica de reprodução assistida no Cremesp.

"Precisamos de amparo jurídico para criar regras muito específicas. A ideia é ajudar mulheres que têm óvulos, mas sem condições financeiras para o tratamento e outras que têm condições, mas não possuem óvulos", explica o urologista Edson Borges, que integra a câmara técnica.

Já a importação de gametas é vista com ressalvas pelos médicos. "Acho desproporcional. O ideal é termos um banco de óvulos brasileiro", diz Eduardo Mota, professor da Unifesp

Escrito por Cláudia Collucci às 16h34
Estresse na gravidez pode afetar bebê
O estresse durante os primeiros meses de gravidez pode afetar o desenvolvimento do bebê, revela uma pesquisa apresentada no último domingo em um congresso das Sociedades Acadêmicas Pediátricas. O estudo mostra que os filhos de mães que se estressaram no primeiro trimestre de gestação têm menor nível de ferro no sangue.

O ferro é importante para o desenvolvimento de vários órgãos, principalmente do cérebro. Problemas como a diabetes gestacional, o fumo durante a gravidez e o nascimento prematuro estão entre as principais causas da baixa de ferro no sangue dos bebês.

O acréscimo do estresse a esta lista foi sugerido por um estudo israelense. A equipe de Rinat Armony-Sivan, da Faculdade Acadêmica de Ashkelon, fez as medições com mulheres que passaram por uma situação de alto estresse. Ashkelon fica perto da fronteira com a Faixa de Gaza, e as mulheres que participaram da pesquisa viviam em uma área que sofreu mais de 600 ataques com foguetes.

Os médicos excluíram todos os demais fatores que pudessem baixar a quantidade de ferro no sangue e compararam estas mulheres a um grupo controle. Os filhos destas 63 mães estressadas tinham menor quantidade de ferro do que os outros 77 bebês que participaram da análise.

Os autores da pesquisa sugerem, então, que as mulheres controlem o nível de estresse para evitar problemas aos bebês. Se isso não for possível, é importante monitorar a saúde da criança com exames de sangue e, em caso de deficiência de ferro, tratar o problema desde cedo.

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Escrito por Cláudia Collucci às 15h34
Justiça manda plano pagar reprodução assistida

Em decisão inédita no Estado de São Paulo, a Justiça determinou que o plano de saúde Unimed Paulistana pague todo tratamento de reprodução assistida a uma mulher que tem translocação cromossômica, uma anomalia genética que pode resultar em fetos malformados e abortos espontâneos.

A liminar foi concedida pela juíza Juliana Crespo Dias, do Juizado Especial Cível - vinculado à Faculdade de Direito da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).

Na decisão, a juíza diz que o tratamento não está no rol de coberturas obrigatórias da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), mas que ela reconhece a "urgência" do procedimento.

CINCO ABORTOS

A mulher, que prefere não ser identificada, tem 41 anos e tenta engravidar há 12 anos. Nesse período, já sofreu cinco abortos.

O processo de fertilização in vitro já foi iniciado e prevê o diagnóstico genético pré-implantacional (PGD).

Esse exame é feito após o tratamento de reprodução assistida. São retiradas uma ou duas células do embrião. Elas são testadas para diferentes doenças genéticas. Os embriões doentes são descartados, e os sadios transferidos para o útero da paciente.

Nas clínicas privadas de reprodução, o tratamento (com as medicações) custa entre R$ 15 mil e R$ 30 mil.

"A infertilidade é uma doença, tem protocolo clínico de tratamento e isso é suficiente para que tenhamos direito a obter a terapia indicada pelo médico. Não importa que o plano negue a cobertura. A Justiça tem reconhecido esse direito", diz Adriana Leocadio, presidente da ONG Portal Saúde, que orientou o casal a acionar o plano.

Segundo Cintia Rocha, advogada da família, a Justiça confirmou a tendência de tratar os seguros como contratos "existenciais", em que a dignidade da pessoa humana fala mais alto do que o pactuado entre as partes.

"A recusa do plano fere o Código de Defesa do Consumidor e a exigência do comportamento pautado pela boa-fé objetiva", afirma a advogada da paciente.

A Unimed Paulistana deve recorrer da decisão.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h58
A culpa é da mãe

Quantas mulheres enfrentam o desafio de ser mãe sem ter aquele sentimento de fracasso e culpa rondando 24 horas por dia? Afinal, viver entre brigas, choros, fraldas, chupetas, além de cuidar da casa, do marido e dar conta do trabalho, não é bem o "paraíso". É um cotidiano tão estressante que é raro encontrar uma mãe confiante e tranquila sobre o seu papel, sem idealizar a família perfeita.

A maioria se sente perdida, e acaba se equivocando exatamente naquela que deveria ser uma de suas principais missões: a educação dos filhos. No livro A culpa é da mãe - Reflexões e confissões acerca da maternidade (280 p., R$ 69,20), lançamento da Summus Editorial, a psicoterapeuta Elizabeth Monteiro sentencia: a maternidade pode ser menos árdua e mais prazerosa. Para isso, as mães devem se permitir fazer o que consideram melhor para si e para seus filhos sem se guiar por regras ou modelos que, na maioria das vezes, não se adaptam ao seu modo de ser e à sua dinâmica de vida.

Para convencer as mães sobre a importância de valorizar seus próprios métodos, Elizabeth conta sua experiência na difícil tarefa de criar quatro filhos. Com relatos emocionantes e muitas vezes cômicos, ela fala sobre a dor e a delícia da maternidade, mostrando que a perfeição não existe quando se trata de cuidar de crianças. "Recebo em meu consultório centenas de mães culpadas, perdidas e sofridas. Elas buscam uma receita milagrosa para criar os filhos e contam me seus dilemas. Muitas vezes vejo me em cada uma delas. Recordo me da infância dos meus filhos e das muitas bobagens e erros que cometi simplesmente por não saber, por estar cansada, cheia, impaciente e por ter sido uma mãe jovem e inexperiente", conta a autora.

O livro traz histórias de três gerações de mulheres de uma mesma família, promovendo o acompanhamento e a comparação das mudanças ocorridas até os dias de hoje. Nos dois primeiros capítulos, a autora fala sobre sua avó e sua mãe, narrando atitudes e comportamentos relativos às respectivas épocas. O terceiro capítulo contempla suas experiências com os filhos, acompanhadas de um tratamento psicológico, que explica os fatos apresentados, contextualizando-os na atualidade e propondo algumas formas de lidar com situações semelhantes. Elizabeth aborda questões como culpa, limites, educação, bullying, emoções, violência, ciúmes, drogas, morte, sexualidade, separação, amizades e projetos de vida, entre outros.

Segundo a psicoterapeuta, os filhos continuam sendo muito mais filhos da mãe do que do pai. Embora diversos aspectos te¬nham mudado de uma geração para outra, todas as mães e todas as famílias, na sua essência, passam por situações bem semelhantes. "As mães são todas iguais. Umas assumem o papel de vítima e se acomodam. Outras assumem o de guerreiras e outras, ainda, terceirizam seus filhos. As mães se sentem muito culpadas quando percebem que suas famílias não seguem o modelo da família perfeita", complementa. Para ela, o peso da culpa faz que acabem mimando seus filhos e não exerçam a autoridade que lhes compete. As mães se queixam que não têm autoridade e que os pais são au¬sentes. "Na verdade, também temem assumir os seus filhos", afirma.

Manter a unidade familiar, segundo Elizabeth, não é nada fácil. É preciso acredi¬tar muito na força da união e querer que ela se mantenha. "Precisamos criar um espaço para con¬versar com os filhos, reunir a família e os amigos, sem precisar teclar mensagens, para não condenar os jovens e as fa¬mílias ao exílio social", afirma a psicoterapeuta. Segundo ela, as crianças e os jovens precisam conviver com os adultos, conversar com pessoas que têm mais experiên¬cias do que eles e trocar afeto. "Isso os ajudará a amadurecer e a acreditar na humanidade", conclui.

Livro: A culpa é da mãe - Reflexões e confissões acerca da maternidade
Autora: Elizabeth Monteiro
Editora: Summus Editorial
Preço: R$ 69,20
Páginas: 280 páginas

Site: www.summus.com.br

Escrito por Cláudia Collucci às 18h56
Barriga de aluguel: um negócio da Índía

Um dos bons negócios da Índia agora é a terceirização reprodutiva. Em linguagem direta, significa oferecer barrigas de aluguel a preços módicos. Há pelo menos 350 clínicas especializadas na Índia, três vezes mais que em 2005. No ano passado, foram realizadas mais de 1.000 tentativas de gravidez com barriga de aluguel nessas clínicas. Estima-se que o número chegue a 1.500 neste ano.

O motor do negócio são a legislação, que permite todo tipo de experiência de fertilização, e os preços baixos. O aluguel de barriga, proibido em vários países europeus e em muitos estados americanos, foi legalizado na Índia em 2002. O custo para encomendar um bebê fica em torno de 30 000 dólares, um terço do valor do mesmo procedimento se fosse realizado nos Estados Unidos.

Na conta já estão incluídos os serviços de agenciamento da clínica, os procedimentos médicos, os bilhetes aéreos e reservas em hotéis para duas viagens à Índia (a primeira para a fertilização e a segunda para buscar o bebê) e o pagamento à "mãe substituta". Em média, ela recebe 8 000 dólares pelos nove meses de gestação. É uma fortuna para os padrões locais. O salário médio de uma mulher alfabetizada na Índia é de apenas 20 dólares mensais.

Prasad Kumar/AFP
Um filho, dois pais
Yonatan e Omer com o bebê indiano: escolha pela internet


Além de serem pagas, as gestantes passam em média doze meses em alojamentos confortáveis anexos às clínicas, com boa alimentação, roupas e cuidados médicos permanentes.

Quando a encomenda inclui a doação de óvulos – modalidade comum entre casais homossexuais –, a doadora de óvulos e a mãe substituta são sempre mulheres diferentes, para evitar que se apeguem ao bebê. Tudo está claramente expresso nos contratos, muitas vezes assinados com as digitais das contratadas que são analfabetas.

Para Yonatan e Omer Gher, casal homossexual de Israel – país que faz restrições à barriga de aluguel –, a escolha foi feita em duas etapas, examinando perfis de candidatas pela internet. Depois de elegerem a doadora do óvulo, eles optaram por uma dona de casa ("um estilo de vida menos estressante", contaram a um jornal americano) para ser a barriga de aluguel do bebê gerado com o sêmen de Yonatan.

Por opção deles, a dona da barriga de aluguel nunca soube que carregava um filho para um casal de dois pais. Quando a gestação do bebê começou, a homossexualidade ainda era ilegal no país das barrigas de aluguel.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h45
Esperma de homem obeso é mais "pobre"

O esperma dos homens obesos é mais pobre em espermatozoides, o que pode ter impacto direto sobre sua fertilidade, segundo um estudo francês apresentado na semana passada.

 O estudo foi realizado com 1.940 pessoas por uma equipe liderada por Paul Cohen-Bacrie, diretor científico do Laboratório de Biologia Médica de Eylau-Unilabs, em Paris. O médico diz que “o sobrepeso causa uma modificação dos parâmetros do esperma, devido provavelmente a problemas hormonais”.

Os pesquisadores analisaram o volume de esperma, pH (nível de acidez), concentração de espermatozoides por mililitro de esperma, número total, mobilidade, vitalidade, taxa de formatos atípicos, etc. Depois, essas informações foram comparadas com o índice de massa corporal dos voluntários.

Com um IMC (peso dividido pelo dobro da altura) inferior a 20, a pessoa pode ser considerada magra. Entre 20 e 25, o peso é normal e entre 25,1 e 30, há sobrepeso. E o indivíduo é obeso quando o resultado supera 30.

O estudo mostra que, quanto maior o sobrepeso, menor a qualidade do esperma, particularmente no que se refere à concentração e ao número total de espermatozoides.

A concentração de espermatozoides é 10% menor para os pacientes com sobrepeso em relação àqueles com peso normal e chega a 20% para os obesos. A mobilidade dos espermatozoides também cai 10%.

O índice de pessoas que sofrem de uma ausência total de espermatozoides (azoospermia) é de 1% quando o peso é normal, mas cresce para 3,8% entre os obesos.

Cohen-Bacrie diz que, “quando um casal quer ter filhos, é preciso também tomar cuidado com o peso do homem, que é um aspecto importante”. Mas há um elemento reconfortante: o médico constatou em 300 pacientes que o problema é reversível, e que ao emagrecer a situação melhora.

Escrito por Cláudia Collucci às 22h08
Governo britânico debate fertilização com DNA de três pessoas

O governo britânico está promovendo uma consulta pública a respeito de uma polêmica técnica de fertilização, que envolve material genético de três pessoas e cujo objetivo é prevenir que doenças sejam transmitidas de mãe para filho.

A técnica substitui material genético defeituoso no óvulo para eliminar doenças raras presentes na mitocôndria (componente celular que tem a presença de material genético), como síndromes que podem causar a morte prematura de crianças.

Só depois da consulta pública sobre a "fertilização in vitro de três pessoas" -- com o material de fertilização de duas mulheres e um homem --, o governo da Grã-Bretanha decidirá se o método, atualmente usado apenas em pesquisas, poderá ser aplicado em pacientes.

Um centro de pesquisa da Universidade de Newcastle também investigará se a técnica é segura.

Defeitos hereditários

A mitocôndria pode ser encontrada em quase todas as células humanas, provendo a energia que essas células precisam para funcionar.

Como os núcleos da célula, a mitocôndria contém DNA, ainda que em pequenas quantidades.

Em média, um em cada 5 mil bebês nasce com problemas hereditários em seu DNA mitocondrial, cujos efeitos podem ser graves ou até mesmo fatais, dependendo de quais células são afetadas por eles.

Cientistas acreditam ter encontrado uma forma de substituir a mitocôndria defeituosa e, assim, eventualmente prevenir o feto de desenvolver uma doença.

A técnica consiste no uso de dois óvulos -- um da mãe do feto, e outro de uma doadora. O núcleo do óvulo doado é então removido e substituído pelo núcleo do óvulo da mãe.

O embrião resultante tem, dessa forma, uma mitocôndria em tese saudável e ativa vinda da doadora.

O procedimento pode ser comparado a uma troca de bateria. Não tem, portanto, impacto no DNA do feto nem na determinação de fatores como a aparência da criança.

'Manipulação genética'

No entanto, ainda que o procedimento conte apenas com uma limitada contribuição genética da terceira pessoa -- a doadora --, a técnica é criticada por alguns grupos, que defendem que tais manipulações genéticas trazem riscos.

Atualmente, seria necessária uma mudança legal na Grã-Bretanha para que o procedimento possa ser oferecido a pacientes.

Ao anunciar a consulta pública, o ministro britânico para Universidades e Ciência, David Willetts, disse que "cientistas fizeram uma descoberta importante e potencialmente salvadora de vidas ao conseguir prevenir doenças mitocondriais". Mas ele faz a ressalva de que, "com todos os avanços da ciência moderna, é vital que escutemos a opinião do público antes de considerar qualquer mudança".

A consulta deve durar até o final deste ano.

A ONG Wellcome Trust, que vai financiar as pesquisas da Universidade de Newcastle, defende que a técnica em discussão pode ser útil na prevenção de doenças incuráveis.

"Saudamos a oportunidade de discutir com o público o porquê de acharmos que esse procedimento é essencial para darmos às famílias afetadas (por doenças mitocondriais) a chance de ter filhos saudáveis", afirmou.

Segundo Douf Turnbull, professor da Universidade de Newcastle, a universidade recebe anualmente "centenas de pacientes cujas vidas são seriamente afetadas" por essas doenças.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h22
Um filho e duas mães

Se uma mulher dá à luz um filho gerado com o óvulo de outra, a quem a criança deve chamar de "mamãe"? A questão que mais chama atenção na  na novela "Fina Estampa", da Rede Globo, também está presente na vida real. E é ainda mais instigante.

Na última quinta-feira, entrevistei Gisele. Há seis anos, ela e a ex-companheira Amanda tiveram um bebê "conjuntamente". Os nomes são fictícios porque o caso correm em segredo de Justiça. Gisele entrou com os óvulos e Amanda gerou o bebê. O sêmen veio de um banco de esperma.

Agora, ambas disputam a guarda do garoto. Leia a história completa: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/27870-para-juiza-doadora-de-ovulo-nao-e-parente.shtml

Tive a oportunidade de passar algumas horas com Gisele e o filho, M., um garoto espertíssimo, parecidíssimo com ela. No apartamento de Gisele, há lembranças do filho em cada canto. M. vive com a mãe que o gestou.

Tudo poderia ter sido encaminhado como numa separação de casais heterossexuais. Define-se pela guarda compartilhada, estabelece-se um regime de visitas e assim por diante. Mas parece que, talvez por preconceito, há uma má vontade explícita da Justiça em reconhecer os direitos legais de Gisele, a mãe biológica.

Diferentemente da novela, Gisele não apenas doou os seus óvulos, como também acompanhou a gestação do filho, morou com ele até os três anos e nos últimos três trava uma briga judicial para fazer valer os seus direitos de mãe. Quer tê-lo por perto, educá-lo. Hoje, ela fica na dependência do humor da outra mãe, que às vezes permite que Gisele veja o filho e outras vezes simplesmente desaparece com ele.

É difícil tomar partido. Na minha opinião, as duas são mães e têm iguais direitos. E o quanto mais rápido essa confusão for resolvida, melhor para M., que merece uma infância feliz e lares estruturados. Isso será fundamental até para enfrentar as prováveis adversidades que virão pelo fato dele ter duas mães. Crianças podem ser cruéis, a gente sabe disso. 

E quanto ao Judiciário, não há dúvida de que tem que se preparar melhor para os desafios impostos pelas novas formas de famílias. A propósito, soube que há pelo menos uns 50 casais de lésbicas que já tiveram bebês por meio da fertilização in vitro, usando sêmen doado. Ou seja, a polêmica só está começando...

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 16h45
Nasce bebê selecionado para curar irmâ

Nasceu há quatro dias o primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente para não carregar um gene doente e de ser totalmente compatível com a irmã, qu sofre de talassemia major, uam doença rara no sangue que, se não tratada corretamente, pode levar à morte. A matéria foi publicada hoje no jornal "O Estado de São Paulo" e a autora é a Fernanda Bassete. Vejam o link : http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nasce-no-brasil-1-bebe-selecionado-geneticamente-para-curar-irma,835877,0.htmtc

Maria Clara Reginato Cunha nasceu para salvar a vida de Maria Vitória, que tem 5 anos e convive com transfusões sanguíneas a cada três semanas e toma uma medicação diária para reduzir o ferro no organismo desde os 5 meses.

Nos pacientes com talassemia major - a mais grave e a que realmente precisa de tratamento -, a medula óssea produz menos glóbulos vermelhos e, consequentemente, não consegue fabricar sangue na frequência necessária, podendo causar anemias graves. No Brasil, são pouco mais de 700 pessoas com a doença.

Selecionar embriões saudáveis para tentar salvar a vida de outro filho doente não é novidade - esse procedimento é feito no mundo todo desde a década de 1990. A novidade, neste caso, é que além de não carregar o gene da talassemia major, o embrião selecionado (Maria Clara) também é 100% compatível com Maria Vitória, o que vai facilitar a realização de um transplante de sangue de cordão umbilical.

Segundo o geneticista Ciro Dresh Martinhago, a técnica usada para identificar os genes doentes e também a possível compatibilidade é a mesma - de biologia molecular-, mas exige mais conhecimento específico no caso de analisar a compatibilidade.

“A gente coleta uma única célula do embrião para fazer a análise molecular. Ao todo, verificamos 11 regiões do DNA da célula, sendo dois relacionados ao gene alterado e nove relacionados à compatibilidade, que é mais complexo”, explica o médico, diretor da RDO Diagnósticos e responsável pela análise genética.

De acordo com ele, a dificuldade técnica e a falta de profissionais experientes nessa área é um dos motivos que faz o método ser pouco usado em todo o mundo. O primeiro caso de seleção de embrião 100% compatível aconteceu em 2004, na Europa.

Antes de decidir fazer a fertilização in vitro com o objetivo de tentar curar a filha, o casal Jênyce Carla Reginato Cunha e Eduardo Cunha entrou em contato com ao menos 30 médicos do Brasil e do exterior.

Na primeira tentativa, os seis embriões gerados no processo de fertilização foram descartados ou porque tinham a doença ou porque eram incompatíveis com Maria Vitória. Mesmo assim, o casal não desistiu.

Na segunda tentativa, o casal conseguiu produzir dez embriões, dos quais apenas um não tinha a doença e era 100% compatível. Um segundo embrião compatível tinha apenas traços da doença (ela não se manifesta) e também foi implantado na mãe.

“Até agora já concluímos 90% do nosso objetivo. Os 10% que faltam são o transplante, que vamos deixar nas mãos de Deus. Se não tivéssemos persistência, fé e coragem não estaríamos aqui”, afirmou Jênyce.

A coleta das células do cordão foi feita pela equipe do Hospital Sírio-Libanês, onde será feito o transplante. “Há outros relatos semelhantes na literatura e tem tudo para dar certo. Vamos esperar alguns meses porque se não der certo com o cordão, nós podemos coletar a medula do bebê”, explicou o hematologista Vanderson Rocha, que será o responsável pelo transplante.

Merula Anargyrou Steagall, presidente da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), diz que a entidade está comemorando a conquista. “É uma porta que se abre e que representa uma esperança para outras doenças genéticas e não apenas para a talassemia. Agora vamos acompanhar os resultados”, afirmou.

Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, também considera o nascimento de Maria Clara uma conquista. “É mais um avanço da ciência na área da medicina reprodutiva que só veio para o bem. É uma forma de medicina preventiva”, disse.


Escrito por Cláudia Collucci às 17h00
Mulheres com dificuldade de gravidez conseguem engravidar mesmo sem tratamento

Quase metade das mulheres jovens (até 36 anos) que têm dificuldade para engravidar acabam conseguindo mesmo sem tratamento, revela um novo estudo da Austrália, publicado na revista Fertility and Sterility.

A taxa de sucesso (44%) foi  ligeiramente menor do que entre as mulheres que também relataram dificuldade para engravidar e optaram por um tratamento com hormônios ou  fertilização in vitro (53%).

Para uma das autoras do estudo, a pesquisadora Danielle Herbert, da Universidade de Queensland, muitas mulheres com idades até 36 anos com história de infertilidade sem uma causa aparente (trompas obstruídas, por exemplo) podem alcançar a gravidez espontaneamente sem tratamentos. Isso se o marudo também não tiver problemas com o esperma.

"Isso indica que esses casais são subférteis e não estéreis. Eles devem se manter otimistas porque podem engravidar por conta própria."

A pesquisa é parte de um estudo de longo prazo, com mais de 7.000 mulheres que vivem na Austrália. A partir de 1996, as participantes preencheram os inquéritos de saúde a cada ano, que incluíram perguntas sobre gravidez e parto. Os dados da pesquisa são referentes a 1.400 mulheres com idades entre 28 e 36 anos.

Os pesquisadores reconhecem que há limitações no estudo. Eles não sabem, por exemplo, se as mulheres mudaram de parceiro, de dieta (perderam peso, por exemplo) ou o estilo de vida, o que poderia ter melhorardo as chances de gravidez.

A conclusão dos pesquisadores é que,  se você é jovem, dá para tentar um pouco mais antes de partir para os tratamentos de reprodução assistida.

Escrito por Cláudia Collucci às 16h10
O adiamento da gravidez

O adiamento da maternidade, seja por que motivo for, tem se tornado um assunto corriqueiro entre as minhas amigas na faixa dos 30 anos. Várias delas estão tentando engravidar e fazendo tratamentos. A pergunta que nunca se cala é: faz realmente tanta diferença assim adiar a gravidez para perto dos 35 anos?

Especialistas afirmam que aos 35 anos, a fertilidade da mulher é metade da que era aos 25 anos, e que, aos 40, a fertilidade cai para a metade do que era aos 35. Isso significa que um ano pode fazer muita diferença quando a mulher está na casa dos 30 ou dos 40 anos, e de repente pode começar a enfrentar dificuldade para engravidar.

A maioria dos casais (92%) consegue engravidar em dois anos de relações sexuais frequentes e sem proteção. "Frequentes" neste caso significa sexo a cada dois ou três dias, ao longo de todo o ciclo menstrual. O Baby Centr Brasil fez uma reportagem especial sobre o assunto. Vale a pena conferir no site
http://brasil.babycenter.com/preconception/planejando/idade-afeta-fertilidade/

Escrito por Cláudia Collucci às 19h46
Como controlar o incontrolável?

Neste novo artigo, a psicóloga Luciana Leis trata de um velho conhecido tema de todas nós: o controle, ou melhor, a falta dele. Espero que gostem!

“Controlar os eventos da nossa própria vida” é algo que, desde muito cedo, achamos que podemos fazer.

Entendíamos que se tivéssemos um bom comportamento, de alguma forma, a recompensa de nossos pais viria; se estudássemos para as provas durante o ano, com certeza, passaríamos de ano; se batalhássemos bastante no emprego, uma promoção e um bom ganho financeiro seriam os resultados mais prováveis... E assim por diante.

Desta maneira, é inevitável acreditar que somos responsáveis, sim, pelos acontecimentos de nossa vida. Porém, o que pensar quando algo sai do esperado, apesar de estarmos fazendo tudo “conforme manda o figurino”?

Costumo dizer que a vida, mais hora, menos hora, nos coloca frente às situações onde o incontrolável predomina. Assim, como seres humanos, somos obrigados a rever nossa posição, muitas vezes onipotente, de acreditar que temos o controle sobre tudo, e reconhecer nossos limites, afinal, não somos deuses.

Momento de engravidar é incontrolável...

Percebo que a dificuldade de gravidez, para alguns casais, funciona como a primeira grande desilusão a respeito “deste controle” que venho falando até agora. É muito complicado para um casal que deseja engravidar entender que, apesar das relações sexuais sem uso de qualquer método anticoncepcional, o filho não vem.

Isso sem contar com as comparações inevitáveis com amigos que engravidam facilmente e com as pessoas que, mesmo sem querer engravidar, acabam engravidando...

Realmente, não é nada fácil lidar com essa frustração e, principalmente, com a falta de controle que ela traz consigo; uma vez que, nem mesmo os tratamentos de infertilidade podem garantir o tão esperado bebê.

Acredito que todo momento de crise é uma oportunidade para crescimento pessoal. Lidar com a infertilidade, sem dúvida, pode promover amadurecimento. O reconhecimento de nossos limites é algo nobre e que requer humildade para que possamos reconhecer que existem coisas que não podemos controlar.

Isso, de maneira alguma, significa “desistir da luta pelo filho”, mas sim, sermos menos rígidos com nós mesmos e não nos culparmos diante de resultados que não dependem somente de nós.

Psicóloga Luciana Leis- Contato: luciana_leis@hotmail.com.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h30
Grávidas do crack

Chega a doer a alma ouvir o relato das grávidas da cracolândia. Mulheres-farrapos que perambulam pelas ruas carregando os filhos do crack na barriga. São ao menos 20, segundo a polícia. A maioria tem menos de 30 anos, mas parecem ter 70. Todas elas engravidaram nas ruas, sob efeito da droga. Já perderam tudo e, logo, também devem perder a guarda do filho, tão logo ele nasça.

Lilian, 26,  grávida há nove meses, diz ter começado a usar cocaína aos 22 anos quando frequentava, em Carapicuíba, estacionamentos de postos de combustível para ouvir música com colegas. O crack veio na sequência.

Ela descobriu ser soropositiva quando teve sua primeira filha, há dois anos e oito meses. Lucas, que carrega agora na barriga, pode nascer a qualquer momento. Lilian ainda não sabe como fará para tirá-lo do hospital sem ter endereço nem emprego fixo.

Joyce, 19, grávida há dois meses, temer ela saúde da criança que carrega, dada a vida que leva. Cogita entregar o bebê para adoção, a fim de que tenha "uma vida melhor". Ela diz já ter se prostituído para comprar drogas. Está na cracolândia, conta, para que sua filha de cinco anos não a veja nas atuais condições. "A gente é dependente químico. É uma doença. Quando entra na veia da gente, acabou, nunca mais sai."

Débora, 29, grávida há cinco meses, começou a usar crack aos 12 anos, quando, afirma ela, envolveu-se emocionalmente com um traficante em Franco da Rocha. Hoje, ela tem quatro filhos de três pais diferentes. Espera pelo quinto, que não será o último, ela promete. Débora diz que quer ter mais um filho para homenagear o atual companheiro. Débora diz ter sido internada várias vezes. Seu sonho, conta, é ter uma carroça para catar papelão e, assim, ganhar dinheiro, comprar um barraco e reunir os filhos.

Sara, 27, grávida há cinco meses, conheceu o crack ainda criança. Tinha 11 anos quando um tio lhe ofereceu a droga. Ela conta que se sentia rejeitada pela família, motivo pelo qual abraçou o vício. Ela diz ter conseguido abandoná-lo por alguns anos e, no período, teve três filhos. Em 2009, porém, teve uma recaída.

Isso aconteceu após o marido ser preso. Para sustentar a casa, passou a trabalhar até tarde da noite. Deixava os filhos com a sogra cadeirante. "Uma noite, quando cheguei, o conselho tutelar tinha levado todos os meus filhos. Aí, me afundei nas drogas." Nos últimos seis meses, ela morou na cracolândia.

Não sabe quanto pesa, mas trocou o número 44 de calça para 36, "que fica caindo". Sara afirma que esteve internada sete vezes. Ontem, tentava nova internação. "Não quero perder mais um filho."

Conheçam o drama dessas mulheres e_ também dos seus filhos_ nesta reportagem minha e do Rogério Pagnan, publicada hoje na Folha.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/19638-gravidas-do-crack.shtml

Escrito por Cláudia Collucci às 18h37
Arte maternal

Organizando as fotos no meu novo laptop, encontrei algumas que tirei no mês passado no Museu de Arte Moderna da Filadélfia (EUA). São quadros que retratam a maternidade, de santas e pessoas anônimas, com uma extrema delicadeza.

0 primeiro, de um autor alemão desconhecido, mostra a Virgem Maria, suas irmãs e sobrinhos (as). Dizem que a sua mãe, Anne, casou três vezes e todas as filhas se chamavam Maria. O segundo retrata a virgem amamentando.

E o terceiro quadro (Maternal Caress) é da artista americana Mary Cassatt e data de 1896. Inspirado nas "Madonas", ela dá um toque moderno, como mais foco na criança.

 Achei todas as imagens lindíssimas. Espero que gostem!

 

Escrito por Cláudia Collucci às 11h27
Gravidez exige boa saúde dental

 

Mulheres que desejam engravidar devem ficar atentas à saúde dental, dizem novos estudos que foram apresentados hoje em um seminário na Faculdade de Medicina de Georgetown (Washington DC).

Segundo os pesquisadores, doenças periodontais podem não só retardar a gravidez como também provocar parto prematuro.

Eles acreditam que a causa seja o processo inflamatório que a periodontite desencadeia no organismo, já relacionado a doenças do coração e diabetes tipo 2 e baixa qualidade do sêmen em homens.

A recomendação é que, se visitas frequentes (a cada seis meses) ao dentista ainda não fazem parte da sua rotina, inclua-as imediatamente.

Sangramento na gengiva ao passar o fio dental é o principal sinal de que a saúde periodontal precisa de cuidados rápidos.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h48

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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