BATE-PAPO NO UOL

 

Olá gente, estarei HOJE, às 20h, no Bate-papo do UOL , com transmissão ao vivo pela TV UOL, falando sobre a questão dos abortos na fase inicial da gravidez. Espero a participação de vocês!

 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h18

O aborto de Daniela Cicarelli

A apresentadora Daniela Cicarelli, mulher do jogador Ronaldinho, perdeu o bebê. A notícia, ainda quentinha nos bastidores da redação, certamente vai estar estampada com destaque nos jornais e logo ocupará capas e mais capas de revistas, assim como ocorreu na ocasião do aborto de Luana Piovani.

Ambas perderam seus bebês por volta do segundo mês de gestação. Assim como elas, 25% das mulheres abortam nesse período. E, na grande maioria dos casos, não há um motivo, uma explicação. Em geral, são as chamadas gravidezes anembrionárias (ou "ovo cego"). Há presença do embrião no útero, mas o desenvolvimento é interrompido por alguma má-formação.

Quando isso acontece, a mulher é tomada por um misto de sentimentos: tristeza, frustração, desolação e, muitas vezes, raiva. Por que tinha que acontecer isso comigo? Por que minhas amigas, minhas irmãs, a mulher que cata latinha na rua, enfim, t-o-d-a-s as mulheres do mundo engravidam e eu não.

Não é bem assim. No caso desses abortos na fase inicial da gravidez, os médicos costumam dizer que eles sempre aconteceram. Ocorre que, no passado, sem os meios ultra-sonográficos que temos hoje, muitas mulheres abortavam e nem se davam conta disso.

Hoje, com um só dia de atraso menstrual, já é possível confirmar a gravidez. Se por lado é ótimo essa antecipação toda por conta dos cuidados necessários durante a gravidez (não beber, adotar dieta mais saudável, tomar suplementos vitamínicos, por exemplo), por outro a expectativa é muito maior.

Basta ter um Beta HGC positivo nas mãos para nos enchermos de expectativas, de planos e sonhos. Anunciamos para a família toda, para os amigos. Escolhemos o nome, já começamos a olhar carrinhos e bercinhos nas lojas e a pensar nas mudanças que o escritório terá de sofrer para se transformar no quarto do bebê.

Sim, falo isso porque senti exatamente essa situação na pele há um ano. Foram exatas duas semanas de festa até um ultra-som confirmar que não havia batimentos cardíacos no embrião e que seria necessária uma curetagem. Por mais que saibamos das estimativas e do quanto é "normal" essa ocorrência, quando a vivemos na pele é uma "porrada" no estômago, no coração e na alma.

E não adianta dizerem "era só um embrião", ou "foi melhor assim, logo no comecinho porque senão você iria sofrer mais". Isso não funciona porque a gente já se sente mãe a partir do Beta HCG positivo. E aquele embriãozinho já era o nosso filho.

Por isso, muitas mulheres, numa segunda gravidez, acabam tomando certas cautelas, como só anunciá-la depois da 12ª semana de gestação. Aliás, em várias culturas essa precaução já existe. Entre os judeus, a gravidez só é anunciada a partir do terceiro mês de gestação. Na cultura hindu, a partir do 120º de gravidez quando, eles acreditam, a alma ocupa o corpo do bebê.

É certo que mulheres como a Daniela Cicarelli ou a Luana Piovani dificilmente conseguiriam manter sigilo sobre a gravidez por tanto tempo com toda a mídia cercando-as o tempo todo. Mas, de qualquer maneira, casos como esses, quando vêm à tona, servem para nos mostrar que ninguém está imune a passar por isso. É mesmo universal essa dor. Força aí, Cicarelli!! 

Escrito por Cláudia Collucci às 17h37

 

UM BEBÊ E DUAS MÃES

 Um programa de TV, exibido na última quinta-feira (dia 21) em um canal britânico (Canal 4), deu o que falar no Reino Unido. "Born with two mothers" (Nascer com duas mães, numa tradução livre) é um drama que conta a história real de uma mulher branca, casada com um homem branco, que, após tratamento de fertilização in vitro, deu à luz a gêmeos: ambos negros. Considerado um dos erros mais graves da história da reprodução assistida, ele também serviu para as clínicas criarem procedimentos internos que evitem absurdos semelhantes.

A história resumida é a seguinte: duas mulheres (uma negra e a outra branca) faziam tratamento em uma mesma clínica de reprodução na Inglaterra. Por engano, houve troca dos óvulos no momento da fertilização in vitro (fecundação do óvulo com o espermatozóide no laboratório). Os óvulos da mulher negra foram fecundados com os espermatozóides do marido da mulher branca. Os embriões foram transferidos para o útero da mulher branca, resultando nos gêmeos negros. A mãe biológica dos bebês não conseguiu engravidar. Até hoje há um embate jurídico porque a mulher que gerou os bebês, não quer abrir mão das crianças. A mãe biológica dos bebês, por sua vez, reclama seus direitos. Veja abaixo a foto das duas com um dos bebês.

Born With Two Mothers O bebê e suas duas mães

O alarde provocado pelo programa foi tanto que a própria Sociedade Britânica de Fertilidade divulgou ontem um alerta sobre a ansiedade que esse tipo de notícia provoca nas mulheres que estão fazendo tratamento de reprodução assistida.

A sociedade lembra que desde que esse evento aconteceu muitos procedimentos foram mudados nas clínicas, o que eliminaria as chances de uma barbaridade dessas voltar a ocorrer, embora nenhum procedimento seja isento de risco. Um deles tem sido a dupla checagem dos procedimentos e da identidade dos casais em várias etapas do tratamento.

A idéia mais recente, ainda não implementada, é a identificação eletrônica do sêmen, dos óvulos e dos embriões. Eles teriam uma espécie de alarme que soaria caso alguém tentasse fecundá-los ou transferi-los para o útero da pessoa errada. Parece maluquice? Eu não acho. Pelo contrário, creio que o mecanismo seja um aliado importante tanto das clínicas como dos casais. Claro que isso não elimina a importância de uma equipe afinada, bem-treinada e que respeite todos os procedimentos e protocolos estabelecidos. Mas errar é humano. E, com o volume de fertilizações feito hoje nas clínicas, não acho impossível uma barbeiragem dessa acontecer. Dizem as más línguas que casos semelhantes (trocas de óvulos ou de espermatozóides) já aconteceram no Brasil. Mas isso nunca veio a público (não que eu saiba).

Porém, como estamos longe ainda dessa tecnologia, um bom começo é a gente confiar muito em quem vai nos acompanhar nesse processo. É importante conhecer todos os integrantes da equipe _o médico responsável, as enfermeiras, a embriologista e seus assistentes, entre outros. É preciso haver empatia, confiança. Isso não tem preço, não tem regras, não tem manual de instruções. Ou vocês sentem ou não sentem. E, quando não sentir, confiem na intuição. Essa não falha nunca. 

Saiba mais sobre o caso:

Born with two mothers

Saiba o que os internautas ingleses acharam do programa 

Leia um artigo sobre o documentário

Escrito por Cláudia Collucci às 00h31
 
 
DE CASA NOVA
 
Oi gente, depois de quatro anos sediada na FolhaOnline, minha coluna "Quero ser mãe"  se transformou em um blog do UOL e aqui estamos nós, agora ainda mais perto do nosso fórum de discussão, já sediado no UOL. Dinossaura digital, estou tentando me adaptar a essa nova linguagem, mas logo logo pego a manha, estou certa disso. Por isso, não esperem firulas, pelo menos nesse começo.

Muitas (os) de vocês já conhecem o trabalho que desenvolvo na coluna e nos meus dois livros sobre infertilidade ("Quero ser Mãe"   e "Por que a gravidez não vem?"
).
 
Nesses últimos quatro anos, foram mais de 4.000 mensagens recebidas, mas, infelizmente, nem todas puderam ser respondidas. Minha idéia com esse novo espaço é torná-lo mais ágil. Por isso, convidei alguns especialistas em reprodução assistida que já me auxiliam de longa data no esclarecimento de dúvidas a continuar a fazê-lo diretamente a vocês. 
 
Peço então que as dúvidas médicas sobre fertilidade sejam mandadas diretamente para eles porque eu não poderei respondê-las. Por mais que eu tenho avisado, muita gente ainda se confunde pensando que sou médica. Sou jornalista, historiadora da ciência, estudiosa do tema fertilidade e direitos reprodutivos, mas longe de ser médica (ainda).
 
Agora com o blog, temos tudo para continuarmos ainda mais próximas (os). Estarei acessando-o diariamente e atualizando-o, no mínimo, uma vez por semana com novas colunas. Vamos aproveitar para trocar muitas idéias sobre as angústias que envolvem a dificuldade de gravidez, as novidades dos tratamentos, os alertas às questões éticas. Selecionei alguns sites nacionais e internacionais correlatos ao tema e aguardo também novas dicas de vocês.
 
Serviços gratuitos
 
Há vários assuntos relacionados à fertilidade na ordem do dia. Um deles, que estamos acompanhando muito de perto porque a reinvindicação surgiu a partir desta coluna, há três anos, é a ampliação dos serviços de reprodução assistida na rede SUS.
 
Como muitas de vocês estão cansadas de saber, hoje, apenas o Hospital das Clínicas de São Paulo e o Hospital Pérola Byngton conseguem, na medida do possível, oferecer esse tratamento totalmente gratuito. Ambos os serviços têm filas de espera enormes. O governo federal está finalizando um projeto nessa área, dentro da atual política de direitos reprodutivos. Afinal, direito reprodutivo inclui também o direito de o casal ter filhos. 
 
Embriões congelados
 
Outro assunto que vem ocupando espaço na mídia é a questão dos embriões congelados. Tem muito casal sem dormir preocupado com o que fazer com os embriões que ficaram nas clínicas de reprodução. Agora, com a aprovação da Lei de Biossegurança, existe a possibilidade de embriões congelados acima de três anos virem a ser utilizados nas pesquisas com célula-tronco, isso, é claro, se o casal permitir. Para a grande maioria do casais, a doação, seja para fins científicos seja para outro casal, é uma decisão difícil de tomar porque eles consideram esses embriões um possível filho e não apenas um amontoado de células.
 
Em razão de dilemas como esse é que insisto: antes de tomar a decisão de fazer uma FIV (Fertilização in Vitro), pensem em todas as alternativas. A primeira delas é a possibilidade de o tratamento não dar certo. Afinal, as chances de a gravidez acontecer na primeira tentativa são de apenas 30%. Por mais que tudo esteja absolutamente favorável (embriões de alta qualidade, por exemplo), as possibilidades de insucesso ainda são bem maiores. E, na maioria das vezes, não é por culpa do médico ou do serviço de reprodução. É por limitação da técnica mesmo. Também não podemos esquecer que, se por um lado avançamos muito nessa área da medicina, por outro há mistérios guardados a sete chaves pela mãe Natureza.
 
É preciso pensar previamente também em uma possível gravidez múltipla (se mais de dois embriões forem colocados no útero). Também não dá para esquecer da possibilidade de sobrarem embriões do processo de reprodução e ser preciso congelá-los. Tem muito casal sem dormir preocupado com o que fazer com embriões excedentes, especialmente agora que já existe a Lei de Biossegurança que permite a utilização de embriões congelados há mais de três anos para pesquisa com célula-tronco (com a permissão dos casaisi, é claro).
 
Investigação necessária
 
Não quero ser a ducha fria no sonho de vocês, mas insisto que essas questões são imprescindíveis de serem pensadas e discutidas pelo casal antes de iniciar o tratamento. É preciso atenção também na hora de escolher o profissional que vai acompanhá-los nesse processo. Desconfiem do médico que, sem pedir nenhum exame prévio (espemograma para o marido e exames hormonais, ultra-sonográficos e radiológicos para a mulher), já vai indicando uma FIV. Existe todo um protocolo de investigação já estabelecido que precisa ser cumprido.
 
Enfim, assunto é que não falta nessa área e quando eu me empolgo não paro nunca mais de escrever. Acho que por hoje já está de bom tamanho. Espero que vocês gostem deste meu novo cantinho e participem. Não prometo que conseguirei responder as mensagens imediatamente porque, como vocês sabem, a vida de jornalista é bem corrida. Mas vou me esforçar para não demorar muito.
 
Abraços e boa semana a todas  (para uma dinossaura digital até que não estou tão ruim assim, né?)
Escrito por Cláudia Collucci às 19h59

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

 Visitas