Parque da Aclimação sediará

campanha contra infertilidade

 

No próximo sábado (dia 4 de junho) acontece no Parque da Aclimação (zona sul de São Paulo) a  terceira edição da campanha “Preserve a sua Fertilidade”, realizada pela Associação Instituto Sapientiae, em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí.

 

Especialistas e estudantes de medicina vão aplicar um teste de fertilidade (questionário com 21 perguntas para verificar o grau de comprometimento do sistema reprodutor) na população interessada e esclarecer as dúvidas sobre a fertilidade masculina e feminina.

 

A campanha será coordenada pelos diretores do Sapientiae, os especialistas em reprodução humana Edson Borges Jr. e Assumpto Iaconelli. No local, serão distribuídas cartilhas apresentando com detalhes os principais fatores ditos “complicadores” que podem interferir no bom funcionamento  do sistema reprodutor humano.

 

O uso de anabolizantes, o consumo de drogas lícitas e ilícitas, o sexo sem preservativo, os exercícios físicos em excesso são algumas das causas apresentadas no material.

 

Segundo Borges, o objetivo da campanha é conscientizar a população de que algumas escolhas ainda na juventude podem afetar a fertilidade no futuro. "O peso em excesso, o baixo peso e o cigarro diminuem as chances de gravidez", afirma o especialista.

 

 

Serviço:

Campanha “Preserve sua Fertilidade”

Data – 4 de Junho de 2005

Horário – 8h30 às 16h

Local – Parque da Aclimação – Entrada principal (ao lado da administração)

Endereço – Rua Muniz de Souza, 1119

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h50

Nova técnica de congelamento

de óvulo não traz novidade

 

As agências internacionais noticiaram neste domingo que os médicos do Centro de Oncologia Integral da Universidade de Michigan (EUA) desenvolveram uma técnica para preservar a fertilidade de mulheres doentes de câncer cujos óvulos são destruídos pelos tratamentos quimioterápicos.

Chamada de vitrificação, a nova técnica permite que os óvulos sejam preservados mediante um sistema de congelamento celular, segundo resultados apresentados ontem no Congresso Mundial de Fertilização in Vitro e Reprodução Assistida, que acontece em Istambul (Turquia).

Ao bater os olhos na notícia pensei estar diante de uma novidade. Mera ilusão. Essa técnica já é usada por vários médicos brasileiros e não passa de uma promessa. O problema é simples. Não basta o fato de que 98% dos óvulos sejam preservados, como anunciaram os cientistas.

Na prática, os médicos têm observado que o índice de fecundação do óvulo, após o congelamento, continua muito baixo. A comparação é mais ou menos assim: de cada cem óvulos descongelados, apenas um tem capacidade de ser fertilizado por um espermatozóide. Ou seja, a relação custo e benefício está muito longe da ideal.

É por essa razão que aquela conversa "congele seus óvulos hoje, aos 20, para garantir sua fertilidade, os 40"  é vista quase como um "estelionato" por muitos médicos. Não se pode garantir a maternidade tardia a uma mulher pelo simples congelamento dos seus óvulos no auge da vida fértil.

Em relação às mulheres com câncer, muitos médicos dizem que é eficaz congelar o óvulo ou o tecido ovariano porque essa medida representa a única esperança delas um dia virem a ser mães com seus próprios óvulos. Em geral, tanto a quimioterapia como a radioterapia podem provocar um dano irreversível no sistema reprodutor da mulher. Concordo inteiramente com isso, mas acho necessário colocar muito bem os pingos nos "is" e deixar claro que tudo isso ainda é uma promessa futura, não é a realidade.

É por essas e outras que há tantos casais decepcionados e deprimidos após tratamentos de reprodução assistida. Na hora de "fisgar" clientes, muitos médicos prometem mundos e fundos, como se a fertilização in vitro fosse um mundo encantado, um parque de diversões como bem definiu certa vez uma leitora. Usando a mesma analogia, esse parque tá mais para uma montanha-russa do que para uma banquinha de algodão doce.

Reforço mais uma vez: desconfiem das promessas e dos índices mirabolantes de eficácia. As taxas de gravidez após uma fertilização in vitro continuam sendo de, no máximo, 35%. Ou seja: as chances de fracasso ainda são muito maiores do que de sucesso. Não há milagres e nem heróis.

É triste ler e ouvir histórias de tantos casais que venderam tudo o que tinham para investir em um tratamento na suposta "melhor clínica do Brasil", que cobra em média R$ 18 mil por tentativa de FIV, e viram ruir todos os seus sonhos.

Por isso não se iludam. Estejam atentas (os) a cada passo nesse processo. Certifiquem-se de que todo o protocolo de investigação foi realmente seguido, peçam uma segunda ou uma terceira opinião médica e estejam com os pés muito bem fincados ao chão. Uma medida intempestiva, como sair fazendo uma FIV sem que haja uma indicação muito clara e precisa da necessidade, pode significar um risco não só para o bolso de vocês como também para a saúde física e emocional.  

Escrito por Cláudia Collucci às 21h33

 

 

Deu no NY Times


Ginia Bellafante
Em Nova York


Em uma manhã recente de primavera, Laura Stiller, estava em uma casa de campo ensolarada em Cambridge, no Estado de Massachusets, ajudando Cary Friedman e seu parceiro, Rick Wellisch, a acalmarem sua filha, de três meses, que vestia uma camiseta cor de rosa. Stiller, 34, dona-de-casa de Dallas, gosta de dizer que o número de gays que conhecia antes de encontrar Friedman, psiquiatra, e Welisch, médico, era zero. "Só o que eu sabia sobre os gays era o que eu via na televisão, o que significava que tudo tinha saído das séries 'Will & Grace' e 'The L Word'", disse ela.
Em dezembro, Stiller deu luz à menina, chamada Samantha, para Friedman e Wellisch, concebida com o óvulo de um doadora anônima e o esperma de um dos parceiros. (Eles preferiram não saber qual). Ao decidir trabalhar com eles, Stiller tornou-se parte de um movimento pequeno, mas crescente de mães de aluguel que escolhem casais gays em vez de famílias tradicionais. Enquanto os legisladores debatem a possibilidade de dar aos casais gays o direito ao casamento --14 Estados modificaram suas constituições para proibir o direito, centenas de casais estão encontrando formas de criar uma família, com ou sem casamento, por meio mães de aluguel.

Elas desejam ajudar os casais a ter filhos geneticamente ligados aos pais e a evitar os freqüentes os desafios legais que homossexuais enfrentam ao tentarem adotar uma criança. O número exato de mães de aluguel que trabalharam com casais homossexuais é desconhecido, mas a metade das quase 60 agências em torno do país que fazem arranjos entre mães de aluguel e possíveis pais trabalham com casais gays.

Dentro do pequeno mundo de parideiras profissionais, muitas das quais compartilham suas alegrias e desilusões online, os casais gays criaram fama de clientes especialmente agradecidos e dispostos a responder às necessidades freqüentemente intensas de conexão emocional das mães de aluguel. Esses relacionamentos podem gerar outras complicações com a família da mãe de aluguel e sua comunidade. Muitas mães de aluguel que escolhem trabalhar para casais gays dizem que não se sentem preparadas para lidar com a desesperança e fracasso expressados por casais heterossexuais que lutaram para ter filhos por anos sem sucesso. Outras são atraídas por clientes homens porque temem os possíveis ressentimentos e ciúmes das futuras mães.

As mães de aluguel recebem US$ 20.000 (em torno de R$ 50.000) ou mais, além de despesas médicas. Elas são responsáveis por aproximadamente 1.000 nascimentos por ano, de acordo com a Organização de Pais por Meio de Aluguel, um grupo sem fins lucrativos que registra os nascimentos agenciados. Esse número não inclui acordos feitos privadamente. Muitas mães de aluguel preferem não trabalhar com casais gays. Freqüentemente citam a desaprovação do marido ou temores de que seus próprios filhos sejam mal vistos por colegas e vizinhos. Em alguns casos, as agências têm suas próprias reservas.

Ann Coleman, advogada de adoção e de aluguel de barriga em Greenville, Carolina do Sul, disse que não associa as mulheres com casais gays. Apesar de certa vez ter representado um casal de lésbicas em uma ação de custódia contra seus ex-maridos, Coleman acredita que casais gays deveriam preferir a adoção. Nos últimos 13 anos, Stiller teve cinco filhos: um com o primeiro marido, dois com o atual e dois de aluguel. Sua primeira excursão ao mundo da gestação para outros foi para um casal da Flórida, que a deixou se sentindo desrespeitada e cansada, disse ela. Apesar de o casal tê-la visitado em sua 18ª semana de gravidez e trazido presentes para seus filhos, Stiller procurou ter um relacionamento mais profundo com a futura mãe, uma médica de 40 anos.

"Ela me ligava como se estivéssemos trabalhando em um projeto", disse Stiller. "Ela não dizia: 'Oi, como você está? Como está tempo?' Nada. Nunca havia conversa."

Em sua 37ª semana, Stiller teve contrações e ligou para a mulher, que foi imediatamente ao Texas, mas Stiller continuou insatisfeita com seu nível de envolvimento.

"Ela ficou aqui duas semanas e meia e nunca criou uma oportunidade para compartilhar com a minha família", disse Stiller. "Era muito importante para mim que meus filhos vissem que estávamos ajudando a criar uma família, que mamãe não estava dando um irmão ou uma irmã."

Um amigo sugeriu que procurasse um casal homossexual pela agência Circle Surrogacy. John Weltman, advogado de Boston, teve dificuldades em encontrar mulheres para carregar filhos para homens homossexuais quando fundou a empresa, há uma década. Hoje, 80% das mães de aluguel que o procuram se dispõem a trabalhar com casais gays; metade até prefere. Em Los Angeles, a empresa Growing Generations, formada para ajudar casais gays a se tornarem pais, é responsável por mais de 300 nascimentos. Em 1998, assessorou quatro nascimentos; nos últimos 17 meses, foram 108.

Dawn Buras, mãe de quatro em Baltimore, foi três vezes a uma clínica de fertilidade em Los Angeles, para receber transplantes de embriões para um casal de homens em Boston. Todas as vezes eles a acompanharam, reservaram quartos conjugados no hotel, jantaram juntos e até conseguiram uma visita ao cenário de "Desperate Housewives" --um deles trabalha na televisão. As tentativas de gravidez fracassaram, mas os homens ainda tentam, recusando-se a trabalhar com qualquer outra pessoa.

E Buras continua comprometida com o projeto, apesar das limitações que cria em sua vida íntima. De acordo com o contrato, Buras não pode ter relações sexuais com seu marido um mês antes ou um mês depois da transferência. Apesar de seu marido ter dado seu apoio, "não posso dizer que isso não incomoda, porque incomoda", explicou. Quase todas as agências requerem que as mães já tenham tido filhos seus e que elas e seus maridos passem por exames médicos e psicológicos para determinar se podem lidar com as dificuldades que o processo inevitavelmente causa nas famílias.

Hilary Hanafin, psicóloga da maior agência de aluguel de barriga do país, Center for Surrogate Parenting, em Los Angeles, disse que muitas mães com filhos adolescentes evitam trabalhar com casais homossexuais. "A mãe não quer aparecer em um evento da escola e dizer 'estou grávida para um casal homossexual'", disse Hanafin.
Algumas vezes, os pais não conseguem evitar os preconceitos. "Tive uma mãe de aluguel cuja sogra não botou os pés na casa durante toda a gravidez", disse Amy Zaslow, consultora.



Leia a notícia completa


http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2005/05/27/ult574u5473.jhtm
Tradução: Deborah Weinberg

Escrito por Cláudia Collucci às 15h37

É possível enfrentar as dificuldades de

gravidez com serenidade e equilíbrio?   

 

Participei no último fim de semana de um evento promovido pela clínica ComCiência em que aprendi um pouco dos princípios da medicina tradicional chinesa. Achei bem interessante como é tratada a questão da infertilidade e a importância de envolver o casal nessa busca do filho.

Na visão dos chineses, no momento da concepção, os parceiros devem estar muito bem energeticamente não só para gerar um bebê saudável como também para nutri-lo de uma energia vital que estará presente nele o resto da vida. Assim, teríamos dois tipos de energia: uma que herdamos dos nossos pais ao nascer e outra que adquirimos após o nascimento.

Fiquei bem impressionada com essa colocação porque, nesse processo de dificuldade de gravidez, o emocional fica em frangalhos. É uma carga imensa de angústia, ansiedade e estresse a cada vez que a menstruação aparece. E mal acaba esse tormento já começa o outro: Será que terei sucesso no próximo mês? Será que vale a pena continuar investindo apesar do risco de mais sofrimento?

Sim, penso que vale a pena. Não é abandonando o barco que se livra da tempestade que  assombra. Mas é preciso estar atentas (os) em alternativas que possam trazer mais serenidade e tranqüilidade. É necessário trabalhar o emocional para que ele não interfira desfavoravelmente e auxilie na melhora do resultado do tratamento. Como? Já pensaram na hipótese de praticar meditação, ioga e acupuntura?

Conversando com a dra Lílian Takeda, médica ginecologista e acupunturista e que foi uma das coordenadoras do evento que mencionei no início do texto, aprendi coisas muito interessantes que gostaria de dividir com vocês.

Vários trabalhos têm demonstrado que o estresse causa mudanças físicas e bioquímicas, interferindo também nos sistemas cardiovascular, imunológico e endócrino e, conseqüentemente, na qualidade dos óvulos e dos espermatozóides _embora, em relação aos óvulos, só existam pesquisas com ratas.

Para a dra Lílian, um dos fatores que mais ocasionam estresse durante o tratamento de infertilidade está relacionado com a forma com que lidamos com as nossas expectativas, como vivenciamos os fatos que não dependem exclusivamente de nós mesmo, como é sentida a dificuldade de engravidar, quais são as auto-cobranças envolvidas nesse processo.

Quando enxergamos a importância do caminho e suas fases em vez de resultados imediatos e agregamos as vitórias como etapas superadas, começamos a perceber as possibilidades e não a obrigatoriedade de realizações da forma como se deseja. Pensando nisso e lembrando dos vários e-mails que recebo de leitores, caíram algumas fichas. Por exemplo, se na fase da investigação nada é constatado, em vez de se comemorar essa vitória, em geral, surge a angústia e a dúvida: por que então a gravidez não vem? Sei que pareço a própria Poliana falando dessa maneira, mas é que chega um momento que se a gente não consegue enxergar o lado positivo dos acontecimentos, a própria vida se torna insustentável.  

Nesse sentido, diz a dra Lilian, a prática da meditação pode ser uma grande ferramenta para nos auxiliar a tratar o estresse. É uma técnica que contribui muito para que possamos trabalhar com os medos, as angústias, a ansiedade, trazendo-nos para o presente e não permanecendo nas expectativas de futuro e as tristezas do passado.

Aprendemos também na meditação a estarmos conosco, percebendo que "tudo passa" e o que importa e mantermos o nosso foco, o nosso eixo, a nossa atenção, com serenidade e equilíbrio. E o ideal, lembra a dra Lílian, é que ela seja praticada pelo casal. É importante que ambos estejam bem não só para alcançar uma gravidez com sucesso, mas também para gerar um filho com uma energia vital vigorosa.

Aos céticos e céticas de plantão, eu lembro: até os médicos alopatas estão reconhecendo os benefícios da meditação, da ioga e da acupuntura no tratamento da infertilidade. Alguns, como dr. Arnaldo Cambiaghi, que recentemente lançou um livro a respeito do tema, vêem esses tratamentos como complemento aos métodos convencionais de fertilização.

Mas há controvérsias. Muitos médicos desconfiam dos métodos alternativos e pedem cautela para que os pacientes não os utilizem como substitutos do tratamento convencional. A medicina tradicional é cartesiana, que necessita de comprovação científica. Quando há um tratamento que sai dessa órbita, a tendência é de descrédito por não haver comprovação.

Eu, como jornalista, sou bem cartesiana. Pauto-me pela medicina baseada em evidências. E não poderia ser diferente trabalhando na área de saúde de um grande jornal como a Folha. Mas quando deixo a redação, meu leque se abre. Penso na famosa frase de Albert Einstein: “há duas formas de se viver a vida: uma é acreditar que não existem milagres, a outra é acreditar que todas as coisas são um milagre”. Guardadas as devidas proporções, sou mais a segunda opção. 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h54

 

A investigação da infertilidade no homem

Nos últimos dias, tenho recebido muitas mensagens de leitoras solicitando mais informações sobre a infertilidade masculina. É curioso que, na grande maioria dos casos, ainda seja a mulher a maior preocupada com a condição de infertilidade do marido. Vou tratar hoje sobre alguns aspectos dessa questão.

A investigação dos fatores masculinos que levam à infertilidade ainda é uma questão bem polêmica. Como muitos médicos vêem no espermograma a base da investigação masculina, podem se enganar no diagnóstico porque esse exame apresenta uma grande variabilidade de resultados na interpretação de um laboratório para o outro. Vejamos essa dúvida da leitora:

"Tenho uma dúvida sobre os espermogramas do meu marido. Em fevereiro deste ano, a análise do sêmen mostrava que ele tinha cerca de 240 milhões de espermatozóides por ml (enquanto o normal seria de 40 milhões), e desses, 40% com boa motilidade (rápida), e quanto à morfologia (teste de Krueger) seriam 23% normais e apenas 14% amorfos. Os outros índices pareciam normais. Como não engravido há um ano e meio, fomos a uma clínica especializada em fertilidade e ele fez novo espermograma. O número de espermatozóides/ml é bem semelhante, e a porcentagem de motilidade também. Mas ficamos assustados e até um pouco desconfiados quanto a este novo resultado, pois desta vez, quanto à morfologia, o resultado foi de apenas 7% de normais e 61% de amorfos. O que pode ter ocorrido? Pode haver mudança tão brusca deste índice em tão pouco tempo?"

Sim, o espermograma tem uma variação de amostra para amostra e os resultados podem ser influenciados por diversas variáveis, como tempo de abstinência sexual antes da coleta, o método de coleta, o tempo e a temperatura durante de transporte (se a coleta for feita em casa) e, principalmente, o tipo de tecnologia usada pelo laboratório. Geralmente, segundo os médicos, os espermogramas realizados em clínicas de reprodução humana são mais confiáveis do que os realizados nos grandes laboratórios.

Pelo menos duas análises de sêmen devem ser requisitadas antes de o médico emitir uma conclusão sobre o caso. O intervalo recomendado entre as análises seminais é de pelo menos uma semana. O sêmen deve ser coletado após um período de abstinência sexual de dois a cinco dias. Segundo estudos clínicos, observam-se com mais frequência alterações envolvendo a movimentação dos espermatozóides e muito menos a morfologia. A motilidade depende de muitos fatores, desde a sua produção (espermatogênese) até a sua maturação no interior do epidídimo. O espermatozóide humano atravessa 6 km de ductos antes da ejaculação e qualquer infecção ou inflamação pode ser a fonte da alteração da motilidade.

É importante ressaltar que o espermograma não é um teste de fertilidade, pois muitas vezes não se observam diferenças significativas nos resultados dos homens que, pelos parâmetros do exame, permanecem inférteis daqueles que conseguem engravidar suas mulheres.

Causas

As causas de infertilidade masculina são várias, porém, todas levam a uma mesma condição: alteração tanto quantitativa quanto qualitativa dos espermatozóides. Problemas congênitos, imunológicos, sequelas de doenças sexualmente transmissíveis e tratamentos como quimioterapia e radioterapia, além de hábitos como o tabagismo, álcool e drogas, estão relacionados com as causas da infertilidade no homem. Estima-se que apenas 10% dos homens com contagem baixa de espermatozóides tenham alguma alteração genética.

As alterações da motilidade do espermatozóides estão entre as mais frequentes causas de infertilidade no homem. As alterações na morfologia são geralmente raras e transitórias. Quando persistentes, poder estar relacionadas à varicocele ou ao tabagismo. Há vários estudos demonstrando que homens fumantes têm dez vezes mais chances de sofrerem alteração no seu sêmen do que homens que não fumam. É bom ressaltar que os óvulos de mulheres fumantes também podem sofrer o mesmo prejuízo.

O interessante é que já se observou melhoria no resultado dos espermogramas após seis meses da suspensão do uso do fumo, do álcool e das drogas. Há também inúmeros medicamentos que podem interferir no processo de espermatogênese, como os derivados das sulfas e os esteróides anabólicos, aqueles que muitos homens usam nas academias para ficar com o aspecto "bombado".

Outro fator que deve ser levado em conta na investigação da infertilidade masculina é o tipo de trabalho desempenhado pelo homem. A exposição ao calor, à irradiação ionizante, aos metais pesados e aos pesticidas podem prejudicar em muito a gravidez. Na maioria dos casos, o simples afastamento desse ambiente de trabalho pode normalizar a produção de espermatozóides.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h22

 

 

A infertilidade e o charlatanismo

O assunto saiu na publicação "Diário de Israel" e me deixou de cabelo em pé. Uma empresa chamada Ferligent, sediada em Migdal Ha´Emek, desenvolveu uma suposta nova tecnologia que elevaria as chances de gravidez por meio da inseminação artificial. Eles juram que inventaram um mecanismo que imita a forma como o espermatozóide e o óvulo se encontram.

A empresa diz que criou uma bomba descartável ligada a um cateter que controla o fluxo de esperma na cavidade uterina. O cateter é inserido dentro do útero com um pequeno balão na ponta, que o segura no lugar. O cateter é ligado então a uma bomba com uma seringa que libera gradativamente o esperma durante quatro horas.

A bomba tem 25 cm e deve ser colocada no quadril da paciente, permitindo que haja mobilidade. Depois de usada, deve ser jogada fora. A empresa garante que a engenhoca traz resultados semelhantes aos da FIV.

Gente, até que me provem o contrário, é picaretagem das bravas. Não existem estudos e muitos menos qualquer evidência que isso possa funcionar, além de ser um risco à saúde da mulher, que pode levar a infecções. Não há estudos sobre isso e não existem informações sobre a empresa na internet.

Bom, o que sei dessa história bizarra é o que relatei aqui. Decidi debater com vocês por dois motivos: o primeiro é para a gente dar boas risadas, o segundo é para mostrar a vocês até que ponto vai o oportunismo em relação à dificuldade de gravidez.

É preciso que todas estejam bem atentas a essas fórmulas mirabolantes de gravidez, sem nenhum respaldo científico. É comum que o sentimento de fragilidade e o desejo de acreditar em tudo que possa realizar o desejo da maternidade nos deixem mais vulneráveis. Mas é necessário cautela, sempre.

Sou perfeitamente favorável a técnicas que, indiretamente, possam ajudar na gravidez, embora não sejam cientificamente comprovadas, tais como terapia, acupuntura, homeopatia, massagens, etc. Todas elas colaboram no relaxamento e no bem-estar geral, mas também não devemos depositar nelas todas as nossas fichas. Uma investigação correta, é, sem dúvida, o primeiro passo para essa nossa busca. 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h16
 
Homens acima dos 45 levam mais
  tempo para engravidar parceiras
 

Estudo realizado em hospital universitário na cidade de Hull, no Reino Unido, com 2.112 casais, investigou um fator de infertilidade antes associado exclusivamente às mulheres: a idade. Na contramão da grande maioria das pesquisas sobre fertilidade masculina, focadas principalmente na qualidade do esperma e níveis hormonais, o estudo liderado pelos cientistas Hassan e Killick, investigou a capacidade de fertilização dos espermatozóides ao longo do tempo.

Os resultados, publicados na revista Fertility and Sterility da Associação Americana de Saúde Reprodutiva, serviram para compôr um quadro mais completo dos problemas que podem levar às dificuldades enfrentadas por casais que desejam conceber. 

Considerados os fatores como a frequência das relações sexuais e a idade da parceira, os pesquisadores constataram que os homens acima de 45 anos levaram cinco vezes mais tempo para engravidar suas esposas do que aqueles com idade inferior a 25 anos. Ou seja, a idade deixou de ser problema exclusivo das mulheres, quando o assunto é gravidez.

Essa notícia é de grande importância, especialmente para aqueles homens ainda relutantes em iniciar uma investigação sobre as dificuldades de gravidez. Historicamente, sempre foi atribuída à mulher a "culpa" pela infertilidade, embora saibamos que ambos dividem iguais índices de infertilidade.

O que precisa ficar claro para os casais é que não é possível isolar o agente da dificuldade de gravidez. Não há "culpados" ou os "isentos de culpa". Homens e mulheres terão muito mais chances de sucesso em uma gravidez, seja natural ou por meio das técnicas de reprodução assistida, se estiverem realmente juntos nessa empreitada, sendo solidários e amorosos um com o outro.

O processo não é fácil para ninguém. Ambos sofrem cargas emocionais muito pesadas (as mulheres, em muitos casos, até mais por conta das altas dosagens hormonais) e se não houver uma coesão, fica difícil até manter o casamento. Não conheço estatíticas mas sei de casos de inúmeros casais que, após vencerem a luta contra a infertilidade, se separaram depois do nascimento do filho.

Claro que aí entram outros fatores que não vêm ao caso, muitos até anteriores às tentativas de gravidez. O importante é vocês não perderem o foco de que o filho é uma busca dos dois e o empenho deve ser mútuo. Até para fazer dessa rica experiência um fator de fortalecimento da união.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h09
Cresce gravidez aos 40 nas metrópoles

Pesquisa divulgada na última sexta pelo IBGE confirma que a maternidade tardia já é uma tendência nos grandes centros urbanos brasileiros. A participação de mulheres de 40 a 49 anos de idade, mães pela primeira vez, no total de mães no país, passou de 0,67% (7.142) em 1991 para 0,79% (9.063) em 2000.

A base de dados são os Censos desses anos. Ainda que em números absolutos esse grupo de mães seja pequeno, o fenômeno já pode ser percebido, principalmente, nos Estados do Rio (passou de 0,91%, em 1991, para 1,09%, em 2000) e São Paulo (de 0,65% para 0,87%).

As mães "maduras" têm maior nível de escolaridade (59,1% têm oito anos ou mais de estudo) e pertencem a famílias com alto poder aquisitivo (25,7% têm rendimento mensal familiar de mais de dez salários mínimos).
A administradora Cristina Ferreira exemplifica bem esse perfil. Aos 41 anos, ela está no quinto mês de gestação do seu primeiro filho. Casada há seis anos, ela tentou durante três engravidar por meio das técnicas de reprodução assistida, mas não teve sucesso. No final do ano passado, engravidou naturalmente. "Parece que estou sonhando", diz Cristina.

Perfil

O perfil socioeconômico das mães jovens é bem diferente do das mães "maduras". Elas têm pouca escolaridade e baixos rendimentos. Entre as de 10 a 14 anos, 39% tinham até três anos de instrução e 25,3% não tinham rendimento familiar mensal nenhum. Outro aspecto curioso é que 54,7% das adolescentes de 10 a 14 anos de idade afirmaram que tinham um parceiro ou já estiveram unidas no passado. Quase a metade das adolescentes com idades entre 15 e 19 anos experimentaram a maternidade com uma escolaridade equivalente ao ensino fundamental.

As idades médias mais tardias com que as mulheres tiveram seus primeiros filhos foram observadas no Rio, em 1991, e no Distrito Federal, em 2000 (23,1 anos e 22,3 anos, respectivamente).

O que as pesquisas ainda não demonstram é o percentual de mulheres maduras que está recorrendo à fertilização in vitro. É sabido que as chances de uma gravidez natural acima de 40 anos são de apenas 5%. Nas clínicas de fertilização, quase a metade das clientes estão próximas dos 40 ou já ultrapassaram essa idade. 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h19

 

DIU trata endometriose

com menos efeitos colaterais

 

Os incômodos causados pela endometriose, a principal causa de infertilidade feminina e que atinge 5 milhões de brasileiras, poderão agora ser tratados por um medicamento que tem duração de cinco anos. Trata-se de um DIU (Dispositivo Intra Uterino) de progesterona, tão eficaz quanto os tratamentos convencionais, mas com menores efeitos colaterais. A descoberta resulta de um estudo conjunto feito pela Unicamp e pela USP.

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio - camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação - em locais fora do útero. Comumente o endométrio vai para o ovário e para o peritônio pélvico. Entre os principais sintomas estão a dor durante as relações sexuais e a infertilidade, que não chega a ser definitiva.

Segundo o professor Rui Alberto Ferriani, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP), o endométrio desloca-se devido ao seu crescimento, que é provocado pelo estrogênio (hormônio feminino).

Ferriani afirma que os tratamentos convencionais consistem em inibir a produção do hormônio ou simplesmente anular sua ação. Esses dois procedimentos podem ser feitos pela administração de medicamentos análogos GnRH ou por progestogenios, explica o pesquisador. Outro tratamento convencional é a cirurgia ou a laparoscopia, que consiste na retirada ou queima do endométrio. A laparoscopia também é utilizada no diagnóstico da doença.

Menores efeitos colaterais

A vantagem deste novo tratamento consiste principalmente na redução dos efeitos colaterais, avalia Ferriani. Em termos de melhora da dor, segundo o professor, os resultados foram semelhantes em ambos os tipos de tratamento. Porém, no caso da mulheres que querem engravidar logo, o método pode não ser vantajoso pelo tempo reduzido de uso.  

As pesquisas tiveram início há cerca de dois anos. Entre fevereiro de 2002 e maio de 2004, os pesquisadores acompanharam 82 mulheres, com idade entre 18 e 40 anos, divididas em dois grupos, um com 39, submetidas ao tratamento com DIU, e outro com 43, tratadas com o GnRH.

As pacientes foram observadas por um período de seis meses. Ferriani destaca que outra vantagem da utilização do DIU, é que o procedimento requer somente uma intervenção médica a cada cinco anos.

O estudo será publicado em breve na revista científica Human Reproduction. O artigo Randomized clinical trial of a levonorgestrel-releasing intrauterine system and a depot GnRH analogue for the treatment of chronic pelvic pain in women with endometriosis, já pode ser acessado no site da revista na internet, no endereço
http://humrep.oupjournals.org/.

Além de Ferriani, a equipe de pesquisadores é composta por Carlos Alberto Petta, Daniela Hassan e Luís Bahamoondes, da Unicamp, Sérgio Pdgaec e Maurício S. Abrão, da Faculdade de Medicina da USP, e Júlio C. Rosa e Silva, da FMRP.

No Brasil, apenas 20% das vítimas de endometriose sabem sobre o problema. A descoberta é feita geralmente oito anos depois do início da doença. Quanto mais tarde o diagnóstico, mais difícil é o tratamento e maiores os riscos de seqüelas.

SOGESP fará pesquisa com médicos

A SOGESP (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo) está enviando 5.000 questionários aos ginecologistas para conhecer melhor as atitudes dos médicos diante de mulheres com suspeita de endometriose. É uma ótima iniciativa, pois sabemos o quanto o desconhecimento sobre a doença é grande e o sofrimento das mulheres em busca de um diagnóstico correto.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h38

Reproduzo a seguir reportagens de minha autoria, publicada no domingo pela Folha, sobre histórias de maternidades possíveis com a ajuda da ciência. Creio que em cada um delas é possível encontrar inspiração para continuar na luta contra as dificuldades de gravidez

Bebê é gerado pela cunhada da mãe

Aos 31 anos, a professora Sandra Cezarino Lopez soube que precisaria retirar o útero em razão de um mioma de quase nove centímetros. Viu enterradas ali as chances de ter um filho. Não imaginava que oito anos depois, seu bebê, Ramon, viria pelo útero de outra mulher, sua cunhada.
Mãe de dois filhos -de nove e quatro anos-, Sarita Lopez acompanhava a angústia do irmão, o comerciante Maurício, e da mulher com a impossibilidade de ter filhos. Há dois anos, recém-divorciada, ela se ofereceu para gerar a criança. "Expliquei aos meus filhos que iria emprestar o lugarzinho deles [útero] para o priminho poder nascer", lembra Sarita.
Os três procuraram, então, uma clínica de reprodução assistida e iniciaram o tratamento. "Íamos juntas ao médico. Parecia que as duas estavam grávidas", conta Sandra. A professora usou medicamento para estimular o ovário a formar mais óvulos, que viriam a ser fecundados com os espermatozóides do marido.
Depois, os embriões foram transferidos para o útero da cunhada. Sarita usou medicação para preparar o útero para receber o embrião. Porém, a primeira tentativa de fertilização in vitro falhou. Sandra produziu quatro embriões que, transferidos para o útero de Sarita, não se fixaram.
Três meses depois, um novo tratamento foi feito e a gravidez se confirmou. "Não me sentia grávida. Sabia que aquele filho não me pertencia, que seria o meu sobrinho querido." Tanto ela quanto Sandra afirmam que não houve ciúme entre elas. "Sempre fomos muito amigas", diz Sarita.
Durante a gravidez, Sandra e Maurício acompanhavam Sarita em todos os ultra-sons e consultas do pré-natal. "Não desgrudávamos da barriga dela. Só demos sossego na lua-de-mel", lembra Sandra, que se casou um mês antes de o bebê nascer.
O parto de Sarita, uma cesárea, foi assistido por Sandra. Situação inusitada na maternidade já que, em geral, é o marido que permanece na sala. "Alguns homens estranharam quando eu disse que era meu filho que iria nascer."
No vídeo, Sandra aparece chorando o tempo todo. Foi ela a primeira a segurar Ramon nos braços. "Eu senti ele saindo de dentro de mim." Em comum acordo, ela, a cunhada e o marido decidiram que o menino não seria amamentado por Sarita. "Achamos que criaria um vínculo muito forte", diz Sandra. "Também queria retomar a minha vida. Uma semana depois, já estava trabalhando", reforça a "tia-mãe" Sarita, vendedora autônoma de cosméticos.
(CC)

Mãe dá à luz após câncer no ovário

Foi em abril de 2000, durante a lua-de-mel, que Maria Aparecida Belezin notou o crescimento da barriga. E não era gravidez. Ao fazer o ultra-som, o médico diagnosticou um tumor no seu ovário direito, medindo nove centímetros. Logo depois o câncer foi confirmado. Tinha na época 31 anos.
Como não era mãe, o cirurgião decidiu preservar o seu ovário esquerdo. Quinze dias após a cirurgia, porém, procurou-a alegando que seria mais seguro retirar o outro ovário. O tipo de câncer era agressivo e, provavelmente, iria atingir o órgão, dizia o médico.
"Meu mundo caiu. Queria ter filhos e me via na iminência de não poder tê-los nunca", conta Cidinha, como é mais conhecida.
Ela procurou outros oncologistas, mas todos concordaram que o melhor era extirpar não só o ovário restante mas também o útero. Por fim, uma junta médica avaliou ser possível retirar, naquele momento, apenas o ovário.
Nessas idas e vindas ao médico, ela recebeu a sugestão de congelar seus embriões antes da cirurgia. Assim o fez por meio de um tratamento de reprodução assistida gratuito, obtido na Fundação Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto (SP). Produziu 16 embriões, que ficaram congelados.
"Nem sabia que isso era possível. As coisas iam acontecendo e parecia que eu estava em um filme de ficção científica", lembra.
Enquanto isso, ela lutava contra o câncer. Após a retirada do ovário esquerdo, fez oito meses de quimioterapia. "Perdi o cabelo, sentia-me mal, com náuseas, mas tinha fé que ficaria curada para ter o meu filho." Assim aconteceu em 2003, quando nasceu José Victor. Ainda sobraram dez embriões congelados que ela pretende doar.
No início deste ano, mais surpresas desagradáveis. O câncer havia atingido o endométrio (camada que reveste o útero) e ela teve de retirar o órgão.
"Parece que estava tudo programado. Era uma vitória e uma derrota, outra vitória e outra derrota", conta, referindo-se à progressão do câncer e as subseqüentes cirurgias para a retirada dos órgãos e a sua luta para ser mãe.
O saldo, porém, foi positivo: além do filho, depois da doença Cidinha voltou a estudar e termina neste ano a faculdade de fisioterapia. Pretende se especializar na área de oncologia. Ela concilia o estudo ao trabalho de auxiliar de biblioteca em uma universidade privada de Ribeirão Preto (SP).
"Sou uma pessoa de bem com a vida. Tive muita sorte de poder gerar meu filho entre um câncer e outro. Vou passar pela minha existência agradecendo isso", enfatiza.
(CC)


Escrito por Cláudia Collucci às 12h28

 

Casais fazem financiamento

para auxiliar gravidez difícil


Jiselle Bacchin com seus quíntuplos, de dois anos e meio, que foram 'quitados' há cinco meses

Jiselle e os quíntuplos

Alice nasce em 15 dias, mas os pais continuarão "pagando pela menina" até julho, quando liquidam uma dívida de R$ 6.000 que fizeram para gerá-la. O tratamento de reprodução assistida que possibilitou a gravidez da mãe foi parcelado em 12 vezes.
Os quíntuplos Ana Helena, Milena, Vitória, Nicolas e Ramon completam dois anos e meio amanhã e só terminaram de ser "pagos" há cinco meses. Os pais recorreram a um financiamento de R$ 18 mil para tê-los.
As crianças fazem parte de uma nova geração de bebês que nasceram por meio das técnicas de reprodução assistida -acessíveis a apenas 2% dos casais inférteis.
Sem condições de pagar pelo tratamento à vista, muitos casais estão recorrendo a empréstimos bancários, cuja quitação só ocorre depois do bebê nascido. "Ela já vai nascer com dívida. Ainda bem que é uma dívida que vai render muitos lucros", brinca a mãe de Alice, Elzi Ayres Ferreira, 34.
A menina chegará após 13 anos de tentativas dos pais. Mãe de um jovem de 18 anos do primeiro casamento, Elzi não conseguia engravidar em razão dos poucos espermatozóides do marido, o engenheiro Mauro Viana, 44.
Mesmo ciente do problema, o casal adiou por vários anos o tratamento de reprodução assistida. "Preferimos construir a casa, trocar de carro e viajar. Mas a lacuna do filho continuava", diz.
Em 2000, fizeram duas inseminações, que não deram certo. Voltaram a tentar dois anos depois. Elzi engravidou, mas perdeu o bebê no início da gestação.
No ano passado, o casal resolveu investir em uma última tentativa. "Parcelamos o valor em seis vezes no cartão e o restante no cheque pré-datado. O valor foi equivalente à prestação de um carro", compara Elzi.

Quíntuplos
"Benhê, agora ninguém tasca. Eles são todos nossos", disse o comerciante Jaime Bacchin, 53, à mulher Jiselle, 36, quando quitou a última parcela de R$ 642,00 do financiamento que fez para a fertilização que resultou no nascimento dos quíntuplos.
O casal, de Piracicaba (SP), demorou quase três anos para liquidar a dívida. "Foi suado. Havíamos programado o pagamento calculando as despesas que teríamos com um filho. Imagine o que foi multiplicar os gastos por cinco", lembra Jiselle.
Com a ajuda de parentes e amigos, eles têm conseguido sustentar a inesperada família. "O último lote de fraldas veio do clube onde o Jaime joga bola. Um dos rapazes fez aniversário e pediu que o presente fossem fraldas."
O problema tem sido na renovação do plano de saúde. Até completarem dois anos, as crianças tinham um desconto de 50%. Agora, perderam o benefício e a família não tem como arcar com os R$ 550 mensais.
"Não podemos depender do sistema público. Uma das minhas filhas teve descolamento de retina e um dos meninos tem bronquite asmática", conta Jiselle, que vê na resolução desse impasse o melhor presente de Dia das Mães
.

Aos seis, menino terá irmã gêmea

Ao entrar na maternidade para dar à luz Alissa até o fim deste mês, Alessandra Câmara Silveira, 32, de São José do Rio Preto (SP), realizará o sonho de ser mãe de um casal de gêmeos. O inusual é que as crianças terão uma diferença de idade de seis anos.
Alissa, enquanto embrião, ficou cinco anos congelada em uma clínica de reprodução assistida com outros nove embriões resultantes de um único ciclo de fertilização in vitro (FIV), realizado há sete anos.
Naquela época, Alessandra fez um tratamento de reprodução assistida e engravidou de João Marcelo, que completou seis anos anteontem. Os embriões excedentes, um total de dez, foram congelados em um tanque de nitrogênio líquido a -190C.
Ano passado, atendendo aos apelos do filho, que pedia uma "irmãzinha", ela decidiu transferir dois dos embriões congelados. Um deles se fixou e, para a surpresa da família, era uma menina.
Como ambos vieram de óvulos de um mesmo ciclo e foram fecundados no mesmo dia, são considerados pelos médicos gêmeos não-idênticos, ou fraternos. Apenas terão idades distintas.
Segundo o médico José Gonçalves Franco Júnior, da clínica Sinhá Junqueira, de Ribeirão Preto (SP), que fez o tratamento em Alessandra, apesar de a fertilização dos dois ter ocorrido na mesma época, a garota sempre será mais nova porque as células não se dividem enquanto o embrião está congelado.
"Foi muita sorte vir uma menina porque, embora desejássemos muito, não escolhemos os embriões. Foram descongelados três, mas um não resistiu. Transferimos então dois e taí a Alissa. Minha família agora está completa", afirma Alessandra, que pretende doar os sete embriões restantes para pesquisa com célula-tronco.
Ela conta que deixá-los indefinidamente na clínica de reprodução lhe causa angústia, especialmente depois de engravidar de Alissa. "Considero-os filhos, mas não pretendemos ter outros. Um casal está de bom tamanho. Também não quero doá-los a outro casal."
Quando tentava engravidar de João Marcelo, Alessandra produziu 30 óvulos: 15 ela decidiu doar a um casal infértil. "Até hoje me pego pensando se eles foram fecundados e se tenho mais filhos por aí. Fico com medo do João Marcelo ou da Alissa um dia se apaixonar por um deles", conta.
Alessandra tentou engravidar naturalmente durante cinco anos, mas nada aconteceu. A causa era a má qualidade dos espermatozóides do marido, o cirurgião-dentista Marcelo da Silveira.
(CC)


 

Escrito por Cláudia Collucci às 12h26



Gordura tem elo com a

fertilidade feminina



Os gregos antigos e os renascentistas é que sabiam das coisas. Talvez as gordinhas hoje não estejam no auge de sua popularidade, mas cientistas dizem hoje que suas barriguinhas podem ter uma ligação direta com a fertilidade. Em testes feitos com camundongos, o grupo de Jerold Chun, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia, mostrou que um único lipídio (molécula de gordura) está ligado a uma fase crucial para o sucesso da gravidez.

É a chamada implantação do embrião, fase na qual ele se fixa no útero. Se, uma vez fecundado, o embrião não consegue se prender à parede do órgão, a gestação não progride. Acontece que essa implantação só é bem-sucedida quando embrião e útero estão "na mesma página", ou seja, sincronizados em suas respectivas fases de desenvolvimento.
É essa falta de sincronismo, por exemplo, que dificulta tanto o sucesso nos procedimentos de fertilização in vitro, em que o óvulo é fecundado por um espermatozóide em laboratório e depois é devolvido ao corpo da mulher. A incerteza faz com que os médicos implantem vários embriões, na expectativa de que pelo menos um consiga se fixar corretamente.

A nova descoberta, feita com camundongos, é que um receptor (uma fechadura química celular) chamado LPA3 -molécula que se encaixa justamente com um lipídio chamado LPA- tem uma ligação crucial no processo de ativação do sistema de preparação do útero para implantação.
O achado pode representar um alvo para o desenvolvimento de drogas e tratamentos, que podem beneficiar não somente as mulheres que pretendem ter filhos usando fertilização assistida mas também as que tentam as técnicas "convencionais".
"É possível que isso melhore a fertilidade em gestações naturais também", disse Chun à Folha.

Sabedoria antiga?

"Talvez um modo de pensar nisso seja notar as estátuas e imagens de uma fêmea fértil idealizada -por exemplo as da Grécia helenística ou provavelmente de antes-, em que as mulheres são representadas gorduchas, não como as modelos da moda de hoje", prossegue o pesquisador. "A gordura corporal contribui positivamente para a fertilidade. Aqui está um exemplo: um único lipídio age sobre um único receptor e afeta a fertilidade. Não seria surpreendente descobrir que a barriguinha contribui para esse mecanismo LPA, embora não tenhamos provado isso", diz.

A descoberta foi feita a partir da modificação de camundongos fêmeas. Os cientistas foram "desativando" um a um os receptores de lipídios nos animais para ver o efeito após a gravidez. Os receptores LPA1 e LPA2 não causaram grande impacto (no que diz respeito à gravidez, embora tenham feito outros estragos), mas o LPA3 sim, afetando justamente o processo de implantação.

A perspectiva de desenvolvimento de medicamentos é alta, explica o autor do estudo, que sai publicado na edição de hoje da revista científica britânica "Nature" (www.nature.com).
Essa classe de receptor é uma velha conhecida dos médicos. Ela serve de alvo para vários tipos de droga, como antialérgicos. "Logo, há a esperança de que uma droga que mire esse receptor -ou talvez as moléculas sinalizadoras relacionadas a ele- possa ser eficaz", afirma Chun.

Apesar do entusiasmo, ainda há muito a se entender sobre o processo. A começar pela confirmação de que o modelo animal é um bom representante da condição humana. Chun está otimista quanto a isso. "A estrutura molecular do receptor é muito similar entre humanos e camundongos, o que sugere que ele possa ter funções similares nas duas espécies."

No entanto, entre saber que uma certa molécula está ligada a um processo e entender o que ela está fazendo é um salto. É o alerta de Sudhansu Dey, da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, que escreveu comentário sobre o estudo na mesma "Nature".

"Em minha opinião, ainda estamos a um longo caminho de desenvolver drogas relacionadas ao LPA3 que irão melhorar a fertilidade. Essa é uma descoberta interessante, mas mais estudo é exigido para entender melhor o papel dos mediadores de lipídios no desfecho da gravidez", argumentou Dey. Chun concorda com a cautela. "Há uma longa estrada que leva ao desenvolvimento de qualquer droga para qualquer alvo possível. Com o rápido avanço da tecnologia, não me arriscaria a dizer quanto tempo seria preciso, além de afirmar que provavelmente vá levar anos."
(SALVADOR NOGUEIRA)

 

Devagar com o andor

Antes que as gordinhas comecem a comemorar a notícia acima, publicada na edição de hoje da Folha, lembrem-se que há outros trabalhos científicos que alertam para o risco da obesidade em mulheres. Um deles é uma pesquisa da Sociedade Americana do Câncer que concluiu que as mulheres que engordam entre 9 e 13 quilos depois dos 18 sofrem 40% mais riscos de terem câncer da mama em relação àquelas que permaneceram no mesmo nível da balança.

Infertilidade

Além do câncer da mama, os quilos extras podem prejudicar também a fertilidade. A obesidade altera os níveis de insulina liberados pelo pâncreas na mulher, o que desencadeia uma superprodução de hormônios masculinos pelos ovários e, por sua vez, a interrupção da liberação de óvulos.

 A obesidade também pode abalar a saúde cardiovascular, o equilíbrio hormonal e a estrutura anatômica. Causa ainda um distúrbio de transmissão de sinais hormonais, afetando seriamente a fertilidade.

Por isso, nada de confiar demais na pesquisa acima. Lembrem-se de que ela foi feita com camundongos, que não são os modelos ideais para esse tipo de verificação. Especialmente porque possuem receptores hormonais muito diferentes dos humanos.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 12h13



Especial revela maternidade após os 30

 

Uma lição que a mulher nunca aprende na infância é que existe um limite biológico para gerar um filho. A partir dos 35 anos, as chances de uma gravidez natural decaem, e, dos 40 em diante, a queda é ainda mais vertiginosa. Mesmo com a ajuda da reprodução assistida, ter um filho nessa fase da vida pode não ser tão simples assim.

O documentário "Maternidade Tardia", que o Canal GNT exibe a partir de quinta-feira, trata exatamente desse crescente fenômeno de mulheres que decidem vivenciar a maternidade tardiamente e das dificuldades que encontraram. O país escolhido foi a Austrália, onde uma em cada dez mulheres tem seu primeiro filho após os 35 anos.

Três mulheres (veja foto acima), com idades entre 37 e 46 anos, protagonizam histórias parecidas: sempre foram profissionais brilhantes e, na faixa dos 30, perceberam que não sobrou tempo para gerar filhos.
Deborah Thomas (à dir.) é uma jornalista que teve o primeiro filho aos 46 anos, depois de ter feito várias tentativas de fertilização in vitro (FIV). "Pensei que estava entrando na menopausa", diz, referindo-se à ausência da menstruação.

O programa acompanha as semanas finais da gravidez da também jornalista Thereza Miller, 37, (no meio) que engravidou após FIV. O trabalho de parto, que levou dois dias e foi feito em uma banheira, reúne os momentos mais emocionantes do documentário.

Não menos tocante é a história da artista plástica Etienne Cohen (à esq.), que, aos 44 anos, corre em busca da maternidade. Com uma baixa reserva ovariana, ela já ouviu de vários médicos que está "velha" para ser mãe e que uma gravidez com seus próprios óvulos será "virtualmente um milagre".

Ainda que cometa impropriedades técnicas (como chamar de inseminação um procedimento que é, na verdade, uma FIV), o documentário é fiel aos dramas das personagens e nos faz refletir sobre o papel da "super-mulher-moderna" em busca da questionável tríade: profissional brilhante, amante perfeita e mãe ideal.


Maternidade Tardia (canal GNT)

 quinta

- dia 05 às 21h00
sexta - dia 06 às 12h30
domingo - dia 08 às 09h30
quinta - dia 12 às 07h30
domingo - dia 15 às 21h00

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h48

A TORTURA DO MÊS DE MAIO

 É maio, mês das mães, das noivas e de muita tortura para o casal que enfrenta dificuldades de gravidez. Afinal, para onde quer que se olhe, a maternidade está presente. Seja nos outdoors, nas propagandas de TV ou nas promoções dos shoppings center, impera a figura da mãe e seu(s) rebento(s).

E como fica a mulher que deseja tanto um bebê e encontra barreiras físicas ou emocionais para realizar esse sonho? Ou aquela que perdeu seu filho em um aborto? Em geral, abaladas por uma tempestade emocional que parece não ter fim.

Não que esses sentimentos não estejam presentes no dia-a-dia. Mas, com a proximidade do Dia das Mães, essa dificuldade de gerar, ainda que momentânea, provoca uma profunda dor. São freqüentes os sentimentos de ansiedade, de angústia, de frustração e de medo. Parte desses sentimentos tem explicações científicas.

A dor da infertilidade é comparada à dor do luto. Nessas condições, cada menstruação tem peso emocional parecido ao da perda de um suposto filho. E isso dói. E dói muito mais quando a mulher sente-se sozinha, sem ter com quem dividir essa imensa sensação de fracasso. Foi exatamente essa solidão que me chamou a atenção cinco anos atrás, quando escrevi meu primeiro livro ("Quero ser mãe"), contando histórias de casais inférteis e iniciei essa trajetória de tentar traduzir o sentimento da mulher com dificuldade de gravidez.

Nesses cinco anos, muita coisa mudou. E o fórum do discussão sobre infertilidade no UOL teve um papel fundamental nesse processo. Com esse canal, as mulheres perceberam que não estão sozinhas, que inúmeras outras, de todas as raças, classes sociais e credos, enfrentam, muitas vezes caladas, o drama de não conseguir gerar um filho naturalmente. E o fardo, apesar de dolorido, tornou-se um pouco mais leve.

Os testemunhos de luta, de persistência e de fé funcionam como bálsamo para as feridas abertas pela dificuldade de gravidez. Por meio da troca de idéias, esses casais conhecem melhor as nuanças da infertilidade e os tratamentos disponíveis hoje. E aprendem ir à luta para conseguir o seu bebê. E não é uma luta fácil, nem do ponto de vista emocional, nem do financeiro, especialmente, porque o tratamento é caro e praticamente inexistente na rede pública de saúde. Também não é coberto pelos planos de saúde.

Para homens e mulheres que passam hoje por esse drama, um conselho: não desistam. Corram atrás de informações, certifiquem-se que estão nas mãos de profissionais corretos e estejam muito unidos. Amor, carinho e compreensão mútua são fundamentais nesse momento. Retirem dessa preciosa experiência forças para revigorar a alma, fertilizar a vida e para preparar um ninho reconfortante para o bebê que certamente virá. Estejam certos disso.

* Inspirado em artigo que escrevi no ano passado para o site da Corplus

Escrito por Cláudia Collucci às 19h18

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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