BATE PAPO NA FOLHA ONLINE

Oi gente, hoje, a partir das 17h, estarei participando de bate-papo da Folha sobre reprodução assistida. O foco serão as novidades do congresso em Copenhague (Dinamarca). Com uma hora de duração, os bate-papos são abertos ao público em geral, mesmo para quem não é assinante da Folha ou do UOL. Para participar, basta estar conectado à internet e acessar o site da Folha Online, no www.folha.com.br.

Leiam reportagem sobre o assunto no http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u110597.shtml

 

  

Escrito por Cláudia Collucci às 11h49

 

A qualidade do sêmen e

as chances de gravidez

Por quanto tempo antes de um tratamento de fertilidade deve o homem se abster da ejaculação para otimizar a qualidade do sêmen e aumentar as chances de gravidez na mulher? Os resultados de um novo estudo envolvendo mais de 6.000 homens sugere que a recomendação pode variar de acordo com os resultados do espermograma. Ou seja, as orientações sobre a abstinência seuxal (ou masturbação) podem variar se o homem tiver ou não oligospermia (alteração no sêmen).

Antes de continuar falando sobre o estudo, vou abrir uma brecha e explicar melhor esse problema. Oligospermia como o nome diz: oligo= poucos + espermia = espermatozóides, é uma contagem diminuída de espermatozóides. Existem muitas causas, mas em geral poderíamos dividi-las em: desde o nascimento e adquiridas. No primeiro grupo temos os casos de criptorquidia (testículo não desceu para a bolsa escrotal), alterações genéticas, etc..Já nas causas adquiridas a mais comum é a varicocele, mas poderíamos ter alterações hormonais, infecções, etc.

Voltando ao estudo, ele foi feito por especialistas em fertilidade da Universidade de Soroka, em Beer-Sheva (Israel). Foram analisadas 9.489 amostras de sêmen obtidas de 6.008 homens. As amostras foram divididas de acordo com a concentração espermática em quatro grupos: oligospermia severa, moderada e baixa e esperma normal (normozoospermia).

Em cada grupo, os pesquisadores determinaram os efeitos do período de abstinência, que variou de zero a 14 dias na qualidade e quantidade dos espermatozóides. Os três grupos com oligospermia foram mais tarde reunidos em um só depois que os pesquisadores perceberam que a relação entre a duração da abstinência e a qualidade do esperma foi simular nos três (exceto os efeitos na morfologia dos espermatozóides).

Assim, sobraram dois grupos, que tiveram os seguintes achados:

Homem com oligospermia

Pesquisadores perceberam um declínio da qualidade espermática após dois dias de abstinência. Por exemplo, o pico da motilidade espemática foi vista com apenas um dia de abstinência. Eles concluíram que homens com oligospermia devem fazer a coleta de sêmen para tratamento com apenas um dia de abstinência.

Homem sem oligospermia

Em amostras normais de sêmen (normozospérmicos), os pesquisadores observaram um significativo descréscimo da motilidade e da morfologia do sêmen após 11-14 dias de abstinência sexual. Por isso, eles recomendam que homens que estejam tentando engravidar suas parceiras não devem exceder dez dias de abstinência.

A OMS recomenda que a abstinência sexual deve ser entre dois a sete dias antes do sêmen ser coletado para análise da infertilidade. Mas diante desses novos estudos, pesquisadores acreditam que essa recomendação deva ser reavaliada.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h35

  

DE VOLTA, FINALMENTE

Queridas, depois de uma rápida sumida (estava exaustíssima com a correria da viagem e com muito trabalho me esperando no jornal), estou de volta. Conforme o prometido, seleciono abaixo alguns tópicos abordados durante o congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, que aconteceu na semana passada em Copenhague.

Como eu já havia dito a vocês, são poucos os trabalhos que nos interessam. A grande maioria dos estudos é inconclusiva, ou seja, apresenta um resultado, mas diz que são necessários estudos maiores para comprovar a tese.

O importante é que vocês estejam certas de que a técnica (FIV ou ICSI) não muda. É a mesma aqui, na Europa e nos EUA. Os índices de sucesso, idem. Aliás, é muito interessante observar que os trabalhos apresentados na Europa nunca têm resultados de FIV acima de 35% de sucesso. Bem diferente das taxas que muitas clínicas brasileiras e americanas costumam propagar (de 50% para cima).

Curioso é que tanto no Brasil como nos EUA a reprodução assistida está nas mãos das clínicas privadas, que podem alardear o índice de sucesso que bem entendem, sem nenhum órgão regulador que fiscalize. Bom, vamos às notícias:

1 - Embrião único: O assunto que dominou o evento foi, sem dúvida, as experiências européias com a transferência de um único embrião durante as FIVs. Fiz uma reportagem para a Folha sobre o assunto que pode ser lida no seguinte link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2706200510.htm

2 - Óvulo de célula-tronco - Cientistas do Reino Unido mostraram que células-tronco extraídas de embriões humanos podem se transformar em laboratório na forma primitiva das células que originam óvulos e espermatozóides, abrindo a possibilidade de que um dia óvulos e espermatozóides necessários a tratamento de infertilidade possam ser cultivados numa placa de vidro. Leia mais sobre o assunto nesse link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2006200501.htm

3 - Uso da Metformina em mulheres com SOP - O uso da metmorfina (usado em casos de resistência à insulina, ou "pré- diabetes") parece melhorar as funções reprodutivas nas mulheres com a SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) durante os ciclos de FIV, revelaram pesquisadores ingleses. Mulheres com essa síndrome têm baixas taxas de fertilização, altas taxas de aborto e mais riscos da Síndrome da Hiperestimulação Ovariana. Foram avaliados dois grupos de mulheres: um, com 52, que recebeu Metformina, e outro, com 49, que recebeu placebo. A conclusão foi que o uso da droaga não melhorou a resposta à estimulação ovariana, mas houve uma melhora significativa na continuidade da gravidez e uma redução no risco de síndrome do hiperestímulo.

4 - Luvas e toxidade - As luvas de proteção usadas pelos técnicos para evitar contaminações virais e bacterianas durante os procedimentos de reprodução assistida podem ser tóxicas para os gametas, revelou uma pesquisa do centro de infertilidade do Hospital Universitário de Gent (Bélgica). Foram avaliadas vários tipos de luvas cirúrgicas durante manipulação com embriões de ratos. A conclusão foi que determinadas luvas possuem ação antibactericida que, ao mesmo tempo que limina os vermes, também afetam a qualidade dos óvulos e espermatozóides.

5 - Infertilidade psicogênica - Revisão na literatura médica feita por um grupo de pesquisadores do centro de medicina psicossocial da Escola Médica de Heidelberg (Alemanha) mostrou que a estimativa clássica que diz que de 10 a 15% dos casos de infertilidade estão relacionados a fatores psicológicos podem estar subestimadas. Ele acreditam que a taxa de 5% é mais otimista. Para eles, não há evidência científica de que o desejo obsessivo de ter um filho ou um problema de relacionamento do casal possa ser responsável pela infertilidade. Porém, eles recomendam mais estudos prospectivos e randomizados com adequadas metodologias para estudar os efeitos psicológicos do estresse na fertilidade de homens e mulheres.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h22

News of Copenhagen

Queridas, o caos continua por aqui. Há mil coisas acontecendo ao mesmo tempo e o jeito é fazer algumas escolhas em detrimento de outras. Hoje, cobri conferências interessantes: uma diz respeito a uma tendência na Europa de transferir apenas um embrião nos ciclos de FIV. Eles estão preocupados com o índice de gêmeos (em torno de 22%; no Brasil é o dobro) e querem acabar com a gravidez múltipla.

 Já há um consenso mundial que a gestação de múltiplos não é boa para ninguém. A mulher corre mais riscos de aborto, tromboembolismo e pré-eclampsia. O bebê, de sofrer má-formação congênita e danos cerebrais. Com isso, os gastos com o sistema público de saúde explodem. Na Bélgica, por exemplo, existe uma lei que obriga a transferência de apenas um embrião em mulheres abaixo de 36 anos. Em compensação, custeia até seis ciclos de FIV.

Encontrei alguns médicos brasileiros por aqui (dr. Eduardo Motta, dr. Paulo serafini, dr. Isac, do Rio (Huntington), dr. Artur Dzik e dr. Gilberto (P'erola Byngton e Corplus), Edson Borges (Fertility), Rui Ferriani (Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto), dr. João Batista (Sinhá Junqueira), dr. Arnaldo Cambiagi, entre outros, e todos foram unânimes em comentar que essa é ainda uma realidade muito distante do Brasil. Especialmente porque, sem ajuda do governo, os casais preferem autorizar a transferência de mais embriões porque terão mais chances de gravidez.

O mais interessante, porém, é que os estudos apresentados pelos grupos europeus mostram que as chances de sucesso de uma gravidez são praticamente as mesmas com um ou dois embriões transferidos. Como eles conseguem? Tecnologia e pesquisa. Coisa que, no Brasil, um restrito número de clínicas tem hoje.   

Outro estudo importante diz que mulheres com um perfil genético especial podem conceber espontaneamente após os 45 anos. O estudo foi feito por pesquisadores israelenses. Eles identificaram a maneira como esse gene se expressa e esperam que isso possa ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a infertilidade na idade tardia.

Segundo Neri Laufer, da Universidade e Hospital Haddassah, de Jerusalen (Israel), sua equipe estudou um grupo de 250 mulheres acima de 45 anos, que engravidaram espontaneamente. Em geral, há menos de 1% de chance de as mulheres engravidarem com seus próprios óvulos nessa faixa etária. A partir dos 43 anos, médicos já recomendam a gravidez com óvulos doados. "Nessa idade, os óvulos não têm qualidade. Então, pensamos que devia haver um fator especial que permitira essas mulheres a conceber", afirmou Laufer.

A grande maioria das mulheres pesquisadas tiveram vários filhos e baixa taxa de aborto, fatores que sugerem uma habilidade natural dessas mulheres de escapar do processo de envelhecimento ovariano. Laufer explica que decidiu checar se havia alguma diferença entre a expressão do gene dessas mulheres e de outras que só conceberam antes dos 30 anos.

Foram recolhidas amostras de sangue e analisado DNA das células dessas mulheres. A conclusão dos cientistas foi a de que as mulheres que conceberam após os 45 parecem ter uma predisposição genética única que as protege contra a morte celular (apoptosis) do ovário. "Não sabemos ainda se o sucesso reprodutivo está relacionado com uma potencial longevidade", disse Laufer.

Segundo o ginecologista Eduardo Motta, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), há que estudos que dizem sim: essas mulheers também teriam maior longevidade. "Mas elas são a exceção da  exceção", disse.

Agora, a equipe de Laufer pretende estudar mulheres de outras etnias, com outras heranças genéticas para compará-los com o grupo analisado. Para ele, identificando mulheres com essa expressão genética, os médicos poderão saber quais ainda estarão férteis numa idade avançada e poderão aconselhá-las melhor a respeito disso. Além disso, a expectativa é que esse conhecimento também possa reverter em melhores tratamentos na área da reprodução assistida.

No entanto, Laufer reconhece que a maternidade após os 45 anos é uma questão complexa e delicada e está relacionada a aspectos a culturais e religiosos. "Nosso primeiro grupo veio de um ultra-religioso setor, que encoraja a concepção natural e desencoraja os uso de contraceptivo. Essas mulheres não tiveram nenhuma mudança no seu sistema reprodutivo até a menopausa."

*** Gente, por hoje é só. Volto amanhã para o Brasil, com uma escala de SEIS horas no aeroporto de Roma. Ou seja, só piso em solo brasileiro na quinta e, depois dessa correria, só devo voltar a ser alguém na sexta. Teremos muitas e muitas novidades nos próximos dias. Estou com a mala carregada de abstrats (rs).

Escrito por Cláudia Collucci às 09h43

News de Copenhagen

Queridas, por aqui est'a a maior correria. O local do congresso 'e imenso e a fila para usar a internet, idem. Ent~ao, n~ao sei se vai ser poss'ivel mant^e-las t~ao atualizadas assim... De qualquer forma, j'a passei os olhos em todo o programa e 90% dele 'e muito t'ecnico. S'o mesmo m'edico para entender. Hoje, promete ferver por aqui um simp'osio em que o laborat'orio Ferring vai apresentar um estudo demonstrando que a gonadotrofina Menopur (feita com urina de mulher menopausada) seria mais eficaz que o Gonal F (feita a partir de engenheria gen'etica). Para n'os o que interessa 'e que o Menopur 'e, em m'edia, 40% mais barato que o Gonal F. Mas vamos aguardar para ver. Embora o estudo pareca ser s'erio, quero ouvir os m'edicos antes de inform'a-lo com mais detalhes.

Tamb'em est'a pegando por aqui as leis restritivas que alguns pa'ises est~ao impondo aos tratamentos de fertilidade. A It'alia, por exemplo, proibe a doa'c~ao de gametas ('ovulo e espermatoz'oide) e o congelamento de embri~oes. H'a pa'ises discutindo tamb'em quebrar o anonimato das doa'c~oes de gametas. No Brasil, h'a projeto de lei tramitando na C^amara que trata exatamente sobre isso.

Outro assunto que achei interessante hoje foi uma apresenta'c~ao do pessoal da cl'inica Sinh'a Junqueira em Ribeir~ao Preto sobre o grau de estresse e ansiedade dos casais antes e depois dos tratamentos de reprodu'c~ao assistida. Em rela'c~ao `as mulheres, a conclus~ao 'e meio 'obvia: as mulheres que n~ao engravidam bem mais estressadas e ansiosas do que aquelas que engravidam. O interesse foi o resultado em rela'c~ao aos homens: eles n~ao apresentam estresse ou ansiedade em nenhuma situa'c~ao. Claro que n~ao d'a para generalizar, mas 'e um bom sinal de como os nossos homens reagem a essas sitau'c~oes. Bom, como vcs viram, ainda estou apanhando do teclado... Prometo voltar assim que sobrar outro tempinho. Bjos. Cl'audia    

Escrito por Cláudia Collucci às 04h19

Direto de Copenhagen

Olá pessoal, estou em Copenhagen (Dinamarca) para participar do congresso sociedade européia de reprodução e embriologia, que inicia amanhã à noite e vai até quarta. Pretendo informá-las diariamente das principais novidades na área da fertilidade. Alguns tópicos que já posso adiantar são:

1 - Estudo mostra que o uso da gonadrotofina (estimulador de ovulacão) feita a partir da urina da mulher menopausada seria  mais eficaz que a droga recombinante, produzida por engenharia genética. E o melhor: a primeira droga é 40% mais barata que a segunda. Ou seja, se tudo for mesmo comprovado, com base na medicina baseada em evidências, é uma ótima notícia porque todas nós sabemos muito bem o impacto dos medicamentos no custo da reproducão assistida.

2 - Turismo reprodutivo: é uma boa ou má opcão?

3 - O alto custo da gravidez múltipla - aspectos econômicos devem ser considerados nos servicos públicos de fertilidade

4 - Problemas genéticos e fertilizacão in vitro: resultados do maior estudo já feito no mundo.

Bom, o que não vai faltar é assunto. A coisa vai estar bem corrida por aqui a partir de amanhã. Hoje, sábado, depois de um vôo infernal e um terrível jet-leg, estou curtindo um pouco da cidade, que é simplesmente maravilhosa. O sol está se pondo agora, quase dez da noite (aqui estamos cinco horas na frente do horário brasileiro). Bjos a todas e até amanhã.

Obs - desculpe-me pelos erros. Estou em um cibercafe brigando com o teclado dinamarquês...

 

Escrito por Cláudia Collucci às 16h37

Fumantes passivas também correm

risco de ter fertilidade prejudicada

 

Não é novidade para ninguém que o cigarro pode afetar a fertilidade da mulher. O que tem de mais novo no cenário é uma pesquisa sugerindo que as mulheres com parceiros fumantes também têm prejuízo na chances de gravidez tanto quanto as fumantes.

Pesquisadores canadenses examinaram a qualidade dos embriões e as taxas de gravidez de 225 mulheres divividas em três grupos (fumantes, não fumantes e mulheres que vivem com fumantes ("side-stream smokers").

Eles não encontraram diferença na qualidade dos embriões desses três grupos, mas houve uma diferença significativa na taxa de gravidez entre eles.

Entre as não-fumantes, a taxa de gravidez por embrião transferido ficou em 48%, entre as fumantes, em torno de 19% e, entre as fumantes passivas, em 20%. Ou seja, as taxas das fumantes e das fumantes passivas são praticamente as mesmas.

O risco do fumo passivo na saúde reprodutiva era desconhecido até então, mas agora, diante dessas evidências, os médicos já estão alertando suas pacientes sobre o perigo que ele representa.

Os pesquisadores pretendem ampliar o estudo, com mais mulheres, para confirmar essa teoria. Para eles, é essencial estudar mais os efeitos do cigarro nos óvulos. O prejuízo do fumo aos espermatozóides já são bem conhecidos até porque o material é mais fácil de ser obtido e estudado.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser encontrados no site da sociedade européia de reprodução e embriologia: http://www.eshre.com/emc.asp

Escrito por Cláudia Collucci às 16h49
Religiões alteram rotina de clínicas

DA REPORTAGEM LOCAL

As diferentes culturas e etnias dos casais que procuram as clínicas de reprodução vêm impondo nova rotina a esses locais.
Entre os judeus ortodoxos, por exemplo, há os que só se submetem à fertilização in vitro se o rabino ou o seu representante puder acompanhar todo o processo. Os
religiosos ficam presentes desde a fertilização do óvulo com o espermatozóide no laboratório até a transferência para o útero da paciente.

O judaísmo veta a prática da inseminação ou da fertilização in vitro com esperma doado. Segundo o rabino Henry Sobel, presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, o acompanhamento da fertilização depende de uma decisão pessoal do religioso.

Sobel diz que, segundo a tradição judaica, a inseminação pelo esperma de um doador estranho em mulheres casadas poderia não criar laços de parentesco entre a criança e o marido. "A mulher sente-se como se estivesse traindo o marido, e este fica diminuído na sua masculinidade."
Para Sobel, a presença do rabino na clínica deixa o casal mais tranqüilo e pode evitar práticas como troca do material genético.

No islamismo, qualquer técnica de reprodução assistida também deve envolver somente os dois cônjuges. Assim, são proibidas as doações de óvulo e de espermatozóides e o chamado útero de substituição -quando a mãe biológica não tem o órgão e recorre a outra para gerar o seu bebê.

Entre os muçulmanos ortodoxos, também há um ritual para a coleta do esperma que será utilizado na inseminação ou na fertilização in vitro. Como a religião proíbe a masturbação, o homem é orientado a manter relação sexual com a mulher usando uma camisinha especial, que depois é levada para o laboratório para a coleta dos espermatozóides.

Segundo o xeique Jihad Hassan Hammadeh, vice-presidente da Assembléia Mundial para a Juventude Islâmica, a religião desaconselha a masturbação, mas a tolera quando o tratamento requer que a coleta do sêmen seja no laboratório. O islamismo não se opõe à utilização de embriões em pesquisa com célula-tronco porque não o consideram uma vida. "A alma só se implanta no feto com 120 dias de gestação."

A Igreja Católica condena a reprodução assistida, a não ser que se use técnicas simples, como estímulo para aumento de produção de óvulos. "O filho deve ser gerado de ato de amor e não mecanicamente", diz a médica Alice Teixeira Ferreira, assessora científica da CNBB e docente da Universidade Federal de São Paulo.

Segundo ela, do ponto de vista da ética médica, a sobrecarga hormonal que a mulher é submetida para superovular é um risco para a sua saúde. "Moralmente, o filho [por meio da reprodução assistida] é visto como um produto de consumo." (CLÁUDIA COLLUCCI)

Escrito por Cláudia Collucci às 11h22
ATRÁS DA CEGONHA

Baixo custo e uso de técnicas vetadas no exterior atraem estrangeiros que não conseguem ter filhos


Brasil vira rota do turismo reprodutivo

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL


O Brasil entrou na rota do turismo reprodutivo internacional. Em duas das principais clínicas de São Paulo, por exemplo, o número de casais estrangeiros com dificuldade de gravidez atendido já é o dobro em relação a 2004.


O movimento de casais estrangeiros que buscam o país para ter um bebê chamou a atenção até da prestigiada revista científica "The New England Journal of Medicine", que, recentemente, colocou o Brasil na rota do turismo reprodutivo internacional.
O baixo custo dos procedimentos (em relação aos preços praticados na Europa e nos EUA) e uma maior permissividade à realização de técnicas proibidas em outros países seriam alguns dos motivos que fazem os casais estrangeiros a atravessarem o Atlântico à procura da terapia.


Nos EUA, cada tentativa de fertilização in vitro varia de US$ 8.000 a 12 mil -quase o dobro da média praticada no Brasil. Na Europa, o preço é parecido, mas alguns países custeiam o tratamento. O entrave fica por conta de questões éticas, que acabam restringindo algumas técnicas.


A Alemanha é um caso emblemático: limita o atendimento gratuito a mulheres até 37 anos, só permite a transferência de dois embriões para o útero e não realiza fertilização com óvulos ou esperma doados. A Itália também veta o útero de substituição ("barriga de aluguel") e restringe a inseminação artificial a casais heterossexuais que comprovem a relação estável.


No Brasil, não há lei específica que regulamente as técnicas de reprodução assistida. Procedimentos polêmicos, como a escolha do sexo do embrião ("sexagem") e a transferência do citoplasma do óvulo de uma mulher jovem para o de uma mulher mais velha para supostamente "vitaminá-lo" são feitos por algumas clínicas.
Ambos são condenados pela comunidade científica internacional e pelo próprio Conselho Federal de Medicina brasileiro.


"Muitas clínicas brasileiras agem sob o princípio da anomia [ausência de leis, de normas ou de regras de organização]. Essa sensação de que tudo pode, atrai os estrangeiros. Mas o país tem um ordenamento jurídico com regras muito claras. O problema é que ninguém fiscaliza", diz o urologista Jorge Hallak, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Atendimento em dobro


O ginecologista Paulo Marcelo Perin, especialista em reprodução assistida, concorda que o rigor de algumas leis estrangeiras tem beneficiado turismo reprodutivo no Brasil. Além disso, ele lembra que algumas clínicas americanas recusam pacientes com poucas chances de fertilização -em geral, aquelas acima de 40 anos- para não prejudicar as estatísticas de eficácia do serviço.
"Ao selecionar pacientes com mais chances, o índice de gravidez chega a 80%. Nos congressos, essas taxas impressionam", afirma o médico. No ano passado, Perin atendeu seis pacientes vindas no exterior. Neste ano, já foram 12.


O médico Roger Abdelmassih também relaciona a maior procura de pacientes estrangeiros ao endurecimento das leis européias. A eficácia e o custo do tratamento no Brasil também seriam outros atrativos, diz o médico.
Neste ano, Abdelmassih afirma ter atendidos 30 casais estrangeiros, contra 18 que procuraram a clínica durante o ano de 2004.


Sul-africanos, americanos e europeus (especialmente os franceses, alemães e italianos) lideram a lista de estrangeiros que se submeteram a tratamentos na clínica. "Em geral, eles nos procuram quando já tiveram tentativas fracassadas no país origem."


Na avaliação do ginecologista Alfonso Massaguero, da clínica Huntington, o fato de o país ter uma grande diversidade étnica o coloca em vantagem aos demais quando a indicação do casal estrangeiro for de uma fertilização com óvulo ou sêmen doado.

Turismo e hospitalidade


Segundo a ginecologista Maria do Carmo Borges, presidente da SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida), o turismo também tem impulsionado a escolha dos estrangeiros pelo país.


"Eles vêm nas férias e aliam o lazer ao tratamento. Dá tempo para tomar as medicações, fazer a transferência dos embriões e, às vezes, de confirmar a gravidez antes de embarcar para os seus países de origem", diz ela, que tem uma clínica no Rio de Janeiro.


O urologista Edson Borges, da clínica de reprodução Fertility, conta que os casais estrangeiros fazem todos exames necessários para a investigação da infertilidade no país de origem e só vêm ao Brasil no momento de iniciar a estimulação ovariana.
"Hoje os seguros de saúde americanos já aceitam solicitação [de exames] de médicos brasileiros", conta Borges.


Ele lembra que nos congressos internacionais de reprodução, a delegação de médicos brasileiros costuma ser a terceira ou a quarta maior em freqüência. "Tecnicamente falando, nada nos diferencia dos países desenvolvidos", diz.


O ginecologista Ricardo Baruffi, da clínica Sinhá Junqueira, de Ribeirão Preto, lembra que a hospitalidade dos brasileiros, inclusive na área médica, é outro fator de atrai os estrangeiros, especialmente quando um dos cônjuges é brasileiro. "Eles se queixam que as equipes estrangeiras são, em geral, mais frias", conta.

Escrito por Cláudia Collucci às 13h49

 

A SOP E O RISCO DA SÍNDROME
DA HIPERESTIMULAÇÃO OVARIANA

Como se não bastasse o fato de terem mais chances de apresentar ciclos anovulatórios e infertilidade, as mulheres com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) também têm mais dificuldades na resposta das induções de ovulação e, conseqüentemente, menos chances de gravidez. Além disso, um perigo ainda maior ronda as mulheres com SOP que se submetem ao tratamento hormonal com as gonadotrofinas.

Trata-se da Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO), um distúrbio que pode provocar rápida acumulação de líquido na cavidade abdominal, caixa torácica e em volta do coração. Também pode causar danos aos ovários, rupturas e hemorragias na cavidade abdominal, tendo como conseqüência intervenções cirúrgicas. Alguns dos sintomas que podem indicar a síndrome são: dores pélvicas, náuseas, vômitos, ganho de peso,  alargamento ovariano, dificuldades respiratórias e disfunções do fígado.

A síndrome costuma ser apontada pelos médicos como um evento raro (com incidência inferior a 1%), mas há estudos internacionais dando conta que até 5% das mulheres submetidas à FIV podem ser vítimas do problema e, as mais vulneráveis, são as portadoras de SOP. No Brasil, não há um estudo abrangente sobre isso, mas, em apenas uma maternidade de São Paulo, cinco mulheres já foram parar na UTI neste ano vítimas dessa síndrome. Ou seja, não é um episódio tão raro assim.

Estudo realizado pelo centro de reprodução humana do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto relata que tem sido alta a taxa de cancelamento de transferência embrionária em ciclos de reprodução assistida em pacientes com SOP, devido principalmente a Síndrome da Hiperesimulação Ovariana.

O problema é que nas clínicas privadas, em razão dos altos custos dos medicamentos para indução da ovulação, muitos médicos prosseguem com os ciclos, mesmo com os riscos da SHO. Por isso, fiquem atentas a esse fato. Mas por que as mulheres com SOP têm mais riscos?

É simples. Na SOP, as mulheres apresentam resposta excessiva à estimulação ovariana devido ao fato de os ovários policísticos apresentarem vários folículos parcialmente desenvolvidos que estariam prontos para a estimulação, propiciando uma típica resposta multifolicular.

Em razão da alta sensibilidade dessas mulheres com os estimuladores ovarianos, alguns médicos defendem mudanças na abordagem terapêutica, como doses reduzidas de gonadotrofinas. O problema é que, com isso, podem ser recrutados óvulos de baixa qualidade, com pouca maturidade e, conseqüentemente, com maior dificuldade de fertilização.

Novas técnicas de reprodução assistida, como a captação de oócitos imaturos seguida da maturação in vitro dos mesmos, têm mostrado potencial tratamento de sucesso para essas pacientes no futuro. Para isso, é necessário que seus óvulos possuam competência para maturação e desenvolvimento.

Alguns médicos acreditam que essa conduta possa apresentar maiores benefícios que a FIV (por evitar o risco da SHO), menores custos e baixas taxas de complicações em mulheres com SOP. Mas, por enquanto, essa técnica está restrita ao campo das pesquisa.

Escrito por Cláudia Collucci às 11h54

Publico a seguir reportagem de minha autoria publicada na edição de ontem da Folha. Creio ser de extremo interesse para todas nós.

 

Cresce câncer da mama antes dos 35 anos

Flávio Florido/Folha Imagem
Cristiane Maziero, 37,  que teve câncer da mama há dois anos, fez tratamento e está curada

O motivo é uma incógnita, mas os oncologistas estão convencidos do aumento do número de casos de câncer da mama em mulheres abaixo de 35 anos -faixa etária em que esse tipo de tumor não é esperado. A maior prevalência da doença, principal causa de morte entre as brasileiras, ocorre a partir dos 50 anos.

Levantamento preliminar do Hospital do Câncer de São Paulo, entre agosto de 2003 e agosto de 2004, diagnosticou 84 casos de câncer da mama em mulheres com idade inferior a 35 anos. Esse número representa 16,8% do total de casos novos de tumor mamário que a instituição atende por ano. O esperado seria de 5% a 7%.

Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) e da Fundação Oncocentro de São Paulo, que reúne informações de câncer de 54 hospitais paulistas, mostram que as mulheres com menos de 40 anos respondem por 15% dos casos da doença. Neste ano, é esperado um total de 467.440 novas ocorrências do tumor no país.

A dúvida agora é saber qual é a razão desse aumento. Trabalhos realizados no Rio de Janeiro e no Rio Grande Sul, que confirmam o aumento, supõem que fatores ambientais (poluição, por exemplo) e mudanças no estilo de vida da mulher moderna (como o estresse, a menarca -primeira menstruação- precoce e a gravidez tardia) possam estar envolvidos nesse fenômeno. Mas os dados ainda são inconclusivos.

No próximo mês, o Hospital do Câncer e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) iniciam uma pesquisa inédita no país com objetivo de levantar os possíveis fatores que levam ao câncer da mama em mulheres jovens. "Está havendo um aumento significativo de casos e queremos saber o porquê", diz Mário Mourão Netto, chefe do departamento de mastologia do Hospital de Câncer.

O médico diz que o maior interesse da pesquisa é a apuração dos fatores de risco não relacionados à hereditariedade ou à história familiar da paciente. Dos 84 casos analisados pelo Hospital do Câncer, 20% tinham antecedentes genéticos ou familiares. Em geral, o tumor na mulher jovem é mais agressivo. Porém, as chances de cura são de 90% quando diagnosticado precocemente.

Segundo Marco Porto, chefe da divisão de atenção oncológica do Inca, o aumento dos casos ainda não pode ser sentido pela série histórica do órgão, mas tem sido mencionado pelos médicos.

O mastologista Antonio Frasson, do hospital Albert Einstein, atribui o maior número de casos à melhoria dos métodos de diagnóstico. "A procura de avaliações de rotina está maior e, com isso, estamos conseguindo detectar esses casos previamente", afirma.
Para Diógenes Basegio, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, só a melhoria do diagnóstico não justificaria o aumento. "O estresse e a gravidez tardia podem ter influência."

Esterilidade preocupa mulheres jovens


Uma das questões mais debatidas em relação ao câncer da mama em mulheres jovens é o comprometimento da fertilidade.
Dependendo do estágio do tumor, elas terão de ser submetidas à quimioterapia e/ou radioterapia, que podem levar à esterilidade em metade dos casos.


Estudo publicado em 2004 no "Journal of Clinical Oncology" mostrou que 57% de 657 mulheres jovens com câncer da mama entrevistadas tinham muita preocupação com a chance de se tornarem inférteis e 29% disseram que esse fato influenciou no tipo de tratamento adotado -mesmo que ele implicasse maior chance de reincidência da doença.

A maioria, 72%, discutiu o assunto com seus oncologistas e 17% preferiram consultar um especialista em fertilidade. Entre as mulheres pesquisadas, 26% reclamaram que não foram bem orientadas pelos seus médicos sobre as conseqüências do tratamento nas chances de ter filho no futuro.


"Mulheres jovens com câncer têm pouquíssimas opções para preservar sua fertilidade", diz Antonio Frasson. Para ele, são necessárias pesquisas que ajudem médicos a selecionar terapias eficazes de combate à doença e preservação da fertilidade das pacientes.
Especialistas em reprodução humana sugerem que pacientes congelem óvulos ou tecido ovariano para, no futuro, tentarem a gravidez por meio da fertilização in vitro. O assunto é polêmico.

Segundo Antonio Frasson, 50% dos tumores de mama estão associados ao hormônio estrogênio. Assim, as estimulações ovarianas para a fertilização in vitro, feitas com administração de drogas à base desse hormônio, estimularia o crescimento do tumor. "Pode ser uma estimulação passageira, mas não há segurança de que não vá contribuir para a evolução do tumor", afirma o médico.

Segundo o oncologista Ricardo Marques, do Hospital Sírio Libanês, como há 50% de chances de a mulher entrar na menopausa após a quimioterapia, muitas se submetem à fertilização in vitro e congelam os embriões para serem transferidos após o tratamento. A chance de gravidez com o procedimento é em torno de 30%.


O problema tem sido com as mulheres sem parceiros fixos. Como ainda não há tecnologia eficaz que garanta bom índice de gravidez com óvulo congelado, algumas tentam fecundar seus óvulos com espermatozóides de doador anônimo. "É uma discussão muito difícil. Casos de gravidez com óvulo congelado são raríssimos. É mais factível congelar o embrião."

Muitas mulheres jovens que têm o câncer diagnosticado, diz ele, não abrem mão da maternidade mesmo sabendo que há maior chance de reincidência do câncer no período de cinco anos. Por isso, afirma, o tratamento deve ser muito discutido. (CC)

Escrito por Cláudia Collucci às 16h17

  

Célula-tronco embrionária pode

ser a solução para a infertilidade?

O assunto é polêmico. O centro de reprodução Roger Abdelmassih, de São Paulo, já está tentando produzir óvulos e espermatozóides a partir dessas células-tronco. As experiências estão sendo feitas com camundongos porque a manipulação de células humanas para esse fim _que pode gerar clones_ é vetada no Brasil. Dois cientistas russos estão na linha de frente dessas pesquisas.

É estranho o fato de um centro de reprodução humana investir numa tecnologia que só pode ser usada em animais. Mas o grande desafio dos cientistas que trabalham com células-tronco de embriões é dominar sua diferenciação.

Ou seja, como essas células podem se transformar em diferentes tipos de tecidos, a esperança é que elas produzam espermatozóides e óvulos para atender mulheres e homens que sonham em ter filhos e não conseguem por problemas de saúde ou idade mais avançada.

Os geneticistas que já trabalham há uma longa data com esse tipo de pesquisa afirmam que essa pode ser uma possibilidade num futuro incerto. Ainda há muitos problemas envolvidos, o principal deles é que não há garantia que, depois de colocada dentro de um órgão, a célula não vá se transformar em um tumor.

Na minha avaliação, no mundo na reprodução assistida, há muitas outras prioridades, muitas questões que demandam mais investigação científica para que os índices de sucesso das gravidezes sejam maiores. Afinal, é um procedimento ainda tão caro, que só oferece em média 30% de chances de sucesso a cada tentativa.

Um exemplo de desafio que merece mais pesquisa é a questão da implantação do embrião no útero. Quantos e quantos casos não conhecemos de casais que produzem ótimos embriões que, depois de implantados, não se fixam ao útero. Há pesquisa que atribuem a dificuldade à ação de certas enzimas, mas não existe nada conclusivo.

Bom, em relação às células-tronco embrionárias, uma boa oportunidade para se atualizar sobre o assunto será no programa Roda Viva, da TV Cultura, que acontece na segunda-feira (dia6), a partir das 22h30.

A entrevistada será a geneticista Lygia da Veiga Pereira, da USP, que coordena um dos grupos que já trabalha com células-tronco de camundongos e deve passar a atuar com células de embriões humanos, que estejam disponíveis para esse fim nas clínicas de reprodução. Participarei do programa como um dos entrevistadores. Os telespectadores também podem participar via telefone e por e-mail. Os contatos serão passados durante o programa. Não percam!

Escrito por Cláudia Collucci às 15h45
 

PALESTRA GRATUITA AMANHÃ

NO CENTRO DE CONVENÇÕES REBOUÇAS

 

A Santa Casa de São Paulo promove amanhã, dia 2 de junho, quinta-feira, às 12h, no auditório amarelo do Centro de Convenções Rebouças, palestra sobre prevenção de infertilidade entre as mulheres. O evento, com entrada franca, irá abordar a queixa e história clínica da paciente como forma de prevenir a endometriose, doença que pode causar dificuldades para engravidar.

Dirigido especialmente a mulheres em idade reprodutiva, a palestra faz parte da 19ª Jornada de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa, que acontece entre os dias 2 e 4 de junho. A jornada terá como temas centrais, neste ano, os aspectos preventivos em ginecologia, indagações da grávida e principais dúvidas dos obstetras.

Estatísticas apontam que cerca de 30% a 40% das mulheres com endometriose têm problemas de infertilidade. O principal sintoma da endometriose é a dor, às vezes muito forte, na época da menstruação. Dores para ter relações sexuais também são comuns, mas muitas mulheres com endometriose não sentem nada.

"A doença não é necessariamente sinônimo de infertilidade, mas o correto acompanhamento ginecológico é o melhor caminho para evitar problemas futuros", afirma o ginecologista Newton Eduardo Busso, secretário geral da jornada.

Informações sobre a palestra podem ser obtidas pelo telefone (11) 3062-1722 ou pelo site www.cean-santacasa.org.br. O Centro de Convenções Rebouças fica na Av. Rebouças, 600, Cerqueira César, São Paulo-SP.

Escrito por Cláudia Collucci às 13h39

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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