Bebê é encontrado em lagoa

Um saco de lixo preto boiando em uma lagoa, preso a um pedaço de pau. Ao longe se ouvia um choro fino, que lembrava um miado de gato. Ao ser puxado o saco para a margem da lagoa, eis que surge de dentro dele uma garotinha de aproximadamente dois meses, bem-vestida e com uma tiarinha rosa na cabeça. Estava muito assustada, mas sã e salva. A cena, ocorrida na lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG) e exibida no Jornal Nacional de ontem http://jornalnacional.globo.com/, levou-me às lágrimas e não sai da minha mente.

 


A menina, que pesa 3,6 kg, foi levada para o hospital e passa bem

O que leva alguém a cometer um ato insano desses? Uma mãe psicótica? Alguém que tenha raptado a criança por vingança? Pura maldade? É provável que logo logo o mistério seja esclarecido, mas a perplexidade vai continuar. Assim como a sucessão de por quês. Por que há tantas gravidezes indesejadas? Por que há tantos bebês sendo jogados em latas de lixo, em rios ou lagoas, como o caso de BH? Por que há tanta criança que mal saiu das fraldas nas ruas, mendigando nos sinais?

Ao mesmo tempo que assistia ao salvamento da garotinha, fiquei pensando em cada uma de nós que tanto desejam um bebê. Abri o computador e comecei a ler as quase 2.000 mensagens deixadas neste blog nos últimos meses. Histórias de dor pela gravidez que nunca aconteceu, pela gestação que não avançou, pelos bebês que não chegaram a nascer e por aqueles que nasceram, mas não sobreviveram.

Lembrei-me em especial de uma amiga muito querida, a Mariana, enlutada pela recém-perda do Rafa, no oitavo mês de gestação. Tudo pronto, tudo preparado para recebê-lo e, tal como o anjo que leva o seu nome, ele foi ocupar algum berço divino. Não aquele que os pais haviam preparado com tanto cuidado, tanto esmero.

Nesses momentos, com tantas associações, fica muito difícil entender a lógica da vida. Os pensamentos ficam meio nublados, assim como o céu nesta manhã de domingo. Logo, eu sei, as nuvens se dissiparão e o brilho voltará. Como se renova a nossa esperança, a nossa fé e o nosso amor à vida. Apesar de tudo.  

Obs: Leiam as últimas notícias sobre a garotinha http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u117783.shtml

Escrito por Cláudia Collucci às 13h19

Trauma psicológico de

aborto dura até 5 anos

A notícia é do mês passado, mas não deixa de ser atual. Um estudo de pesquisadores da Universidade de Oslo concluiu que a interrupção voluntária de gravidez abala mulheres por mais tempo do que o aborto espontâneo.

A equipe de cientistas comparou 40 mulheres que tiveram abortos espontâneos com outras 80 que escolheram interromper a gravidez. O resultado do estudo foi publicado na revista acadêmica online BMC Medicine.

As mulheres que perderam os bebês em razão de problemas no parto sofreram estresse mental nos seis meses subseqüentes. Já as mulheres que praticaram abortos de vontade própria enfrentaram efeitos negativos atpe cinco anos depois.

Ativistas que militam pelo direito ao aborto dizem não haver provas ligando diretamente aborto a trauma psicológico.

A equipe da Universidade de Oslo afirmou que, dez dias após o aborto, 47,5% das mulheres que tiveram aborto espontâneo apresentaram sinais de algum tipo de sofrimento mental, contra 30% das que se submeteram a abortos.

O total de mulheres psicologicamente abaladas pelo aborto espontâneo caiu com o passar do tempo _22,5% delas após seis meses e apenas 2,6% passados dois anos e cinco anos.

Já no grupo das mulheres que abortaram por escolha própria, 25,7% ainda sofriam sequelas psicológicas depois de seis meses, e 20% delas continuavam com problemas mentais relacionados ao aborto cinco anos mais tarde.

Os pesquisadores noruegueses disseram que os resultados reforçam a importância de se oferecer às mulheres informações sobre os efeitos psicológicos da perda de um filho, seja naturalmente, seja por aborto premeditado.

Assino embaixo essa afirmação e estendo a necessidade dessas informações também para o aborto retido, aquele que acontece no início da gestação (até a 12ª semana). Sabemos o quanto ele é freqüente e o quanto deixa as mulheres arrasadas.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h30

Vamos dar uma olhadinha?

 

A BBC Brasil disponibilizou uma série de imagens muito interessantes sobre o crescimento fetal. Que tal a gente dar um tempo nos fantasmas da dificuldade de gravidez e sonhar um pouquinho com o nosso futuro bebê?

 

Em geral, os bebês só sorriem de quatro a seis semanas após o nascimento. Mas o feto desta imagem parece apreciar o fato de que o útero é quentinho, confortável e protegido de barulho e da luminosidade.


Este feto tem dez semanas e consegue mexer suas pernas e braços com uma gama de movimentos fluidos e sutis.

Na 22ª semana, os bebês conseguem fazer movimentos mais elaborados com as mãos e os dedos. Este feto, por exemplo, em seguida a essa imagem, vai coçar e esfregar as bochechas e o nariz.

A partir da 24ª semana de gravidez, quando o desenvolvimento da retina já se completou, os bebês abrem e fecham os olhos intermitentemente. Isso os ajuda a aperfeiçoar os reflexos da ação de piscar, o que vai proteger seus olhos após o nascimento.

Já foram vistos fetos de até 11 semanas com dedos na boca. Nesta imagem, o feto começou com um dedinho do pé, passando em seguida para um mais gordinho.

O feto começa cedo a tentar pegar em algo que está em sua volta. No último trimestre esta habilidade está mais desenvolvida. Ele segura as mãos, os dedos, os pés e, o que é mais comum, o cordão umbilical.

Os bebês fazem um movimento que parece com um bocejo já com 12 semanas de gestação. Talvez esta seja a forma encontrada pela natureza para garantir que, assim que o bebe nascer, ele consiga dar sua primeira respirada.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h17

A polêmica dos tratamentos imunológicos

"Como outras mulheres também vivo o mesmo problema de infertilidade sem causa aparente. Já fizemos algumas tentativas e recentemente começamos um tratamento de imunidade. Segundo orientação médica, necessito tomar uma vacina feita do sangue do meu marido e somente depois realizar novo procedimento. Já tomei a primeira dose e estou indo para a segunda. Sei que o tratamento imunológico pode ajudar e muito ao processo, você sabe algo a respeito?"

Essa é uma questão freqüentemente colocada pelas leitoras e objeto de muita polêmica. Há médicos que afirmam categoricamente que não há comprovação científica sobre esse método e, por isso, ele não deve ser aplicado na prática clínica. Existem aqueles que concordam parcialmente. Ou seja, em casos de abortos recorrentes, mas nunca antes de a mulher já ter experimentado por uma gravidez. Há uma lógica nisso: como ela pode tomar uma vacina contra os anticorpos do marido se a forma dela tomar contato com eles é por meio do embrião, que carrega o material genético dos dois?

Outros médicos defendem o tratamento imunológico em casos de dificuldade de gravidez e em FIVs fracassadas porque acreditam que há "reações alérgicas" ligadas à infertilidade. Essas reações acontecem quando um "corpo estranho" entra em contato com o organismo. O sistema imunológico entra em ação produzindo anticorpos que rapidamente se encarregam de destruir o invasor e proteger o indivíduo do ataque externo.

Quando se fala em gravidez, considerando que metade do bebê foi formada com o DNA do pai, o feto passaria a ser um corpo estranho, cheio de proteínas estranhas, se desenvolvendo dentro de outro corpo que deseja, a princípio, expulsá-lo dali imediatamente. Isso não aconteceria numa gravidez bem sucedida porque uma enorme revolução hormonal e biológica diminuiria as reações imunes permitindo que o feto se instale e se desenvolva.

Segundos defensores do tratamento imunológico, em algumas mulheres esse comprometimento imunológico não acontece e pode estaria aí a causa de alguns abortos espontâneos ou da dificuldade de gravidez. A explicação seria que as reações imunológicas transformariam o útero num ambiente hostil ao embrião, impedindo sua implantação.

Mas a maioria dos médicos, especialmente os ligados às universidades, é taxativa: não há indicação clínica confirmada para esse tratamento.

Abaixo, segue a avaliação do dr. Rui Ferriani, professor doutor da USP e resposnsável pelo centro de reprodução do HC de Ribeirão Preto, um profissional que considero muito ético e respeitado na área de reprodução assistida:

"É logico que deve haver alterações imunológicas em pacientes com aborto habitual e FIV sem sucesso, mas não há nenhum dado claro que indique isso e, portanto, qualquer procedimento (diagnóstico e terapêutico) só deve ser feito em caráter experimental, fazendo parte de um protocolo de pesquisa aprovado por um comite de ética. Sei que vários colegas estão indicando isso, muitos por pressões das pacientes, que exigem que algo diferente deva ser feito, e está dificil explicar a elas isso. Os colegas que fazem o procedimento nunca publicaram nada a respeito, e o fato de algumas pacientes engravidarem após a vacina não tem significado cientifico, pois não há grupo controle."

Eu, particularmente, confio no que está publicado, referendado pela comunidade científica. Ainda mais quando a gente sabe que os tratamentos imunológicos são caríssimos. Não dá para ficar brincando de experiências. Creio que, ao aconselhar uma paciente sobre esses tratamentos, os médicos devem informá-la sobre esses senões. De nada vale ficar apontando casos isolados de sucesso. Essa situação parece aquelas histórias que a gente ouve de pessoas que adotaram e engravidaram, ou que tomaram tal remédio ou fizeram tal novena e também tiveram sucesso. Não estou desmerecendo nenhuma dessas iniciativas, mas creio que, quando determinada situação envolve dinheiro, é preciso muito critério e sinceridade.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h21

O excesso de cesáreas

Nesta semana, fiz uma reportagem que ainda está dando o que falar: 80% dos partos realizados pelos planos de saúde são cesáreas, o que leva o país a ser líder mundial neste tipo de parto. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda um índice de, no máximo, 20%. No dia seguinte à publicação da matéria, o representante da OMS no país declarou ser um "absurdo" esse índice. Leia as reportagens sobre o assunto.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1101200601.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1201200607.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1201200602.htm

Após entrevistar pelo menos 15 médicos "cesaristas" e "vaginistas" e gestantes sobre o assunto, eis aqui um resumo do que apurei:

1 - Está cada vez mais difícil uma mulher conseguir fazer um parto vaginal, mesmo que seja esse o seu desejo e que não haja contra-indicação para o procedimento. É comum alguns médicos amedrontarem suas pacientes com os mais variados argumentos e, é claro, que ela acaba acatando porque, nesse momento, o que menos elas desejam é correr riscos.

2 - O problema é que, diferentemente do que muitos pensam, a cesárea é mais arriscada do que o parto normal. Vários estudos indicam que o risco de mortalidade materna é três vezes maior em razão de hemorragias e infecções. Também é comum o bebê ser retirado antes da sua maturidade completa, o que leva a problemas respiratórios, na melhor das hipóteses.

3 - Um dos argumentos para a defesa da cesárea é que ela evitaria, no futuro, problemas ao assoalho pélvico da mulher, como queda da bexiga, incontinência urinária e deslocamento do reto.

4 - Os médicos formados nos últimos anos têm pouquíssima experiência com o parto normal porque, nas faculdades, o ênfase atual é na realização de cesáreas. As escolas de obstetrícia, como o hospital Pérola Byngton já foi no passado, praticamente não existem mais. Ou seja, o parto normal deixou de fazer parte da formação do médico. Assim, é concebível imaginar que muitos simplesmente não sabem fazer parto vaginal.

5 - Os médicos que têm experiência muitas vezes agem com uma certa hipocrisia. No serviço público, fazem parto normal. No consultório particular, indicam a cesárea.

6 - Em muitos casos, a razão pela preferência da cesárea é mais econônica do que clínica. Como os planos de saúde pagam a mesma coisa pelo parto normal e pela cesárea e como um parto normal demora muito mais (às vezes, até dez horas), os médicos preferem fazer a cesárea, que dura em média uma hora. Acrescente aí o fato que muitos médicos atuam em vários serviços e não teriam "tempo a perder" com um trabalho de parto longo.

7 - No Brasil, o papel das enfermeiras obstétricas ou parteiras ainda está limitado a poucas iniciativas na rede pública de saúde. Na Europa, principalmente, são elas que conduzem o parto e o médico plantonista só acompanha o trabalho e interfere em situações de necessidade. Lá também inexiste essa cultura de que o médico que realiza o pré-natal deve necessariamente fazer o parto.

Enfim, argumentos é que não faltam para o assunto. A proposta da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) é fazer um pacto para que as operadoras de saúde diminuam sua taxa de cesárea em 15% nos próximos três anos. Além de achar essa redução ínfima, penso que o caminho não se resume a isso. É preciso atacar a base do problema, que está no deficiente aprendizado nas faculdades de medicina.

A Febrasgo (federação que reúne as sociedade de ginecologia e obstetrícia) também deveria investir em cursos para atualizar os ginecologistas e obstetras sobre o parto normal. Ao mesmo tempo, o papel das enfermeiras obstétricas deveria ser mais valorizado, inclusive no sistema suplementar de saúde.

Também é preciso convencer as mulheres dos benefícios do parto normal e afastar delas o medo da dor e das coisas horríveis que costumam ouvir por aí. Hoje, com a analgesia aplicada no trabalho de parto, a dor é mínima. Só assim, penso, o ato de nascer voltará a ser um processo natural, menos instrumentalizado.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h43

Instinto materno

"Mulheres que engravidam depois dos 40 têm quatro vezes mais chance de chegar aos cem anos. Essa é uma das conclusões do grupo da Universidade de Boston que participa do célebre New England Centenarian Study, dedicado a acompanhar uma coorte de homens e de mulheres que ultrapassaram a invejável marca de um século de vida, sonhada mesmo pelos que negam até a morte o desejo de atingi-la.

Os autores do estudo atribuem tal achado a um possível retardo no processo de envelhecimento associado à ocorrência da gravidez numa época em que a concentração de hormônios sexuais já se encontra em declínio. A tempestade hormonal e os mediadores neuroquímicos liberados durante as fases de gestação e aleitamento teriam a propriedade de contrabalançar deficiências cognitivas relacionadas com a menopausa, proteger melhor o cérebro e conduzir à longevidade."

Este o início do artigo que Drauzio Varella publicou no último sábado. A íntegra pode ser vista no link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0701200619.htm

Fui atrás do estudo original e o texto que está acessível é bem inconsistente http://www.bumc.bu.edu/Dept/Content.aspx?DepartmentID=361&PageID=5924. Não é mencionado o perfil dessas mulheres. Por exemplo, se eram mulheres que engravidaram pela primeira vez. E o próprio estudo diz que esse não foi o único fator ligado à longevidade

Já tinha ouvido falar sobre essa relação gravidez tardia X longevidade e, até onde consegui chegar, são mulheres que já tinham filhos e voltaram a engravidar depois dos 40 anos. É que se chamava no passado de "filhos rapa do tacho".

Não acho que há algo a comemorar. Existem dados científicos (esses sim bem consistentes) que após os 40 anos a taxa de gravidez natural cai assustadoramente. O mesmo acontece com a reprodução assistida. Tanto que muitas clínicas, a partir dos 42 anos, já sugerem a gravidez com óvulos doados.

Claro que nada é impossível e muitas mulheres engravidam nessa fase da vida. Temos vários exemplos disso, inclusive aqui no blog. Mas, estatisticamente, são exceções, infelizmente.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h06

 

Por que o desejo da gravidez incomoda tanto?

 

Volta e meia recebo mensagens de muito mau gosto de pessoas criticando o desejo da maternidade, tema principal deste blog. Algumas são tão absurdas (e o pior, tão mal escritas) que deleto de cara. Não vale a pena dar espaço a pessoas tão pequenas e pobres de espírito. Não que eu não aceite críticas. Aceito-as de bom grado desde que tenham substância, sejam inteligentes e desprovidas de ofensas.

 

Infelizmente, não é o caso dessas a que me refiro, calcadas em preconceito e intolerância.

Gostaria muito de entender o motivo pelo qual as pessoas não conseguem respeitar o desejo e o direito do outro, ainda mais quando o que outro deixa ou não de fazer não lhe diz respeito. Em se tratando de direitos sexuais e reprodutivos, essas atitudes são marcantes e recorrentes. É assim com questão do homossexualismo, do aborto e, agora, da reprodução.

 

Em geral, essas críticas seguem um mesmo padrão, a mesma ladainha: “com tanta miséria, crianças morrendo de fome e vocês querendo engravidar? Por que não ajudam uma ONG de crianças carentes”, ou “em vez de ficar gastando dinheiro com tratamento por que não adotam?” A pérola de hoje foi “depois de passar a metade da vida com seus anticonceptivos,  vícios de bebidas e cigarros e depois, com os seus quase 40 anos, querer conceber um filho...nada mais típico da grande pobreza e egoísmo do ser humano de hoje.”

 

Às vezes, divirto-me com essas bobagens e as recolho cuidadosamente para a minha tese de doutorado. Outras vezes, ignoro-as por absoluta falta de paciência e porque meu tempo é curto demais para ser perdido com asneiras. Há vezes, porém, que me entristeço com a pequenez e a ignorância humana. Quando a gente pára e reflete o tempo precioso que essas pessoas perdem apontando o dedo para outro em vez de voltarem para si próprios é, no mínimo, desolador. Não por elas porque, certamente, cegas pela ignorância, pouco se importam com isso. É desolador para o universo, tão carente de energias positivas e de pessoas que querem o bem do outro.

 

Ter ou não filho diz única e exclusivamente respeito aos que vão gerar esse filho. Se esse filho virá naturalmente ou por meio da reprodução assistida aos 20, aos 30, aos 40, aos 50 anos também diz única e exclusivamente ao casal. É preciso que isso fique muito claro na cabeça daqueles que se comportam como verdadeiros juízes, acima do bem e do mal. O desejo de um filho pode perfeitamente caminhar ao lado de uma adoção, de ajuda a instituições de crianças carentes ou outros atos de filantropia. Uma coisa não exclui a outra.

 

Talvez essas pessoas precisem aprender como se tornar realmente belas. Não aquela beleza efêmera que os anos podem desfazer, mas a beleza profunda e verdadeira, que se revela naqueles que são capazes de manter o coração puro e dedicado em cuidar e respeitar todos os seres do planeta, independentemente de cor, do credo, da condição socioeconômica, da opção sexual e, por que não, da opção reprodutiva.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h45
 

Entenda como agem os espermatozóides

Abaixo, uma explicação detalhada do urologista Edson Borges, da Fertility, de como agem os espermatozóides no trato genital feminino e o porquê que o teste anunciado pelos britânicos é falho: 

O interesse em descobrir se um homem é fértil ou não data de muitos anos; isto é demonstrado pela grande quantidade de testes para avaliar as condições do espermatozóide; existem pelo menos 30 testes conhecidos.

O importante é entendermos o que acontece com os espermatozóides para que eles possam alcançar o óvulo e fecundá-lo. Numa ejaculação são depositados no fundo do saco vaginal cerca de 50 milhões de espermatozóides; eles então sofrem uma seleção natural bastante rigorosa, como se fosse uma grande maratona, onde muitos largam, alguns chegam e um único vence. 

Então, em cada local do sistema reprodutor feminino, o espermatozóide tem uma característica estrutural e bioquímica, para poder vencer aquela etapa. Isto é, o espermatozóide presente no colo uterino é diferente daquele presente dentro do útero, que é diferente daquele na trompa e principalmente diferente quando ele alcança o óvulo. 

Esta situação explica o porque não existe um teste único para avaliar a fertilidade do homem; normalmente realizamos uma série de testes buscando encontrar onde o espermatozóide pode estar falhando, nas várias etapas que ele tem que cumprir no processo de fecundação.

Especificamente no teste citado, está sendo feita a avaliação apenas de uma etapa. Ainda, sabemos que em cerca de 35-40% das vezes, não conseguimos descobrir o que está ocorrendo, onde então todos os testes estão normais.

Outro fator que sempre temos que levar em consideração é que fertilidade é “do casal”; quanto mais fértil está um, menos fértil necessita estar o outro. É por isso que muitas vezes vemos casais que engravidam e que o homem tem uma condição seminal anormal.

Creio que este seja mais um teste que avalia a condição de contato do espermatozóide com o muco cervical, onde o teste pós-coito e o teste de penetração espermática em muco cervica ou bovino, velhos conhecidos nossos, já o fazem muito bem, sem as falhas de uma avaliação feita em casa, pelo próprio homem.

Escrito por Cláudia Collucci às 11h44

Britânicos anunciam teste de fertilidade; 

brasileiros questionam eficácia

Cientistas britânicos anuncia­ram hoje o desenvolvimento do primeiro teste caseiro de fertilida­de masculino do mundo. O teste  já está aprovado pela agência eu­ropéia de medicamentos e será vendido nas farmácias da Inglaterra. Segundo os pesquisadores, ele poderá in­formar em menos de uma hora se um homem é ou não capaz de ter filhos.

Urologistas brasileiros recebe­ram a notícia com descrédito. Pa­ra eles, o teste é inespecífico por­ não avaliar a qualidade dos es­permatozóides e outros fatores envolvidos na infertilidade conju­gal.

Para fazer o teste, desenvolvido pela Universidade de Birmingham (Reino Unido), o homem precisa coletar uma amostra de seu esperma. O material é, então, colocado em um aparelho que imita o ambiente do colo do útero da mulher. Se um número satisfa­tório de espermatozóides conse­guir atravessar essa barreira, o teste mostra uma linha vermelha, que significa um resultado positivo.

Segundo Jorge Hallak, urologis­ta do Hospital das Clínicas de São Paulo, não basta o espermatozói­de ultrapassar a barreira para que o homem seja considerado fértil. "É preciso avaliar a morfologia e
outros parâmetros de qualidade do sêmen, coisa que esse teste não faz. Isso não teste de fertilidade nem aqui, nem na Inglaterra, nem na China."

Para o urologista Paulo Neves, da Unicamp (Universidade Esta­dual de Campinas), qualquer que
seja o resultado do teste, ele não diz nada sobre a fertilidade do ca­sal. "É uma bobagem. A avaliação isolada do sêmen não é e nunca foi um teste de fertilidade."

Já o urologista Rodrigo Pagani diz que a vantagem do teste é ele prometer medir a concentração de espermatozóides móveis, que é o que realmente importa, e não só a quantidade de espermatozóides presentes no ejaculado.

"Será, se confirmados os resultados, de grande valia para nós urologistas que trabalhamos  com reprodução humana, uma vez que o paciente que falhar no teste já vem direcionado para o tratamento correto, em vez de procurar uma clínica de reprodução humana, que irá propor como único tratamento as técnicas de reprodução assistida, oferecendo portanto, apenas paliativos."

 Na opinião de Chris Barratt, res­ponsável pela pesquisa na Univer­sidade de Birmingham, o teste vai
evitar que muitos casais esperem até um ano _tempo recomenda­do pelos especialistas_ para iniciar a investigação da infertilidade. "Ter uma infor­mação confiável num estágio ini­cial pode ser uma grande vanta­gem."

Barratt afirma que, durante o desenvolvimento do teste, foram analisadas mais de 3.000 amostras de sêmen. O teste foi usado em 150 homens e teria sido eficaz em 95% dos casos.

Para Allan Pacey, secretário da So­ciedade Britânica de Fertilidade, o fato de o homem fazer o teste em casa pode ajudá-lo a superar o embaraço inicial de ir até um hos­pital para fazer a coleta do mate­rial.

No Reino Unido, estima-se que mais de 2 milhões de homens tenham baixa fertilidade. No Brasil, de 15% a 20% dos casais apresentam dificuldade de gravidez. O fator masculino responde por 40% das causas de infertilidade.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 17h21

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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