Dalai, durante visita a SP

Hoje, não sei porquê, amanheci pensando no rápido e abençoado encontro que tive com dalai-lama, no mês passado, quando da sua visita a São Paulo. Ao chegar à redação, recebo uma mensagem com um pensamento dele que, no mínimo, nos faz refletir sobre a vida.

Perguntaram ao dalai-lama o que mais o surpreendia na humanidade. Ele respondeu:

"Os homens. Perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois, perdem dinheiro para recuperar a saúde.

E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro.

E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido".  

Por isso, aproveitem ardentemente cada dia. Tenham a certeza de que cada momento vivido em função da angústia e do sofrimento pela gravidez que não vem, é um momento que não volta mais. Tenham um ótimo fim de semana!!!

Escrito por Cláudia Collucci às 14h31

Revista Nature destaca trabalho
de clínica com células-tronco

A aplicação prática pode estar longe, mas é relevante o fato de a revista "Nature" ter publicado um trabalho desenvolvido na clínica Abdelmassih sobre o uso de células-tronco na reprodução.

Os pesquisadores conseguiram produzir espermatozóides e óvulos de ratos em laboratório a partir de células-tronco embrionárias. No futuro, a idéia é a técnica seja usada no tratamento de casais inférteis.

O objetivo é desenvolver uma terapia com células-tronco para ajudar a regeneração de tecidos ovarianos e testiculares e formar óvulos e espermatozóides de boa qualidade.

Um dos fatos mais surprendentes (e polêmico) observado na pesquisa: as células-tronco embrionárias diferenciaram-se tanto em espermatozóides quanto em óvulos, na mesma placa. Ou seja, no futuro, é bem provável que mulheres sejam capazes de produzir espermas e homens, óvulos!

O trabalho foi apresentado em congresso da sociedade européia de reprodução, que ocorreu neste mês em Praga. Leiam o texto no site da "Nature": http://www.nature.com/news/2006/060619/full/060619-13.html

Eu acho ótimo que pesquisas desse tipo sejam feitas, mas preferia ter questões mais urgentes respondidas, tais como: por que embriões de ótima qualidade não se implantam no útero? Por que o tratamento de reprodução assistida é tão caro sendo que não há inovações técnicas a anos e o percentual de sucesso, a cada tentativa, continua sendo os míseros 30%?

Escrito por Cláudia Collucci às 22h35

 

Olha aí a Sophia, logo após o parto

Queridas, obrigada pela torcida e pelas mensagens carinhosas. Depois do susto de uma pré-eclâmpsia, minha irmã e minha sobrinha, estão bem. É incrível como todo cuidado é pouco na reta final da gravidez. Minha irmã, 36 anos, tomou todos os cuidados: não engordou muito (foram 11 kg) e media a pressão arterial diariamente. Mas não teve jeito: ao completar 38 semanas de gestação, a pressão foi a 15 X 9 e o parto teve de ser antecipado. A placenta estava envelhecida e a Sophia já tinha começado a perder peso _ em uma semana, perdeu 400 gramas. Saiu da maternidade com 2,5 kg. Parecia uma bonequinha de porcelana, que mal conseguia pegar o bico do seio da minha irmã. Agora, já está mais espertinha e mama feito um bezerrinho. Deu para perceber que estou a perfeita tia babona, né? 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h00

Sophia nasceu

Depois de um pequeno susto, minha sobrinha, Sophia, acaba de nascer. Minha irmã, Eliana, estava na expectativa de um parto normal. Tudo transcorria bem, mas, nesta semana, a pressão arterial dela começou a subir e hoje, ela teve de fazer uma cesárea de emergência. Graças a Deus, ela e Sophia (2,8 kg e 47 cm) passam bem. A tia coruja aqui vai correndo para Ribeirão Preto dar muitos muitos beijinhos na gatinha. Darei notícias na volta.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h21

 

O negócio é rir

Deu na BBC: médicos israelenses descobriram que usar palhaços para animar mulheres com problemas de fertilidade aumenta as chances de sucesso do tratamento.

O resultado do estudo apresentado ontem durante uma conferência de fertilidade em Praga mostra que um terço das mulheres entretidas pelos palhaços durante o tratamento de fertilização in vitro conseguiu conceber.

Entre as que não recorreram ao novo método, o índice de sucesso foi de 19%. O dr. Shevach Friedler, que liderou a pesquisa do Centro Médico Assaf Harofeh, disse que as pacientes que fazem tratamentos de fertilidade estão sob muito estresse e que o riso ajuda a acalmá-las.

Antes de estudar medicina, Friedler fez um curso de movimento e mímica na França, de onde pode ter vindo a idéia original. Ele explica que a equipe criou um personagem vestido com uma roupa amarela e branca e um chapéu de chefe de cozinha, que conta piadas, faz truques de mágica e ajuda as pacientes a relaxar enquanto elas se recuperam depois de ter o embrião implantado no útero.

Dois grupos de 93 mulheres entre 25 e 40 anos participaram do estudo. Das que tiveram a sessão de 10 a 15 minutos com o palhaço, 33 engravidaram. Entre as que foram apenas submetidas ao tratamento convencional, este número caiu para 18.

Os palhaços já ficaram famosos pela "terapia do riso" com crianças, mas é a primeira vez que são usados com mulheres que estão tentando engravidar.

Eu acho que a idéia faz total sentido: alegria faz bem para o corpo, para alma e para o espírito. E não precisamos necessariamente de um palhaço por perto. Sair com amigos divertidos, alugar um DVD ou ir ao cinema assistir a uma boa comédia são sempre bons caminhos para afastar, ainda que momentaneamente, o estresse.

Dias desses, em Ribeirão Preto, fui a um parque de diversões com a minha sobrinha. Nos divertimos a beça no topogã, na roda gigante, no carrinho de batidas. No final, suada e cansada, mas muitíssimo feliz, perguntei-me: meu Deus, por onde andava essa criança interior? Onde estavam guardadas essas risadas genuínas? Sim, a vida tende a nos endurecer e, com as frustrações, vamos criando uma espécie de couraça para nos proteger. O importante é sabermos que essas são situações transitórias. Tenho certeza de que viemos a esse mundo com a nobre missão de sermos felizes.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h22

Xô, falta de tesão

Na semana passada, uma mensagem no fórum de discussão levantou a questão da baixa libido. Nossa amiga Débora dizia:

"Assim como vocês, estou na batalha pelo meu bebê há alguns anos (aproxidadamente 5). Um zilhão de exames depois, nosso caso não tem causa aparente. Depois de muitos coitos programados, inseminação, 3 ICSIs e algumas perdas, sinto um vazio tão grande que nem vontade de namorar mais eu tenho...Me sinto péssima com isso!! Meu marido reclama muito, mas, eu não consigo desvincular na minha cabeça o namoro e a procriação. Quando namoramos fora do período fértil, para mim, é como se fosse um desperdício, entendem? Porém, quando é no período fértil, meu marido sente-se "usado" pois diz que só nessa época é que eu quero namorar..."

Imediatamente, várias mensagens de apoio foram endereçadas à Débora e eu também fiquei tentada a escrever algo a respeito. Sim, Débora, o que acontece com você acontece também com milhares de outras mulheres, em menor ou maior grau, durante as tentativas frustradas de gravidez. Só muda o endereço. E a reação do seu marido também é a mesma da maioria dos homens. Isso tudo são ingredientes que tornam essa jornada pela busca por um filho ainda mais árdua. E, quando não trabalhada a tempo, pode provocar profundas rachaduras no relacionamento.

A dificuldade para conceber um filho toca em regiões muito profundas do nosso ser e isso costuma repercutir de forma diferente entre homens e mulheres, por mais que estejam juntos nessa luta. Por isso, falar abertamente sobre esses sentimentos com o parceiro é fundamental para afastar muitos dos fantasmas, especialmente a falta de tesão. Nem sempre só isso resolve. Nesses casos, a ajuda de um terapeuta (individual ou para o casal) pode ser de grande valia. Não tenha receio, acredite.

A única coisa que não pode é esconder o problema debaixo do tapete. Ele só tende a crescer, crescer e o perigo é ficar grande demais para ter solução. Não é raro eu receber e-mails de leitoras relatando divórcios após o nascimento do filho. Não é louco isso? Luta-se tanto pelo filho e, quando ele finalmente chega, adeus casamento...

Não existem receitas prontas para revitalizar a vida sexual, esquecer do bendito período fértil, ainda mais pensando na loucura de vida que a maioria de nós levamos. Nem a mulher-maravilha conseguiria equacionar a angústia da dificuldade de gravidez com estudo, trabalho, casa e uma vida sexual fervilhante. Mas dá para a gente encontrar, dentro de nós mesmas, a "nossa receita".

Um bom começo é lembrar das coisas boas que fazíamos antes de ser um "casal tentante". Viajar, ir ao motel, sair para dançar, namorar dentro do carro (num lugar seguro, peloamordedeus!), usar lingeries provocantes, fazer jantares-surpresa, seqüestrar o maridão... As opções são inúmeras. E só começar.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h32

Relaxar. Nunca desistir

O texto anterior talvez tenha passado uma falsa idéia de que acredito que o melhor para a gravidez que não vem seja relaxar e esperar a coisa acontecer. Se entenderam isso, perdoem a minha imprecisão. Quando usei a palavra "relaxar", pensei em "dar um tempo", "descansar", cuidar do corpo e da mente. Jamais a associei à palavra "desistir".

Não costumo desistir dos meus sonhos, luto para ter a sabedoria de saber transformá-los, de não enxergar o mundo como se houvesse um cabresto na cabeça e uma única direção a seguir. Ok, a coisa não deu certo por um caminho, existem outros. Síndrome de Poliana? Pode ser. Mas penso que a vida seja maravilhosa justamente por essa diversidade de opções. E isso se aplica à gravidez.

Volto a repetir: não sou contra a reprodução assistida ou outros avanços ligados à ciência. Eles estão aí para nos servir e isso é ótimo. Só não podemos perder de vista o custo X benefício para as nossas vidas. Todos nós temos o livre arbítrio para optar pelo que acreditamos.

Reprodução assistida, adoção, medicina tradicional chinesa, ioga, meditação, terapia, dieta equilibrada. Penso que tudo seja válido em busca do nosso sonho de ser mãe. O importante é estarmos bem com a gente mesma, bem nutrita física e espiritualmente . Há muito mais possibilidade de a vida germinar em um solo fértil.

Até onde vamos? Até onde a nossa razão e o nosso coração mandar. Uma das nossas amigas lembrou da declaração da Ana Paula Padrão sobre ter parado de tentar engravidar com a reprodução assistida após três FIVs e um aborto. Na época, também pensei: nossa! ela desistiu rápido.

Pouco tempo depois, folheando uma agenda antiga encontrei um trecho de uma música que me fez mudar de opinião: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Acho que é isso: não existem receitas prontas. O que é melhor para mim, pode não ser bom para você e assim por diante. Beijocas a todas e um bom feriado (para variar, estarei trabalhando...)

Escrito por Cláudia Collucci às 11h42
Divagando durante a Copa

É comum me questionarem sobre o motivo de entender tanto de reprodução assistida e não me submeter a ela já que estou há quase dois anos tentando engravidar novamente, após um aborto espontâneo. Não sou contrária à reprodução assistida, mas sou radicalmente contra o seu uso indiscriminado.

Na minha opinião, inseminações, FIVs e ICSIs devem ter indicações precisas, razões muito claras que justifiquem o seu uso. Não podem ser usadas apenas para tentar aliviar a ansiedade de casais aflitos com a gravidez que não acontece.

Acompanho há quase 20 anos essa área da fertilidade, muito antes de sequer sonhar em ser mãe. Era uma época em que a maternidade passava bem longe das prioridades da minha vida.

Meus livros e meu mestrado, ligados à área, surgiram mais pela curiosidade jornalística sobre os avanços da ciência do que por uma questão pessoal. Ironia do destino eu estar agora sentindo na pele a dificuldade de gravidez? Talvez.

Ainda assim, tento fazer dessa dor uma oportunidade de me conhecer melhor. Por que a gravidez não vem se os exames clínicos e laboratoriais apontam que tudo está OK? É uma dúvida que atormenta não só a mim, a muitas de vocês que me lêem e a especialistas de todo mundo.

Seria a falta de métodos mais eficazes de diagnóstico, como defendem a maioria dos médicos? Seriam questões emocionais, como cogitam alguns psicólogos e psiquiatras? Seria um desequilibrio energético, como prega a Medicina Tradicional Chinesa? Talvez as respostas passem pelas três hipóteses. Talvez por nenhuma. Quem irá saber?

Particularmente, tenho as minhas dúvidas se o melhor caminho para um casal sem problemas aparentes de fertilidade seja a mulher entrar de cabeça no mundo das injeções de hormônio. Ainda mais sabendo que tudo é tão novo. O que são 28 anos (idade atual da primeira bebê de proveta, a inglesa Louise Brown) na história da ciência? Nada. Que garantia temos nós de que essas bombas de hormônios não terão alguma conseqüência futura? Nenhuma.

Estou sendo pragmática demais? Talvez. Já bati muita boca com médicos sobre isso e, quanto mais eu leio sobre o assunto, mais me convenço de que medicina tradicional não explica muita coisa. Já perdi as contas de histórias de casais que engravidaram naturalmente depois de várias FIVs frustradas, ou que engravidaram do segundo filho naturalmente após o primeiro ser concebido por meio da reprodução assistida.

O elo de ligação dessas história foi o fato de terem relaxado. Um exemplo que sempre tenho em mente é o caso da Cris. Ela engravidou naturalmente aos 41 anos após quase quatro anos que envolveram uma inseminação e três tentativas de FIV (Fertilização In Vitro) sem sucesso. A gravidez veio no momento em que Cris abriu mão do controle e decidiu ser feliz com ou sem filhos.

Ivy, 43, também abriu mão dos tratamentos convencionais e partiu para a Medicina Tradicional Chinesa para se reequilibrar energeticamente. Também deu certo. No início de maio, deu à luz a um lindo garotão.

Gosto muito dessas duas histórias porque elas vem ao encontro do que realmente acredito. Coleciono dezenas de outros casos de sucesso, todos relacionados a uma mudança do estilo de vida. Talvez ainda escreva um livro a respeito disso. Penso que, antes de mais nada, devemos ser felizes, estar em paz com a gente mesma, gostarmos muito daquela que vemos no espelho. O resto é conseqüência. Talvez um dia me convença do contrário. Talvez não.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h55

Namorar é preciso

Namorar é bom sempre. Mas, quando estavamos nessa batalha pela gravidez, é comum descuidarmos do namoro. Transar acaba virando uma tentativa de gravidez e não apenas um descompromissado momento de prazer.

Como diz a minha amiga Fátima Oliveira http://www.mhariolincoln.jor.br/index.php?itemid=1440, "namorar e "adolescer" de amor no outono da vida é só para pessoas viciadas em endorfinas _substâncias fabricadas na hipófise que produzem euforia, relax, bem-estar e prazer; melhoram a memória, o humor e o sistema imunológico; aumentam a resistência, a disposição física e mental; amenizam dores; e possuem efeito antienvelhecimento, pois removem superóxidos.

Por isso, às vesperas do Dia dos Namorados, proponho que esqueçamos por um momento o desejo de ser mãe e toda a pressão psicológica que ele acarreta para o casal e vamos alimentar o desejo puro, aquele inato, impulsionado pela beta-endorfina, que nos faz explodir por dentro e querer sorver cada pedacinho do outro.

Sim, ser mãe deve ser maravilhoso, mas ser a "mulher-namorada" também é fantástico. E há coisas para lá de interessantes que só podem ser feitas nos cômodos de uma casa sem presença dos filhos. Como, por exemplo, espalhar pétalas de rosa vermelha e velas pela casa e, vestindo uma linda lingerie sensual, tirar o maridão para dançar. Uau!

Dias desses, uma amiga que lutou muito para ser mãe e que agora com o filho com quase dois anos se ressentia da vida sexual após a maternidade. Ela se queixava que o marido passou a enxergá-la com a mãe do seu filho e não mais como a mulher que antes tanto desejava. Ela, por sua vez, não sabia mais o que era tesão. Nas horas de folga, só pensava em dormir.

É claro que, após a chegada de um filho, leva algum tempo para a vida sexual voltar ao normal. O importante é não transformar isso em tabu e não colocar as frustrações debaixo do tapete. Uma conversa franca e amorosa com o parceiro é o melhor caminho.

Isso também serve para as ainda não-mães. É comum eu receber e-mails de "tentantes" se queixando que o sexo está sem-graça e que, às vezes, fica concentrado apenas nos dias férteis. Isso é freqüente e compreensível. Volto a dizer: só não pode virar tabu. Como diz minha médica acupunturista: temos que ficar no olho do furacão. À nossa volta, tudo pode estar devastado, mas, quando estavamos centradas, saímos ilesas. É um treino, um exercício diário, tanto quanto manter a nossa auto-estima elevada, mesmo com as frustrações que a vida nos impõe.

Mas esqueçamos, só por um momento, as frustrações. Vamos olhar bem fundo nos olhos daquele (a) que está do nosso lado, para o que der e vier, e, nesta noite, apenas a sua namorada (o).

Para entrar no clima , poemas da Fátima Oliveira:

Uma carícia sensual

Sua invenção de me chamar de

"Meu mel"...

É deliciosamente

excitante, doce, gostosa...

Sinto como se você estivesse

lambendo o meu corpo,

vagarosamente,

pedaço por pedaço...

E eu só posso dizer que,

realmente, mexe comigo,

nas entranhas...

Cada vez que leio "Meu mel",

sinto você passando as mãos

em meu corpo,

numa suave e sôfrega carícia...

algo nunca vivido, mas, profundamente,

desejado, sonhado e enlouquecedor,

meu amor...

Sim, meu mel é uma carícia sensual!

 

Entrega absoluta

Redescobrir que nos queremos,

que nos amamos,

depois de tanto tempo,

teria de ser apenas puro prazer.

Embarcar em loucuras

inexplicáveis...

Assim como semear ventos

E se encharcar de beber tempestades...

que, como loucuras inexplicáveis,

ninguém mais,

além de nós, entenderia...

Mas isso também não importaria...

Vivenciar em plenitude

as loucuras do amor exige

mais do que você se dispõe a dar.

A coragem para ser livre,

de não se importar

com o que outras pessoas vão

dizer,

condenar,

espezinhar...

É exercitar a autonomia

de dizer que pode,

que tem o direito...

para a entrega absoluta.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h54

 

Centro de reprodução de Campinas
seleciona casais para FIV mais barata

O Centro de Reprodução Humana de Campinas está realizando neste mês um programa de fertilização in vitro de baixo custo. Serão selecionados 100 casais da região de Campinas e de São Paulo para participar do projeto. Voltado para casais cuja causa de infertilidade seja masculina, o projeto vai reduz em 60% os custos do tratamento, devido à diminuição na dosagem de medicamentos utilizados na indução da ovulação. As inscrições vão até 30 de junho.

Os casais escolhidos pagarão o preço de custo pelo procedimento, arcando com as despesas de material e medicamentos. Enquanto o tratamento realizado (fertilização in vitro associada à injeção intracitoplasmática de espermatozóides) custa em média R$ 13 mil, os casais participantes do programa irão pagar R$ 5,5 mil pelo procedimento.

Só poderão participar casais em que a causa da infertilidade seja masculina e que a mulher tenha até 32 anos de idade. A seleção dos participantes será realizada por um instituto de pesquisa externo, que, além das indicações médicas, irá verificar também se os casais interessados se encaixam nos padrões socioeconômicos estabelecidos (renda familiar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil).

Segundo os coordenadores do projeto, Paulo Augusto Neves, Carlos Alberto Petta e Daniel Faúndes, caso confirme a possibilidade de reduzir as doses dos medicamentos (já que o problema é masculino), sem perda da eficácia, o projeto vai abrir a possibilidade de tornar a medicina reprodutiva mais acessível.

O projeto do CRHC deve ser realizado em um período de seis meses. Os 100 casais serão divididos em cinco grupos, que serão sucessivamente submetidos ao tratamento. Na faixa etária considerada pelo programa, a taxa de sucesso nos procedimentos realizados varia de 40% a 45%. A expectativa é conseguir manter esse índice. O medicamento utilizado será a folitrofina beta, que já é usada habitualmente nos programas convencionais de FIV/ICSI.

Mais informações podem ser obtidas no instituto Própesquisa (Pesquisa de Opinião e Mercado), localizado na rua Sampaio Ferraz, 586, no Cambuí, (19) 3254-1706.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 14h33

As mulheres e a fertilidade

Depois de cinco dias fora do ar por conta de uma viagem a trabalho ao México, cá estou de volta. No roteiro original, voltaria ao Brasil no sábado à noite. Mas houve um temporal na Cidade do México, o vôo atrasou quatro horas e perdi a conexão que faria em Bogotá para o Brasil. Tive então que dormir na capital colombiana e esperar até ontem à noite pelo vôo. Cheguei ao Brasil nesta manhã. Aproveitei o dia de ontem para conhecer alguns pontos turísticos em Bogotá, entre eles o Museo do Oro, uma fantástica coleção da arte pré-colombiana em ouro, cerâmica e ossos.

Por motivos óbvios, a parte da exposição que mais me chamou a atenção foi uma dedicada às mulheres e à fertilidade. Vejam abaixo uma foto.

Imagens que representam a fertilidade

A tradição de fabricar figuras femininas de cerâmica (e de outros materiais) surgiu na chamada Mesoamérica em 1500 a.C. (antes de Cristo), com as primeiras aldeias de agricultores e seguiram até o início da nossa era, com o surgimento de sociedades mais complexas, como a Teotihuacán e a Maya. As mais antigas figuras são do México, seguidas pelas de Chupícuaro, no extremo norte de Mesoamérica.

Em geral, as figuras possuem ancas largas e sexo bem destacados, que indicam a condição feminina assim como a fertilidade. As imagem são diferentes entre sim. Podem representar deusas femininas ou simplesmente mulheres referenciadas como fontes de fertilidade em relação aos ciclos agrícolas. A fertilidade também era representada por animais, como a rã. É claro que, ao passar pela lojinha do museu, fui direto comprar um par de brincos de rãzinha. Muito fofo.

Conhecendo um pouco melhor o que as culturas antigas pensavam sobre a mulher e a fertilidade, fica evidente como nos distanciamos dessa idéia e como, às vezes, esquecemos o poder inato que temos da criação. E esse poder não se resume apenas ao ato de gerar e dar à luz um bebê. Temos o poder de fertilizar a nossa vida como um todo, em todos os aspectos. Basta querermos. Estejam certas disso. 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h46

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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