Aprendendo a ser mãe

Neste fim de semana, fui a Ribeirão Preto e tive a grata oportunidade de "cuidar" um pouquinho da minha sobrinha recém-nascida, a Sophia. As aspas no cuidar é porque foi mesmo um "cuidadinho", nos poucos momentos em que ela se permitiu a ficar longe dos seios da mãe. O toquinho de gente é uma verdadeira bezerrinha, que mama um pouquinho, dorme e, quando acorda, quer mamar de novo. E dá-lhe choro e mais choro quando ela não encontra o peito cheio de leite à sua frente.

Mas consegui, mesmo sem leite nos peitos (rs), distrai-la um pouquinho, fazê-la rir, dormir, arrotar e, vitória!!!!: dar metade de um banho. No meio da minha tarefa, fui tomada pelo pânico de ela escorregar das minhas mãos e chamei correndo a minha irmã. Ai, meu Deus! Como são pequenos e frágeis!!! E a nóia da respiração? Cheguei pelo menos três vezes bem perto do carrinho para ver se ela estava respirando... Espero de coração estar menos neurótica e menos medrosa no dia em que meu bebê chegar. Dizem que a maternidade faz milagres, que Deus nos ouça. 

Mas fácil não é. As profundas olheiras no rosto da minha irmã não deixam dúvida de que o primeiro mês após o nascimento do bebê é bem estressante. São tantas as coisas a serem administradas...Uma delas me chamou a atenção: os conselhos dos pediatras. O da Sophia, por exemplo, defendia que a mãe não a acostumasse a mamar durante a madrugada. Era para dar a última mamada no máximo até as 23h e, depois, só na manhã seguinte. Disse que ela iria chorar mas que, nesses momentos, era para acalmá-la no berço, sem pegá-la no colo. Garantiu que, em dois ou três dias, a menina estaria dormindo feito um anjo nas madrugadas e dando um pouco de sossego à exausta mãe.

Sem querer levantar a bandeira do feminismo, a sensação que eu tenho é que o conselho só poderia ter partido de um homem. É praticamente impossível para a mãe de uma recém-nascida, que nasceu com baixo peso após perder 400 gramas ainda em vida intra-uterina, em razão de uma pré-eclâmpsia, ver seu bebê chorando de fome e conseguir ficar impassível. Minha irmã tentou uma única noite seguir a orientação do médico, mas desistiu na metade dela. Confusa, consultou a pediatra da filha mais velha, que foi contra a orientação do outro pediatra e a apoiou na decisão  de amamentar durante as madrugadas. Mas não há dúvida de que a rotina é extenuante.

Sem falar em ter que administrar os palpites familiares. Colocar ou não faixa umbilical? O tema rendeu pano para manga no fim de semana. Todas nós sabemos que essa história de enfaixar o bebê não existe mais na pediatria moderna. Mas vai botar isso na cabeça dos avós... E aí fica a dúvida: e eles estiverem certos? Sem contar o ciúme da filha mais velha... Catherine, 8, que até bem pouco tempo atrás reinou absoluta no mundo dos pais, tias e avós, está ainda aprendendo a conviver com a nova realidade, ou seja, a irmãzinha.

Enfim, o estágio foi ótimo. Mas, confesso, foi também muito prazeroso chegar em casa e encontrar o silêncio, a casa arrumadinha. Esticar na cama, ler um livro e, depois, meditar, acalmando o espírito. Minha irmã me disse que, às vezes, isso é tudo o que ela gostaria de fazer e não consegue desde que a maternidade chegou. E sei disso. Mas também confesso que o silêncio excessivo às vezes me incomoda. E tudo o que eu gostaria era ouvir aquele chorinho de bebê à procura do peito cheio de leite.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h10

Gravidez após os 50

Motivada pelo post sobre gravidez tardia de algumas semanas atrás, preparei uma reportagem especial para domingo sobre gravidez após os 50. Sairá no caderno "Cotidiano", da Folha. Um caso em particular me emocionou: uma ex-freira que reencontrou o amor da sua vida. Eles se casaram, fizeram uma FIV com óvulos doados, e tiveram gêmeos: ela, aos 51; ele, aos 60.

É uma família linda, que vive numa fazenda em Minas Gerais. Estive lá nesta semana e fui recebida com um varal de flores e fitas azuis na porteira. E uma comidinha maravilhosa feita no fogão a lenha. Emocionante.

As crianças vivem soltas e, aos quatro anos, já brincam de ordenhar vacas. Lá, ninguém sabe o que é assalto, bala perdida, sequestro. A preocupação da semana foi o "roubo" de ovos por um bando de macacos que vive na mata da fazenda e o ataque de uma onça que matou uma vaca da fazenda vizinha. Arroz, feijão, verduras, frutas, queijo. Tudo o que consumido por lá é produzido na fazenda. Depois prometo que conto mais. Agora estou exausta, precisando de descanso.

Leiam a reportagem:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3007200601.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3007200609.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3007200610.htm

Escrito por Cláudia Collucci às 20h50

 Vários momentos de Louise Brown

A gravidez do 1º bebê de proveta

Semana passada os jornais anunciaram a gravidez de Louise Brown, 27 anos, o primeiro bebê de proveta do mundo. Em entrevista ao tablóide britânico Daily Express, ela afirmou que a criança foi concebida naturalmente e deverá nascer em janeiro. Em ex-funcionária de uma empresa de frete, Louise Brown se casou em setembro de 2004 com o ex-agente de segurança Wesley Mullinder, de 36 anos.

A gravidez de Brown e de outras mulheres concebidas por meio da fertilização in vitro é aguardada com expectativa no mundo da reprodução assistida . Muitos especialistas argumentam que só teremos certeza da segurança da FIV/ICSI quando existirem a segunda ou a terceira geração de crianças cujos pais/avós foram fertilizados no laboratório.

Se for verdade, o fato de Brown ter conseguido engravidar naturalmente é um bom sinal. Mas ainda é cedo para comemorações. Precisamos ter muitas outras gravidezes e bebês para chegar a alguma conclusão. "Quero ver a segunda geração da ICSI", brincou ontem um médico. Hoje, há um grande debate sobre as possíveis consequências da injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), usada com mais freqüência em casos de homens inférteis, ao futuro bebê.

Vários pequenos estudos apontam um aumento de alterações genéticas nos bebês em relação àqueles gerados espontaneamente. Mas, na falta de um grande estudo multicêntrico, não se sabe se o problema é com a técnica (que injeta um único espermatozóide no óvulo) ou com o fato de os pais desses bebês já carregarem essas alterações em suas células e as terem repassado ao filho.

Vários homens inférteis possuem alterações genéticas que, naturalmente, os impossibilitariam de ser pais. Só o fazem hoje por conta da ICSI. O preço que os filhos terão de pagar no futuro é o grande mistério. Só o futuro nos dirá.

Muitos esterileutas torcem o nariz para esses dados. Acham que é alarmismo. Alguns sequer comentam com suas pacientes a existência desses estudos o que, para mim, é, no mínimo, questionável. Todo e qualquer procedimento em saúde implica riscos e temos o direito de ser informados sobre eles, por menores e mais improváveis que sejam. Em se tratando da saúde de um futuro filho, para mim, toda informação é fundamental.

Escrito por Cláudia Collucci às 13h36

 

Maternidade e os seus direitos

Tramita no Congresso um projeto de lei muito bacana: estender a licença-maternidade das mulheres trabalhadoras de quatro para seis meses. A proposta, dirigida inicialmente à iniciativa privada, já foi adaptada e aprovada por pelo menos dois Estados (Maranhão e Paraíba). Em 14 municípios está tramitando ou aguarda apenas a sanção do governador/prefeito. Nesses casos, as beneficiadas são as funcionárias públicas. Em alguns lugares, a proposta é aumentar também a licença-paternidade dos servidores públicos estaduais de 5 para 15 dias.

Segundo o projeto que tramita no Congresso (idealizada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dioclécio Campos Jr., endossado pela OAB nacional e entregue à senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), os quatro meses estabelecidos pela Constituição serão acrescidos de mais 60 dias no setor privado, em troca de incentivos fiscais.

O projeto institui o Programa Empresa Cidadã, que permite à trabalhadora receber seu salário integralmente, assim como estabelece que a empresa pode deduzir 100% desse gasto extra do Imposto de Renda. A adesão será voluntária.

Considero a proposta do projeto mais do que justa, ainda mais sabendo da importância do leite materno ao bebê pelo menos até os seis meses de idade. Um período maior da mãe com o seu bebê também terá impactos nos gastos com a saúde. O SUS gasta, apenas com internação por pneumonia no primeiro ano de vida cerca de R$ 300 milhões. Sem contar que o aumento do tempo da amamentação também previne a diarréia, doença muito ligada à mortalidade infantil.

Estudando um pouco essa área de direitos das gestantes/mães (já que os deveres são muitos!!!), cheguei a outras questões que desconhecia. Vocês sabiam, por exemplo, que:

* em casos de aborto espontâneo, mediante atestado médico, é garantido à mulher descanso remunerado por duas semanas, em qualquer período da gestação.
* Se acontecer uma separação, a grávida pode pedir pensão alimentícia ao pai da criança em nome do filho, a fim de assegurar uma gestação saudável.
* há um projeto de lei que concede permissão ao pai ou à mãe (contratado formalmente) para faltarem no serviço até 30 dias, em caso de enfermidade do filho até 12 anos.
* há um outro projeto que ampliar o período da licença-maternidade em casos de bebês prematuros. Se a criança nasce no sexto mês, por exemplo, os três restantes (que seriam do período gestacional) se agregam aos quatro de licença normal.

Creio que todas nós _mães, gestantes e tentantes_ temos que estar atentas a esses projetos de lei e às conquistas que já existem no campo da maternidade/paternidade. Nossos filhos agradece(m)(rão).
 

Escrito por Cláudia Collucci às 13h57

Maternidade deixa mulher mais "esperta"

Deu na última edição do caderno "Equilíbrio" da Folha de S. Paulo http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4149.shtml: pesquisas recentes mostram que mães têm melhor desempenho em testes cognitivos, além de um aumento de capacidades sensoriais e de uma maior tolerância ao estresse. Na minha avaliação, a ciência comprova o que, na prática, a gente já está careca de saber. Só mesmo com uma "carga extra" de habilidades é que as super mães modernas, que têm que se desdobrar em três, conseguem dar conta do recado. Veja abaixo, os cinco atributos que mudam com a maternidade:

PERCEPÇÃO
Estudos vêm comprovando o que muitas mulheres relatam: que, na gravidez e no pós-parto, reagem com mais vibração ao bebê e ao mundo, identificando o choro e o cheiro do próprio filho, por exemplo. A percepção aumentada dos odores é mais forte na gestação, mas parece continuar após o parto. Em uma pesquisa, todos os pais e mães estudados conseguiram identificar o choro do próprio filho. A maneira como os pais olham para o bebê também é diferente --e o olhar aguçado é importante para identificar ameaças no ambiente, protegendo a criança.

EFICIÊNCIA
Ao se tornar mãe, a mulher se vê obrigada a acrescentar a todas atividades que já desenvolvia mais uma série de funções --que devem ser desempenhadas quase ao mesmo tempo. Mas a capacidade de realizar multitarefas não é o que torna a mulher mais eficiente nessa época, segundo Ellison: a eficiência a que ela se refere está ligada a identificar o que é fundamental e descartar tudo o que for irrelevante. Esse foco no que é importante repercute também nas demandas profissionais, e a mulher busca utilizar da forma mais produtiva possível o tempo de que dispõe

RESILIÊNCIA
Pesquisas vêm mostrando que as fêmeas que são mães têm uma "proteção" contra o estresse. Aquelas que amamentam, por exemplo, são menos reativas aos hormônios que desencadeiam essa reação, tornando-se menos ansiosas e tensas. Segundo cientistas, a razão para a proteção é que, quando não são tomadas pelo estresse, as novas mães podem cuidar melhor da prole. O aumento da sensibilidade ao hormônio oxitocina pode ser um dos desencadeadores dessa resposta diferenciada

MOTIVAÇÃO
A coragem das mães mamíferas, que agridem intrusos que se aproximam de seus filhotes, é bem conhecida e útil para defender sua prole. Nas mães humanas, esse comportamento agressivo é mais bem percebido logo após o parto. Mesmo depois dessa fase, muitas mães se sentem mais corajosas, competitivas e ambiciosas. O próprio exercício de exercer autoridade diariamente sobre uma criança é um treinamento da assertividade e da prática de ser chefe. Hormônios como a oxitocina e a prolactina são relacionados por cientistas a esse comportamento

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Ingredientes básicos desse tipo de inteligência, como empatia, autocontrole e resolução de conflitos são treinados constantemente na relação com o filho e podem ser levados para outras esferas da vida. A necessidade de estar em sintonia com as reações de um outro ser, aprendendo a decifrar os motivos de cada choro, facilita na hora de ter insights em relação ao estado de humor de outras pessoas, por exemplo. E, como essa percepção se aplica a um bebê que ainda não fala, pode ensinar muito sobre a linguagem não-verbal, responsável por cerca de 90% da comunicação humana

Escrito por Cláudia Collucci às 12h22


Novo visual

E para entrar ainda mais no clima maternal, o blog estréia hoje um novo visual. É engraçado. Até bem pouco tempo atrás, odiava o rosa, talvez pela exacerbada vinculação dessa cor ao feminino. Aos poucos, comecei a ter uma blusinha aqui, outra ali. Quando me dei conta, até calça comprida em tom rosa já fazia parte do meu guarda-roupa.

Na semana passada, ao receber o layout do blog, que agora faz parte ao UOL Estilo Saúde, confesso que tive um choque. Rosa? Será?!?!? Depois, fui me acostumando com a idéia e, por fim, já tinha adorado. Que o rosa nos traga sorte! E um bebezinho muito fofo!!!  

Escrito por Cláudia Collucci às 18h18

Mãe após os 60 anos

Para alguns, uma completa maluquice. Para outros, uma opção que deve ser respeitada. O certo é que hoje, quase 30 anos após o nascimento do primeiro bebê de proveta e outros 3 milhões já nascidos, a reprodução assistida permitiu que pelo menos três mulheres no mundo fossem mães após os 60 anos, faixa etária de muitas das nossas avós. A mãe mais velha é a romena Adriana Iliescu, que deu à luz aos 66. Até o ano passado, o segundo lugar era ocupado pela britânica Liz Buttle, que foi mãe aos 60. Agora, deve tomar o lugar outra britânica, que, aos 63 anos, está no oitavo mês de gestação.

A psiquiatra Dra Patricia Rashbrook fez a fertilização in vitro com o polêmico médico italiano Severino Antinori, aquele que diz ter feito o primeiro clone do mundo, mas nunca conseguiu provar o feito. A doadora dos óvulos foi uma mulher russa. A gravidez de Rashbrook, cujo marido tem 61 anos, voltou a incendiar os debates éticos em torno dos limites da maternidade e dos riscos à mulher e ao bebê em uma gestação numa idade tão avançada. Rashbrook garante que ela e o marido pensaram muito no bem-estar do futuro bebê e acreditam que a idade não terá peso negativo algum. Severino Antinori vai na mesma linha: para ele, a idade da mulher é "completamente irrelevante".  "Idade não é o problema. Eles se amam profundamente e querem ter um filho para mostrar o amor que tem." Para ele, mulheres mais velhas podem ser melhores mães do que as mais jovens.

Rashbrook, que tem dois filhos do primeiro casamento e que se casou novamente há cinco anos, tem evitado a imprensa e sua última declaração foi: "Nós queremos que vocês saibam que temos total responsabilidade sobre nosso filho e agora só desejamos manter nossa privacidade." Na Inglaterra, não há limite para tratamento de fertilização in vitro, mas as clínicas não costumam tratar mulheres acima de 45 anos.

Especialistas não têm dúvidas que a maternidade em idade tardia traz inúmeros riscos à mãe, como diabetes e hipertensão, mas eles admitem que é muito difícil convencer uma mulher que realmente quer ser mãe com esses argumentos. Na maioria das vezes, elas preferem correr o risco. Membros do movimento internacional pró-vida são radicalmente contra essa decisão. Matthew O'Gorman, um dos coordenadores do movimento na Inglaterra, diz: "Essa criança ficará sem o pai ou a mãe no momento mais crucial da sua vida, na adolescência ou começo da vida adulta. Este não é o melhor caminho de trazer uma criança ao mundo."

Josephine Quintavalle, do conselho ético reprodutivo, complementa: "É extremamente difícil para a criança ter uma mãe tão velha quanto a avó seria".  Para ela, Rashbrook está sendo "egoísta". Peter Kearney, porta-voz da Igreja Católica na Escócia, diz que a igreja é contra a FIV por várias razões, entre elas porque a técnica abre a porta para muitas realizações sem se pensar nas conseqüências futuras.

E vocês, o que pensam sobre isso?

Escrito por Cláudia Collucci às 15h41

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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