A Máscara da Maternidade

Por que fingimos que ser mãe não muda nada? É a pergunta que faz um livro que mostra os bastidores do que é ser mãe hoje em dia. A obra, "A Máscara da Maternidade", parte da premissa de que criar filhos talvez seja a tarefa mais difícil que as mulheres realizam na vida.

A autora, a australiana Susan Maushart, revela no livro o quanto as mulheres estão despreparadas para a maternidade. Não só para a trabalheira insana, mas, sobretudo, para conflitos e transformações profundas que vêm junto com ela.

Poucas mães mencionam a crise psíquica que envolve o nascimento do primeiro filho, o despertar de sentimentos enterrados há muito tempo sobre a própria mãe, a mistura de poder e impotência, a sensação de ser levada, por um lado, e de tocar novas potencialidades físicas e psíquicas, por outro.

Susan argumenta que o papel de mãe é diferente, em grau e estilo, de qualquer outro papel desempenhado por uma mulher. Deixando de lado a questão do "instinto", a maternidade é algo em que as mulheres são impelidas a pôr todo o seu ser: corpo, alma, inteligência e espírito.

Segundo ela, depois que a mulher se torna mãe, sua personalidade e suas relações afetivas nunca mais serão as mesmas _a presença da criança transforma completamente a visão que a mulher tem de si mesma, afeta o casamento e a vida do casal.

Achei o argumento do livro muito bom. Oferece uma visão realista dos bastidores do que é ser mãe hoje em dia _da gravidez e do parto ao malabarismo que é a vida das mães que trabalham fora.

Uma reflexão profunda que faz pensar que medos, frustrações e confusões dos primeiros tempos da maternidade não são prova de fracasso pessoal, mas do fracasso de expectativas extravagantes e de demandas conflitantes.

Como bem disse um articulista da revista "People", "Susan Maushart escreve de forma atraente e convincente sobre o fato de que as mães de hoje sentem mais pressão do que nunca para se mostrar felizes com suas escolhas."

No fim, é isso mesmo. E acontece também com as não-mães. Pensei nessa questão ao ler uma reportagem na revista Paradoxo das mulheres que não querem ser mães e dizem felizes com essa decisão. Leiam a reportagem: http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=3890

O mais incrível é que, no mesmo dia, recebi um e-mail de uma leitora dizendo que, mesmo querendo ter um filho e sofrendo com a dificuldade de engravidar, costuma dizer aos parentes e amigos que é feliz com o fato de não ter filhos. Não tem coragem de dividir a frustração com mais ninguém, além do marido.

Fiquei pensando: Afinal, por que nós, mulheres, tentamos mostrar para o mundo que estamos felizes mesmo quando, lá no fundo, estamos péssimas?

Serviço:

"A Máscara da Maternidade" (Susan Maushart)

336 págs.; R$39,00 - Editora Melhoramentos

Escrito por Cláudia Collucci às 18h41

Para juíza, direito à saúde não inclui FIV

A Justiça Federal negou pedido de ordem judicial para que a União e o Estado de Santa Catarina fossem obrigados a fornecer, a um casal que não pode ter filhos, os recursos necessários à realização da fertilização in vitro. A juíza Marjôrie Cristina Freiberger Ribeiro da Silva, da Vara do Juizado Especial Federal Cível de Florianópolis, entendeu que o direito à saúde, previsto na Constituição, não inclui o acesso a técnicas de reprodução assistida.

"Tendo em consideração a realidade brasileira, o cidadão tem direito à prestação de tratamentos de saúde que visem à preservação da vida e da dignidade humana", escreveu Marjôrie na sentença.

Segundo a magistrada, outros tratamentos que não tenham essa finalidade não podem ser exigidos de imediato pelo cidadão. "O Brasil é carente de políticas básicas de saúde que combatam a mortalidade infantil e a baixa expectativa de vida dos mais pobres", lembrou Marjôrie.

Segundo informações da Justiça Federal de SC, a sentença foi proferida no último dia 2, em ação proposta pela mulher, que pode recorrer. Na decisão, a juíza afirmou que a ação judicial representou um confronto entre o eventual direito à maternidade e a prerrogativa do Executivo de eleger as prioridades de atendimento.

Para Marjôrie, "diante das necessidades sociais, com carências em vários serviços públicos básicos, não se mostra razoável exigir do poder público o fornecimento de tratamento de reprodução assistida".

A magistrada julgou ainda que a concessão da ordem poderia significar tratamento desigual em relação às mulheres que estivessem na mesma situação, mas continuariam sem acesso ao serviço por não terem conseguido chegar ao Judiciário.

Além disso, a juíza ressaltou que os programas destinados a auxiliar a concepção são exceção no sistema de saúde do país, havendo apenas dois lugares, em São Paulo, que oferecem o procedimento por meio do SUS. "Os motivos para isso podem ser vários: alto custo dos procedimentos, não essencialidade para a manutenção da vida, prioridade em outras ações de saúde", concluiu.

O QUE EU PENSO: a decisão da juíza e os seus argumentos para tomá-la são, no mínimo, polêmicos. Que o dinheiro público não é suficiente para atender todas as demandas de saúde já estamos carecas de saber. Mas achar que o acesso à reprodução assistida não é um direito à saúde é um pouco demais. Constituir uma família é sim direito constitucional garantido. E a ajuda nos casos em que isso não é possível naturalmente é sim um dever do Estado que prega o direito universal à saúde.

Da forma como os argumentos da juíza foram construídos, parece que a reprodução assistida é um "luxo" e não uma real necessidade de muitos casais, que traz prejuízos físicos e emocionais. Uma comparação que me vem à cabeça é a cirurgia bariátrica para obesos, disponível no SUS. Alguém poderia dizer que o país tem necessidades mais urgentes do que tratar a obesidade mórbida (é só um exemplo; claro que acho essa cirurgia muito importante e fundamental para muitos casos de obesos)

É triste que uma decisão dessa natureza tenha partido de uma mulher. Não sei se a digníssima juíza Marjôrie é mãe ou não. Mas certamente se um dia tivesse sentido um décimo da dor de um casal que tanto deseja um filho e que só vai consegui-lo com a ajuda da ciência, certamente teria uma visão diferente. Assim como teve o próprio governo federal, que  chegou a anunciar o tratamento na rede SUS e depois recuou. 

E só para deixar bem claro: não defendo que o governo saia liberando FIV para todo mundo. Vários estudos demonstram que hoje há uma banalização no uso dessa técnica e que apenas um percentual mínimo de mulheres necessita de fato da FIV. Defendo que haja sim um programa de reprodução assistida sério,  com orientações sobre coito programado, inseminações e outros procedimentos de baixa complexidade e muito mais acessíveis do que a FIV. A fertilização in vitro seria a última alternativa, com indicações muito precisas, a exemplo do que acontece no Hospital Pérola Byngton em São Paulo há mais de uma década. Não creio que haveria um rombo nos cofres do Ministério da Saúde se tivéssemos pelo um serviço como o Pérola em cada Estado brasileiro.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h19

Mulheres ficam mais atraentes no período fértil

As mulheres capricham mais na roupa e na aparência quando estão no período fértil, diz estudo de pesquisadores da Universidade ad Califórnia Los Angeles e da Universidade de Wisconsin-Eau Claire. "Perto da ovulação, mas mulheres se vestem para impressionar. E quanto mais perto da ovulação, mais atenção parecem dar à aparência", disse Martie Haselton, principal autora do estudo. "Elas tendem a pôr saias em vez de calças, mostrar mais a pele e, no geral, entrar mais na moda".

Tradicionalmente, acredita-se que a mulher é um tipo incomum de fêmea, já que esconde os sinais da ovulação de si mesma e dos machos. Vários estudos científicos tentam determinar qual a vantagem evolucionária de ocultar a própria fertilidade. A despeito disso, o estudo, publicado na versão online do periódico Hormones and Behavior, mostrou que até mesmo completos estranhos conseguiam detectar a diferença na aparência de uma mulher com a aproximação da ovulação.

"O mais notável nesse efeito é que ele é tão fácil de observar", disse April Bleske-Rechek, co-autora do trabalho. "Em nosso estudo, a chegada do período fértil teve um impacto maior na vestimenta das mulheres que a da menstruação, conhecida por seu suposto impacto negativo".

As pesquisadores acompanharam 30 estudantes universitárias, em relacionamentos sérios, durante um ciclo ovulatório completo. Usando testes de urina, determinaram o período mais fértil de cada mulher - de 10 a 15 dias após a menstruação - e o menos fértil, cerca de duas semanas após a ovulação.

As voluntárias foram fotografadas duas vezes: uma na fase fértil, e outra na não-fértil. Para garantir que as roupas e acessórios fossem levados em conta, os rostos nas fotos foram obscurecidos com ovais negras. Depois, 42 jurados, de ambos os sexos, responderam à pergunta, "em qual foto a pessoa quer parecer mais atraente?"

Em 60% dos casos, os jurados escolheram a foto tirada no período fértil. Curiosamente, a aproximação da menstruação parece não ter exercido nenhum efeito observável no modo de vestir das mulheres...

Bom, se fossem avaliadas as mulheres que desejam engravidar e são surpreendidas pela menstruação, tenho certeza de que os efeitos do período menstrual seriam bem notados...Nesse momento, não raras vezes, nos sentimos a pior das piores...Claro que, normalmente, isso passa rapidinho e, logo, a gente se sente linda novamente. Mas, enquanto ele dura, haja amor por parte dos nossos parceiros!!!

Escrito por Cláudia Collucci às 16h36

Excesso de exercício prejudica FIV

"Se correr o bicho pega; se ficar, o bicho come". Hoje, ao ler um artigo numa revista americana de ginecologia e obstetríca, lembrei-me desse trecho da música "Homem com H", interpretada por Ney Matogrosso. Trata-se de um texto falando que o excesso de exercícios pode ser ruim para quem pretende fazer uma Fertilização in vitro.

Pesquisadores de Boston (EUA) analisaram os prontuários de 2.200 mulheres que fizeram sua primeira FIV entre 1994 e 2003 e focaram sua atenção para o estilo de vida desse grupo.

A conclusão é preocupante: aquelas que praticavam atividades aeróbica, como corrida, ciclismo ou spining, quatro ou mais horas por semana, tiveram 50% menos de chances de ter o seu bebê do que aquelas que não praticaram atividade física. Foram avaliados índices de massa muscular, gordura e as mudanças de níveis hormonais provocadas pelo exercício intenso.

Conforme ia lendo o artigo, ficava me perguntando: E os riscos cardiovasculares? E como ficam as mulheres com resistência à insulina, diabéticas ou com colestorol alto que sempre são orientadas a praticar atividade física como forma de controlar esses problemas? Ou seja, você melhora um aspecto e piora outro?

Mas, no fim do artigo, estava lá a orientação. Os pesquisadores dizem categoricamente que as mulheres não devem usar esses resultados para desistir de praticar exercício físico.

É mais do que certo que tanto o excesso de peso como o baixo peso são prejudiciais à fertilidade. Para os médicos, 30 minutos diários de atividade física são perfeitamente seguros e recomendáveis para as mulheres que estão tentando engravidar.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h22

Casais podem escolher sexo

de bebê em clínicas dos EUA

Mais de 40% das clínicas de reprodução assistida dos EUA oferecem a seus clientes a possibilidade de escolher o sexo de embriões a ser implantados em procedimentos de fertilização in vitro. O dado vem de uma pesquisa do Centro de Genética e Política Pública, de Washington, publicada pela revista "New Scientist".

Não é uma grande novidade no sentido de que, nos EUA, a legislação é muito mais liberal em vários pontos ligados à reprodução assistida. O comércio de óvulos e espermatozóides, por exemplo, é liberado.

Na maior parte dos casos, a opção de sexagem é dada aos casais após a condução de testes de DNA em embriões para diagnosticar possíveis doenças genéticas, diz a ONG que fez a pesquisa.

Apesar de a escolha de sexo ser recriminada pela maioria dos comitês de bioética, ela não está fora da lei nem é regulamentada por diretrizes da classe médica americana.

No Brasil, não há lei que impeça a prática, mas o Conselho Federal de Medicina condena a sexagem porque considera o descarte do embrião rejeitado um aborto. Ainda assim, várias clínicas adotam o procedimento como forma de ampliar as chances de ter um filho do sexo desejado.

A prática não é condenável quando existe risco de uma doença genética ligada a cromossomos sexuais, como a hemofilia. Nos EUA, porém, 9% dos testes genéticos parte da vontade dos casais em determinar o sexo dos filhos.

Penso que essa questão seja de fóro íntimo, refere-se exclusivamente ao casal. E passa especialmente pela crença se consideram ou não o embrião um ser vivo ou um amontoado de células, com definem alguns médicos. Por outro lado, como alguém ligada aos assuntos de bioética, acho um caminho perigoso esse de escolher vidas da mesma forma como se escolhe um sapato, um vestido.

Escrito por Cláudia Collucci às 13h27

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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