Quero ser pai

Aos poucos, os homens vão deixando de lado a vergonha ou o incômodo de falarem sobre as dificuldades de ser pai e as dores que isso lhes provoca. Bom para ele, para a mulher, bom para relação a dois.

Isso é uma grande conquista porque até um passado muito recente era sempre atribuída à mulher a dificuldade de gravidez. O homem não era sequer investigado. Hoje, a análise clínica e laboratorial conjunta é regra número um.

Sabe-se que praticamente metade dos problemas relativos à dificuldade gravidez diz respeito ao homem. A infertilidade masculina ocorre quando o homem não ejacula, ou não produz a quantidade adequada de espermatozóide ou tem uma má qualidade.

E o que seria essa má qualidade: os espermatozóides não se movimentam "bem" _lembrem-se que o espermatozóide é uma célula móvel que precisa ir da vagina até a trompa para encontrar o óvulo_,não têm uma forma normal, ou ainda não funcionam adequadamente (os espermatozóides não conseguem penetrar no óvulo, por exemplo). Algumas causas são congênitas, outras adquiridas.

Entre as doenças e fatores mais comuns estão a baixa produção de hormônios masculinos, varicocele (varizes na bolsa testicular), doenças genéticas, obstrução dos canais que levam o espermatozóide dos testículos à uretra (como na vasectomia, por exemplo), infecção da próstata, uso de drogas, álcool, anabolizantes, tratamentos com radioterapia e quimioterapia. Há outros casos de origem desconhecida.

Bom, para fechar este post, tenho uma boa notícia. O dr. Rodrigo Pagani, urologista e colaborador deste blog desde o seu início, está criando a versão masculina do "Quero ser Mãe". Ele inaugura no próximo dia 9 o seu site "Quero ser Pai", voltado para a infertilidade masculina, com uma linguagem bem acessível.

Fiquei muito feliz porque ele disse que o site foi originado na idéia do meu blog, por isso o nome é uma homenagem. Emocionante, não?

Ele enfatiza que só serão respondidas as questões referentes à infertilidade masculina, uma vez que esta é a sua especialidade. Acho muito legal essa iniciativa porque o Rodrigo é um dos urologistas realmente empenhados em melhor avaliar os homens e não ir indicando de cara uma ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóides). O site ainda está em construção, mas vocês já podem entrar. É o www.queroserpai.com.br

Escrito por Cláudia Collucci às 15h28
Novo aparelho avisa sobre os dias férteis

Há um novo método muito mais prático para detectar a ovulação no mercado. O instrumento, Clearblue Easy Fertility Monitor, foi produzido por pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido e os resultados alcançados com a sua utilização foram publicados no jornal Fertility and Sterility em fevereiro (2007). O aparelho ainda não está à venda no Brasil, mas pode ser importado pela Amazon. Veja mais informações, inclusive opiniões de quem já usou, no endereço eletrônico:

http://www.amazon.com/Clearblue-Easy-FAM001-Fertility-Monitor/dp/B0000532QB

Os cientistas perceberam que muitos casais não sabem a respeito do ciclo ovulatório feminino (ciclo relacionado ao período de liberação do óvulo pela mulher – fundamental na concepção). Após a mulher ovular, dois hormônios apresentam seus níveis aumentados na urina. Para que ocorra a gravidez, é necessário que o casal tenha relações sexuais no período em que haja a ovulação.

O Clearblue Easy Fertility Monitor identificaria esses hormônios, de forma prática no próprio domicílio, permitindo ao casal conhecer o momento ideal para se tentar alcançar a gestação. O aparelho deve ser programado no primeiro dia de ciclo menstrual e avisa sobre os dias do período fértil. Parece-me mais prático do que aquele teste vendido nas farmácias em que é preciso colher a urina diariamente.

Segundo o estudo, 653 mulheres que desejavam engravidar foram selecionadas pelos cientistas e divididas em dois grupos: um que usaria o aparelho por pelo menos dois ciclos e outro que não o usaria. 22.7% das mulheres que usaram ficaram grávidas enquanto que 14,4% das que não usaram alcançaram esse resultado.

Para os pesquisadores, o Clearblue Easy Fertility Monitor é um novo passo a ser dado pelos casais que desejam conceber, permitindo de forma fácil e conveniente o conhecimento sobre o ciclo ovulatório feminino. O preço é meio salgado. Pelo que vi na Amazon fica em torno de US$ 150 mais as taxas de importação. 

Mas lembrem-se: o aparelho não faz milagre. Só pode ajudar os casais que não têm outros problemas de infertilidade, como endometriose, trompas obstruídas, falta de ovulação e, no caso dos homens, má qualidade do esperma. Portanto, nada dispensa ainda uma investigação inicial bem feita.

Escrito por Cláudia Collucci às 11h06
Fatores que comprometem a fertilidade podem surgir na adolescência

Ninguém pensa que aquelas cólicas insuportáveis da adolescência podem ser sinal da endometriose, uma das principais causas de infertilidade. Também pouca gente lembra que as menstruações irregulares, pêlos no rosto e obesidade podem ser por conta da SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), outra causa de infertilidade. Às vezes, nem o próprio ginecologista está atento a isso.

É claro que nesta época da vida, pais, filhos e os médicos estão mais preocupados com a prevenção da gravidez, mas não custa nada se atentar para problemas que podem comprometer a fertilidade no futuro. Alguns se manifestam já na puberdade e, quanto mais rápido forem o diagnóstico e o tratamento, menos prejuízo haverá no sistema reprodutor.

Mas voltemos à SOP e à endometriose. A falta ou a irregularidade constante da menstruação é um risco para as garotas porque pode significar a presença da Síndrome dos Ovários Policísticos, provocada por um grande desequilíbrio hormonal que leva à falta de ovulação e consequente atraso e até ausência das menstruações. O estado de anovulação crônica é uma das principais causas de infertilidade feminina. É importantíssimo que as mulheres se preocupem em corrigir o problema o quanto antes.

Se a menstruação atrasar por mais de três ciclos seguidos, a garota deve procurar um médico. Uma irregularidade ocasional, como uma ou duas vezes por ano, não é problema, pois as adolescentes têm nas emoções um fator que pode interferir na atividade da hipófise. Em geral, o tratamento se baseia na inibição da atividade da hipófise com a administração de pílulas anticoncepcionais ou mesmo da progesterona, com a finalidade de repor esse equilíbrio hormonal.

Embora as cólicas sejam relativamente comuns na adolescência, também podem ser sinais de endometriose, uma doença que atinge 5% das garotas. A doença provoca uma reação inflamatória que distorce a anatomia da mulher, principalmente das trompas e dos ovários, levando a sérias dificuldades no futuro. A endometriose, ou a presença do endométrio _a camada que reveste o útero por dentro_ fora da sua localização original é uma alteração contínua e progressiva que leva as meninas às cólicas menstruais incapacitantes. Se as cólicas forem muito fortes, pode-se fazer a laparoscopia, que é o exame que diagnostica a endometriose, ou um teste terapêutico, como o uso de pílulas anticoncepcionais.

Os garotos devem ficar atentos, por exemplo, à varicocele, uma doença que provoca dilatação das veias dos testículos. Com o tempo, isso prejudica a qualidade seminal. Hoje, essa doença é a principal causa de infertilidade no homem. Um estudo feito pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com 30 adolescentes concluiu que o problema é mais comum do que se imagina: 50% deles apresentavam a doença e, desses, 40% tinham problemas de fertilidade.

Os garotos devem checar, por exemplo, se um testículo é maior do que o outro, ou se há diminuição dos mesmos, ou ainda se existem nódulos ou aumento no volume do escroto. O primeiro e mais importante passo é descobrir se os dois testículos realmente se encontram no saco escrotal. Parece uma coisa banal, mas muitos adolescentes chegam ao consultório sem nunca terem sido examinados pelos seus pais e médicos. O quanto antes for realizada a cirurgia, maiores as chances de reversão do problema e menor será o comprometimento da fertilidade no futuro.

Outra preocupação que os garotos devem ter é com o câncer de testículo. É na adolescência e em adultos jovens que aparece o maior número dessa doença. A quimioterapia e a radioterapia, além de matarem as células cancerígenas, também exterminam as células normais do organismo. Em alguns casos, homens podem deixar de produzir espermatozóides por completo.

Outro problema que pode afetar garotos e garotas são as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Nos homens, a gonorréia e as infecções por clamídia e ureaplasma podem provocar lesões nos canais por onde passam os espermatozóides, causando obstrução. Nas mulheres, as bactérias se instalam nas trompas, obstruindo-as e impedindo a passagem do óvulo.

Além de provocar inúmeras doenças, o cigarro também leva à infertilidade. Ele libera substâncias tóxicas aos espermatozóides e aos óvulos. Maconha e haxixe também diminuem a concentração e a mobilidade dos espermatozóides. As garotas que consomem álcool em excesso têm uma diminuição no tamanho dos ovários, o que leva aos problemas de ovulação e, em alguns casos, à menopausa precoce.

Para os garotos, os anabolizantes representam outro perigo. Os androgênios (hormônios que aumentam a massa muscular) inibem o funcionamento da hipófise, glândula que controla a produção de espermatozóides, e provocam atrofia do testículo. O excesso de peso ou a magreza excessiva também fazem mal aos futuros pais: causam desequilíbrio hormonal, afetando a fertilidade.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h59
Nutrição adequada reduz risco de bebês prematuros

Durante os tratamentos de reprodução assistida e no decorrer da gravidez um dos aspectos que costumam ser negligenciados é a nutrição. Não são poucas as mulheres que reclamam do ganho de peso causado pelos hormônios utilizados na FIV (fertilização In Vitro). E, em geral, a preocupação se entende durante a gestação e depois dela.

Conversando dias desses com a nutricionista Mariângela Daláqua, formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP e com pós-graduação em fisiologia do exercício pelo Centro de Estudos da Fisiologia do Exercício da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), soube que ela está trabalhando nessa área e tem ótimos exemplos de sucesso para nos relatar.

O que mais me chamou a atenção foi o fato de se conseguir, por meio da nutrição, nascimentos de múltiplos com ótimo peso, que dispensa até mesmo a necessidade da UTI neonatal. Encaminhei à Mariângela uma série de perguntas, as quais ela respondeu em forma de um texto que vocês podem ler a seguir:

Os benefícios quando uma mulher está tentando engravidar e procura um nutricionista são vários: primeiro, receber uma dieta personalizada, segundo sua bioquímica sangüínea (hemograma completo, glicemia, colesterol, triglicérides, ferritina, etc...), sua composição corporal, seus hábitos alimentares e seu estilo de vida (sedentária, ativa, etc...) e porque nesta dieta podem ser incluídos alimentos que melhorem sua fertilidade e a de seu companheiro, garantindo energia e os nutrientes necessários para a saúde sexual.

Durante os tratamentos hormonais da reprodução assistida, a mulher tem retenção hídrica, aumento de apetite, aumento de seios, e, portanto, aumento de peso, que podem ser minimizados com o tratamento nutricional e atividade física adequada. Portanto, durante as consultas as pacientes recebem orientação personalizada para aliviarem esses efeitos colaterais provocados pelos tratamentos de reprodução assistida

Um caso recente foi de uma paciente que ao iniciar o tratamento hormonal de reprodução tinha 65 kg. Ela chegou ao consultório na 22ª semana de gestação com 83 kg, portanto, já com 18 kg acima do peso normal, hipertensa e anêmica.

Em média, durante o tratamento hormonal, se não houver uma consciência da mulher em relação à nutrição e à atividade física, elas chegam a ganhar até 10kg antes de conseguirem engravidar. A dieta ideal é sempre a dieta personalizada. Não existe uma dieta igual para todas as mulheres, o que funciona é uma primeira consulta de uma hora e meia para prescrição correta do tratamento nutricional.

Evitar doces, frituras, refrigerantes, alimentos gordurosos, bebidas alcóolicas em excesso e vida sedentária sempre ajudam. A nutrição é muito importante em qualquer gestação. Vários trabalhos científicos demonstram que uma má nutrição durante a gestação aumenta as chances de partos prematuros, anemia, obesidade, hipertensão arterial e renal, más-formações fetais e bebês com baixo peso ao nascer.

Em gestações de mais de um bebê (gêmeos, trigêmeos etc...), pela grande necessidade de nutrientes na dieta, somente os alimentos não suprem as demandas nutricionais da mãe e dos fetos, sendo imprescindível que o nutricionista clínico elabore uma suplementação nutricional adequada, além da dieta.

As gestantes de gêmeos costumavam ganhar até 20 kg, com os bebês nascendo abaixo de 1,6 kg. Temos conseguido uma média de ganho de peso para as mães de gêmeos de 12 kg a 15 kg, com os bêbes nascendo com mais de 2,5 kg. Para trigêmeos, a média de ganho de peso era de 22 a 27 kg. Temos conseguido que elas ganhem entre 15 a 16 kg, sem desenvolver hipertensão e anemia, com os bebês nascendo entre 2,3 a 2,5 kg, quando era normal que todos eles fossem para as UTIs neonatais (abaixo de 1,5 kg).

Após o parto, além de querer manter a boa forma física, a nutriz deve receber um suporte nutricional adequado para evitar osteoporose, que pode ser conseqüência de uma dieta inadequada durante a gestação e a amamentação. Além disto, o leite materno é carente em ferro e vitamina C, o que pode prejudicar o bebê (ou os bêbes) se na nutrição da mãe essas necessidades não forem supridas.

Alguns planos de saúde reembolsam as consultas e o tratamento nutricional, mas acho que as mulheres devem lutar para que os planos reembolsem integralmente o tratamento, pois ele é fundamental para a saúde das futuras mamães e seus bebês. Sempre é um investimento de amor e recompensa, pois todos desejamos um final feliz para cada paciente que nos procura. Fazemos parte dessas histórias e temos muito orgulho disto!

Escrito por Cláudia Collucci às 14h02
Nosso dia, nossa vida

Datas como o Dia Internacional da Mulher nos levam a refletir um pouco sobre nossa vida e nossas escolhas em um momento em que a questão da maternidade é o foco. Não são poucas as mulheres que se sentem culpadas, sozinhas e desamparadas durante este período.

Nascemos e crescemos totalmente alheias ao fantasma da infertilidade. Ninguém nunca nos disse, na nossa adolescência ou início da vida adulta, que existia essa possibilidade. Ao longo da vida da mulher, os ginecologista, por exemplo, não costumam alertar que o simples adiamento da gravidez para depois dos 30 anos já poderia se configurar numa dificuldade.

Teria sido diferente se tivéssemos sido alertada? Provavelmente não. Dos 20 aos 30 anos, muitas de nós estamos preocupadas com a nossa carreira profissional, com nossos estudos, em encontrar uma pessoa legal para dividirmos a vida. Filho costuma passar longe dos nossos planos. Porém, seria uma escolha consciente dos riscos.

Somando-se a isso tem aquela velha ilusão vendida pela mídia que tudo é fácil, que, diante da dificuldade de gravidez, a reprodução assistida está aí para nos dar o bebê dos sonhos.

Só quando entramos na chuva e nos molhamos, ou melhor, nos encharcamos, é que a ficha cai e a gente percebe que a realidade é dura. A reprodução assistida é cara, sofrida e com índices de falhas muito maiores do que os de acerto. E bate aquele medo de não conseguir a gravidez nem por meio dela. É claro que, ao final, muitas das que insistem acabam conseguindo ter o tão sonhado bebê. Mas também é fato que outras tantas desistem, por falta de grana ou de ânimo. E a vida segue seu curso.

No meio desse turbilhão de emoções, é comum a pauta da adoção vir à tona. Nada contra. Acho louvável a iniciativa, mas o nosso desejo de um filho biológico tem que ser respeitado. É um direito universal e em muitos países isso é respeitado. E, além do mais, uma opção não exclui a outra.

O que eu acho inadmíssivel é desconsiderarem a nossa dor pelo simples fato de existirem milhares de crianças disponíveis para a adoção, precisando de um lar. Como se a opção de adoção, deixasse o fardo da infertilidade mais leve.

Peraí gente. Nesses últimos 150 anos de emancipação da mulher, já passamos por todas as formas de preconceito, e, de repente, nos vemos diante de mais um: o de lutar por um filho biológico. Já cheguei a ouvir de mulheres que essa luta é egoísta, egocêntrica, que é um absurdo se gastar tanto dinheiro com reprodução assistida se há tantas crianças abandonadas... 

Nesses momentos, a gente se sente mesmo sozinha. Há anos os grupos feministas fazem campanha pelo direito de a mulher não ter filhos indesejados, mas, em nenhum momento, olham por aquelas que desejam ardentemente um filho. Que passam por procedimentos arriscados, que se deprimem, que perdem o rumo.

Em entrevista ao caderno "Mais", da Folha de S. Paulo, no último domingo, a historiadora do feminismo Yvonne Knibiehler, acusa o movimento feminista de negligenciar o papel da maternidade: "O que eu espero é que aquelas que se disserem feministas no futuro compreendam que é preciso, sim, ajudar as mulheres a não ser mães quando elas não querem ser, mas é preciso também ajudá-las quando elas desejam ter filhos". Cara Yvonne, nós também esperamos por isso. Um beijo para cada uma de vocês neste nosso dia.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h45

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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