Consenso britânico pede fim da gravidez múltipla

O conselho britânico de fertilidade, em conjunto com embriologistas, ginecos, pediatras entre outros experts em reproduçao humana, acabou de elaborar um consenso onde estabece uma série de regras para evitar a gravidez múltipla. Na Inglaterra, 25% dos 40 mil ciclos de FIV realizados anualmente resultam em múltiplos bebês. No Brasil, a taxa é de 42%, o que faz do país um dos campeões em nascimento de gêmeos, trigêmos, quadrigêmeos etc.

Para os experts, a alternativa é se transferir um único embrião nos ciclos de FIV. Hoje, inúmeros serviços de fertilidade dos países desenvolvidos vêm conseguindo taxas semelhantes de gravidez, transferindo um único embrião. E essa é a meta para Inglaterra a partir de agora. Para eles, essa é a única forma de uma gravidez segura para as mulheres e de nascimento e crescimento saudáveis para seus bebês.

Eu já havia falado sobre isso aqui há dois anos, quando participei de um congresso na Dinamarca e comentei que o nascimento de múltiplos já era considerado um problema de saúde pública em alguns países desenvolvidos devido aos riscos causados às mães, às crianças e pelo alto custo gerado ao sistema público de saúde.

Na Europa, especialmente nos países nórdicos, os serviços de reprodução estão empenhados em reduzir o índice de gravidez múltipla, também estimado em 25%, em média. Esses países financiam o tratamento, mas orientam (ou determinam) que seja transferido um único embrião (de ótima qualidade) para o útero de mulheres com idade inferior a 37 anos nos procedimentos de FIV (Fertilização in vitro).

Com a medida, os serviços reduziram pela metade o índice de múltiplos, com quase a mesma taxa de sucesso de gravidez quando comparado aos índices obtidos com a transferência de dois embriões. "A gravidez de triplos ou mais não é uma boa prática e deve ser evitada a todo custo. A gestação múltipla causa inúmeras patologias maternal, fetal e neonatal. São riscos evitáveis", afirmaram os experts ingleses no consenso recém-elaborado.

Em gravidezes múltiplas, há mais chances de a gestante ter pré-eclâmpsia, tromboembolismo e diabetes gestacional. O bebê pode nascer com baixo peso, má-formação congênita e complicações cerebrais.

Segundo estudos já publicados, 70% dos ciclos de FIV promovidos por clínicas européias envolvem hoje a transferência de um único embrião. No Brasil, não há estimativa desse percentual. Uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) permite a transferência de até quatro embriões. Alguns médicos brasileiros dizem que tentam convencer os casais mais jovens a transferir dois embriões, mas há resistência.

Isso porque o casal tenderia a não se preocupar com a gravidez múltipla. Ou por não acreditar que ela possa acontecer ou por achar que "depois se dá um jeito". Eu ainda tenho dúvidas a respeito disso. Para mim, falta conversar melhor com esses casais e explicar detalhadamente todos os riscos.

É esse o conselho dos experts britânicos: os médicos devem se empenhar em conscientizar as mulheres do perigo do nascimento de múltiplos e promover a transferência de um embrião em pacientes selecionadas (jovens e sem tentativas anteriores de FIV, por exemplo).
 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h49
Gametas doados e a quebra do anonimato

A exemplo do que aconteceu nos EUA, a Inglaterra aprovou novas regras que possibilitam que toda pessoa nascida a partir de 2005, por meio de gametas doados, tenha acesso a toda sua história genética e familiar. Com isso, na sua maioridade, ela poderá ter acesso ao doador se assim o desejar.

Se por um lado a lei cumpre o direito básico de todo ser humano (saber sobre suas origens), por outro, isso deve levar a uma queda no número de doadores de espermas ou óvulos, avaliam os especialistas. Quem vai se dispor a doar seus gametas para, anos depois, alguém bater na porta chamando-o de "papai" ou "mamãe". Estou brincando, mas o assunto é sério.

No Brasil, o anonimato ainda existe, mas não sei por quanto tempo. Há projetos de lei tramitando no Congresso a respeito. Por isso, todos que pretendem recorrer a óvulos e espermatozóides doados precisam estar atentos a essa possibilidade de quebra de anonimato. E refletir bem antes de tomar qualquer atitude.

Escrito por Cláudia Collucci às 05h18
Pausa

Queridas, estou em Londres aproveitando parte do meu período sabático. Como eu já havia comentado por aqui, darei início ao meu projeto de doutorado. Minha idéia é desenvolver um trabalho sobre a morbidade invisível da FIV, ou seja, todas as intercorrências (hiperestímulo ovariano, problemas com a laparoscopia) que podem acontecer, mas que, em geral, as mulheres só tomam conhecimento quando as coisas acontecem.

Ainda inexiste a prática rotineira do termo de consentimento informado sobre os possíveis efeitos do tratamento, o que, para mim, é um absurdo porque é direito do paciente saber de todos os riscos que ele vai correr. Pode ser que nada mude, mas, pelo menos a coisa será feita conscientemente. Pois bem, por aqui, a história é outra.

Além de o governo bancar todo o tratamento (até 3 tentativas), todos os riscos estão discriminados. Algumas de vocês podem até pensar que correr riscos faz parte de qualquer procedimento médico. Sei disso e concordo. Mas tem que ser informado. É o mínimo que se pode esperar. Bom, prometo ir dando notícias. Para variar, continuo brigando com os teclados dos ciber cafes...

Escrito por Cláudia Collucci às 05h40
Os aspectos emocionais da infertilidade

Abaixo, transcrevo o artigo que a psicóloga Luciana Leis enviou ao blog. Nunca é demais falar sobre os aspectos emocionais que permeiam a dificuldade de gravidez, ainda mais que eles ainda são tão negligenciados pelas clínicas de reprodução assistida do país. Bjos a todas. Cláudia 

 

 

 

 

As multifacetas da infertilidade

 

         A motivação para a criação deste texto partiu da percepção que tenho, através da prática clínica, da repetição de histórias muito parecidas vivenciadas por mulheres que se deparam com o diagnóstico de infertilidade.

            Infertilidade , para a medicina, é a dificuldade de engravidar após 12 meses de tentativas, sem uso de nenhum método contraceptivo. No entanto, para  as pacientes que vivenciam esse problema, a infertilidade é muito mais que isso. Não conseguir gerar um filho com a pessoa amada e ver nele a mistura e criação conjunta é por demais frustrante e desmotivante a cada menstruação que se confirma.

            Além disso, a sociedade estipula uma série de etapas a serem cumpridas pelas pessoas e, quando uma delas não acontece, vêm-se as cobranças e imposições. Se você não namora, precisa “arranjar” alguém; se já namora, precisa casar; e, se já casou, precisa ter filhos.

            A imposição dessa ordem linear de acontecimentos colabora para pressionar ainda mais os casais que tentam engravidar. E, se estes não marcarem o seu espaço frente à demanda do outro, pontuando o que os incomoda, para se protegerem, as angústias podem tornar-se insuportáveis.

            É bastante comum perceber, com toda essa problemática, que as mulheres com dificuldade de gravidez começam a se fechar num mundo muito solitário e frio. Deixam de sair com receio dos comentários alheios, sentem-se inferiorizadas frente às demais mulheres, pouco dividem com seus companheiros sentimentos e pensamentos com medo da rejeição do parceiro e, em alguns casos, abandonam seus empregos para dedicarem-se exclusivamente ao tratamento para engravidarem.

            Com tantas limitações, a infertilidade acaba estando presente em tudo, uma vez que se configura como “não produzir, não criar”. Se imaginarmos um terreno a ser germinado e colocarmos a infertilidade em apenas uma porção, com o passar do tempo, olhamos novamente este mesmo terreno e percebemos que a porção infértil ocupou uma área maior, e isso não precisa necessariamente ser assim.

            Percebo haver uma tendência das mulheres a levarem a infertilidade para outros espaços de sua vida, uma vez que a situação e os fatores a ela envolvidos são frustrantes e angustiantes, gerando, principalmente, sentimentos de impotência.

            No entanto, é necessário um trabalho dessas mulheres para que possam “adubar” e “preparar a terra” a fim de que outras produções sejam possíveis, expandindo seus horizontes para além da gravidez. O processo psicoterapêutico em muito auxilia essa questão. Algumas pacientes que atendo conquistaram o filho justamente no momento em que se viam produtivas no trabalho e maduras em sua vida pessoal.

            Claro que para situações delicadas e singulares como essa, não existem receitas prontas (para alguma dificuldade na vida existe?); mas, certamente, a busca por essa expansão trará um sentimento de eficiência e de auto-valorização, enquanto a gravidez não vem.

 

Luciana Leis- psicóloga. E-mail para contato: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 18h52
Pais de filhos gerados por doação de sêmen ou óvulos não se arrependem de contar a verdade

Pais de crianças concebidas por meio de doação de óvulos ou de espermatozóides não se arrependem de revelar o fato aos seus filhos e pensam que essa informação é direito da criança. Mas eles desejariam mais suporte emocional durante esse processo. A revelação vem de um estudo realizado por um grupo de pesquisadores californianos, liderados pelo dr. Robert D. Nachtigall, da Universidade de Califórnia, em San Francisco. Um artigo sobre o trabalho foi publicado no jornal "Fertility and Sterility".

Para Nachtigall, a procura cada vez mais crescente pelos métodos de reprodução assistida também aumenta a necessidade de serviços que dêem assistência não apenas durante o início do processo de reprodução, mas também depois do nascimento da criança.

Os pesquisadores entrevistaram 141 casais, 62 que engravidaram usando sêmen doado e 79 que usaram óvulos doados. Vinte por cento deles já haviam contado aos seus filhos sobre o processo de doação de gametas, 45% planejavam revelar, 16% não tinham planos de contar a verdade e 7% estavam indecisos. A taxa de revelação é maior entre os casais que engravidaram com sêmen doado: 32% já contaram aos seus filhos, contra 23% dos que engravidaram com óvulos doados. Mas, nos dois grupos, é alto o percentual daqueles que pretendem fazer a revelação: 58% e 45%, respectivamente.

Os pais que revelaram o processo de gravidez com gametas doados descreveram como contaram o fato aos filhos: primeiro, começaram, muito cedo, a conversar com suas crianças sobre a vida concebida por meio de doação de óvulo e de espermatozóide e só depois, quando perceberam que os filhos tinham condições de entender o processo, é que contaram a verdade como todas as letras.

No início, quando os filhos tinham três ou quatro anos, fizeram uma adaptação daquela velha e boa estória da "sementinha": pegamos a sementinha do papai e colocamos ela para conversar com uma outra sementinha parecida com a da mamãe. Aí as duas sementinhas foram para a barriga da mamãe e você começou a crescer, crescer... A revelação clara acontece, em geral, depois dos sete anos.

Segundo os pesquisadores, os pais que usaram a "estratégia da sementinha" tendem a achar o processo de revelação mais fácil e se sentem menos apreensivos. Eles acreditam que, dessa maneira, permitem que a criança tenha a sensação de que "sempre soube" que fora concebida com óvulo ou sêmen doado e não faz disso um grande drama.

Porém, os pais dizem que é importante construir uma forte relação de confiança e de amor antes de revelar a informação e, além disso, é fundamental esperar que os filhos estejam maduros o suficiente para entender o processo e não sofrerem com isso. Mas cuidado: isso não quer dizer que é preciso esperar que eles completem 18 anos!!! A revelação deve ser feita, de preferência, ainda na infância.  

Uma queixa dos pais é não terem tido um suporte sobre quais terminologias deveriam ser usadas para tratar do doador, evitando, assim, situações ambíguas. Se eles se referissem aos doadores como pai ou mãe biológica, por exemplo, temiam dar um nó na cabeça da criança. O fato é que a grande maioria dos pais que revelaram o processo aos fihos não relataram arrependimento e sim, alívio. E as respostas dos filhos, na maioria dos casos, foram bem positivas.

O resultado desse estudo vem ao encontro de uma questão que eu defendo há muito tempo: o direito de a criança saber sobre sua origem. Afinal, não desejamos sempre a verdade? Por que, com um filho, seria diferente? Também concordo com os pesquisadores quando eles dizem que os casais necessitam de suporte, de orientações, durante esse processo. E, na minha avaliação, o trabalho é de base. É preciso, primeiro, trabalhar a "culpa" sentida por muitos casais que recorrem à doação de gametas. Sem isso resolvido, dificilmente eles não terão a leveza, a tranquilidade e a auto-confiança necessária para contarem a verdadeira estória da "sementinha" aos seus filhotes.  

Escrito por Cláudia Collucci às 12h18
 
 
 
 

                 Feliz Páscoa!!!
 
 E que o símbolo da fertilidade representado pelos coelhos fique impresso nas nossas vidas.
                
Escrito por Cláudia Collucci às 10h13
Projeto promete redução de 50% no preço de remédios para reprodução assistida

Recebi uma notícia da assessoria de imprensa da Serono que deve interessar a muitas de vocês. Trata-se de um novo projeto criado com o objetivo de tornar mais barato o tratamento de reprodução assistida, o projeto Acesso_ do laboratório Serono, empresa Vidalink e clínicas de reprodução humana. Ele já está presente em 19 cidades brasileiras e chegou agora a São Paulo.

Na minha avaliação, a maior vantagem é a promessa de um desconto de até 50% na medicação usada no tratamento de reprodução assistida. Os casais interessados devem marcar uma consulta em uma clínica parceira do projeto (veja lista abaixo), retirar um formulário, preencher e enviar juntamente com a documentação solicitada.

No caso da Clínica Fertility, por exemplo, para a seleção, o casal deverá ter uma renda máxima mensal de R$ 3,5 mil, comprovada por recibos de pagamento ou declaração de imposto de renda. Um ciclo de FIV custará entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. Mas é interessante vocês fazerem uma pesquisa de preço entre elas porque o valor pode variar.

A avaliação dos casais tem como base o perfil econômico, já que o projeto tem caráter social. Mais informações sobre o projeto Acesso, clínicas parceiras e onde conseguir os formulários podem ser obtidas na central de atendimento da Serono: 0800-113321.

Como estou vendendo a vocês a informação tal como recebi, gostaria de ter notícias futuras se realmente há vantagem no projeto e se as clínicas vão cumprir o que está sendo prometido.

Clínicas parceiras do Acesso na cidade de São Paulo:

 - CEERH – Centro E. Reprod. Humana: Fone (11) 3257-2758 (Dra Mariangela Maluf e Dr. Paulo Perin)

- Célula Mater Saúde da Mulher: Fone (11) 3085-4099 (Dr. Carlos Czeresnia)

- Centro de Rep. Humana Carlos Izzo: Fone (11) 30832866 (Dr. Carlos Izzo)

- Chedid Grieco Méd. Reprodutiva: Fone (11) 3266-7733  (Dra. Silvana Chedid Grieco)

- Clínica Lazar: Fone (11) 5575-6579. (Dr. Felipe Lazar)

- Dias Unzer Médicos Associados: Fone (11) 5182-8205  (Dr. João Antônio Dias Jr.)

- Embriocare: Fone (11) 5549-4737 (Dr. Luiz Roberto Balducci e Dr. Walter Pinto Jr.)

- Ferticlin: Fone (11) 5581-2045 (Dr. Raul Eid Nakano)

- Fertility: Fone (11) 3885-9858 (Dr. Edson Borges e Dr. Assumpto Iaconelli).

- Fertivitro: Fone (11) 5081-2031 (Dr. Luiz Albuquerque)

- Gera Grupo e Reprod. Assistida: Fone (11) 3266-7974 (Dr. Joji Ueno)

- Huntington: Fone (11) 3059-6100 (Dr. Eduardo Motta e Dr. Paulo Serafini).

- Monteleone: Fone (11) 3588-0880. (Dr. Pedro Monteleone).

- Pulmoart: Fone (11) 5574-8799. (Dra. Siomara Regina de Almeida).

- Serv. de Rep. Humana Santa Joana: Fone (11) 5573-3015. (Dr. Paulo Serafini, Dr. Eduardo Motta, Dr. José Geraldo Caldeira, Dr. Vamberto Maia e Dra. Ana Beltrame).

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h10
Por que não confiamos nos nossos médicos?

Dias desses, lendo as mensagens no fórum de infertilidade deparei-me com uma que me vez refletir sobre a atual relação médico-paciente. Ivana dizia que havia transferido três embriões congelados e que o médico tinha prescrito progesterona via vaginal e a orientou a continuar tomando o estrógeno. Mas, ao ler a bula do remédio à base de estrógeno, ela viu a recomendação de que o medicamento deveria ser suspenso em caso de gravidez. E se desesperou ao ver que a mesma bula alertava para o risco de má formação fetal. Ela ligou para o médico que tentou tranquilizá-la e pediu para continuar tomando o estrógeno até ter o resultado do teste de gravidez. Mas isso não a convenceu. Ela continuou com dúvidas e deixou de tomar o remédio pela manhã. E imediatamente pediu um conselho às amigas do fórum: deveria ou não tomar o remédio?

Dúvidas e atitudes como essa da Ivana estão cada vez mais comum em todas as áreas médicas. Pergunto: por que não confiamos mais nos nossos médicos? ou Por que confiamos desconfiando? É o acesso facilitado às informações via internet? É o fato de estarmos tão exaustas de informações conflitantes? É o temor de qualquer vacilo deixará mais distante o sonho da maternidade? É o fato de cada dia mais assistirmos a histórias horríveis de erros médicos?

Se no passado havia uma confiança cega no que o médico dizia, hoje impera sim uma certa desconfiança. Que atire a primeira pedra aquela que, diante de um diagnóstico ou de uma prescrição médica, não entrou correndo na internet para pesquisar tudo sobre o assunto. E pior: ficou mais perdida ainda. Eu mesma já cansei de fazer isso. E, muitas vezes, não satisfeita com as pesquisas, cheguei a pedir, segunda, terceira, quarta e quinta opinião.

A conclusão que eu cheguei é que, para determinados assuntos, não existem verdades absolutas. Um exemplo bem prático. O uso da metformina  para as portadoras da Síndrome de Ovários Policísticos (SOP), mesmo quando não há resistência à insulina. Já ouvi vários médicos sobre esse assunto e a divergência é total. Alguns, são taxativos: só deve ser tomada quando há resistência à insulina comprovada em exame. Outros pensam que não há problemas e que mesmo que não haja comprovação da resistência à insulina pelos atuais exames as mulheres com SOP se beneficiam com a terapia.

Parte dessa confusão acontece porque a metformina, um "antidiabético", é de uso off-label na reprodução assistida. Ou seja, o remédio foi criado para os portadores de diabetes, mas ao longo do tempo, se mostrou também eficaz para as portadoras de SOP, já que muitas são consideradas "pré-diabéticas" por apresentar resistência à insulina. Geralmente, são mulheres acima do peso, que apresentam pêlos no rosto e excesso de oleosidade. Até aí tudo bem porque há dezenas de estudos mostrando que esse perfil de paciente, que costuma não ovular ou fazê-lo com muita irregularidade, se beneficia de fato com o remédio. O problema são as portadoras de SOP que não apresentam resistência à insulina. Não há nenhum estudo conclusivo que mostre o real benefício da droga a esse grupo de mulheres. 

Diante de controvérsias como essa, na minha avaliação, não há outra alternativa senão confiar no seu médico. E, sobretudo, dialogar muito com ele. Expor as suas desconfianças sem medo ou receio de como ele irá reagir. Afinal, lembrem-se que esse tipo de postura é direito do paciente. O que não dá realmente é ser acompanhada por alguém que você não confia. Não somos médicos e não podemos fazer nossos próprios diagnósticos e decidir sobre a conduta mais adequada.

Creio que devemos, sim, ouvir outras opiniões médicas quando as dúvidas persistirem e nos cercarmos do maior número de informações possíveis. As informações estão aí para serem desfrutadas. Mas até para isso é preciso discernimento. Há fontes e fontes disponíveis na internet. Por isso, prefiram sempre as oficiais, especialmente as divulgadas pelas sociedades médicas ou pelos consensos de especialidades. Basta uma seleção mais apurada das informações.

É o que nós, jornalistas, fazemos antes de uma entrevista. Se entrarmos com a palavra SOP no "Google", por exemplo, virão pelo menos 13.500 resultados. Como selecionar daí informações confiáveis? Uma dica é refinar a pesquisa, por exemplo, entrando no site da Febrasgo (federação das sociedades de ginecologia e obstetrícia), da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana ou de outra entidade médica oficial que trabalhe com o tema. Pode ser que a linguagem dos médicos não ajude muito o entendimento, mas, na maioria das vezes, esses sites dispõem de informações esclarecedoras e confiáveis.  

Por fim, quero deixar público o meu orgulho com as respostas dadas pelas meninas do fórum à Ivana. Todas corretas, no sentido de que ela deveria sim continuar com a medicação indicada pelo médico e não se fiar às informação contidas na bula. Elas têm total razão quando dizem que os laboratórios, às vezes, exageram na tinta para se livrarem de eventuais futuros problemas. Se fôssemos por esse caminho, ou seja, de seguir à risca o que diz a bula, deixaríamos de tomar a maior parte dos remédios porque, na maioria das vezes, os possíveis efeitos colaterais ali contidos são desesperadores. E, para terminar, boa sorte Ivana na transferência. Estamos torcendo para que você venha com notícia de um Beta HCG positivão!    

 

Escrito por Cláudia Collucci às 09h38
Quero ser pai - parte 2

Leiam abaixo a mensagem enviada ao nosso blog pelo dr. Rodrigo Pagani, médico urologista e criador do site "Quero ser Pai" , que será inaugurado no dia 9 de abril.

Pela ocasião da "inauguração" do meu site, a Cláudia solicitou-me que escrevesse algo referente à infertilidade masculina. Porém, antes de iniciar gostaria de publicamente agradecer a Cláudia pelo bem enorme que ela tem feito aos pacientes com infertilidade, principalmente por ser um tema tão difícil de abordar, onde a maioria nem considera uma doença e sim mais uma forma de discriminação. Por isso, Cláudia, é muito bom saber que os pacientes têm uma voz ativa através do seu site e dos seus artigos na Folha de São Paulo.

Pensei em escrever em como os homens são avaliados (ou não) nas clínicas de Reprodução Humana. Diria então, que apesar de todas as estatísticas mundiais afirmarem que os homens contribuem com 50% dos casos de infertilidade conjugal, que 40% dos homens inférteis têm uma doença que progressivamente agride os testículos (varicocele), que 15% daqueles que não produzem espermatozóides têm uma condição genética associada, que praticamente nenhum paciente que tenha uma vasectomia recebe como proposta terapêutica a cirurgia para revertê-la, as clínicas de Reprodução Humana insistem em desafiar a natureza, insistem em levar as esposas destes homens a tratamentos que seriam desnecessários caso houvesse uma correção dos fatores masculinos. No entanto, não falarei sobre isso!

Poderia escrever então sobre como a nossa sociedade é machista (inclusive as próprias mulheres) e coloca sempre a culpa da falta da gravidez na esposa. Desde os primórdios, quando um casal não tinha filhos era porque a mulher era "seca". A própria Bíblia nos traz esse ensinamento. Por isso, elas são as que procuram os médicos, elas são as que sofrem com os tratamentos inadvertidos, afinal "são elas que não engravidam". Lá no final, depois de tanto sofrimento, o marido resolve fazer seu espermograma para ter certeza de que o problema é da mulher. E, novamente, em 50% das vezes a conclusão é de que o problema não era dela ou apenas dela. Mas, também não é sobre isso que falarei!

Meu desejo é fazer uma mea culpa. Afinal temos tão poucos especialistas em infertilidade masculina no país. Muito porque esta subespecialidade não é tão atrativa para os urologistas quanto à oncologia ou à endourologia, só para citar algumas das outras subespecialidades. Além disso, apenas recentemente temos os primeiros Centros de Reprodução Humana vinculados às Universidades para treinamento. Antes, era necessário ir ao exterior para aprender com destreza todas as nuances da infertilidade masculina.

Como tive o prazer de acompanhar o Dr. Larry Lipshultz e a Dra. Dolores Lamb por 2 anos em Houston na Baylor College of Medicine e sorver o que há de melhor nos Estados Unidos, e recentemente tive a honra de ser convidado pelo Professor Dr. Miguel Srougi a integrar o corpo docente da Disciplina de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, assumo o compromisso de ajudar a formar os novos urologistas com maior enfoque nesta área, para que tenhamos um tratamento cada vez mais digno dos casais inférteis.

Ao mesmo tempo, assumo um compromisso com as pessoas que se interessarem em dividir as suas dúvidas, que todos terão respostas aos seus questionamentos desde que pertinente ao tema central do site e isento de qualquer interesse pessoal ou financeiro.

Um grande abraço a todos e aproveitem o site. Ele será constantemente remodelado conforme as dúvidas forem surgindo. Por isso, visitem-no com assiduidade e façam perguntas, assim todos estaremos contribuindo para uma melhor informação.

Dr. Rodrigo Pagani

Escrito por Cláudia Collucci às 14h54

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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