Jogar ou não a toalha?

No post anterior, este tema esteve em alta após o depoimento de F. , cujo casamento está abalado pelos sucessivos fracassos dos tratamentos de reprodução assistida, e de outras manifestações de leitoras. E eu me pus a pensar:

Até quando vale a pena apostar nos tratamentos de reprodução assistida? Qual o limite emocional/financeiro/energético para suportar fracassos e perdas? O que vai sobrar de nós, do nosso casamento, ao final disso tudo se a luta for em vão? Nossa fé se fortalecerá ou seremos dominadas pela desesperança dos céticos? Vamos parar de sentir inveja das barrigas alheias ou de chorar no primeiro sinal de menstruação?

Impossível saber. Tenho amigas mães e não-mães que garantem que um dia essa angústia passa. As que já tiveram seus filhos ou os adotaram afirmam que todo pesadelo vivido durante os anos de tentativas simplesmente desaparece no primeiro choro, no primeiro sorriso.

Quem passou pelas tentativas de gravidez frustradas e não conseguiu engravidar _e também não adotou_ também garante que a dor, a mágoa e o desejo enlouquecedor de maternidade também  passa tão logo o corpo e a alma encontrem abrigo em um projeto interessante de vida.

Mas por que mesmo sabendo que não há mal que perdure a gente se desespera? Por que é preciso viver o luto a cada tentativa de gravidez frustrada? Por que mergulhamos nas trevas mesmo sabendo que o tão sonhado filho está no caminho oposto, no caminho da luz? E que caminho é esse? Por que é tão tortuoso e cheio de pedras para umas e tão retilíneo e livre para outras?

Não sei. Só posso dizer que se a gente conseguisse viver um dia de cada vez e agradecer pelo que temos hoje e não sofrermos tanto pelo o que ainda não conquistamos, a carga de tristeza seria bem menor. É difícil, eu sei, mas é preciso tentar. Quem sabe se, por repetição, essa filosofia não entra nas nossas cabeças e passa a fazer parte das nossas vidas?

Mas voltando ao tema anterior: jogar ou não a toalha? Penso que a resposta está em nós mesmas. Admiro igualmente quem tem forças para continuar na busca pelo filho biológico, quem transforma a busca no encontro de um filho adotivo ou simplesmente quem encontra outras formas de exercer sua maternidade, descobrindo que a vida é muito rica e cheia de projeto interessantes para serem gestados e realizados.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h49
O casamento, a dificuldade de gravidez e a proeza de manter o equilíbrio

"Depois de 4 ICSIs, 1 inseminação, vacinas de linfócitos, aborto retido, centenas de exames, consultas etc e tal...depois de todo o desgaste emocional e financeiro..meu marido simplesmente está jogando a toalha. Ele diz que não quer me ver frustrada, que eu posso seguir adiante e ter meus tão sonhados filhos com outra pessoa já que ele não consegue. Ele se recusa a fazer mais uma tentativa e eu não sei o que fazer. Disse que pensar em adoção era uma possibilidade, mas eu não queria encarar aquela burocracia toda...ele quer se separar e eu o amo demais para aceitar isso. Sei o quanto deve ser frustrante...me olhar e me ver assim, frustrada... eu faria tudo de novo...mas ele não...a gente se ama demais, mas não consigo me ver sem um filho...E agora? O que faço? Ele está tão irredutível..."

O desabafo acima, da nossa amiga F., chega a doer o coração. Talvez porque seja uma situação pela qual nos identificamos, em maior ou menor grau. Ela nos dá a dimensão de quanto a dificuldade de gravidez, associada aos tratamentos frustrados, nos fragiliza. A nós, aos nossos companheiros e ao nosso casamento. Costumo dizer que os casais que passam por tudo isso e permanecem juntos, seja lá qual for o resultado dessa batalha, acabam vivendo, mesmo sem se dar conta, a maior prova de amor de suas vidas.

Pouco importa de quem é a "culpa" pela gravidez que não vem. A dor é exatamente igual. Mas a forma como ela tem sido administrada parece variar conforme o protagonista da infertilidade. Fui alertada para isso na última semana, ao partir de um fórum sobre bioética e reprodução humana, na PUC São Paulo. A coordenadora do evento, uma psicóloga especialista neste assunto, relatava que, depois de acompanhar quase um ano casais com dificuldade de gravidez atendidos em um ambulatório de reprodução assistida concluíra que, quando a infertilidade é masculina, as mulheres são muito mais "cruéis" com seus companheiros do que quando a situação é inversa ou quando não há um motivo aparente para que a gravidez não aconteça.

Nunca tinha parado para pensar nisso. Mas ouvi-la me fez recordar de uma conversa tida anos atrás com uma amiga. Ela estava zangada com o marido que se recusava a fazer um espermograma. No auge da irritação, ela explodiu: "se ele permanecer irredutível, vou engravidar com sêmen doado e dane-se esse casamento!" No fim, tudo acabou bem e ela engravidou naturalmente, sem ao menos necessidade de reprodução assistida. E o casamento sobreviveu. Esse diálogo, porém, não saiu mais da minha cabeça. E sempre que me deparo com um tema correlato, ele volta aos meus pensamentos.

Penso que todo esse processo de dificuldade de gravidez nos desnuda frente ao outro. Tiramos a carapuça e mostramos tudo o que há de pior e de melhor dentro de nós. E é comum cada um dos pares se sentir absolutamente sozinho, mesmo que outro esteja ali do lado "para o que der e vier".

Creio que nesse processo, nós mulheres, nos tornamos sim "meio bichos", dando vazão a sentimentos absolutamente instintivos, viscerais. E é verdade que, em certos momentos, nos tornamos egoístas. Só a nossa dor é que importa. E isso vai criando um fosso entre o casal. Talvez isso aconteça porque exista uma dinâmica diferente na administração desse turbilhão de emoções. O homem, por mais que sofra, consegue manter uma certa racionalidade. Mas, nós, nem sempre conseguimos essa proeza. 

Nesses momentos, estou certa de que um processo terapêutico ajuda muito o casal a se conhecer e a se aceitar melhor. Não raras as vezes, o que nos irrita no outro está dentro nós mesmos. E é só conhecendo as armadilhas do nosso inconsciente é que vivemos o verdadeiro processo de auto-conhecimento.

Não que isso elimine a dor pela gravidez que tarda a chegar. Tal como o mito da ave Fenix, que se consome em cinzas para renascer, vamos continuar sofrendo muito cada vez que o tratamento fracassar ou que passarmos por situações de aborto ou simplesmente quando menstruação descer. Viramos cinza e, sabe-se Deus como, reunimos forças para renascer e voltar a ter esperança que um dia esse pesadelo vai acabar. A diferença é que, podendo dividir isso tudo com a pessoa que a gente ama, esse processo de "morte e renascimento" dói um pouco menos.   

 

Escrito por Cláudia Collucci às 10h33
Nascem nos EUA os primeiros gêmeos gerados em diferentes barrigas

Torry Keay and Amy Bernaba

Amy Bernaba e Torry Keay, um dia antes dos bebês nascerem

Elas nasceram no mesmo dia, com poucos minutos de diferença, e são praticamente idênticas. O inusitado foi que vieram ao mundo por meio de duas mulheres diferentes: a mãe verdadeira e uma outra mulher que "emprestou" a barriga. Parece coisa de ficção, mas não é. Aconteceu nos EUA, no início do mês. 

A primeira garota, Lauren, veio ao mundo pela mãe biológica, Amy Bernaba. Meia hora depois, Torry Keay, deu luz à Hannah. A gestação dupla aconteceu depois de Bernaba e seu marido George terem tentado durante 12 anos uma gravidez com tratamentos de fertilização in vitro. Pais de Jeremy, agora com 15 anos, eles queriam na época dar um irmão ou irmã ao filho.

Durante os 12 anos de tentativas, com um total de 14 FIVs, Amy chegou a engravidar, mas sofreu abortos espontâneos. Ao completar 40 anos, os médicos achavam que havia algum problema com seu sistema imunológico e que ela não deveria tentar mais a gestação. Sugeriram então que seus embriões fossem transferidos para o útero de uma outra mulher (barriga de aluguel).

Ela e o marido toparam, mas quiseram mais uma chance. Decidiu-se então transferir os embriões para o útero de Amy e de Torry, a mãe de substituição. Ambas engravidaram. E deram à luz no mesmo hospital, em Los Angeles. O pai das crianças, George, assistiu à cesárea da mulher e depois correu para registrar a cena do nascimento da outra filha, Hannah, que veio ao mundo por parto normal. Ele disse aos repórteres. "Estou muito feliz por tê-las. Não paro de rir."

Abaixo, o casal com as duas filhas:

 

Amy Bernaba  

A família Bernaba chegou à mulher que gerou sua filha por meio de amigos. Torry Keay, 31, uma cabeleireira, e o marido Billie, pedreiro, têm seis filhos. Não foi revelado se Torry recebeu dinheiro para gerar o bebê. "Quando soube do caso, imediatamente quis fazer isso e fui apoiada pelo meu marido. Nós temos uma família grande, amamos nossas crianças e sentimos muito pelas pessoas que não têm a mesma sorte nossa", disse ela. 

As duas mulheres, que se tornaram grandes amigas, fizeram todo o pré-natal juntas. Foi decisão dos médicos induzir o parto de Torry para que a menina nascesse no mesmo dia da irmã. O que será que ainda falta para acontecer neste mundo da reprodução assistida? 

Escrito por Cláudia Collucci às 22h21
Mulheres trocam sexo por fertilização in vitro
Por essa eu já esperava: mulheres que desejam ser mães estão trocando sexo pela FIV (Fertlização In Vitro). A notícia vem da Inglaterra, onde uma pesquisa mostrou que mulheres executivas, sem aparentes problemas de fertilidade, estão recorrendo à reprodução assistida porque se dizem muito cansadas ou muito ocupadas para fazer sexo com seus parceiros.
 
Alguns centros de reprodução ingleses, como o Westover House clinic, em Londres, têm até estatísticas apontando que esse perfil de paciente, que fazem FIV "inapropriadamente", aumentou 20% nos últimos anos. "As pessoas querem tudo para agora. Se elas não conseguem ter um filho no momento que querem, partem logo para FIV", afirmou Emma Cannon, diretora da clínica.
 
As chances de uma mulher acima de 35 anos engravidar por meio da FIV é de uma a cada três. Uma mulher da mesma idade que faz sexo regularmente (e não tem nenhum problema de fertilidade) tem uma chance em cada quatro, ou seja, nada muito desproporcional.
 
As mesmas mulheres inglesas declararam em outra pesquisa, divulgada na última semana, que preferem chocolate a sexo. Epa! Pelo jeito, o mar não está prá peixe para o lado das britânicas...
 
A abordagem desse tema é proposital. O Dia dos Namorados está chegando e é uma ótima hora para pensarmos como anda a nossa vida sexual. Qual a extensão do estrago que a ansiedade pela gravidez, associada ao desgaste físico e emocional dos tratamentos de reprodução humana, tem causado na nossa vida conjugal?
 
Que atire a primeira pedra aquela que, por algum momento, durante essa busca pela maternidade, já não se sentiu assim: sem libido, sem tesão. Sem ânimo até para comprar (e usar) uma lingerie sex para provocar o maridão. E preferir trocar essa mesma lingerie pelo velho pijama quentinho, enfiar-se debaixo do edredon e dormir feito um anjo.
 
Isso acontece e é normal acontecer, afinal somos mulheres de carne e osso (e algumas gordurinhas, tudo bem) e toda essa história de dificuldade de gravidez nos deixa, sim, exaustas. Mas é preciso reagir para que essa situação não fique crônica. Afinal, sexo em um casamento é fundamental (sem menosprezar o amor, o companheirismo, o carinho etc etc).  
 
E, definitivamente, não dá para entender uma mulher que prefira, deliberadamente, tomar injeções de hormônio na barriga para fazer  FIV em vez de ter boas noites de prazer. Já dizia o poeta: namorar é preciso (e é muito BOOOOMMMMMM). Feliz Dia dos Namorados para todas!!! 
 
Escrito por Cláudia Collucci às 16h01
Viagra pode prejudicar a fertilidade?

   

Um experimento realizado por cientistas britânicos indica que o uso de Viagra pode pode prejudicar a fertilidade masculina. O teste mostrou que espermatozóides expostos à droga sofrem reação prematura em seus acrossomos, estrutura na cabeça dos gametas que libera substâncias para ajudá-los a penetrar o óvulo. Porém, urologistas brasileiros acreditam ser necessários mais estudos para demonstrar esse perigo.

Segundo o cientista David Glenn, da Queen's University de Belfast, que liderou a pesquisa, o fenômeno pode tornar o espermatozóide incapaz de realizar a fecundação. O estudo, publicado na revista "Fertility and Sterility" (http://www.fertstert.org) condena o uso "recreacional" do Viagra. A dose da droga usada no experimento era equivalente à concentração total máxima no sangue encontrada após uma dose única de 100 miligramas, afirmam os cientistas.

Os pesquisadores constataram que a droga acelera a reação acrossômica, processo químico necessário para a fertilização do óvulo. E isso faz com que quando o espermatozóide alcance o óvulo, não tenha mais enzimas digestivas para ajudá-lo a atravessar a membrana externa do óvulo. Eles testaram 45 amostras de sêmen. Descobriram que naquelas amostras tratadas com Viagra, um índice muito maior de espermatozóides (até 79% a mais) fez a reação acrossômica mais rapidamente que o normal. A descoberta só corroborou estudos anteriores com ratos que mostraram que, com o Viagra, menos óvulos são fertilizados e menos embriões se desenvolvem.

É engraçado isso tudo porque já ouvi histórias de médicos indicando Viagra para homens que tinham dificuldade para ejacular (tanto para fazer espermograma como para fins de coleta de sêmen nas clínicas de reprodução humana). Diante dessas notícias, fiquei pensando se essa indicação não é controversa. Para alguns urologistas especialistas em reprodução, não há problemas por dois motivos: primeiro porque não se trata de um uso contínuo e, segundo, porque faltam mais estudos para comprovar que o Viagra causa realmente prejuízo à fertilidade masculina. De qualquer forma, fica aí a questão.   

Escrito por Cláudia Collucci às 18h17
Fátima, Willian e os trigêmeos
 

Estava fazendo uma limpeza no meu computador e acabei encontrando os textos do meu primeiro livro "Quero ser Mãe", publicado em 2000. Entre os 40 depoimentos que colhi, está o da apresentadora Fátima Bernardes, que conta a experiência da gravidez dos trigêmeos. Foi há exatamente dez anos que Fátima engravidou, na segunda FIV (Fertilização in Vitro) feita em um centro de reprodução humana de Ribeirão Preto. Antes, ela havia tentado engravidar naturalmente durante três anos. Ao divulgar em rede nacional a gravidez de trigêmeos por meio da FIV, Fátima e Willian Bonner motivaram muitos casais com dificuldade de gravidez que, por medo ou preconceito das técnicas artificiais de fertilização, estavam adiando o sonho de ter um filho.

 

Como o livro está com edição esgotada, gostaria de dividir com vocês o depoimento de Fátima, que, na minha avaliação, é bem encorajador, apesar de todos os riscos envolvidos em uma gravidez de trigêmeos. A seguir, ela conta toda a sua luta para engravidar, os momentos difíceis que passou com os filhos prematuros no hospital, a rotina das crianças e o drama de consciência que às vezes enfrenta quando tem de deixar os filhos na escola e ir para o trabalho. Dividi o texto em oito posts. Boa leitura!

 

A decisão de engravidar

 

Quando voltei da Copa da França em 1994, eu e o Willian começamos a pensar pela primeira vez em ter um filho e paramos de evitar a gravidez. Mas, como a coisa não aconteceu, resolvemos comprar um apartamento, arrumá-lo e esquecemos a história de filhos. Antes de eu ir para as Olimpíadas em 1996, nós conversamos seriamente e decidimos que, quando eu voltasse, iríamos tentar novamente um filho. Naquela época, estávamos casados há seis anos e achávamos que já era tempo de ter um filho. Eu estava muito certa que queria ser mãe e o Willian de ser pai. É muito importante o casal estar convicto disso porque, do contrário, acaba sendo uma roubada.

 

Quando eu voltei das Olimpíadas, resolvemos fazer uns exames porque, mesmo sem evitar, a gravidez não acontecia. Descobrimos que a minha ovulação estava irregular e que o Willian tinha uma produção insuficiente de espermatozóides. Minha médica sugeriu dois caminhos: eu teria de fazer um tratamento para manter minha ovulação constante e o Willian tinha de fazer uma investigação para saber o motivo dessa baixa produção de espermatozóides. Não sabíamos se era uma questão genética, ou algo momentâneo. Ele fez uma série de exames e um deles mostrou que ele não foi “programado” para ter aquela baixa produção, ou seja, não era um problema genético, e que algum outro fator teria ocasionado o problema. Ele teria que iniciar um tratamento, que duraria uns seis meses, e se não surtisse efeito, teria que partir para um outro tipo de tratamento. Isso já era setembro ou outubro de 1996 e achamos que ia demorar muito tempo. A outra opção seria a fertilização. Eu conversei com a minha médica, Ângela Batista, e ela me indicou o Centro de Reprodução Humana Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto [atualmente Centro de Reprodução Humana dr. Franco Júnior], que, segundo ela, era o pioneiro na América Latina na técnica ICSI. Além disso, ela sabia que jamais esconderíamos o fato do público, mas que não queríamos publicação ou divulgação disso antes, até porque a ansiedade aumentaria muito.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h51

 

As tentativas de fertilização

 

Eu conversei primeiro com o dr. Franco por telefone, mandei todos os meus exames e do Willian e ele mandou um fax para mim e para a minha médica com um programa de medicamentos que eu tinha de tomar. Eu só o conheci pessoalmente no período da retirada dos óvulos, quando fui a Ribeirão Preto, em dezembro de 1996.

Quando chegamos lá, ele (dr. Franco) explicou todo o processo e, após a fecundação dos óvulos, decidimos colocar três embriões. Lembro-me que, na hora da transferência dos embriões, ele falou que a parte dele estava feita e, a partir daquele momento, era com Deus. Achei o atendimento muito diferente, muito humano. Você não se sente um produto. E eu sentia que não era só porque somos de televisão. Ele (dr. Franco) tinha um super cuidado, me ligava para que eu fosse nos horários mais tranqüilos na clínica e, durante todo o processo, não soltou uma nota. Tanto que eu fiz essa primeira tentativa e não saiu nada na imprensa. Mas, infelizmente, a primeira tentativa não vingou.

Eu estava certa que iria conseguir na primeira vez, por mais que o dr. Franco tivesse falado que era difícil. Mas eu estava tão eufórica que não acreditava que não ia dar certo. Isso nem passava pela minha cabeça. Eu lembro que naquela época, estava fazendo dedetização na minha casa e estávamos hospedados em um hotel no Rio, quando fiquei menstruada. A gente estava indo passar o fim-de-semana em uma casa que temos na serra quando

comecei a sentir umas pontadinhas na barriga e começou um pequeno sangramento. Liguei imediatamente para o médico e ele recomendou repouso porque podia ser um sangramento relacionado com à fixação do embrião no útero, que às vezes pode acontecer. Mas, era menstruação mesmo. Eu não me senti nem um pouco traumatizada porque acho que o atendimento foi tão honesto, tão verdadeiro e tão claro que, por mais que eu achasse que ia dar certo, não consegui ficar arrasada, deprimida porque tinha sido suficientemente alertada para isso. Sabia que uma hora iria conseguir.

Dois meses depois, voltei a ligar para o dr. Franco. Disse a ele que tanto fisicamente quanto emocionalmente eu me sentia muito bem para fazer uma nova tentativa. Comecei a tomar novamente a medicação. Uma das injeções, uma subcutânea, eu mesma me aplicava na perna. Mas não foi nenhum trauma. Eu estava muito determinada que era aquilo que eu queria e teria de ser daquela maneira.

Em março de 1997 eu já estava lá de novo. Ele mudou o tratamento e eu consegui produzir mais folículos bons. Acho que produzi uns 11 embriões e decidimos transferir quatro para o útero. Lembro-me que perguntei quais as chances de engravidar que eu teria colocando os quatro. Ele me disse que seria entre 0,5% e 1%. Pensei: não estou aí. As chances de eu engravidar de três bebês ficavam entre 3% e 5%. Também pensei que estava fora. As chances de gêmeos eram de 20% e de ter um bebê, de 30% a 35%, que são as mesmas chances que normalmente a mulher tem de engravidar. O maravilhoso desse tratamento é que ele te coloca em condições de engravidar numa tentativa como se você e o seu marido não tivesse nenhum problema. É muito legal porque a gente sempre fica com a sensação que, uma mulher fértil e um marido fértil, num dia bom, tem 100% de chances de engravidar. E não é nada disso. Tanto que a infertilidade não é tratada antes de dois anos. Depois de ouvir tudo isso falei: doutor, eu trabalho em um veículo de massa, meu negócio é muita gente e eu não vou cair nessa malha fina de 1% ou 3%. Eu vou ter gêmeos ou um só. Pode colocar os quatro. Colocamos e ficamos na espera das duas semanas para fazer o teste de gravidez.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h51

A notícia da gravidez

 

Eu ia fazer o exame numa segunda-feira, mas no dia 29 de março, sábado de Aleluia, acordei meio esquisita. Olhava para o café e tinha náuseas. Era estranho porque, desde os sete anos de idade, não tomo leite. De manhã só consigo beber uma imensa xícara de café preto. No domingo, outro sinal: a calça não fechava. Liguei novamente para o dr. Franco e ele disse que era normal acontecer um inchaço durante a fixação dos embriões, e, como eu estava muito ansiosa, ele falou para eu fazer o teste de gravidez ainda naquele dia. Fiz o exame e fui trabalhar. Naquela época, estava apresentando o Fantástico. Quando eu cheguei, o Willian me ligou avisando que minha médica tinha ligado para falar que o teste havia dado positivo. Foi muito engraçado porque, antes, eu pensava: quando eu estiver grávida, não vou contar para ninguém até os três meses de gravidez. Mas, quando desliguei o telefone, já entrei no camarim, cheio de maquiadores, dizendo que estava grávida. Foi aquela festa. A Sandra Anemberg, que apresentava o Fantástico comigo, fez aquela bagunça. Bom, três semanas depois fui fazer uma ultra-sonografia porque minha médica havia ficado desconfiada da alta taxa de hormônio apontada no Beta HCG. Ela já desconfiava de mais de um. Durante o exame, o médico do ultra-som, que me acompanhava há muito tempo, ficou conversando com a gente e demorou meia-hora para dar a notícia do primeiro bebê. Foi aquela festa. Depois de uns 20 minutos ele perguntou se estávamos preparados para mais emoção. Mais festa, alegria, era ótimo saber que teríamos gêmeos. Dali mais dez minutos de conversa, o médico disse que vinha mais emoção pela frente. Nessa hora o Willian falou: “pode procurar direito que algum lugar deve ter o quarto bebê”. Foi quando, finalmente, o médico disse que eram três bebês. É óbvio que ele sabia desde o início, mas queria ver até que ponto estávamos preparados para a notícia. O chato desse primeiro ultra-som é que um dos embriões era muito menorzinho, com uma chance de fixação pior que a dos outros. O médico até explicou que, em gravidez de trigêmeos, em 50% dos casos, um dos embriões não vinga e acaba sendo absorvido pelo endométrio. Era preciso esperar 15 dias para ver se ficariam mesmo os três. Aí começamos uma torcida porque queríamos os três de qualquer maneira. Quando voltamos para fazer um novo ultra-som, o embriãozinho havia se desenvolvido e lá estavam os nossos trigêmeos.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h50

A gestação

 

As primeiras providência foram bem práticas. Trocamos o fogão de quatro bocas por um de seis, compramos mais uma geladeira, mais uma secadora, baldes, mamadeiras e assim por diante.

O engraçado é que, desde o início, os bebês não mudaram de posição na barriga e todos já tinham um nome. Com três meses e meio eu já sabia que eram duas meninas e um menino e conseguia identificá-los na barriga. No ultra-som, o médico já escrevia: senhorita Laura, senhorita Beatriz. Foi muito bom acompanhar isso de perto desde cedo, saber quem estava se mexendo e conversar com cada um individualmente. Eu não fui uma grávida chata. Não reclamava de nada. Tudo estava bom para mim. Acho que isso muda, inclusive, sua relação com os filhos depois.

Bom, com cinco meses e meio de gestação eu parei de trabalhar. Eu estava ótima, mas minha médica achou melhor eu parar porque estava começando a apresentar dilatação. Ela até pediu para o Willian ir junto na consulta quando anunciou que eu tinha de parar de trabalhar, para ver se ele me convencia. Quando eu cheguei para trabalhar na Globo, também me disseram: chega, vai para a casa descansar. Eu queria ainda fazer o último programa, mas não deixaram. Foi muito legal porque não tive a mínima preocupação com o trabalho.

É muito importante que a mulher grávida saiba a hora de parar de trabalhar. Nessa época, a minha médica pediu para eu ir até a maternidade São José, onde eu viria a ter os bebês, para conhecer o centro de prematuros porque certamente os meus ficariam por algum tempo lá. A gente sempre está acostumada a ver foto de bebê recém-nascido rosadinho e bochechudo. Mas o bebê prematuro é muito diferente disso. Eu não quis entrar no centro, fiquei do lado de fora de roupão, e o médico começou a me explicar a importância de conseguir levar a gestação de múltiplos o mais adiante possível. Ele me mostrou um bebê que tinha um quilo e eu pensava: Meu Deus, pesa o mesmo que um pacote de açúcar, um mínimo, um nada. Depois ele me mostrou outro bebê, com 600 gramas, cheio de equipamentos, cuja mãe havia dado à luz duas semanas antes. Bom, resumindo, eu havia chegado ao hospital de táxi, sozinha, andando, lépida e fagueira. Quando saí, não conseguia nem parar em pé. Tive de sentar na cabine do guarda, enquanto esperava o táxi. Acho que a minha médica fez aquilo de propósito. Saí do hospital certa de que era a hora de parar de trabalhar mesmo. Com seis meses e pouquinho, houve um encurtamento do colo do útero e aí iniciamos um processo para enganar o organismo. Porque para ele, com o peso de três bebês, já estava na época do parto. A partir daí, fiquei mais deitada, tomando injeções de cortisona durante um mês para o amadurecimento dos pulmões dos bebês.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h50

 

O nascimento

Os bebês nasceram com sete meses e três semanas no dia 21 de outubro de 1997. A Beatriz nasceu com 1,365 kg, a Laura com 1,525 kg e o Vinícius, com 1,730 kg. Mesmo com o baixo peso, eles não tiveram problema algum. Só tiveram que ficar internados para ganhar peso. A Laura e o Vinícius ficaram internados na UTI neonatal durante 23 dias e a Beatriz, 25 dias. No segundo dia, eles já saíram do respirador artificial e, a partir daí, foram ganhando peso gradativamente. Não houve susto algum. A previsão inicial era de eles ficarem dois meses na UTI, mas acabaram saindo bem antes disso. Aquele centro foi uma escola para mim. Ali aprendi a dar banho, trocar as fraldas e ensiná-los a mamar. Mas todo esse processo foi muito angustiante. O hospital faz até um trabalho com uma psicóloga, onde semanalmente você ouve histórias e bota algumas coisas para fora. É muito difícil ter alta do hospital e deixar as crianças lá. O parto foi numa terça-feira e tive alta no sábado. Tive de ficar um pouco mais no hospital porque, no dia seguinte ao parto, tive uma anemia forte. Não conseguia nem levantar da cama. Como ia ser difícil fazer o tratamento tradicional, porque eu ia querer ficar o tempo todo com as crianças, resolvemos partir para uma transfusão de sangue. Recebi uma ou duas bolsas de sangue e imediatamente já estava ótima. No dia em que tive alta, fui para casa, almocei e voltei para o hospital. E foi isso direto até o último bebê, Beatriz, ter alta no dia 16 de novembro, dia do aniversário do Willian.   

 

A chegada dos bebês

 

Quando todos os bebês tiveram alta, nosso apartamento parecia uma usina. A máquina funcionava de manhã até a noite. Era uma média de 8 a 9 mamadeiras por criança. Era uma doideira. Eu tinha uma auxiliar de enfermagem, que está comigo até hoje, mas logo depois tive de contratar outra  Depois, precisei contratar uma folguista. Para cuidar das crianças, além de mim que fiquei mais quatro meses em casa, tinha duas babás. Também podia contar com a ajuda dos meus pais, que até hoje vão visitar as crianças diariamente.

Amamentei meus filhos até os três meses e meio. Acho que fui abençoada. Tive uma orientação muito legal sobre amamentação. Não foi uma coisa traumática. Como as crianças eram prematuras, elas tomaram primeiro mamadeira com um leite especial para depois pegar o peito. E depois, mesmo mamando no peito, eles sempre tomavam complemento com a mamadeira. O médico dizia que o importante na amamentação não era apenas o alimento em si, mas reestabelecer esse elo, esse afeto que é só da mãe e do bebê. Eu tinha um caderno, onde fazia um rodízio. A cada mamada, dois iam no peito e um na mamadeira. Na próxima, eu fazia a troca. No meu caso, a amamentação era muito mais importante afetivamente do que nutricionalmente. Quando eles começaram a ficar dois minutos no peito e ir direto para a mamadeira porque estavam mortos de fome, aí a gente parou com peito, mesmo porque eu já ia voltar a trabalhar. 

Escrito por Cláudia Collucci às 17h47

 

Volta ao trabalho

 

Voltei a trabalhar depois de quatro meses. Foi bom porque no total foram sete meses e meio meses de licença, sem contar os meses das tentativas. Era muito tempo vivendo em função daquele sonho. E, com a concretização dele, era preciso continuar seguindo a vida normalmente. Até para que eles (os trigêmeos) fossem aquela parte boa que faltava e não um peso nas nossas vidas. Não tive nenhum remorso de ter que voltar a trabalhar.

Desde os 11 meses eles fazem natação. A turma é só eles. São três professoras e três alunos. Quando a gente falta, as professoras ficam de folga. Com 1 ano e 3 meses, eles já foram para a creche. Eu deixo eles às 13h na escolinha e vou trabalhar. Quando eles saem, às 17h15, minha mãe já está lá em casa com as babás. Aí eles tomam banho, jantam e às 19h  já estão dormindo. Eles ainda dormem no mesmo quarto, o que facilita as coisas. Eu continuo com as duas babás. Preciso de ajuda porque, quando a gente trabalha fora, tem que associar mil coisas e não dá para pensar em tudo ao mesmo tempo. Mas, o que eu acho mais interessante na gravidez múltipla é   você conseguir tirar a culpa de não ser integralmente de um só. Acho que isso é muito mais um sentimento de mãe do que de pai. É um exercício constante tipo: eu não estou dando colo nesse momento para esse porque estou dando para o outro. Então como não me sentir culpada porque tem outros dois que não estão no meu colo. Aos poucos fui encontrando um jeito de me sentir mais satisfeita. Quando crescerem, eles vão perceber que tiveram o privilégio de ter dois irmãos da mesma idade. Irmão é sempre muito legal e irmão da mesma idade deve ser melhor ainda. Eu tenho minha irmã dois anos mais nova e teve um tempo que, mesmo sendo pouco tempo de diferença, era incompatível. É muito mais fácil sair para trabalhar e saber que estão os três brincando. Fico feliz de estar oferecendo isso a eles. Às vezes penso: tem mãe  que pode passar os tempo todo com o seu filho, mas não oferece a eles o que eu estou oferecendo. É um jogo, uma brincadeira para que eu não me sinta culpada por estar trabalhando. É um esforço diário, mas acho que estou conseguindo. É uma experiência muito legal. É muito bom ter três formas diferentes de criança, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Mas uma coisa acontece: o que um faz, todos fazem, o que um quer, todos, pelo menos por um segundo, também querem. Até a bronca. A Beatriz, por exemplo, era pequeninha e não conseguia subir na cama. Quando os irmãos subiam e levavam bronca, ela tentava alcançar a cama subindo em um livro. Era engraçadíssímo ver ela parada, em cima de um livro, olhando para você, esperando a bronca. Eles têm momentos diferentes. Tem hora que um está mais carinhoso, o outro mais bravo, mas são super companheiros. Brigam como todos os irmãos, mas são bem unidos, se preocupam um com o outro. Quando um cai um na escola, choram os três. 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 17h46

Vida a dois

 

Eu e o Willian nunca fomos chegados em badalações. A gente sempre preferiu ficar em casa. Com as crianças, a nossa prioridade, sem dúvida, é para elas. Mas a gente tem um esquema. Eu sou muito organizada, às vezes brinco que a nossa casa parece um quartel. Eu poderia deixá-los dormir um pouco às 17h, quando eles chegam da escola, para eu chegar em casa, depois do trabalho, e encontrá-los acordados. Mas eu acho que preciso ficar sozinha com o Willian também. Eu mantenho essa escala deles dormindo às 19h30 porque, para eles, não faz diferença a hora que eu chego em casa. Eu posso chegar às 21h, 22h, 23h que não importa, porque eles já estão dormindo. O meu esquema com eles é das 7h, quando eu acordo, até as 13h, quando os deixo na porta da escola. Das 14h às 21h eu estou na Globo e, quando eu e o Willian saímos do trabalho, podemos fazer o que quiser. Ir jantar fora, ir ao cinema ou ir para casa, que é o mais comum porque quando chega essa hora já estou morta de cansada. Nos fins-de-semana estamos com eles o tempo todo. As nossas férias são divididas em dois períodos de 15 dias. No primeiro semestre é com eles e no segundo semestre a gente viaja sozinho. Eu acho que dá para equilibrar. Tem períodos que fica meio complicado. Agora, por exemplo, que voltamos de férias, o Vinícius está com mais dificuldades de ir para a escola. Diz que quer ficar com a mamãe e chora quando eu digo que vou trabalhar, quer que eu ou o Willian vá buscá-lo na escola, essas coisas. Aí dá vontade de rasgar o crachá e fazer bijuterias em casa. Eu ainda não estou nesse ponto, mas estou quase. Se uma semana ele não voltar ao normal, não sei se vou agüentar. A gente se sente aquele lixo, aquele trapo quando vê um filho chorando porque quer ficar com você e você não pode dar a atenção que ele quer. Mas eu tenho tanta certeza do quanto é bom para o filho ter aquela imagem de mãe que trabalha, tem as suas funções, que colabora com a manutenção da casa. Sempre acabo superando isso e seguindo em frente. Este ano (2000) mudamos para um casa e eles estão adorando. Estão até brigando menos

Escrito por Cláudia Collucci às 17h45

 

A rotina das crianças

 

O pediatra sempre me dizia que eles são três, mas não podem se matar. Têm de ter outros amigos. E eles têm um monte. No condomínio onde eu morava tinha uma praciinha e todos os dias eu descia com eles para brincar com os coleguinhas. Reuníamos com umas 20 crianças. Agora no condomínio novo a gente ainda não fez amizade com os vizinhos, mas eu ligo para os amiguinhos do outro prédio e eles vão lá para casa. Eles também têm amigos na escola, na natação e vão a todas festinhas que são convidados. Eles têm uma vida absolutamente normal. A gente tenta dar uma preservada neles, mas às vezes é meio impossível. Eu sempre brinco com os coleguinhas da imprensa que eu não coloco capuz nas crianças, não os proíbo de ser fotografados, mas eu não marco matérias com eles. É diferente. Uma coisa é você agendar entrevista para fotografar uma criança de 2 anos. Isso eu não faço. Outra coisa é estar passando na rua e ser fotografado, aí acho que não tem problema. Eles vão ter que aprender a conviver com isso. Mas eles podem não gostar. Eles nunca vão poder dizer que eu os obrigava a ficar fazendo fotos. Quando eles estiverem maiorzinhos e quiserem participar de alguma matéria, aí tudo bem. Mas, por enquanto, não quero expô-los. Não quero que eles sejam vistos pelos coleguinhas da escola, da pracinha ou da natação de maneira diferente.

Sempre fui uma mãe presente, até hoje. As meninas dizem que eu acostumei mal as babás. Um dia, por exemplo, fomos para a natação e eu esqueci de colocar as calcinhas das meninas e a cueca do Vinícius na sacola. Sou eu quem escolhe as roupas das crianças, não tem ninguém pensando por mim. Então, quando você acorda meio suretada, acontece essas coisas. Resultado: eles voltaram de fraldas para casa, embora já tenham deixado de usá-las.

Enfim, é puxado prá caramba, é uma loucura, mas, quando você está certa de que é aquilo que você quer para a sua vida, fica mais fácil de levar. Eu quis ter filho antes do Willian. Quando ele dizia que também queria um filho, eu fazia o seguinte teste: você está preparado para levar criança à festinha aos domingos? Levar a um teatrinho infantil? E ele falava: acho que não. Então eu dizia, então não é a hora. Quando ele disse que topava fazer qualquer coisa por um filho, aí decidimos que já era a hora. Tem que ser assim, senão é um peso muito grande para um lado só. É claro que sempre acaba sobrando mais para nós mulheres, porque nós somos um bicho muito estranho. A gente, por mais que o marido colabore, sempre acaba abraçando mais e, muitas vezes, tirando o espaço dele. Depois não adianta reclamar.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h42

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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