Papa diz que fertilização in vitro infringe dignidade humana

O papa Bento XVI afirmou hoje que técnicas como a fertilização in vitro "infringiram a barreira para a tutela da dignidade humana", em discurso voltado aos participantes da Sessão Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício).

No discurso, Bento XVI pediu aos membros do ex-Santo Ofício que atentem aos "problemas difíceis e complexos da bioética". O pontífice afirmou que, embora "a Igreja não possa e não deva intervir nas novidades científicas", tem "o dever de reiterar os grandes valores e propor a todos os homens os princípios éticos e morais para as novas questões importantes".

Bento XVI afirmou que técnicas como "o congelamento dos embriões humanos, o diagnóstico genético pré-implantacional, a pesquisa sobre as células embrionárias e as tentativas de clonagem humana" infringiram a barreira que permeia a dignidade humana.

O papa também considerou que a FIV ameaça a dignidade humana. Segundo ele, as técnicas prevêem "que seres humanos no estado mais frágil e indefeso de sua existência sejam selecionados, abandonados, assassinados ou usados como material biológico".

Para o papa, os dois valores morais pelos quais a ciência deve se guiar são o "respeito incondicional do ser humano desde sua concepção até a morte" e o "respeito da originalidade da transmissão humana através dos atos dos cônjuges".

A Igreja, acrescentou Bento XVI, "aprecia e encoraja o progresso das ciências biomédicas, que abrem para perspectivas terapêuticas até agora desconhecidas" e entre elas citou o exemplo do uso das "células somáticas" ou "tratamentos de restituição da fertilidade". O papa terminou pedindo que "o progresso científico seja verdadeiramente respeitoso com cada ser humano, e que reconheça a dignidade da pessoa".

O papa pode dizer o que bem entender. O fato é que a maioria dos padres apóia a decisão dos casais que optam pela FIV. Conheço casos de padres e rabinos que até entraram na clínica de reprodução para abençoar o momento da transferência do embrião para útero...

Na minha opinião, não faz sentido atribuir a um pré-embrião o mesmo status de um ser humano, embora ele mereça todo respeito. Ele é uma vida em potencial, nunca uma vida de fato. Do contrário, todos que passaram por uma FIV já teriam seus tão desejados filhos nos braços.

Acho que o papa está certo quando apóia tratamentos que restituam a fertilidade. O que a gente vê hoje é um uso indiscriminado da FIV em situações em que se deveria, primeiramente, corrigir problemas para aumentar as chances de uma gravidez natural. Exemplos: reversão da laqueadura e da vasectomia, cirurgia da varicocele, correção de distúrbios hormonais e tratamento da endometriose. Por mais que desejamos ter nossos filhos, não podemos esquecer de que a reprodução assistida é hoje um rentável mercado para médicos, clínicas de reprodução e laboratórios.

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 18h18

Juliana me escreve com uma questão que certamente já atormentou ou atormenta muitas mulheres: ser ou não ser mãe? Achei interessante a nossa troca de mensagens e decidi dividi-la com vocês.

Prezada Cláudia,

Meu nome é Juliana, sou leitora do seu blog e sempre procuro achar algumas respostas para as minhas dúvidas.. Quem sabe através de um desabafo você possa me dar alguma orientação...

Tenho 32 anos e vou completar 33 em maio deste ano. Sou casada há 2 anos e 4 meses. Meu marido e eu não somos fanáticos por crianças, mas estamos em uma fase que os amigos e a família começam a cobrar filhos.

Confesso que nunca fui daquelas crianças que adoravam bancar a mamãe e cuidar de bonecas, também não fico deslumbrada ao ver um bebê no colo da mãe, ou uma criança pequena correndo pra todo lado. Sempre gostei de brincar de escritório e escolinha (o que contribuiu para a escolha da minha profissão: sou secretária executiva há 9 anos e já lecionei inglês por 5 anos).

Minha ginecologista disse que é recomendável ter o primeiro filho até os 35 anos, então me sinto como um produto que tem prazo de validade para acabar, o que me influencia a ter várias dúvidas a respeito de ter ou não filhos.

Visto que moramos em uma cidade distante do suporte da família, é um fato que me desanima, pois vejo minhas colegas de trabalho que se tornaram mães e a dificuldade que elas passam mesmo tendo a mãe e/ou sogra em casa para cuidar das crianças. Imagine quem não tem a família por perto!!!

Sou egoísta. Gosto de dormir até tarde, de ser livre para fazer o que quiser, quando quiser e como quiser. Por exemplo: não abro mão da minha ginástica na academina 1 hora por dia, 3 vezes por semana; tenho 3 gatos e amo eles de paixão, não vou abrir mão deles durante a gravidez (as pessoas falam que tem que se livrar dos gatos durante a gravidez para não pegar toxicoplasmose); tenho medo de engordar e nunca mais voltar a ter o meu corpo de antes da gravidez (tenho 1,74m e 61 Kg).

Temo por esse mundo violento e consumista, em que uma criança não pode mais sair de casa sem celular, não pode brincar na rua e é discriminada na escola se não tem os objetos de desejo da hora (tênis, mochila, celular, i-pod, roupas, etc.)

Fora o que o planeta está se tornando. Haverá falta de água em 2050 (estão prevendo os especialistas). Será que temos condições de deixar um mundo ainda habitável para nossos futuros filhos e netos?

Por outro lado, fico em dúvida se um casal consegue sobreviver a um casamento sem filhos, se não será uma eterna rotina ou se iremos nos arrepender por não termos tido filhos, ou então se os filhos poderão atrapalhar a nossa vida (viagens, orçamento apertado, etc...).

Realmente estou vivendo um dilema nessa fase da minha vida, pois às vezes sei que irei sentir falta de ter uma criança para alegrar a casa, fazer festinha de aniversário, levar a escola, ver se formar, casar, etc. Ou então correr o risco de ter problemas na gravidez (a criança nascer com má-formação ou com alguma síndrome) e ser discriminada pelo resto da vida nesse mundo preconceituoso em que vivemos... Poderá se tornar homossexual, dependente químico e/ou alcoólatra???.... Isso só a experiência irá nos dizer.... E se não tivermos filhos, como saberemos????... Ou então, me lembro daquele velho ditado: "Filhos, melhor não tê-los"... (Isso evitaria muita dor de cabeça, sem dúvida, mas também iria nos privar de muitas alegrias).

Outro fato é o medo de que, quando realmente nos decidirmos por ter filhos, não conseguirmos, termos problemas de fertilidade etc... Estou tomando a pílula anticoncepcional há 4 anos e não sei até que ponto o seu uso contínuo aliado a minha idade podem alterar minha fertilidade. Além disso tenho anemia e colesterol alto, não sei se isso pode contribuir para algum problema no bebê.

Acho que é questão de pesar o que o casal quer e seguir em frente com a decisão, seja ela qual for, assumindo todos os riscos e sem direito a arrependimentos....

Juliana, entendo perfeitamente o que você coloca. Assim como você, até os 35 anos eu não tinha a menor vontade/vocação para ser mãe. Também usava todos esses argumentos contrários que você coloca quando me questionavam porque eu não arrumava logo um bebê. Aos 36, engravidei naturalmente e sofri um aborto. Foi exatamente esse fato que me fez acordar para a maternidade, que até então era apenas mais um tema das minhas reportagens na área da saúde.

Em um primeiro momento, acreditava que só me realizaria como mãe gerando um filho. Achava a barriga fundamental. Foram três anos de muita expectativa, tratamentos, tristeza e frustrações. Por fim, conclui que muito da ânsia da gravidez era para provar para o mundo e para mim mesma de que eu seria "capaz de". Afinal, até então, para tudo o que eu havia me determinado na vida tinha conseguido de uma forma ou de outra. Pela primeira vez, havia me deparado com algo que eu queria muito, mas que não dependia da minha vontade, do meu esforço pessoal. Era uma questão que fugia ao meu controle.

Esse processo, embora doído, tem sido uma grande lição de vida, talvez a maior que eu já tenha tido. Aprendi o exercício de abrir mão do controle, de jogar para o Universo a decisão do que não depende de mim. Hoje tenho certeza de que eu quero mãe e não me importa mais de que forma. Biológico ou adotivo, esse filho chegará no momento certo. No momento em que sua mãe o deseja incondicionalmente, no momento em que sua mãe está certa de que ele virá não para subtrair nada, mas para somar, para colocar mais desafios na sua vida.

Penso que um filho vai me ensinar a ter novos desafios, a enxergar novas alegrias e novos brilhos nessa vida que tantas vezes parece um filme preto e branco. Sim, sei também que ser mãe não é um mar de rosas, especialmente para nós que temos de conciliar a maternidade com uma carreira profissional. Quando vejo minhas amigas mães de adolescentes ou jovens adultos às voltas com filhos envolvidos com drogas ou com uma total falta de objetivos na vida, chega a me dar um frio na barriga. O mesmo acontece quando assisto às catastróficas previsões para o futuro, como o aquecimento global, a falta de água etc

Assim como você, eu também adoro a autonomia que uma vida sem filhos me dá. Gosto de acordar quando bem entendo, fazer minha academia, minha ioga, meu curso de inglês, programar viagens sem rumo. Também me dá medo o fato de não ter minha família por perto, tenho medo de não dar conta de tudo. Por outro lado, acho sem graça demais uma vida previsível. Quero viver os mistérios, as dores, as frustrações e as alegrias da maternidade. Não vou me acovardar diante dos medos que viver essa experiência me dá.

A decisão de ter ou não um filho virá para você de uma forma ou de outra, tenha certeza. Há muitas mulheres plenamente realizadas sem ser mães. É uma decisão de fóro íntimo. Não se sinta pressionada por nada ou por ninguém. Deixe que esse desejo venha (ou não) de forma livre, sem pressões sociais ou familiares. E se ele tiver que vir, tenha certeza que você o reconhecerá imediatamente. Ele é visceral e inconfundível.

Beijo e boa sorte,

Cláudia

Escrito por Cláudia Collucci às 20h08
A dor da infertilidade retratada por Frida Kahlo

Sempre fui fã de carteirinha da pintora mexicana Maldalena Carmen Frida Kahlo (1907-1954), mas nunca tinha me atentado para a dor da infertilidade que ela vivenciou. Talvez por saber que ela teve uma vida marcada pela dor, essa ferida específica de Frida, de não poder gerar, me passou despercebida. Hoje, trocando mensagens com uma estudante de psicologia, que me entrevistou para um trabalho de final de curso, tocamos no paralelismo da infertilidade, da sublimação e de Frida Kahlo. E talvez por estar me sentindo melancólica neste dia chuvoso, frio e cinzento me deu vontade de falar dela.

Aos seis anos de idade, Frida contraiu poliomielite. A doença deixou como marcas o membro inferior direito mais curto e a musculatura atrofiada. O constrangimento causado por essas seqüelas acabou criando um fato extremamente interessante para encobrir a deficiência Frida começou a usar saias longas como as das indígenas mexicanas. Já famosa, as intelectuais de sua época e as mulheres de um modo geral acharam que ela estava lançando moda e começaram a também usar aquelas saias longas.

Quando tinha 18 anos, o ônibus no qual Frida Kahlo viajava chocou-se com um bonde. Em conseqüência da gravidade do acidente, no qual várias pessoas morreram, ela sofreu fraturas em três vértebras, fratura cominutiva (fragmentação) da tíbia e fíbula direitas, além de três fraturas de pelve (bacia).

Por conta da fratura de pelve, Frida foi informada de que não poderia ter filhos de parto normal, e era recomendável, portanto, que evitasse engravidar. Em 1929, ela sofreu o primeiro aborto; em 1932, o segundo e último. Seu grande desejo era ter filhos, e a impossibilidade de concretizá-lo naturalmente deixou-a extremamente traumatizada.

Nesse período, Frida pintou o quadro O Hospital Henry Ford, também conhecido como A Cama Voadora (1932). O quadro mostra a pintora deitada no leito do hospital, localizado em Detroit, EUA. Flutuando sobre o leito, pode ser visto um feto do sexo masculino, um caramujo e um modelo anatômico de abdome e de pelve. No chão, abaixo do leito, são vistos uma pelve óssea, uma flor e um autoclave. Todas as seis figuras estão presas à mão esquerda de Frida por meio de artérias, de modo a lembrar os vasos de um cordão umbilical. O lençol sob Frida está bastante ensangüentado. Seu corpo é demasiadamente pequeno em relação ao tamanho do leito hospitalar, de modo a sugerir seu sofrimento e sua grande solidão. Do olho esquerdo de Frida goteja uma enorme lágrima, simbolizando a dor de uma mãe pela perda do filho; a pelve óssea é um testemunho da causa anatômica da impossibilidade de ser mãe.

Frida ainda vivenciou outras inúmeras dores, como a de ter descoberto que seu marido, o também pintor e muralista Diego Rivera (1886-1957), mantinha um romance com sua irmã Cristina (1908-1964), de uma amputação de perna e de 30 cirrugias, das quais sete na coluna.

Com uma vida pautada por acontecimentos trágicos, Frida abraçou a pintura como forma de poder exteriorizar todos os sentimentos que a assolavam por dentro. Pintou até a morte, em 1954. Um dos quadros que mais gosto é o que ela pintou logo depois de uma das cirurgias, em 1946, em Nova York. Chama-se Árvore da Esperança, Mantém-te Firme (logo abaixo). Essa tela retrata seu sofrimento, simbolizado pela noite, enquanto a esperança de recuperação é mostrada pelo sol brilhando no início de um novo dia. Não é exatamente assim que às vezes a gente se sente?

Escrito por Cláudia Collucci às 18h02
Consumo de café por aumentar chance de aborto

Um estudo conduzido por cientistas americanos sugere que o consumo de cafeína durante a gravidez pode dobrar as chances de aborto. A pesquisa, publicada na revista científica American Journal of Obstetrics, afirma que a ingestão de 200 mg de cafeína por dia - o equivalente a pouco mais de duas xícaras de café - já pode ser o suficiente para provocar o término da gravidez.

Os especialistas entrevistaram 1.063 mulheres, às quais pediram que dessem detalhes sobre o consumo de cafeína até a 20ª semana de gestação. Eles descobriram que 102 mulheres já tinham abortado quando o questionário foi aplicado, enquanto que outras 70 perderam os bebês nos dias que se seguiram.

Entre as 264 mulheres que disseram não ter consumido cafeína, a porcentagem de aborto foi de 12,5% e entre as 164 que disseram ter ingerido 200 miligramas ou mais de cafeína por dia, 24,5% abortaram.a

O coordenador do estudo, De-Kun Li, aconselha que as gestantes se abstenham de café nos três ou quatro primeiros meses da gravidez. "Se por alguma razão for impossível deixar de tomar café, elas deveriam tomar apenas uma xícara por dia ou então tomar a versão descafeinada", disse.

O especialista enfatiza que o aumento do risco de aborto foi associado diretamente à cafeína e não a outros fatores de risco, como idade da gestante ou cigarro.

Estudos anteriores mostraram que a cafeína pode atravessar a placenta, mas ainda não está claro como a substância pode afetar no desenvolvimento do feto. (com a BBC Brasil)

Escrito por Cláudia Collucci às 19h39
Sentimentos ambíguos são comuns na gravidez

"Estou grávida, mas, agora estou com emoções muito ambíguas. Horas estou bem e tranqüila, horas fico muito ansiosa e nem consigo dormir bem. Fico com medo da gravidez, de não dá certo, de perder o bebê, dele ter alguma má-formação. Ao mesmo tempo sinto-me culpada, com medo de que esses sentimentos negativos façam mal ao bebê. Não consigo entender por que tanta angústia se engravidar era tudo o que eu queria. Lutei por isso sete anos!"

A mensagem foi enviada por uma leitora muito antiga deste blog, mas que pede anonimato. Em primeiro lugar, parabéns pela gravidez, querida!!! Realmente foi uma batalha, com FIVs negativas, desistências e, por fim, uma gravidez natural. Você tocou em um tema importante e muito recorrente entre as grávidas, especialmente no primeiro trimestre de gestação. Esteja certa de que você tem todo direito de se sentir insegura, medrosa e cheia de dúvidas com relação a gravidez. Isso não significa que você vá fazer mal aos bebês.

Toda gravidez seja ela natural ou vinda por meio da reprodução assistida provoca sentimentos ambivalentes, isto é, alegria e euforia, medo e insegurança. O problema é que a maioria das grávidas não se permite sentir isso porque seria pecaminoso, quase um sacrilégio sentir-se triste depois de tanto tempo lutando pela gravidez.

É interessante que, em alguns casos, essa culpa de não ver o mundo cor de rosa da maternidade se estende para depois do nascimento do bebê. Na semana passada, a querida Vivi enviou uma mensagem em que coloca bem esse sentimento: de como a maternidade muda a vida da mulher e do casal e os conflitos que surgem dessas mudanças. Não tenho dúvidas do quanto muitas de nós estão despreparadas para a maternidade e de que fantasiamos em demasia esse momento nas nossas vidas.

O despreparo existe não só para a trabalheira insana que iremos enfrentar, mas, sobretudo, para conflitos e transformações profundas que vêm junto com ela. Poucas mães mencionam a crise psíquica que envolve o nascimento do primeiro filho, o despertar de sentimentos enterrados há muito tempo sobre a própria mãe, a mistura de poder e impotência, a sensação de ser levada, por um lado, e de tocar novas potencialidades físicas e psíquicas, por outro.

Depois que a mulher se torna mãe, sua personalidade e suas relações afetivas nunca mais serão as mesmas _a presença da criança transforma completamente a visão que a mulher tem de si mesma, afeta o casamento e a vida do casal. E isso não deve ser necessariamente ruim. Afinal, ser mãe (biológica ou não) é uma ótima oportunidade para o crescimento pessoal e o desenvolvimento de habilidades que a gente nem imagina que exista dentro de nós. A questão é só se preparar (emocionalmente e estruturalmente), na medida do possível, para essas mudanças.

É bom desde já termos em mente que medos, frustrações e confusões dos primeiros tempos da maternidade não são prova de fracasso pessoal, mas do fracasso de expectativas extravagantes e de demandas conflitantes. Falo isso porque, pelo que venho acompanhando e estudando, as mulheres que sofrem com dificuldade de gravidez parecem ainda mais pressionadas (por si mesmas) a se sentir felizes, realizadas com a maternidade. Como se essa fosse a última cereja que faltava para o bolo da felicidade sem fim. E a gente sabe que não é bem assim. Em muitos casos, os desafios estão apenas começando...

 

Escrito por Cláudia Collucci às 22h25
Nós, eles e os outros

Lohana descreve no fórum de discussão um sentimento comum aos casais com dificuldade de gravidez: o impacto emocional que provoca o nascimento de um bebê ou a gravidez de alguém próximo. O inédito nesse relato é a angústia partir do homem, no caso o marido dela.

Se para nós, mulheres, que costumamos botar para fora toda essa angústia, _seja chorando, seja falando com as amigas ou mesmo escrevendo_ já é difícil segurar a barra, imagino para os nossos homens... Em geral, eles se fecham, se irritam, mas não dão o braço a torcer sobre o real motivo do incômodo. O importante é não esconder isso tudo debaixo do tapete. Falar sobre esses sentimentos é o melhor caminho para deixá-los mais "administráveis".

Nos últimos anos, já passei por várias situações desse tipo. Quando soube da gravidez da minha melhor amiga, tive uma crise de choro interminável por uma semana. Acordava chorando e ia dormir chorando. Sentia-me sozinha, abandonada. A coisa piorou mais quando, meses depois, eu engravidei e sofri um aborto.

Na segunda gravidez da minha irmã, mergulhei numa tristeza sem fim, a ponto de desenvolver um súbito hipotireoidismo. Foi há dois anos. Tinha acabado de chegar de Praga, jurando estar grávida. Mas não só não estava como, no dia em que a menstruação desceu, recebi a notícia da gravidez da minha irmã.

Antes da viagem, tinha feitos todos os exames preventivos e minha taxa de TSH (hormônio que regula a produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4), estava ótima, 2, eu acho. Um mês depois, ao receber a notícia, subiu para 27. Hoje, tudo voltou ao normal. Incrível a nossa capacidade de nos fazer adoecer!

O fato é trabalhei na terapia todas essas emoções, falei sobre elas tanto com minha amiga como com minha irmã, duas figuras muito especiais. E sobrevivi muito bem ao crescimento das barrigas e ao nascimento das fofíssimas Helena e Sofia.

Há quatro meses, minha amiga de infância também engravidou. De novo, a notícia me deixou frágil, pois tinha acabado de fazer minha primeira FIV, com a transferência (frustrada) de embriões. Mas a tristeza nem chegou perto das outras ocasiões.

Amadurecimento? Aceitação? Resignação? Talvez um pouquinho de tudo. De novo me vem à cabeça o mito de Fênix, a ave que renasce das cinzas. Acho que aprendi com essas frustrações todas as lições do renascimento, sem necessariamente ter que me consumir em cinzas. Aprendi a dar muito valor à minha vida, à minha saúde, ao meu bem-estar físico e mental.

Não sou mãe ainda, mas me sinto incrivelmente bem neste início de ano. De bem com meu corpo (voltei a fazer academia diariamente), de bem com minha cabeça, de bem com o maridão, de bem com a vida que eu tenho. Torço muito para que vocês estejam também nessa sintonia!

Escrito por Cláudia Collucci às 21h05
País terá um cadastro nacional de adoção

"Não queria ter uma barriga. Queria ser mãe. A gravidez pode ser um caminho. Mas não existe só esse". A frase acima é da professora de educação infantil e psicóloga Flávia e consta uma bela reportagem sobre adoção, da revista "Crescer", feita pela repórter Thaís Lazzeri  http://revistacrescer.globo.com/Crescer/0,19125,EFC1666853-2213,00.html.

A reportagem conta a história de Flávia e Ricardo, pais adotivos do Davi. O casal tentou engravidar durante cinco anos e um dia bateu aquele "chega!". Aquele estado de exaustão que a gente conhece muito bem. Decidida a adoção, uma série de fatores fizeram com que Davi passasse para os braços de Flávia ainda na maternidade, em São Luiz do Maranhão. Flávia havia feito a estimulação para ter leite e amamentou seu bebê ainda ali, no hospital, minutos após ele nascer.

A história é um exemplo de um processo de adoção encarado não como prêmio de consolação pela gravidez que não veio, mas sim como um profundo ato de amor e de cura. Sim, de cura porque Flávia diz que antes vivia a ausência, a impotência. Davi foi o sim. Flávia quer contar ao filho a história inteira. Não sob o ponto de vista da rejeição, mas sim da aceitação. “Ele não é adotivo, ele foi um dia adotado. Hoje ele é meu filho legítimo”, encerra a feliz mãe.

E uma boa notícia: até junho, mais de 80% dos Estados brasileiros devem usufruir do Cadastro Nacional de Adoção, um sistema de informação capaz de reunir todos os dados de candidatos à adoção e crianças legalmente disponíveis. O objetivo é que juízes consigam encontrar nesse banco de dados um perfil de adotante de outro Estado para uma criança de um local que não tenha candidatos. Os requerentes também vão ter facilidades. Com o sistema nacional, o candidato não precisará efetuar o cadastro de pretendentes para adoção em vários Estados. Uma vez incluído, todos os juizados brasileiros vão ter acesso ao perfil. Hoje, 80 mil crianças vivem em abrigos no Brasil à espera de uma adoção.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h01
Exame pode descartar embriões saudáveis

Olha só que notícia interessante acabo de ler no "The New York Times": está em curso uma polêmica nos EUA sobre o PGD (Diagnóstico Pré-Implantacional), aquele exame genético nos embriões que já comentei há algumas semanas. Antigamente indicado apenas para casais com histórico de doenças genéticas (Síndrome de Down e Fibrose Cística, poer exemplo), o exame agora também é recomendado a mulheres com mais de 38 anos que desejam ser mães. Em razão da idade avançada para a maternidade, essas mulheres têm mais chances de produzir embriões com má-formações genéticas.

Acontece que alguns especialistas americanos estão alertando que muitos embriões saudáveis podem estar sendo descartados pela forma como o exame está sendo feito. Eles dizem que vários estudos têm mostrado que muitas anormalidades genéticas que aparecem no terceiro dia de vida do embrião (data em que o exame é feito) podem desaparecer por si mesmo no quinto dia. Por isso, a maioria das clínicas americanas está esperando até o quinto dia para testar e transferir os embriões para o útero materno. Quem for passar por esse processo, vale a pena checar como o exame tem sido feito por aqui.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h29

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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