Contar ou não sobre a adoção?
"Adotei um bebê e choro quase todos os dias em ter que contar algum dia para ele [sobre a adoção]. Sofro muito, mas peço a Deus que me dê a sabedoria para dizer no tempo certo"

"O Lucas chegou no dia 12 de outubro 1997. Sou muito feliz com meu filho. O único problema é que não consigo dizer a verdade para ele, não sei como contar, tenho medo que me rejeite"

Muitos pais vivem esse drama relatado nos trechos acima extraídos de mensagens de leitoras do fórum de discussão. Afinal, quando a criança deverá saber que é adotada?

O quanto antes melhor, dizem os psicólogos e terapeutas. Para os especialistas no assunto, a criança tem o direito de conhecer a história de sua vida e o ideal é que o assunto seja tratado o mais cedo possível, de forma verdadeira e natural.

Os especialistas orientam que, até os três anos, os pais coloquem, com muita ternura, a palavra adoção no dia-a-dia da criança, usando frases do tipo "Estou muito feliz de ter adotado um (a) menino (a) tão carinhoso (a) como você". "Meu filho (a), o momento mais feliz de nossa vida foi o dia em que adotamos você".

Entre três e cinco anos, os filhos começam a fazer perguntas do tipo "De onde eu vim"?

Esse, segundo os especialistas, é um momento chave para os pais adotivos. Eles devem explicar ao filho que ele nasceu de um pai e de uma mãe que o amava, mas que não puderam cuidar dele e que, por isso, ele ganhou "pais do coração". E uma história de amor linda pode ser construída a partir daí. Por exemplo, dizer que ela saiu do lugar mais importante do corpo humano, que é o coração. E que os bebês que nasceram em outras barrigas são tão queridos e amados pelas mães adotivas como se tivessem nascidos delas.

Se os pais não conseguiram fazer isso até os cinco anos, os psicólogos sugerem que esperem a fase "dos cinco aos sete" passar porque esse período é muito importante na formação da criança e pode fazer com que ela entenda isso como um sentimento de perda e que carregue para a maturidade traumas de rejeição.

Mas atenção: os pais adotivos não devem "enrolar" muito para abrir o jogo. O aconselhável é que essa revelação aconteça antes da adolescência. Não é exagero lembrar que todo adolescente tem os seus conflitos naturais e que, tratar de um assunto tão delicado com alguém que está em plena turbulência hormonal, pode ser muito mais difícil.

Manter a adoção como segredo por toda vida é muito sofrido, especialmente para os pais. Além disso, existe sempre a possibilidade da criança ficar sabendo sem querer, por outras pessoas que não sejam os pais. Quando ela descobre dessa forma poderá surgir um sentimento de traição por achar que foi enganada, de tal modo que perca a confiança nos pais, sofram muito e sintam vergonha da sua situação.

Por isso, aos que vivem o fantasma de serem rejeitados e abandonados caso a verdade sobre a adoção seja revelada, saibam que, segundo os especialistas, após as emoções se acomodarem, os laços entre os pais e os filhos adotivos ficam ainda mais fortes porque a relação estará sob uma forte base de amizade, amor e confiança.

*
 
Um assunto correlato surgiu hoje com a seguinte mensagem recebida de um leitor:
 
"Eu e minha esposa somos casados há quase 10 anos, a partir do segundo ano de casados, suspendemos o remédio e iniciamos as tentativas para engravidar, ficamos quase um ano nas tentativas, e nada. Nesse momento, todos suspeitavam que minha esposa tinha problema.
Realizamos todos os exames e para nossa surpresa, eu tinha problema.
 
Isso foi uma bomba na minha familia, filho primogênito de pais muito tradicionais, família de origem rural com forte tradição, primeiro neto da linhagem. Foi dificil, tentamos tratamentos em inúmeros médicos, e não conseguimos o nosso bebê.
 
Como o problema é meu (sofro de azoospermia severa, os médicos suspeitam que ocorreu devido a caxumba que tive na puberdade), sofri durante todos os dias a dor de não poder ser pai e ainda mais, de privar minha esposa, que é uma verdadeira companheira dessa felicidade.
 
No ano passado, tomei uma decisão radical, aceitei realizar o tratamento de inseminação artificial com sêmen de doador. Tivemos um cuidado muito grande ao escolher a clínica, o banco de sêmen e as características do doador, ele deveria se parecer em temperamento e fisicamente comigo, isso foi o mais difícil pois meu fenotipo é muito especifico, mas tudo deu certo.
 
Resolvi escrever-lhe, porque decidimos não contar nada ao nosso(s) filho(s)... Tomamos essa decisão porque nossa estrutura familiar não está preparada para lidar com essa informação, acreditamos que nosso filho sofrerá preconceito de primos e parentes devido sua "condição de origem". Além disso, essa foi a maneira que eu encontrei para não desenvolver uma rejeição ou transferir a frustação de não poder ser pai para ele. Aceitando essa decisão, já me sinto pai. Gostaria que vc colocasse o tema em discussão no seu blog, afinal, é sempre bom ler opiniões diferente a respeito".

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h53
Garota de 16 anos tem trigêmeos pela 2ª vez

Pamela, durante a gravidez

O caso está chamando a atenção e virou o principal assunto nos bares e cafés da Argentina: pela segunda vez, uma adolescente dá luz a trigêmeos, sem nenhum tratamento de reprodução assistida e, segundo um médico, usando contraceptivo injetável. A jovem, que faz 17 anos na próxima segunda, soma agora sete filhos.

Pâmela teve seus primeiros trigêmeos aos 15 anos. Ela havia tido um filho aos 14 anos, e, um ano antes já havia sofrido um aborto espontâneo, aos 13 anos. Todas as sete crianças nasceram prematuramente. Os últimos bebês, trigêmeas, passam bem.

A família de Pamela já recebe ajuda das autoridades locais. Quando teve seus primeiros trigêmeos, ela ganhou um terreno e uma casa. A mãe da adolescente, que trabalha limpando casas para sustentar os netos, diz que a família buscará mais assistência do governo em virtude dos novos bebês.

"Eu recebo uma pensão e sou empregada doméstica, mas com mais três crianças não sei como vou fazer", disse Magdalena, mãe de Pamela e de mais sete filhos.

O diretor da maternidade provincial de Córdoba, José Oviedo, afirma que o caso é muito raro. "Nunca vi duas gravidezes múltiplas sem fertilização assistida".

Quando teve os primeiros trigêmeos, completando assim quatro filhos, a adolescente havia pedido a realização de uma laqueadura, com o respaldo da mãe, mas, por conta da sua idade, o pedido não foi aceito. A menina passou então a tomar contraceptivos injetáveis, segundo Jorge Margherit, diretor do hospital de Leones. "Quando descobrimos que ela voltaria a ter trigêmeos, queríamos morrer."

Tudo isso não parece, às vezes, uma grande ironia da vida?

Escrito por Cláudia Collucci às 11h00
Ser ou não ser mãe

Juliana me escreve com uma questão que certamente já atormentou ou atormenta muitas mulheres: ser ou não ser mãe? Achei interessante a nossa troca de mensagens e decidi dividi-la com vocês.

Prezada Cláudia,

Meu nome é Juliana, sou leitora do seu blog e sempre procuro achar algumas respostas para as minhas dúvidas.. Quem sabe através de um desabafo você possa me dar alguma orientação...

Tenho 32 anos e vou completar 33 em maio deste ano. Sou casada há 2 anos e 4 meses. Meu marido e eu não somos fanáticos por crianças, mas estamos em uma fase que os amigos e a família começam a cobrar filhos.

Confesso que nunca fui daquelas crianças que adoravam bancar a mamãe e cuidar de bonecas, também não fico deslumbrada ao ver um bebê no colo da mãe, ou uma criança pequena correndo pra todo lado. Sempre gostei de brincar de escritório e escolinha (o que contribuiu para a escolha da minha profissão: sou secretária executiva há 9 anos e já lecionei inglês por 5 anos).

Minha ginecologista disse que é recomendável ter o primeiro filho até os 35 anos, então me sinto como um produto que tem prazo de validade para acabar, o que me influencia a ter várias dúvidas a respeito de ter ou não filhos.

Visto que moramos em uma cidade distante do suporte da família, é um fato que me desanima, pois vejo minhas colegas de trabalho que se tornaram mães e a dificuldade que elas passam mesmo tendo a mãe e/ou sogra em casa para cuidar das crianças. Imagine quem não tem a família por perto!!!

Sou egoísta. Gosto de dormir até tarde, de ser livre para fazer o que quiser, quando quiser e como quiser. Por exemplo: não abro mão da minha ginástica na academina 1 hora por dia, 3 vezes por semana; tenho 3 gatos e amo eles de paixão, não vou abrir mão deles durante a gravidez (as pessoas falam que tem que se livrar dos gatos durante a gravidez para não pegar toxicoplasmose); tenho medo de engordar e nunca mais voltar a ter o meu corpo de antes da gravidez (tenho 1,74m e 61 Kg).

Temo por esse mundo violento e consumista, em que uma criança não pode mais sair de casa sem celular, não pode brincar na rua e é discriminada na escola se não tem os objetos de desejo da hora (tênis, mochila, celular, i-pod, roupas, etc.)

Fora o que o planeta está se tornando. Haverá falta de água em 2050 (estão prevendo os especialistas). Será que temos condições de deixar um mundo ainda habitável para nossos futuros filhos e netos?

Por outro lado, fico em dúvida se um casal consegue sobreviver a um casamento sem filhos, se não será uma eterna rotina ou se iremos nos arrepender por não termos tido filhos, ou então se os filhos poderão atrapalhar a nossa vida (viagens, orçamento apertado, etc...).

Realmente estou vivendo um dilema nessa fase da minha vida, pois às vezes sei que irei sentir falta de ter uma criança para alegrar a casa, fazer festinha de aniversário, levar a escola, ver se formar, casar, etc. Ou então correr o risco de ter problemas na gravidez (a criança nascer com má-formação ou com alguma síndrome) e ser discriminada pelo resto da vida nesse mundo preconceituoso em que vivemos... Poderá se tornar homossexual, dependente químico e/ou alcoólatra???.... Isso só a experiência irá nos dizer.... E se não tivermos filhos, como saberemos????... Ou então, me lembro daquele velho ditado: "Filhos, melhor não tê-los"... (Isso evitaria muita dor de cabeça, sem dúvida, mas também iria nos privar de muitas alegrias).

Outro fato é o medo de que, quando realmente nos decidirmos por ter filhos, não conseguirmos, termos problemas de fertilidade etc... Estou tomando a pílula anticoncepcional há 4 anos e não sei até que ponto o seu uso contínuo aliado a minha idade podem alterar minha fertilidade. Além disso tenho anemia e colesterol alto, não sei se isso pode contribuir para algum problema no bebê.

Acho que é questão de pesar o que o casal quer e seguir em frente com a decisão, seja ela qual for, assumindo todos os riscos e sem direito a arrependimentos....

Juliana, entendo perfeitamente o que você coloca. Assim como você, até os 35 anos eu não tinha a menor vontade/vocação para ser mãe. Também usava todos esses argumentos contrários que você coloca quando me questionavam porque eu não arrumava logo um bebê. Aos 36, engravidei naturalmente e sofri um aborto. Foi exatamente esse fato que me fez acordar para a maternidade, que até então era apenas mais um tema das minhas reportagens na área da saúde.

Em um primeiro momento, acreditava que só me realizaria como mãe gerando um filho. Achava a barriga fundamental. Foram três anos de muita expectativa, tratamentos, tristeza e frustrações. Por fim, conclui que muito da ânsia da gravidez era para provar para o mundo e para mim mesma que eu seria "capaz de". Afinal, até então, para tudo o que eu havia me determinado na vida tinha conseguido de uma forma ou de outra. Pela primeira vez, havia me deparado com algo que eu queria muito, mas que não dependia da minha vontade, do meu esforço pessoal. Era uma questão que fugia ao meu controle.

Esse processo, embora doído, tem sido uma grande lição de vida, talvez a maior que eu já tenha tido. Aprendi o exercício de abrir mão do controle, de jogar para o Universo a decisão do que não depende de mim. Hoje tenho certeza de que eu quero mãe e não me importa mais de que forma. Biológico ou adotivo, esse filho chegará no momento certo. No momento em que sua mãe o deseja incondicionalmente, no momento em que sua mãe está certa de que ele virá não para subtrair nada, mas para somar, para colocar mais desafios na sua vida.

Penso que um filho vai me ensinar a ter novos projetos, a enxergar novas alegrias e novos brilhos nessa vida que tantas vezes parece um filme preto e branco. Sim, sei também que ser mãe não é um mar de rosas, especialmente para nós que temos de conciliar a maternidade com uma carreira profissional. Quando vejo minhas amigas mães de adolescentes ou jovens adultos às voltas com filhos envolvidos com drogas ou com uma total falta de objetivos na vida, chega a me dar um frio na barriga. O mesmo acontece quando assisto às catastróficas previsões para o futuro, como o aquecimento global, a falta de água etc.

Assim como você, eu também adoro a autonomia que uma vida sem filhos me dá. Gosto de acordar quando bem entendo, fazer minha academia, minha ioga, meu curso de inglês, programar viagens sem rumo. Também me dá medo o fato de não ter minha família por perto, tenho medo de não dar conta de tudo. Mas não quero me acovardar diante desses medos. Quero viver os mistérios, as dores, as frustrações, as alegrias e os desafios da maternidade.

A decisão de ter ou não um filho virá para você de uma forma ou de outra, tenha certeza. Há muitas mulheres plenamente realizadas sem ser mães. É uma decisão de fóro íntimo. Não se sinta pressionada por nada ou por ninguém. Deixe que esse desejo venha (ou não) de forma livre, sem pressões sociais ou familiares. E se ele tiver que vir, tenha certeza de que você o reconhecerá imediatamente. Ele é visceral e inconfundível.

Beijo e boa sorte,

Cláudia

Escrito por Cláudia Collucci às 12h31
Chutes de gêmeas no útero expulsam tumor da mãe

Michelle Stepney

A mulher sorridente acima é Michelle Stepney, uma britânica que descobriu um câncer durante a gravidez e foi salva graças aos chutes dos fetos, que expulsaram parte do tumor. Stepney, de 35 anos, estava grávida de gêmeas quando foi levada para o hospital com um sangramento. No início, os médicos suspeitaram de um aborto, mas logo descobriram que ela estava com câncer cervical e que acabara de expelir um pedaço do tumor do colo do útero.  

"Eu não poderia imaginar que os chutes que eu sentia seriam tão importantes. Eu mal pude acreditar quando os médicos disseram que os movimentos tinham expulsado o tumor", diz Michelle.

Os oncologistas sugeriram que ela fizesse quimioterapia e retirasse o útero para remover o câncer por completo, o que significaria o fim da gravidez.  Michelle conta que, depois de muito refletir, decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia, aplicadas a cada 15 dias.

As gêmeas, Alice e Harriet, que hoje estão com nove meses, nasceram na 33ª semana de gravidez de cesariana. As meninas estavam em perfeito estado de saúde, mas nasceram sem cabelo por causa dos efeitos da quimioterapia. Quatro semanas depois do parto, Michelle foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e do útero. "Minhas filhas salvaram minha vida", diz ela. Os médicos acreditam que Michelle esteja curada.

No próximo dia 12, Michelle receberá o prêmio "Mulher de Coragem" do Cancer Research UK, um centro na Grã-Bretanha dedicado a pesquisas sobre o câncer. Sem dúvida, um prêmio mais do que merecido!

E para não deixarmos de lado a importância masculina nessa história toda, o sorridente acima é Scott, o marido de Michelle e pai das gêmeas. "Sem ele, não conseguiria ter enfrentado isso tudo", diz Michelle.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h15

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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