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Proteínas facilitam a gravidez! Será???
Há duas semanas, o "Jornal Nacional" destacou: proteínas facilitam a gravidez! A reportagem falava de uma pesquisa com 52 pacientes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que teria identificado proteínas capazes de facilitar a gravidez de mulheres que recorrem à fertilização assistida para ter filhos. Foram acompanhadas mulheres de 24 a 42 anos que tentavam ter um bebê. O foco da pesquisa foi o endométrio, tecido que reveste o útero. Em todas as mulheres que levaram a gravidez adiante, o médico identificou a presença de três proteínas. E todas as que não tiveram sucesso apresentaram uma quarta proteína estudada, considerada um fator inibidor da gestação. Os médicos disseram acreditar que, monitorando essas proteínas, será possível determinar o melhor momento para a fertilização, o que pouparia as pacientes de desgastes físico, emocional e financeiro. Além do "JN", a mesma notícia foi enviada para toda imprensa pela Secretaria Estadual da Saúde. Acontece que a história não é bem assim. Pelo menos é que dizem alguns médicos renomados da área da reprodução assistida, igualmente pesquisadores. Em primeiro lugar, um estudo feito com um número tão pequeno de pacientes e com tantas variáveis, não pode concluir nada, afirmam eles. Seria necessário pesquisar centenas, milhares de mulheres. Condutas médicas só podem ser mudadas mediante evidência científica, o que ainda existe neste caso. Além do mais, a proteína em questão (claudin-4) não é novidade nenhuma no mundo da reprodução assistida. Ela foi descrita em 1997 e desde então vem sendo estudada como marcadora de implantação embrionária. Porém, não há uma definitiva conclusão até o momento. Segundo o ginecologista José Franco Júnior, a expressão do RNA para a claudine 4 e de outras proteínas supostamente ligadas a marcação endometrial do processo de implantação necessita de uma biópsia de endométrio em ciclo anterior, o que limita o emprego desses marcadores na rotina médica. Além disso, durante a estimulação ovariana (ciclo de FIV), ela costuma variar seu perfil de expressão, ou seja, apresentar resultados opostos. Nenhum grupo no mundo usa uma marcação endometrial prévia (porque há mais de mais de 500 proteínas que se expressam no momento da implantação) como critério de cancelamento de ciclo de FIV/ICSI, como sugeriram os médicos do HC na reportagem do "Jornal Nacional", alerta Franco Júnior. A divulgação de uma tema dessa natureza, com tamanho estardalhaço, mais atrapalha do que ajuda porque, antes de mais nada, cria falsas expectativas. Soube que, depois da reportagem, inúmeras mulheres começaram a pedir para que seus médicos solicitem a dosagem dessa proteína (claudine-4) e de outras antes da realização de um ciclo de fertilização "in vitro". Como não há evidência científica, essa conduta na rotina das clínicas não tem a menor justificativa. Não há nenhum trabalho científico publicado atestando a obrigatoriedade da realização de um perfil protéico endometrial antes da FIV e tampouco a sua eficácia. O ginecologista Artur Dzik também partilha da mesma opinião. Para ele, o tema da implantação embrionária é a chave da medicina reprodutiva moderna e quem resolver esse impasse será fortíssimo candidato a "prêmio nobel". Portanto, meninas, a implantação embrionária continua sendo sim um mistério, uma imensa caixa-preta desse mundo da reprodução humana.
Escrito por Cláudia Collucci às 16h54
![]() Mulher com implante de tecido no ovário engravida pela segunda vez
Médicos oncologistas dinamarqueses conseguiram que uma mulher engravidasse, pela segunda vez, após receber um implante de tecido do ovário. O feito é inédito no mundo. O implante foi realizado após a paciente ter se submetido a um tratamento contra o câncer. Como a quimioterapia costuma deixar as mulheres estéreis, os médicos utilizaram a técnica de retirar e congelar o tecido antes que a mulher recebesse o tratamento. Uma vez curada do câncer, o tecido foi reimplantado, de acordo com o jornal "Fyens Sitftidende". Stinne Holm Bergholdt, natural da Odense (Dinamarca) e de 31 anos, que já deu à luz a uma criança em 2007, não precisou de inseminação artificial para ficar grávida pela segunda vez. Ela teve um câncer nos ossos diagnosticado em 2004. Antes de iniciar a quimioterapia, o tecido ovárico da paciente foi retirado e conservado congelado a 196 graus abaixo de zero até ser reimplantado no final do tratamento. Andersen e Erik Ernst, do hospital dinamarquês de Skejby em Aarhus, foram os oncologistas encarregados de realizar a intervenção com essa técnica. Segundo o "Fyens Stistiftende", outras quatro mulheres no mundo deram à luz uma vez após terem se submetido a um reimplante do tecido ovariano e superar um câncer. Não é uma ótima notícia?
Escrito por Cláudia Collucci às 19h53
![]() O que fazer quando o marido não quer filhos?
Algumas amigas mais jovens, perto dos 30 anos, andam se queixando da inflexibilidade dos maridos para o assunto filhos. A sensação que eu tenho é que esse desejo tem aparecido mais cedo para elas do que para eles. O interessante é que a história é sempre a mesma: relacionamentos estáveis, há mais cinco anos, carreiras profissionais e situação financeira relativamente estáveis também. Coincidentemente, recebi a mensagem abaixo da Patrícia, que muito enriquece esse debate que eu quero fazer com vocês: Querida Claudia, Ana, imagino o quanto essa situação te faça sofrer. E penso que uma forma de trabalhar isso tudo é sendo muito franca com seu marido, abrir o coração mesmo. Espere uma ocasião que vocês estiverem num clima legal, de muito amor, sem estresse, e diga a ele o quanto você deseja esse filho, o quanto você sonha em ser mãe e o quanto sofre com essa falta de perspectiva em realizar esse sonho. Proponha um planejamento, um acordo. Se ele continuar resistindo à idéia, tornando-se inflexível, a decisão volta para você sobre o que fazer. Conversando com a psicóloga Luciana Leis sobre essa questão, ela me disse que isso aparece bastante em vários pacientes. Segundo ela, na maioria das vezes, o filho faz parte do "contrato" de casamento dos casais, porém, quando o tempo de cada um para permitir a chegada de um filho em suas vidas é diferente, ou então, não existe o desejo de filhos em um dos parceiros, a questão pode complicar. "Muitas pessoas podem inclusive se sentirem traídas por seus companheiros(as), já que o plano do casal não é o mesmo", diz Luciana. A psicóloga afirma perceber que muitos homens que tiveram problemas no relacionamento com a figura paterna, ou que assumiram precocemente o papel de pai (devido à morte do mesmo ou ausência dessa figura), têm dificuldades em entrar em contato com a paternidade. Na maioria das vezes, idealizam um modelo de pai que teriam que ser para compensar as faltas do que tiveram, que fica praticamente inatingível, sendo necessário um tempo de terapia para trabalharem-se essas questões, tornando, assim, a paternidade mais possível ou chegando-se à conclusão de que essa realmente não será uma escolha. Luciana avalia que não há como ter um filho dentro de um casamento se essa realmente não for uma escolha de ambos. Diante desse impasse, o casal precisa reavaliar o "contrato" de casamento e perceber se é possível continuar juntos sem filhos ou não, cada um precisa olhar para as suas prioridades internas para fazer essa escolha. Muitos casais podem escolher ficarem juntos em nome da relação e dos sentimentos que vivem sem terem filhos, porém, para outros, o projeto de filhos pode ser muito importante para um dos parceiros e até mesmo mais forte do que o relacionamento que estão vivendo. Luciana lembra do filme "Juno" (ainda em cartaz em São Paulo), onde a mulher decide assumir a maternidade sozinha frente à dúvida de ter filhos do marido e eles se separam, em meio a um casamento que também parecia não estar mais tão bem. "Acredito que o casal fique frente a um impasse entre continuar sem filhos e juntos ou buscar um outro parceiro(a), para dar continuidade à um projeto pessoal que lhe é mais importante, sendo que essa escolha precisa ser individualmete muito bem avaliada para ser posta em prática." É isso, Patrícia. Espero que essa discussão seja útil no seu processo. Um beijo e boa sorte. Cláudia
Escrito por Cláudia Collucci às 15h20
![]() A inveja das barrigas alheias
Como controlar a nossa inveja pelas barrigas alheias? Esse é um tema recorrente aqui no blog seja por meio dos posts seja por meio das mensagens de muitas de vocês. E também é um assunto que aparece freqüentemente nos consultórios de psicologia. É sobre isso que a psicóloga Luciana Leis escreve no artigo abaixo:
Inveja e culpa em meio à infertilidade Desde que nascemos nos são passados valores por nossos familiares para que possamos ser “boas meninas” e, no futuro, “boas mulheres”. Assim, são esperados pensamentos, atitudes e sentimentos “nobres” para sermos aceitas e amadas pelos que nos rodeiam.
Ser amável, educada e gentil; não sentir raiva, ódio ou inveja são alguns dos exemplos de qualidades esperadas para pessoas consideradas “boas”. Porém, sentimentos menos nobres também fazem parte do mundo emocional de todas nós, e, no entanto, nem sempre podemos e/ou conseguimos reconhecê-los, o que pode causar diversos danos emocionais.
A vivência de infertilidade é por demais frustrante e, na maioria das vezes, traz em seu bojo sentimentos de raiva (por exemplo, quando perguntam por que você e seu marido não têm filhos), inveja (quando uma amiga engravida assim que pára de tomar a pílula), sensação de fracasso (por tentar engravidar todo mês e o “não” vir
Todos esses sentimentos, rechaçados pela sociedade e – quase sempre – por nós mesmas, em vários momentos são experimentados e logo em seguida bloqueados, não sendo permitido que tenhamos contato com eles para não irmos contra um modelo ideal que os outros sonharam para nós.
Lembro-me de uma paciente que se culpava muito por invejar a irmã, que engravidara antes dela, e, a cada menstruação, acreditava estar sendo castigada por Deus por esse sentimento. Outra paciente suportava calada todas as cobranças de amigos e familiares por receio de ser indelicada caso dissesse que não queria falar sobre esse assunto, quando, na verdade, este cabia somente a ela e ao marido.
Há necessidade de certa flexibilidade emocional e permissão para que alguns sentimentos hostis possam ser reconhecidos e vivenciados sem culpa em meio à dificuldade de gravidez. Nossos sentimentos e atitudes nem sempre são “enobrecedores” e nem têm obrigação de ser. Sendo menos rígidas e mais tolerantes com nós mesmas, abrimos a possibilidade de vivenciar a totalidade de nossas emoções, boas ou más, tornando-nos, assim, mais humanas.
Quem quiser mandar mensagem para a Luciana Leis , o e-mail dela é: luciana_leis@hotmail.com
Escrito por Cláudia Collucci às 17h56
![]() Irlanda troca ingresso para festivais de música por esperma
Por conta da crise nos estoques de bancos de sêmen, os centros de reprodução irlandeses resolveram inovar lançando a campanha "Esperma por ingressos". A intenção é trocar doações de esperma por entradas em qualquer festival de música na Europa. Este aí em cima, por exemplo, é para um festival em Amsterdan (Holanda).
Nos últimos quatro anos, os bancos de sêmen na Irlanda apresentaram uma queda de 40% nas doações de esperma. Segundo o site da campanha http://www.spermfortickets.com/index.html, qualquer cidadão da União Européia pode participar.
O lema da campanha é o seguinte: "We need sperm donation...You need festival tickets...Wanna strike a deal?" Traduzindo: Nós precisamos de doação de esperma. Você precisa de tickets para festivais. Vamos fechar negócio?
As amostras de esperma poderão ser mandadas via correio para os bancos de fertilidade em contêineres especiais. O kit enviado pelos doadores é bancado pela "Esperma por ingressos".
A idéia é atrair doadores mais jovens do que a média. Os ingressos para os festivais de música são bancados pela campanha, mas passagens aéreas e acomodação não estão incluídos. No Brasil, essa moda não tem chance de pegar, pelo menos oficialmente. O Conselho Federal de Medicina proíbe qualquer tipo de negócio envolvendo gametas (óvulos e espermatozóides). Mas a gente sabe que a coisa não é bem assim. Mesmo ferindo as regras do CFM, há clínicas que pagam ou oferecem outras vantagens (tratamentos de reprodução ou check-up grátis) às mulheres que doarem óvulos. Já os homens, pelo menos até onde eu sei, não ganham nada em troca da doação de espermatozóides. Há estoques de esperma suficientes nos bancos das clínicas.
Escrito por Cláudia Collucci às 16h23
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Escrito por Cláudia Collucci às 14h26
![]() Até que ponto os embriões congelados são inviáveis?
Teremos nesta semana, a partir de quarta-feira, o julgamento mais importante dos 180 anos da história do STF (Supremo Tribunal Federal): a liberação ou não de pesquisas com células-tronco de embriões humanos. A tendência é que os ministros, a maioria católicos, votem pela liberação, apesar da forte pressão contrária da Igreja Católica. O interessante é que, neste debate todo, não vi sequer um comentário de uma parte da população que deveria estar bem atenta e se posicionando a respeito: os casais que têm embriões congelados nas clínicas. Afinal, o que pensam eles? Uma pesquisa feita pela clínica Fertility, com cerca de 700 casais, detectou que mais da metade deles doaria seus embriões congelados para a pesquisa. Não só na Fertility mas como em outras clínicas _por exemplo, o centro de reprodução humana Franco Júnior, em Ribeirão Preto, que detém mais de 90% dos embriões congelados em condições de serem usados em pesquisas_, os casais costumam ser muito mais favoráveis à utilização dos seus embriões para pesquisa do que para a doação a outro casal com dificuldade de gravidez. Talvez a opção se justifica pelo fato de que é mais confortável saber que seus embriões tiveram um fim consumado no laboratório, pelo "bem da ciência", do que ficar pensando que eles podem ter se implantado no útero de uma outra mulher e que no futuro eles poderão se encontrar com seus filhos e, meu Deus, quem sabe o que pode acontecer a partir daí... Sou inteiramente favorável à liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias. Pesquisá-las é muito importante para compreender e futuramente tratar várias doenças degenerativas, como mal de Parkinson, diabetes, doenças cardíacas e até câncer. Mas me incomoda um pouco neste debate afirmações de que os embriões congelados há mais de três anos são inviáveis e que "jamais se implantariam no útero". Não é bem assim. Nesses últimos dez anos, entrevistei ao menos seis casais que tiveram bebês a partir de embriões congelados há mais de cinco anos. Pelos critérios da Lei de Biossegurança, seriam inviáveis, não é? O último caso foi emblemático e já o contei aqui neste blog no ano passado: após quatro tentativas frustradas de fertilização in vitro, entre 1997 e 1999, uma mulher teve um filho gerado a partir de um embrião congelado durante oito anos. O casal já tinha desistido das FIVs e adotado um menino, quando foi chamado pelo centro de reprodução para decidir o que fariam com os cinco embriões congelados há quase uma década. Aos 41 anos, a mãe optou por transferir dois embriões, já que três não sobreviveram ao processo de descongelamento. Seis meses depois nasceu Vinícius, pesando apenas 1,2 kg e medindo 36 cm. Hoje está ótimo. Sei que ao lembrar essa história, corro o risco de vê-la sendo usada por grupos que defendem a proibição das pesquisas com células-tronco por julgarem que a vida tem início quando o espermatozóide fecunda o óvulo e que, por isso, o embrião já teria direitos semelhantes aos humanos já nascidos. Por experiência própria, também não posso concordar com essa tese. Por conta de uma hiperestimulação ovariana na minha primeira FIV, precisei congelar meus embriões. Nas clínicas de reprodução, é praxe fotografar um-a-um os embriões que serão congelados. Lembro-me que, na primeira vez que vi as fotos daqueles montinhos de células, enxergava neles meus futuros filhos. Imaginava que aquelas seriam as primeiras fotos do bebê e já tinha até legenda para elas: você, no segundo dia de fecundação, com cinco células. Mas aí começaram as transferências dos embriões congelados, todos considerados de ótima qualidade morfológica. Foram três transferências, somando dez embriões, e nenhum implantado até o momento. Ainda restam cinco embriões congelados. Confesso que hoje, ao olhar as fotos dos embriões, só enxergo montinhos de células agrupadas. Tal como a carruagem da Cinderela que volta a ser abóbora à meia-noite, o sonho de considerar embrião sinônimo de filho se desfez. É claro que sempre resta uma pontinha de esperança, ainda mais quando me lembro, por exemplo, de histórias como a do bebê Vinícius. São elas que ainda não me deixam ser arrebatada totalmente pelo pragmatismo da ciência.
Escrito por Cláudia Collucci às 16h41
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![]() Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu) ![]() ![]() Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() "Quero Ser Mãe"O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas ![]() "Por Que a Gravidez Não Vem?"Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema ![]() ![]() ![]() ![]()
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