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Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a Gra- videz Não Vem?", editora Atheneu) ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() "Quero Ser Mãe"O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas ![]() "Por Que a Gravidez Não Vem?"Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema ![]() ![]() ![]() ![]() Ginecologistas
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Cigarro prejudica a fertilidade
Mais de 20 pesquisas já confirmaram o que os médicos alertam há um bom tempo: as mulheres fumantes têm maior probabilidade de apresentarem problemas de fertilidade do que as não-fumantes. A nicotina e outros elementos químicos danosos dos cigarros interferem na capacidade do corpo de criar estrógeno, o hormônio que regula a ovulação, e pode fazer com que os óvulos estejam mais sujeitos a anormalidades genéticas. A reserva ovariana e a quantidade e a qualidade do óvulo também são mais reduzidas nas mulheres que fumam. Durante as FIVs (Fertilização in vitro), as fumantes têm números menores de folículos e taxas mais baixas de fertilização dos óvulos. Os abortos espontâneos são mais comuns entre as fumantes. Entre homens, também já foi observado que a quantidade e a qualidade dos espermas oscilam em razão do consumo de tabaco. Uma queda de 22% na concentração foi observada nos fumantes. Há outras evidências de que o homem-fumante tenha menos chances de ser pai mesmo recorrendo à FIV. Apesar disso, a relação entre o fumo e a infertilidade ainda não é levada muito a sério nem por homens e mulheres que desejam ter filhos nem pela classe médica. Um dos maiores estudos que tratam desse tema investigou 15 mil gestações e o tempo que se levou para consegui-las. A taxa de mulheres que tiveram o intervalo maior que um ano foi 54% maior em fumantes do que em não-fumantes. O percentual também foi superior em fumantes passivas_quando o fumante é o parceiro. Além disso, a menopausa ocorre de um a quatro anos antes em fumantes se comparados às não-fumantes. A boa notícia é que nem tudo está perdido. Um estudo da Associação de Planejamento Familiar de Oxford (Inglaterra) observou um retorno à fertilidade em ex-fumantes. Para os especialistas, esse fato indica que há correlação entre dose/tempo e a fertilidade. Por isso, mais do nunca isso significa uma ferramenta importante para motivação em campanhas antitabagismo. Então, senhores e senhoras fumantes que desejam um bebê, que tal aproveitar Dia Nacional de Combate ao Fumo, nesta sexta-feira, dia 29, para pensar seriamente em abandonar o vício? Várias ações vão acontecer na cidade, inclusive, pela internet. Vejam algumas: - Hospital do Coração irá demonstrar os malefícios do tabaco no organismo e esclarecer sobre os danos que ele ocasiona com a realização de palestra aberta ao público das 8h30 às 16h. Além da palestra, a equipe do Serviço de Psicologia do Hospital utilizará um monoxímetro (aparelho similar ao bafômetro) para fazer a medição de monóxido de carbono na população e avaliar o nível do agente no corpo. Local: HCor – Hospital do Coração - rua Desembargador Eliseu Guilherme – 147; Inscrições gratuitas pelo telefone: (11) 3053-6611 - até o dia 29/08 - A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) vai disponibilizar em seu site (http://www.abead.com.br/) a partir desta sexta-feira um serviço "tira-dúvidas". Ao acessar o portal, o visitante poderá enviar perguntas e dúvidas relacionadas ao assunto, como onde procurar tratamento. Além disso, a Abead vai disponibilizar um teste online, onde o fumante poderá medir o seu grau de dependência e receber o resultado instantaneamente. - Também a partir desta sexta, a Secretaria de Estado da Saúde lança a campanha "Viva sem cigarro". Semanalmente, uma van estilizada do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas) irá a um local público de grande circulação, como praças, parques e saídas de estações do metrô. Serão distribuídos folhetos e dicas de como parar de fumar, além da aplicação de um teste para avaliar a dependência das pessoas ao cigarro e outro para medir o nível de monóxido de carbono no organismo dos fumantes.
Escrito por Cláudia Collucci às 15h45
![]() Mulheres bem-sucedidas têm menos chances de formar família
"No começo eu pensava estar acima de qualquer coisa. Você se apresenta, o médico lhe mostra uma gama de opções de alta tecnologia e essa é uma coisa poderosa _a promessa de um filho. Mas antes que perceba você já fracassou pelo terceiro ano consecutivo e está começando a se sentir usada e abusada, sem mencionar que você está quebrada. Você se senta nas clínicas de reprodução cujas paredes estão cobertas de figuras de bebês, mas a despeito do fato de que está tentando tão duramente quanto sabe, não consegue nenhum daqueles bebês. Não estou mais segura de que essa tecnologia seja remotamente um fato de poder. Você pega uma mulher da minha geração, alguém que é certamente realizada, mas que está em seus 40 anos e não tem um filho. Essa tenologia se torna uma maneira de dizer a ela que qualquer coisa que realizou não é o bastante. E então, quando ela fracassa em conseguir ficar grávida_e a maioria fracassa_ isso apaga seu senso de competência profissional e sua confiança como mulher. Sei que esses procedimentos deixaram-me mais deprimida que qualquer outra coisa em minha vida" O relato acima é de Wendy Wasserstein, uma das mais premiadas autoras de peças da Brodway, que durante dez anos lutou para conseguir gerar um bebê. Consegui tê-lo aos 48 anos, com óvulos doados. A menina Lucy nasceu prematura, aos seis meses de gestação. O depoimento faz parte de um livro bem interessante que estou lendo chamado "Maternidade Tardia". Na obra, a autora Sylvia Hewlett constata que quanto mais bem-sucedida profissionalmente é a mulher, mais dificuldades ela encontrará para achar um parceiro ou ter um bebê. E o mais triste: essa situação não foi uma escolha delas. Simplesmente o tempo passou e e elas estavam ocupadas demais para perceber isso. Hewlett, economista e analista política, fez várias pesquisas e entrevistas com norte-americanas bem-sucedidas e concluiu que: 33% das mulheres de alta realização (que ganham mais de 65 mil dólares) não têm filhos na idade de 40 anos e esse quadro aumenta para 42% nas corporações norte-americanas. Entre as ultra-realizadas (com ganhos acima de 100 mil dólares), o percentual chega a 49%. Em contraste, apenas 25% dos homens bem-sucedidos não têm filhos na idade de 40 anos e isso cai para 19% entre os ultra-realizados. O livro revela circunstâncias que têm conspirado para criar brutais contradições nas vidas das mulheres profissionais: a cultura das longas horas de trabalho das empresas, a tradicional divisão de trabalho doméstico e uma indústria da fertilidade, que embala mulheres numa falsa segurança de que poderão ficar grávidas mesmo na meia-idade. Os relatos que Hewlett captura são bem honestos e as informações contidas em sua nova pesquisa, devastadoras. Chega a doer. Ainda assim, vale a pena ler a obra para, mais uma vez, termos a certeza de que essa dor é mesmo universal.
Escrito por Cláudia Collucci às 20h31
![]() Mães-solteiras por opção
Muitas mulheres têm se tornado mães-solteiras por opção. Sem conseguir um companheiro disposto a constituir uma família, elas têm ido à luta por vários caminhos: engravidam naturalmente em um relacionamento fortuito, adotam ou se submetem à fertilização assistida com sêmen de doadores anônimos ou de algum amigo. O fenômeno está sendo muito pesquisado nos EUA e virou tema de livro da socióloga Rosanna Hertz, "Single by Chance, Mothers by Choice" (algo como Solteiras por Acaso, Mães por Opção), ainda sem tradução no Brasil. No Brasil, a maioria dos filhos de mães-solteiras ainda são frutos de uma gravidez não-planejada. Dados do IBGE e do Ministério da Saúde mostram que anualmente cerca de 1 milhão de mulheres, entre 18 e 24 anos, dão à luz nessa situação. Mas na classe média, muitas mulheres acima de 30 anos já começam a pensar em produções independentes. O assunto virou uma das principais queixas nos consultórios de ginecologistas. Elas sentem o relógio biológico bater, sabem que a vida reprodutiva caminha para o fim e querem ser mães, mas não estão encontrando homens dispostos a dividir esse sonho. Mas, afinal, quem são essas mulheres que planejam ser mães solteiras? O livro de Hertz nos dá algumas pistas. Segundo a socióloga, as mulheres entrevistadas no seu livro se tornaram independentes por volta dos 20 anos, eram graduadas e estavam no mercado de trabalho. Muitas já com casa própria. Nunca imaginaram que não se casariam. Estavam felizes com a vida que levavam, mas sentiam que o relógio biológico estava batendo. Lá no fundo, algo as incomodava _e era a maternidade. É possível, na avaliação de Hertz, que tenham sido influenciadas pela idéia social de que todas as mulheres devem ser mães. O fato é que a maioria das mulheres crescem acreditando que se tornarão mães do jeito convencional. Mesmo depois do parto ou da adoção, ainda esperam encontrar um parceiro que ame o bebê. Imaginam, então, que estão apenas adiantando uma etapa do processo. A decisão não é feita da noite para o dia, mas, nos últimos anos, as mulheres não estão deixando a escolha para o último minuto. Algumas das entrevistadas de Hertz decidiram ser mães por volta dos 32 anos. Nos EUA, o modelo composto por mãe e filho(s) tornou-se o centro da família. Apenas 24% das crianças estão com ambos os pais. Os números indicam que as mulheres economicamente independentes não precisam de homem ou casamento para ser mães. Hoje, algumas mulheres cujos filhos foram concebidos por inseminação com doador anônimo estão procurando, pela internet, os irmãos de seus filhos. Isso tudo nos leva a crer que o fenômeno das mães solteiras de classe média veio para ficar.
Escrito por Cláudia Collucci às 14h42
![]() A busca pela paternidade
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