Cigarro prejudica a fertilidade

Mais de 20 pesquisas já confirmaram o que os médicos alertam há um bom tempo: as mulheres fumantes têm maior probabilidade de apresentarem problemas de fertilidade do que as não-fumantes. A nicotina e outros elementos químicos danosos dos cigarros interferem na capacidade do corpo de criar estrógeno, o hormônio que regula a ovulação, e pode fazer com que os óvulos estejam mais sujeitos a anormalidades genéticas.

A reserva ovariana e a quantidade e a qualidade do óvulo também são mais reduzidas nas mulheres que fumam. Durante as FIVs (Fertilização in vitro), as fumantes têm números menores de folículos e taxas mais baixas de fertilização dos óvulos. Os abortos espontâneos são mais comuns entre as fumantes.

Entre homens, também já foi observado que a quantidade e a qualidade dos espermas oscilam em razão do consumo de tabaco. Uma queda de 22% na concentração foi observada nos fumantes. Há outras evidências de que o homem-fumante tenha menos chances de ser pai mesmo recorrendo à FIV.

Apesar disso, a relação entre o fumo e a infertilidade ainda não é levada muito a sério nem por homens e mulheres que desejam ter filhos nem pela classe médica. Um dos maiores estudos que tratam desse tema investigou 15 mil gestações e o tempo que se levou para consegui-las. A taxa de mulheres que tiveram o intervalo maior que um ano foi 54% maior em fumantes do que em não-fumantes.

O percentual também foi superior em fumantes passivas_quando o fumante é o parceiro. Além disso, a menopausa ocorre de um a quatro anos antes em fumantes se comparados às não-fumantes.

A boa notícia é que nem tudo está perdido. Um estudo da Associação de Planejamento Familiar de Oxford (Inglaterra) observou um retorno à fertilidade em ex-fumantes. Para os especialistas, esse fato indica que há correlação entre dose/tempo e a fertilidade. Por isso, mais do nunca isso significa uma ferramenta importante para motivação em campanhas antitabagismo.

Então, senhores e senhoras fumantes que desejam um bebê, que tal aproveitar Dia Nacional de Combate ao Fumo, nesta sexta-feira, dia 29, para pensar seriamente em abandonar o vício? Várias ações vão acontecer na cidade, inclusive, pela internet. Vejam algumas:

- Hospital do Coração irá demonstrar os malefícios do tabaco no organismo e esclarecer sobre os danos que ele ocasiona com a realização de palestra aberta ao público das 8h30 às 16h. Além da palestra, a equipe do Serviço de Psicologia do Hospital utilizará um monoxímetro (aparelho similar ao bafômetro) para fazer a medição de monóxido de carbono na população e avaliar o nível do agente no corpo. Local: HCor – Hospital do Coração - rua Desembargador Eliseu Guilherme – 147; Inscrições gratuitas pelo telefone: (11) 3053-6611 - até o dia 29/08

- A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) vai disponibilizar em seu site (http://www.abead.com.br/) a partir desta sexta-feira um serviço "tira-dúvidas". Ao acessar o portal, o visitante poderá enviar perguntas e dúvidas relacionadas ao assunto, como onde procurar tratamento. Além disso, a Abead vai disponibilizar um teste online, onde o fumante poderá medir o seu grau de dependência e receber o resultado instantaneamente.

- Também a partir desta sexta, a Secretaria de Estado da Saúde lança a campanha "Viva sem cigarro". Semanalmente, uma van estilizada do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas) irá a um local público de grande circulação, como praças, parques e saídas de estações do metrô. Serão distribuídos folhetos e dicas de como parar de fumar, além da aplicação de um teste para avaliar a dependência das pessoas ao cigarro e outro para medir o nível de monóxido de carbono no organismo dos fumantes.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h45
Mulheres bem-sucedidas têm menos chances de formar família

"No começo eu pensava estar acima de qualquer coisa. Você se apresenta, o médico lhe mostra uma gama de opções de alta tecnologia e essa é uma coisa poderosa _a promessa de um filho. Mas antes que perceba você já fracassou pelo terceiro ano consecutivo e está começando a se sentir usada e abusada, sem mencionar que você está quebrada. Você se senta nas clínicas de reprodução cujas paredes estão cobertas de figuras de bebês, mas a despeito do fato de que está tentando tão duramente quanto sabe, não consegue nenhum daqueles bebês.

Não estou mais segura de que essa tecnologia seja remotamente um fato de poder. Você pega uma mulher da minha geração, alguém que é certamente realizada, mas que está em seus 40 anos e não tem um filho. Essa tenologia se torna uma maneira de dizer a ela que qualquer coisa que realizou não é o bastante. E então, quando ela fracassa em conseguir ficar grávida_e a maioria fracassa_ isso apaga seu senso de competência profissional e sua confiança como mulher. Sei que esses procedimentos deixaram-me mais deprimida que qualquer outra coisa em minha vida"

O relato acima é de Wendy Wasserstein, uma das mais premiadas autoras de peças da Brodway, que durante dez anos lutou para conseguir gerar um bebê. Consegui tê-lo aos 48 anos, com óvulos doados. A menina Lucy nasceu prematura, aos seis meses de gestação.

O depoimento faz parte de um livro bem interessante que estou lendo chamado "Maternidade Tardia". Na obra, a autora Sylvia Hewlett constata que quanto mais bem-sucedida profissionalmente é a mulher, mais dificuldades ela encontrará para achar um parceiro ou ter um bebê. E o mais triste: essa situação não foi uma escolha delas. Simplesmente o tempo passou e e elas estavam ocupadas demais para perceber isso.

Hewlett, economista e analista política, fez várias pesquisas e entrevistas com norte-americanas bem-sucedidas e concluiu que: 33% das mulheres de alta realização (que ganham mais de 65 mil dólares) não têm filhos na idade de 40 anos e esse quadro aumenta para 42% nas corporações norte-americanas. Entre as ultra-realizadas (com ganhos acima de 100 mil dólares), o percentual chega a 49%. Em contraste, apenas 25% dos homens bem-sucedidos não têm filhos na idade de 40 anos e isso cai para 19% entre os ultra-realizados.

O livro revela circunstâncias que têm conspirado para criar brutais contradições nas vidas das mulheres profissionais: a cultura das longas horas de trabalho das empresas, a tradicional divisão de trabalho doméstico e uma indústria da fertilidade, que embala mulheres numa falsa segurança de que poderão ficar grávidas mesmo na meia-idade. Os relatos que Hewlett captura são bem honestos e as informações contidas em sua nova pesquisa, devastadoras. Chega a doer. Ainda assim, vale a pena ler a obra para, mais uma vez, termos a certeza de que essa dor é mesmo universal.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h31
Mães-solteiras por opção

Muitas mulheres têm se tornado mães-solteiras por opção. Sem conseguir um companheiro disposto a constituir uma família, elas têm ido à luta por vários caminhos: engravidam naturalmente em um relacionamento fortuito, adotam ou se submetem à fertilização assistida com sêmen de doadores anônimos ou de algum amigo. O fenômeno está sendo muito pesquisado nos EUA e virou tema de livro da socióloga Rosanna Hertz, "Single by Chance, Mothers by Choice" (algo como Solteiras por Acaso, Mães por Opção), ainda sem tradução no Brasil.

No Brasil, a maioria dos filhos de mães-solteiras ainda são frutos de uma gravidez não-planejada. Dados do IBGE e do Ministério da Saúde mostram que anualmente cerca de 1 milhão de mulheres, entre 18 e 24 anos, dão à luz nessa situação. Mas na classe média, muitas mulheres acima de 30 anos já começam a pensar em produções independentes. O assunto virou uma das principais queixas nos consultórios de ginecologistas. Elas sentem o relógio biológico bater, sabem que a vida reprodutiva caminha para o fim e querem ser mães, mas não estão encontrando homens dispostos a dividir esse sonho.

Mas, afinal, quem são essas mulheres que planejam ser mães solteiras? O livro de Hertz nos dá algumas pistas. Segundo a socióloga, as mulheres entrevistadas no seu livro se tornaram independentes por volta dos 20 anos, eram graduadas e estavam no mercado de trabalho. Muitas já com casa própria. Nunca imaginaram que não se casariam. Estavam felizes com a vida que levavam, mas sentiam que o relógio biológico estava batendo. Lá no fundo, algo as incomodava _e era a maternidade. É possível, na avaliação de Hertz, que tenham sido influenciadas pela idéia social de que todas as mulheres devem ser mães.

O fato é que a maioria das mulheres crescem acreditando que se tornarão mães do jeito convencional. Mesmo depois do parto ou da adoção, ainda esperam encontrar um parceiro que ame o bebê. Imaginam, então, que estão apenas adiantando uma etapa do processo. A decisão não é feita da noite para o dia, mas, nos últimos anos, as mulheres não estão deixando a escolha para o último minuto.

Algumas das entrevistadas de Hertz decidiram ser mães por volta dos 32 anos. Nos EUA, o modelo composto por mãe e filho(s) tornou-se o centro da família. Apenas 24% das crianças estão com ambos os pais. Os números indicam que as mulheres economicamente independentes não precisam de homem ou casamento para ser mães. Hoje, algumas mulheres cujos filhos foram concebidos por inseminação com doador anônimo estão procurando, pela internet, os irmãos de seus filhos. Isso tudo nos leva a crer que o fenômeno das mães solteiras de classe média veio para ficar.

Escrito por Cláudia Collucci às 14h42
A busca pela paternidade

 

Muitas vezes nesse processo de tentativas de gravidez ficamos tão focadas no desejo de ser mãe que esquecemos de enxergar o homem que está ali ao nosso lado e que também tem um desejo: o de ser pai. Esse homem dificilmente manifestará seus sentimentos com todas as palavras, da forma como a gente gostaria de ouvir. A maioria dos homem é assim mesmo, é preciso compreendê-los nas entrelinhas. Mas essa ficha demora a nos cair.

 

Algumas vezes, esquecemos do empenho deles em participar dos tratamentos, de acompanhar os ultra-sons e as consultas médicas. Esquecemos do colo sempre pronto para nos amparar quando desabamos, exaustas das tentativas frustradas. Esquecemos o tamanho da paciência deles para agüentar nossas oscilações hormonais. Esquecemos que somos um casal.

 

Talvez isso aconteça porque a infertilidade nos causa uma imensa sensação de solidão, um inverno dentro de nós. E por mais que tenhamos homens maravilhosos ao nosso lado, nem sempre conseguimos enxergá-los. O mais comum é o uso da lupa de aumento para os defeitos. Sempre teremos uma queixa a nos agarrar. Seja o egoísmo, o comodismo, a distância, etc etc. E com isso perdemos ótimas oportunidades de elogiá-los, agradecê-los e trazê-los cada vez mais próximos de nós. Adoramos ser elogiadas, mimadas, mas quantas vezes o inverso é verdadeiro?

 

Como eles realmente se sentem nesse processo todo? Há muito tempo os médicos tratam a infertilidade como um problema do casal, mas ainda a mulher é muito mais investigada, revirada. Na maioria das clínicas, a investigação do homem se resume ao pedido de espermograma. Como se eles fossem apenas um amontoado de sêmen. Sobre isso, vale a pena vocês acessarem o site do Rodrigo Pagani (http://www.queroserpai.com.br) e conhecerem o que é uma avaliação da fertilidade masculina de verdade.

 

Por mais que não aparentam, os homens sofrem sim com esse processo todo. Sofrem sim com a demora do filho que tanto desejam. A gente ainda chora, fala com as amigas, desabafa nos fóruns de discussão e com nossos médicos. Mas e eles? A gente já parou para pensar o quanto devem se sentir só, frustrados e impotentes diante da nossa dor e das suas próprias dores? Dificilmente esse é um assunto que eles vão discutir com os amigos. Ao contrário, os homens geralmente escondem suas fragilidades dos amigos.  As conversas, em geral, começam e terminam com brincadeiras e risadas. E os temas sempre ficam na superficialidade: política, economia, futebol, problemas no trabalho etc.

 

Sem contar com as questões emocionais, que, afinal, também estão presentes na vida deles mas dificilmente são tocadas. Será que eles sabem que também existem  travas inconscientes que envolvem a paternidade? Que muitas vezes é preciso re-trabalhar as relações que tiveram com seus próprios pais para poderem abrir espaços para a chegada de um filho? 

 

Dedico a coluna  a  esses homens, aos nossos companheiros, futuros pais dos nossos filhos. Que eles se sintam amparados e compreendidos nessa busca.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h01
Fatores emocionais que podem interferir na resposta da gravidez

Mais uma vez, a psicóloga Luciana Leis nos presenteia com um ótimo artigo sobre as questões emocionais que podem estar envolvidas nas tentativas frustradas de gravidez. Acho fundamental que, ao mesmo tempo que procuramos as razões físicas da infertilidade, a gente também abra espaços para ouvir o que o nosso inconsciente tem a dizer.  

 

 Na maioria das vezes, quando um casal busca a gravidez e esta não se dá de forma espontânea, cogitam-se, quase automaticamente, os tratamentos de reprodução assistida (coito programado, inseminação artificial, FIV etc.).  Nota-se que há uma procura incessante por fatores físicos causadores deste problema, porém, esquecem-se de fatores emocionais que também podem interferir neste processo, uma vez que o homem não é formado de um corpo dissociado da mente.  Na prática clínica, percebo que existem muitos fatores psicológicos que, associados ou não a fatores físicos disfuncionais, podem influenciar na resposta de gravidez. Dentre outros, os que se evidenciam com mais freqüência são:

·        Ambigüidade frente à maternidade: Muitas mulheres acreditam que, por alcançarem certa idade, devem iniciar a busca pelo filho; entretanto, algumas ainda não se sentem preparadas para isso. Às vezes têm a maternidade tão idealizada que fica difícil atingi-la, pois nunca se sentem suficientemente boas para exercê-la. Há também casos em que medo de mudanças na imagem corporal, medo do parto e receio de ter uma criança com problemas podem interferir negativamente neste processo.

·        Ambigüidade frente à paternidade: Assim como as mulheres, os homens também podem apresentar dificuldades em assumir uma criança, seja por questões relacionadas à idealização desse papel ou, até mesmo, por receio de não conseguir sustentar uma família (função social que ainda nos dias de hoje lhe é atribuída).

·        Dificuldade em assumir o papel de mãe: Há mulheres que buscam a maternidade, mas ainda são bastante dependentes dos pais, havendo certa dificuldade de saírem do papel de “filhas” para assumirem o de mãe.

·        Falta de espaço para a criança: Existem pessoas que decidem engravidar, porém, não estão dispostas a abrir mão de nenhuma atividade que realizam (que em alguns casos são muitas) para incluir a possível criança em suas vidas, tornando quase impraticável a chegada do bebê. Em alguns casos nota-se que existe também a falta de espaço emocional para incluir um terceiro na relação do casal, a qual, nessas situações, mostra-se bastante simbiótica, existindo uma possível fantasia de “separação” com a chegada da criança.

·        Rivalidade com terceiros: Há mulheres que passam a desejar um filho justamente no momento em que a irmã, a cunhada ou outra pessoa próxima engravida, sem nunca terem sentido tal desejo até então. Nesses casos, há de se pensar o quanto realmente esse desejo foi despertado em função da proximidade emocional com essa pessoa ou se há algum sentimento de disputa em relação a ela.

·        Desencontro de desejo do casal quanto ao momento de ter um filho: É possível que um dos parceiros ainda não esteja certo de que aquele seja o melhor momento para assumir uma criança. Na maioria das vezes, essa situação gera ressentimento no outro cônjuge, que acredita que ambos precisam estar alinhados quanto ao desejo de ter um filho. Essa é uma questão bastante complexa, pois o desejo de maternidade ou paternidade pode surgir em diferentes momentos para as pessoas e isso não significa falta de amor ou de sintonia entre o casal.

·        Relações disfuncionais: Alguns casais decidem ter um filho justamente no momento em que o relacionamento não vai bem, na esperança de encontrarem um ponto em comum que os motive a continuarem juntos. Nesses casos, é preciso considerar que a fecundação pode ser mais difícil sem o verdadeiro encontro do casal e, se a criança nascer, as conseqüências desse evento podem não ser positivas ou planejadas.

 

Esses são apenas alguns dos fatores emocionais que podem estar por trás da dificuldade de gravidez. Deste modo, é importante destacar que cada pessoa tem uma história individual que deve ser considerada, para serem, assim, identificados os conteúdos emocionais existentes, passíveis de serem trabalhados para se ajudar na resposta de gravidez e na diminuição da ansiedade.

A psicoterapia é um recurso muito valioso nesse processo, uma vez que seu objetivo, nos casos de infertilidade, é o de trabalhar em parceria com o médico (o qual cuidará da parte física), visando maior integração corpo-mente e uma postura de enfrentamento saudável frente às tentativas de gravidez.        

 Luciana Leis-  e-mail: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 18h02

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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