Mulher dá à luz oito bebês nos EUA

Uma mulher deu à luz de uma única vez oito bebês em um hospital da Califórnia (EUA). Os seis meninos e as duas meninas nasceram por cesariana em cinco minutos. De acordo com a imprensa local, os médicos planejaram o parto durante algumas sema­nas e decidiram realizar a cirurgia quando a mãe completasse 30 semanas de gestação.

Apesar do planejamento, a equipe médica se surpreendeu com o número de bebês _eram esperados sete filhos. Denominando-os com letras de A a G, ficaram surpresos com o surgimento do "H". Os óctuplos nasceram com peso entre 820 g e 1.470 g, considerado razoável se consideradas as condições da gravidez. "O peso melhora o prognóstico, mas mesmo assim é complicado. É preciso analisar a maturidade pulmorar, por exemplo e ver como eles vão reagir na UTI", diz Renato Fraietta, do grupo de reprodução humana da Uni­fesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para o especialista, gestações múltiplas trazem mais riscos para a mãe e para o bebê. "O útero da mulher foi desenvolvido para gerar um único bebê. Dois vão bem, mas, uma gravidez com três ou mais filhos favorece parto prematuro, entre outras complicações. Quanto mais múltipla for a gestação, maior a complicação."

Em 1998, a nigeriana Nkem Chekwu deu à luz oito filhos no Texas, também nos EUA_sete sobreviveram. Na época, ela relatou que a equipe médica sugeriu que retirasse alguns bebês para aumentar as chances de sobrevivência dos outros, o que ela se negou a fazer.

No Brasil, a maior gestação múltipla registrada é de quíntuplos. O primeiro caso foi registrado 1998, em São Paulo. Um segundo caso, no Rio de Janeiro, ocorreu em 2000. Em 2007, registrou-se um raro caso de gravidez natural de quíntuplos, mas um bebê morreu ainda no útero.

Escrito por Cláudia Collucci às 21h00
Presente da semana

Queridas, quero dividir com vocês uma ótima notícia que recebi nesta semana. Estou entre as finalistas do Troféu Mulher Imprensa, na categoria Repórter de Jornal. O prêmio é uma iniciativa do Portal e da Revista Imprensa, que em parceria com Aberje e Maxpress homenageiam as profissionais que mais se destacaram em 2008.

Eles chegaram a esse resultado através da indicação de profissionais da imprensa em todo o Brasil, escolhidos aleatoriamente, que elegeram três nomes dentro de cada categoria. Aquelas que contaram mais votos foram para a 2ª fase, que é uma votação aberta ao público, por meio do site www.trofeumulherimprensa.com.br.

Independentemente do resultado, a indicação me deixa muito feliz. Afinal, são 22 anos de muita ralação e paixão pelo jornalismo. Então, quem quiser deixar um votinho para a Cacau aqui, é só acessar o link abaixo. Torçam por mim! http://www.trofeumulherimprensa.com.br/2009_2fase_votacao_3categoria_claudia_colucci.asp

Escrito por Cláudia Collucci às 20h21
Colo de mãe

- Cacau, quéio cóinho!, diz minha sobrinha Sofia, 2 anos

- Ahhhh??? O que você quer Sofia?, digo eu distraída, de mãos dadas com a pequena e olhando vitrine no shopping

- Cóinho, Cacau. Me dá cóinho!

Ia fazer novamente a pergunta, quando a fofura abriu os braços e veio para o meu colo, meu cóinho. Com a boca toda suja de M&M.

Mais uma vez, senti que a maternidade não é o ato de gestar e parir. A maternidade é muito mais que isso. Sinto-me mãe da Sofia, da Catherine, das minhas amigas, da minha mãe, da minha irmã, da minha tia...Estava pensando sobre isso quando recebi um lindo texto de uma amiga, a Patrícia Bono, em que ela diz que a maternidade não está presa nos limites do corpo que, berço esplêndido, carrega e faz nascer, mas está calcada no coração e através dele.

E é por isso que existem três tipos de mãe: a que gesta e pari; a que ama; e a que gesta, ama e pari. Neste sentido, temos que uma mulher não se torna mãe ao ver o seu rebento. Ela já nasce mãe. E por isso é maravilhosa desde sempre. Não existe um dia e hora no calendário para que se transponha a ponte, para que se faça o rito de passagem.

O amor de mãe existe no de dentro da mulher que, mais cedo ou mais tarde, desabrocha. Algumas mulheres desabrocham com a gravidez. Outras com o parto. Algumas seguem pela vida sendo promessas. E há as mulheres que amam. Já nasceram em flor. E amam a cada um que quiser ser um filho seu. A maternidade não é um evento. É um sentimento que não se contém, que transborda, que ilumina.

Colo de mãe é para onde se corre quando está escuro. É para onde se corre, certeiro, quando os problemas aparecem. Os verdadeiros. Os inexistentes. Os imaginários. E se esse colo não existe, onde se pode alcançar proteção? Aconchego? Amor? Talvez seja por isso que vemos pelas ruas mulheres com filhos, mas também temos a oportunidade de ver mães. Eu exercito minha maternidade todos os dias.

Acolho a todos que desejam ser meus filhos. E filho não tem idade. Nem quantidade. Nunca vai ter. E essa minha maternidade me ensina a cada dia. E a cada dia eu me sinto melhor por ter a certeza de ter tocado o coração de alguém. Aprender a respeitar as escolhas do meu semelhante me faz melhor. Entender as dificuldades de cada pessoa, tentando não julgar, me faz me sentir melhor. Demonstrar minhas dificuldades me faz mais tranqüila. Somos todos o reflexo do que damos ao mundo.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h17
Nasce 2º bebê com "três mães"

Alex with Charlie and OliverAlex, com os dois filhos 

Charlotte and HelenCharlotte e Helen, irmãs de Alex

Pela segunda vez, duas irmãs inglesas se uniram para dar um filho a uma terceira irmã, que se tornou infértil após tratamento de câncer. Em 2005, em igual experiência, elas "geraram" Charlie, o bebê que ficou conhecido como o primeiro a ter "três mães". Agora, Charlie ganhou um irmão, Oliver.

Alex Patrick, 35, teve câncer cervical há sete anos e, com isso, viu descartada a possibilidade gerar um filho. Sua irmã gêmea Charlotte e a mais velha, Helen, decidiram ajudá-la. A primeira doou um óvulo _que foi fecundado com o espermatozóide do marido de Alex, Shaun_, enquanto a segunda cedeu o útero para a gestação.

¦Ontem, as irmãs deram a primeira entrevista, a um programa de rádio da BBC, desde o nascimento de Oliver, em outubro. Na entrevista, Alex contou que ficou "com o coração partido" quando descobriu, aos 28 anos, que não poderia ter filhos, mas resolveu não desistir.

Ela afirmou que decidiu pedir o útero "emprestado" de Helen após receber uma carta na qual a irmã dizia que "faria qualquer coisa para ajudá-la".

Helen relatou que, após o pedido da irmã, sua primeira reação foi dizer "sim, sem problemas". Porém, depois de pensar um pouco, percebeu que se tratava de algo muito importante, mas ainda assim, após conversar muito com a irmã, concluiu que estava preparada.

Charlotte, doadora dos óvulos, disse que seu marido ficou preocupado com a situação, mas que o casal participou de sessões terapêuticas e de aconselhamento e resolveu ajudar.

Alex conta que o primeiro filho, Charlie, se parece muito com Charlotte. "As pessoas dizem que dá para identificar algumas feições do meu marido, mas que ele lembra muito a Charlotte. Ele realmente tem jeitos e faz algumas coisas que me lembram muito ela."

Oliver, o segundo filho, já está com 15 semanas. Segundo Alex, ele se parece mais com Shaun do que com sua irmã gêmea. "Os dois são garotos muito bonitos", disse ela.

No Brasil, uma resolução do Conselho Federal de Medicina permite que uma irmã _ou mãe_ gere um filho para outra, mas não autoriza a doação de óvulo _que deve ser anônima.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h48
Assédio sexual

Recebi alguns e-mails de leitoras me perguntando o que acho dessas denúncias contra o médico Roger Abdelmassih publicadas na Folha de S.Paulo na edição de ontem e hoje, sábado, no Estadão. Tenho acompanhado de perto esse assunto há quase dois anos, quando começaram a circular mensagens endereçadas a jornalistas e médicos. O autor se dizia marido de uma suposta vítima de assédio sexual de Roger.

Tentei, por várias vezes, contatar o denunciante, mas não obtive sucesso. O mesmo aconteceu quando, algum tempo depois, surgiu um blog que tratava sobre o mesmo assunto. Cheguei a conversar com algumas mulheres, mas nenhuma topou conceder entrevista na época. Nas conversas, deixei claro para elas que o melhor caminho era formalizar uma denúncia na polícia, no Ministério Público e no conselho de medicina.

Por estar envolvida de corpo e alma com a reprodução assistida e tendo como consultores do blog e dos meus livros médicos da área e também donos de clínicas de fertilização, decidi me manter afastada do caso, mas tenho ajudado meus colegas de profissão com informações que me chegam. Mais do que ninguém, estou torcendo para que as investigações na polícia e no Cremesp (Conselho Regional de Medicina) caminhem sem interferências e que, no final, a verdade e a justiça prevaleçam. Doa a quem doer. 

Lidar com uma situação de assédio sexual, ainda mais em um momento de tanta fragilidade como é esse pelo qual passamos diante da dificuldade de gravidez e das tentativas frustradas de tratamento, deve ser pavoroso. Ao mesmo tempo, as mulheres assediadas (por seus médicos, seus chefes ou seja lá por quem for) não podem se calar sob o risco de o criminoso (sim, assédio sexual é crime) continuar agindo impunemente. 

Nos últimos cinco anos, mais de 300 denúncias por assédio sexual foram registradas no Cremesp. E pasmem: 65% delas foram arquivadas. Conhecendo bem o corporativismo médico, desejaria muito que, nas próximas denúncias a serem avaliadas, os conselheiros médicos pensassem, por um segundo que fosse, em suas mães, mulheres e filhas antes de se decidirem pelo arquivamento sumário de um caso de assédio sexual. Não acredito que 100% das denúncias sejam verdadeiras, mas também é difícil de engolir que dois terços delas sejam falsas. 

Escrito por Cláudia Collucci às 16h04
Nasce bebê britânico selecionado para não carregar gene de câncer da mama

Médicos britânicos anunciaram hoje o nascimento de uma menina selecionada geneticamente para não carregar uma versão alterada do gene BRCA1, que pode acarretar um risco de até 80% de desenvolver câncer de mama ou de ovário. Os pais da menina decidiram fazer a seleção de embriões porque, nas últimas três gerações da família do marido, havia ocorrido o diagnóstico de câncer de mama em mulheres na casa dos 20 anos.

A história é uma boa notícia, mas não chega a ser uma grande  novidade. O feito foi conseguido com o Diagnóstico Genético Pré-Implantacional, que detecta outras 130 doenças genéticas e cromossômicas, entre elas os genes BRCA 1 e BRCA 2 que podem levar ao câncer de mama. Mas é bom lembrar que a pesquisa deve ser feita de forma específica _não se pode pesquisar as 130 doenças ao mesmo tempo. Por isso, só é indicada para casos em que há uma doença genética conhecida na família.

Há uma questão importante levantada pelos críticos da seleção embrionária: o gene alterado envolve apenas uma probabilidade do aparecimento da doença, não uma certeza, e sua presença não sugere que o problema seja incurável. Também é preciso levar em conta o fato de que apenas 10% dos cânceres são hereditários. E, entre eles, apenas um terço está relacionado às mutações genéticas do BRCA 1 e BRCA 2.

De qualquer forma, como na fertilização in vitro geralmente são produzidos vários embriões, não vejo razão que impeça o casal que tenha histórico familiar de alguma doença genética testar seus embriões e autorizar a transferência somente daqueles que não carregam a mutação. 

Escrito por Cláudia Collucci às 12h48

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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