Aumenta a procura por venda de óvulos nos EUA

Imagem de espermatozóide penetrando no óvulo

Por conta da crise financeira mundial, está aumentando nos EUA o número de mulheres que estão procurando as clínicas de fertilidade para vender seus óvulos por um preço médio de US$ 10 mil, informa uma reportagem da Reuters Television.

Nicole Hodges, de 23 anos, que mora em New York, está desempregada desde novembro e diz que decidiu vender seus óvulos porque precisa "desesperadamente" de dinheiro. "Eu deixei de pagar a faculdade, tenho contas atrasadas do cartão de crédito e o aluguel aqui é muito caro."

Hodges afirma que também fica satisfeita de poder ajudar um casal infértil a ter filhos. "Sim, o dinheiro é muito bom, mas também legal ajudar uma mulher que quer ser mãe."

Organizações que trabalham com fertilidade já apontam um aumento de 40% na oferta de "doadoras" de óvulos.

A American Society for Reproductive Medicine recomenda que os valores sejam de US$ 10 mil por doação. Um estudo feito em 2007 mostrou que, em média, o pagamento por óvulos era de US$ 4,216.

Katherine Bernardo, responsável pelo departamento de doação de óvulos do Northeast Assisted Fertility Group, conta que há um clima econômico que encoraja mulheres a encontrar um caminho criativo para ganhar dinheiro. Bernardo diz que que a doadora de óvulos ideal é uma mulher por volta dos 20 anos, saudável, bonita, atraente e bem educada.

Já os bancos de esperma americanos, que pagam em média US$ 60 por doação, dizem que não registraram aumento de doadores.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h23
Mãe ou Maria?

A psicóloga Luciana Leis nos brinda, mais uma vez, com um excelente artigo sobre os conflitos emocionais que podem surgir durante as tentativas de gravidez. Todas nós, mais ou menos vezes, já nos vimos com esses questionamentos que ela menciona.

 Quando um casal se depara com uma dificuldade para engravidar, se depara também com uma série de questionamentos. Primeiro, eles buscam entender qual a parte do corpo que não está funcionando direito: ambos se submetem a uma série de exames, muitas vezes, doloridos ou constrangedores, para entender o porquê o bebê não vem. Passada essa fase, começam os questionamentos individuais.

Por mais que o médico apresente um diagnóstico físico para o problema, os casais costumam formular muitas indagações pessoais sobre "o porquê que estão tendo que passar por isso". Nos casos onde não existe uma causa física para o problema - infertilidade sem causa aparente - esses questionamentos costumam vir com maior força.

Percebo, por meio da prática clínica, que diante do vazio de respostas, cada pessoa busca preencher essa falta com um recheio muito particular, na maioria das vezes, busca no passado situações onde acredita ter errado e por isso agora está sendo punida.

É comum aparecerem pensamentos de que não se consegue engravidar devido a brigas anteriores com familiares, abortos cometidos no passado, traição do companheiro (a), sentimentos hostis vivenciados para com outra pessoa... Enfim, qualquer coisa que possa justificar para si esse castigo. Parece que há um resgate, no caso das mulheres, do modelo de ideal de mãe: Maria, mãe de Jesus, elas começam a pensar que precisam ser quase perfeitas para gerarem como ela.

Noto também que alguns casais passam a acreditar que todas as áreas de suas vidas precisam estar equilibradas para a gravidez acontecer, como se um desequilíbrio em qualquer setor pudesse estar desencadeando a infertilidade. É fato que uma pessoa em equilíbrio têm melhores condições emocionais para gerar um filho, mas o que chama a atenção é esse modelo ideal que os casais costumam criar (e se cobrar) para atingirem a gravidez.

Um casal não precisa estar 100% feliz no casamento para um filho vir, 100% satisfeito nas relações familiares ou com seu desenvolvimento pessoal para isso acontecer. O ideal é algo diferente da realidade e podemos estar um pouco descontentes com algumas coisas em nós ou em nossas relações, mas, mesmo assim, o bebê pode acontecer, pois todos somos, de alguma forma, faltantes em algo.

Não há um porquê para a vivência da infertilidade, não há respostas precisas sobre quando a gravidez irá acontecer, infelizmente, ela não é previsível ou controlável. No entanto, enquanto ela não acontece, podemos ir além do sofrimento - já que esse é inevitável - e utilizar essa experiência como parte do amadurecimento pessoal e do casal.

Casais que vivenciam a infertilidade acabam tendo um tempo maior para desejarem o filho e pensarem seus papéis de pais e sua vida conjugal em relação aos casais que engravidaram sem nenhuma dificuldade. Muitos estudos com famílias que utilizaram tecnologias de reprodução assistida apontam que essas famílias possuem pais mais dedicados, mães mais afetivas e desempenhando melhor sua função maternal, quando comparadas às famílias que conceberam naturalmente.

Desta forma, percebe-se que o sofrimento trazido com a dificuldade de gravidez gera amadurecimento e pode contar a favor para a constituição da nova família.

Psicóloga Luciana Leis: e-mail: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 13h17
Estudos apontam que bebês gerados por FIV têm mais chances de apresentar defeitos congênitos

A versão on line do "The New York Times" traz um hoje um assunto que interessa a todas nós: os riscos de defeitos em bebês nascidos por meio da FIV. A matéria fala sobre estudos recentes_um deles desenvolvido pelo instituto de saúde norte-americano_ que sugerem que os bebês de proveta (de FIV ou de ICSI) têm mais chances de apresentar defeitos congênitos _como más-formações cardíacas, do reto, do céu da boca e do esôfago_ do que os bebês gerados naturalmente.

Os pesquisadores tentam agora descobrir se esses defeitos seriam ocasionados pelo fato de os embriões ficarem expostos a meios de cultura durante a fase de fertilização. Esses bebês também teriam mais chances de nascer prematuros e com baixo peso.

Em novembro, um estudo norte-americano avaliou 9.584 bebês com os defeitos congênitos e 4.792 bebês saudáveis. Entre as mães dos bebês saudáveis, 1,1% tinham feito FIV. Já entre as mães de bebês com defeitos congênitos, a taxa de FIV foi de 2,4%.

A reportagem reforça que os resultados são considerados preliminares e que não há uma resposta definitiva para a fatídica pergunta: qual é a possibilidade de um bebê nascido por FIV vir a ter um defeito genético? Para isso, dizem eles, seria necessário um estudo grande e rigoroso, que acompanhasse por anos os bebês de proveta, o que ainda não foi feito.

Mesmo que os riscos pareçam pequenos, os pesquisadores defendem que os casais interessados em recorrer à FIV sejam informados sobre eles. "Há um crescente consenso na comunidade clínica que há riscos", afirma Richard M. Schultz, professor de ciências naturais na Universidade da Pensilvânia. "Nossa obrigação é mostrar quais são esses riscos e o que podemos fazer para minimizá-los."

Elizabeth Ginsburg, diretor médico do hospital de mulheres em Boston, diz que a instituição menciona nos formulários de consentimento informado da FIV o risco aumentado para determinadas desordens genéticas raras. Mas afirma que seus pacientes não desistem de fazê-la. A reportagem completa está no seguinte link http://www.nytimes.com/2009/02/17/health/17ivf.html?pagewanted=1&_r=1&ref=health. Vale a pena lê-la.

 

 

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h59
As fotos que chocaram o mundo

Nadya Suleman pregnant

Nadya Suleman

As fotos de Nadya, mãe dos óctuplos norte-americanos, oito dias antes de dar à luz e com o estômago totalmente distendido, chocaram o mundo hoje. A moça já tinha tido seis filhos por meio da FIV e sabe se Deus como conseguiu encontrar um médico mais louco que ela que contrariou todas as recomendações de sociedades médicas mundiais e lhe fez nova FIV transferindo SEIS embriões, sendo que dois deles se multiplicaram, dando origem a OITO bebês. O mistério sobre a identidade do médico continua. E eu aqui me pergunto mais uma vez: o que mais falta acontecer nesse mundo maluco da reprodução assistida?

Escrito por Cláudia Collucci às 17h50
Tratamentos de FIV não aumentam risco de câncer de ovário

Uma pesquisa divulgada hoje no "British Medical Journal" dá um certo alívio a todas que passamos ou estamos passando por um tratamento de reprodução assistida. O estudo, feito na Dinamarca, com 54.362 mulheres, conclui que os tratamentos contra infertilidade não aumentam o risco de câncer de ovário.

Talvez muitas de vocês nem se lembrem dessa discussão, mas, anos atrás, alguns estudos menores sugeriram que havia essa relação. Como a maioria dos cânceres de ovário tem, como origem, células epiteliais (revestimento do ovário), a hipótese era que a superestimulação dos tratamento levasse a uma alteração dessas células, dando origem ao tumor.

O estudo da equipe do médico Allan Jensen, da Sociedade Dinamarquesa contra o Câncer, foi realizado com mulheres que se consultaram nos centros de fertilidade da Dinamarca, entre 1963 e 1998. Dessas, 156 tiveram câncer de ovário.

Os pesquisadores não encontraram um risco potencial de câncer nas mulheres tratadas contra a infertilidade, incluindo aquelas que seguiram dez ciclos de tratamento, ou aquelas que não engravidaram.

Eles destacaram, porém, que continuam seu acompanhamento, já que muitas mulheres que participam do estudo ainda não atingiram a idade em que esse tipo de câncer é mais frequente _60 anos, em média. O tumor de ovário é relativamente raro e a maioria dos casos é diagnosticada em estágio avançado. A taxa de letalidade chega a 70% em cinco anos, tornando-o um dos tumores mais letais.Em entrevista à Folha, o médico Rui Ferriani, professor da faculdade de medicina da USP de Ribeirão Preto, disse uma frase muito boa: "Essa notícia deve tranquilizar mulheres que já passaram ou ainda estão em tratamentos de fertilização. Elas já têm tanta preocupação que não precisavam ficar com mais essa na cabeça". Falou e disse, dr. Rui!

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h45
Bebê que sobreviveu a uma curetagem nasce sem seqüelas

O bebê fofo da foto acima nasceu há uma semana, mas a história da sua vida já rende roteiro de um filme, que tanto poderia abordar a incrível história de um sobrevivente como a absurda ineficácia da saúde pública.

Cena 1 - Aos dois meses de gestação do seu terceiro filho, Alessandra Hércules da Silva, 36 anos, dá entrada em um hospital público do Rio. O médico a examina, diz que o bebe está morto e realiza uma curetagem (raspagem do útero).

Cena 2 -  Alessandra volta à rotina, recomeça a fumar e a usar remédios para emagrecer. Tempos depois, observa que a barriga continuava a crescer. Realiza novo exame e constata que permanecia grávida. Estressada com os acontecimentos, desenvolve diabetes, hipotensão e infecção urinária. Passa o restante de gravidez na cama.

Cena 3 - Após perder noites de sono preocupada com a gestação de risco, Alessandra dá luz a Guilherme no último dia 24.  Com 52 cm e 3,710 kg, o bebê nasce saudável e sem seqüelas. Aliviada, a mãe de 'terceira viagem' _ela tem outros dois filhos, de 11 e 16 anos_só pensa agora em curtir o caçula. E claro: vai processar o hospital.

Cena 4 - A Secretaria Estadual de Saúde do Rio informa que a sindicância aberta concluiu irregularidades no procedimento médico (não diga!!!!). Está sendo avaliado o grau de culpa de cada profissional. A investigação acaba em 15 dias.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h19

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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