UOL Ciência e Saúde - Ambiente

Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela
PUC de São Paulo, autora dos
livros ("Quero Ser Mãe", editora
Palavra Mágica, e "Por Que a Gra-
videz Não Vem?", editora Atheneu)

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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"Sexo selvagem" melhora a fertilidade, diz médico

"Sexo selvagem e desinibido é a chave para a concepção". É o que recomenda o andrologista Allan Pacey, da Sheffield University (Inglaterra). Segundo ele, os casais devem investir no "sexo gourmet", algo como saborear a relação sexual e torná-la uma ótima experiência, como a de saborear uma boa comida. A sugestão consta em reportagem publicada pelo "Guardian".

"Casais que estão tentando ter um bebê frequentemente mencionam que o sexo se transformou em uma obrigação, um tanto mecânica. É uma coisa errada para se fazer quando se pensa em ter um filho", afirma o médico.

"O sexo deve ser selvagem e eletrizante como foi quando vocês se encontraram pela primeira vez, quando ninguém pensava sobre bebês", acrescentou Pacey, que é secretário da British Fertility Society.

Segundo ele, os homens podem aumentar em 50% a produção de espermatozóides quando "bem estimulados". Ele afirma que cinco minutos de atividade sexual antes da ejaculação podem produzir um extra de 25 milhões de espermas.

Para as mulheres, mais orgasmos não só resulta em mais prazer como também aumenta a fertilidade. "Quando a mulher experimenta um orgasmo, a intensidade das contrações musculares ajuda a depositar o esperma no cérvix e, depois, no útero", explica o médico.

Não faço idéia se existe algum estudo amparado pela medicina baseada em evidência que comprove a teoria de Pacey. Mas também nem precisa, né? A sugestão dele não tem efeitos colaterais. Ou melhor, tem sim. Ótimos efeitos!

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h50
Alimentos podem alterar qualidade do sêmen

A comida que ingerimos pode ter impacto na fertilidade? Alguns estudos têm mostrado que sim. O último deles, publicado no site da American Society for Reproductive Medicine com o título "Food intake and its relationship with semen quality: a case-control study", diz que as alterações na qualidade do sêmen podem estar relacionadas principalmente aos hábitos alimentares.

Nesse estudo foram avaliados dois grupos: o primeiro com 30 homens com o esperma alterado e o segundo com outro grupo de 31 homens com esperma normal. Ambos possuíam características físicas e estilo de vida semelhantes e tiveram suas dietas comparadas.

Os homens com problemas de fertilidade se alimentavam mais com yogurte, produtos derivados da carne, já o aqueles com melhor fertilidade ingeriam mais frutos do mar, mariscos, vegetais crus ou cozidos, tomates, alface, pêssegos e apricot.

O trabalho sugere que a causa da alteração do esperma é a possível presença de hormônios e antibióticos (xenoestrógenos e xenobióticos) que incorporam os alimentos industrializados.

"Os resultados desta pesquisa médica são coerentes com a baixa qualidade seminal associada a um maior consumo de produtos que podem incorporar xenobióticos, principalmente xenoestrogens ou certos esteróides anabolizantes. O uso desses compostos na indústria alimentar resulta em um aumento do nível total xenoestrogens esteróides sexuais e em alimentos processados, tais como a carne ou o leite, cuja ingestão diária contribui significativamente", afirma Arnaldo Cambiaghi, medico especialista em reprodução humana do IPGO – Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução.

O estudo esclarece ainda que os xenoestrogenios que aparecem com frequência em alimentos ricos em gordura saturada, como carne e leite, podem ser os responsáveis pela diminuição da qualidade do sêmen. Já os alimentos ricos em antioxidantes e micronutrientes, como as verduras e legumes, possuem uma influência positiva na manutenção ou melhoria da qualidade seminal.

"O que prega este estudo é que os alimentos benéficos, por sua vez, são aqueles que contêm uma quantidade maior de substâncias antioxidante, as quais ajudam eliminar os radicais livres considerados substâncias tóxicas prejudiciais a saúde das pessoas. Uma dieta assim altera o resultado do espermograma, aumentando a quantidade, a qualidade e a mobilidade do esperma", diz Cambiaghi.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h49
Mulher-namorada-mãe

Em homenagem ao nosso dia, pensei escrever um texto sobre as angústias da mulher que deseja ser mãe e ainda não o é. As dificuldades e os conflitos internos que surgem nessa jornada, as perguntas sem respostas, os Betas negativos, a menstruação indesejada, os dias PBs (preto e branco) que às vezes assolam o nosso cotidiano. Mas ontem mudei de idéia.

E foi a Gabriela, no alto dos seus quase 3 anos, a responsável pela minha súbita mudança de humor. O dia estava cinzento na Praia Grande, onde moram meus amigos, pais da Gaby. Uma peixada entre pessoas queridas já seria o suficiente para animar a tarde e enxotar a tristeza de mais um ciclo frustrado. Mas foi essa garotinha a responsável por colorir o sábado, com suas tiradas impagáveis e um incrível senso de humor.

Depois de dançar com o mini guarda-chuva colorido que eu havia lhe dado, me convidar para fazer castelos na areia e se lambuzar com sorvete de chocolate, ela lançou a seguinte pérola: qual deles é o seu namorado? Gaby se referia ao grupo de marmanjos que jogava dominó na varanda, quatro amigos e meu marido. Olhei para meu companheiro de todas as horas, meu amigo, meu amado e me emocionei pensando o quanto essa busca pelo filho é cruel com o namoro.

Pensei que nessa jornada insana temos a tendência de enxergar nossos maridos não mais como namorados mas sim como os futuros pais de nossos filhos. Ao mesmo tempo, lentamente, nós mesmas vamos deixando de ser namoradas para incorporar um arquétipo de mãe, como se uma coisa precisasse eliminar a outra_Freud explica, eu sei.

E todos aqueles truques de namoros _jantares à luz de velas, lingeries ousadas, filmes românticos_ vão se rareando, rareando até que uma menininha de dois anos e dez meses te chama novamente para a realidade e você descobre que também precisa resgatar a namorada que habita em você. Sim, você se cuida, se alimenta bem, faz exercícios, gosta do que faz, tem muitos amigos, ama e é amada, mas...qual a razão dessa falta de brilho no olhar? É a "síndrome do berço vazio" ou a falta do filho é apenas a válvula de escape para justificar as tristezas intrínsecas e os medos inconfessáveis? 

Desejo que neste dia todas nós tenhamos uma pausa para procurarmos em nós mesmas essas respostas. E junto com elas que venham o nosso brilho, a nossa dança, o delicioso sabor do sorvete de chocolate e os nossos magníficos castelos de areia. Sim, eles são frágeis e podem facilmente ser destruídos pelas incessantes ondas. Mas há areia suficiente para reerguê-los. Quantas vezes for preciso. Um beijo enorme para vocês! 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 12h17
Tire suas dúvidas sobre endometriose

Cólicas fortes, que pioram a cada mês, aumento do fluxo menstrual, dores abdominais e dor durante a relação sexual são alguns dos sintomas associados à endometriose, uma doença muito assoaciada à infertilidade ginecologista. A seguir, a médica Rosa Maria Neme, graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência médica e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo, fala sobre a doença.

 1.                 Como a endometriose se desenvolve?

Ainda não se sabe por que a mulher desenvolve a endometriose. Acredita-se que haja um aspecto ligado às questões genéticas que aumentem a predisposição de algumas mulheres e outros ligados à um distúrbio da defesa do organismo que não consegue conter o aparecimento da doença. O que sabemos é que quem alimenta a doença é o hormônio estrógeno, produzido no ovário das mulheres que menstruam.

 2.                 Quais as suas causas?

Ninguém sabe também ao certo as causas da endometriose. Sabe-se que a endometriose é uma doença que depende do hormônio estrógeno para seu desenvolvimento. Este é o hormônio feminino mais importante produzido pelo ovário durante a vida reprodutiva da mulher. Além disso, ele também é produzido pelo tecido gorduroso (apesar de ser em sua forma menos ativa), o que favorece uma piora da doença. Predisposição genética, estilo de vida, queda do sistema imunológico e alterações no fluxo menstrual são fatores que predispõem ao aparecimento da doença. 

 3.                 Quais os sintomas clínicos? E os emocionais?

Os principais sintomas da doença são a cólica menstrual em graus variados, dificuldade para engravidar (presente em 40% das mulheres), alterações intestinais durante a época da menstruação (intestino solto, por exemplo) ou dificuldades para evacuar, desconforto durante a relação sexual no fundo da vagina, além de dores contínuas na barriga. Por serem as dores abdominais sintomas corriqueiros, as mulheres costumam relacioná-las a simples cólicas menstruais, intestinais ou até mesmo à manifestação de gases. Em geral, essas mulheres podem apresentar quadros de ansiedade ou depressão, relacionados à intensidade dos sintomas.

4.                 A endometriose pode ter alguma relação com o surgimento dos miomas?

Assim como os miomas, a endometriose também é uma doença que depende do estrógeno para seu crescimento. Por isso, a associação das duas doenças é freqüente.

 5.                 A mulher pode ter a doença e não sentir nenhum sintoma característico da endometriose? Por que isso acontece?

Pode sim. Ninguém sabe ao certo por que isso ocorre. O que sabemos é que a intensidade do sintoma não está relacionado ao grau de severidade da doença.

 6.                 Existe alguma forma de se prevenir o aparecimento da endometriose?

Idealmente, não. O que aconselhamos é que esta mulher procure seu ginecologista diante do aparecimento de qualquer sintoma que possa sugerir a endometriose. Além disso, a mulher moderna deve cuidar muito bem de sua saúde. Deve cuidar da alimentação, do sono e, principalmente, praticar exercícios físicos que controlam não somente o estresse, e indiretamente a endometriose, mas também agem diretamente sobre ela, já que aumentam a concentração de endorfina produzida pelo corpo (hormônio que dá sensação de bem estar à mulher) e esta age no ovário diminuindo a produção do estrógeno. Com isso, há menos estrógeno e, consequentemente, menos atividade dos focos de endometriose.

 7.                 Os tratamentos medicamentosos têm algum efeito colateral? Quais?

O tratamento medicamentoso é feito com medicamentos hormonais e podem ter os efeitos colaterais destes, como inchaço do corpo, aumento discreto de peso, dores nas pernas. No entanto, esses efeitos tendem a ser mínimos ou inexistentes, já que usamos medicamentos com baixas doses. Há também tratamentos mais agressivos, chamados análogos do GnRH (Hormônio Liberador de Gonadotrofinas Hipofisárias) destinados aos pacientes com diagnóstico de endometriose em sua forma severa (usados somente após a cirurgia e por um período de três meses) que bloqueiam a produção de estrógeno e progesterona pelos ovários e que dão sintomas semelhantes aos da menopausa, como calores, insônia, dores no corpo, alteração de humor, ressecamento vaginal, entre outros.

 8.                 Como e por que a endometriose pode gerar a infertilidade? Como deve ser o tratamento?

Não se sabe também o mecanismo preciso pelo qual a endometriose gera a infertilidade. O que sabemos é que as mulheres que têm endometriose apresentam uma maior inflamação dentro da barriga e que pode gerar uma alteração da anatomia das tubas uterinas (local onde ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozóide) e, em conseqüência, pode vir a alterar a chance de ovulação, modificar a movimentação do espermatozóide ou ainda diminuir a chance de um embrião grudar dentro do útero. Mas estes mecanismos ainda estão sendo pesquisados.

 9.                 Pode acontecer da mulher estar com endometriose e engravidar? Será uma gravidez de risco?  

Somente 40% das mulheres com endometriose apresentam problemas para engravidar. Alguns estudos mostram que estas mulheres podem ter uma chance de abortamento discretamente aumentada nos primeiros três meses de gestação. Quanto ao restante da gestação, não há nenhum risco.

 10.            Uma mulher que já tratou a endometriose pode engravidar após quanto tempo? Ela precisar recorrer a algum método de fertilização in vitro ou in vivo?

A mulher só precisará recorrer a algum tratamento de fertilização in vitro caso não tenha possibilidade de engravidar naturalmente (por exemplo, quando ambas as tubas uterinas estão fechadas). Caso contrário, após um mês do tratamento cirúrgico da endometriose, ela já está apta a engravidar.

 11.            A partir de qual idade a mulher pode desenvolver a endometriose?

A endometriose é uma doença da mulher que menstrua. Portanto, a partir da primeira menstruação até a menopausa, ela pode desenvolver a doença.

 12.            Após o tratamento, a paciente pode desenvolver novamente a endometriose. Por que?

Pode sim. A endometriose é uma doença que não tem cura e pode voltar. Por isso é importante que a mulher que tenha a doença, vá a seu ginecologista pelo menos uma vez a cada seis meses e sempre esteja em uso de alguma medicação hormonal para diminuir a chance da doença retornar.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h53