Histórias de encantar

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Matthew adorava ler livros antes de dormir. Aconchegava-se todas as noites à mãe ou ao pai ou a ambos, para ler um livro. Umas noites era uma história de piratas, outras noites de algum rei ou mesmo histórias de monstros.

Mas havia uma história que era a preferida de Matthew. A mãe dizia que também era a sua predilecta, o conto de encantar a família. Matthew adorava ouvir essa história.

- “Mamãe?” perguntava Matthew
- “Diz”, respondia a mãe
- “Conta-me a nossa história preferida”
- “Está bem. Estás pronto?”
- “Sim!”

Assim começa o livro “Hope and Will have a Baby”, a história de um menino que descobre a luta e sucesso que os pais tiveram em criar a sua família, tendo recorrido à adoção de um embrião. Este título faz parte de uma coleção de quatro livros, escritos por Iréné Celcer e ilustrados por Horácio Gatto, redigidos numa linguagem própria para crianças, de modo a explicar quatro caminhos diferentes para a concepção: doação de óvulos, de esperma, de embrião ou maternidade de substituição. O livro não está disponível no Brasil, mas pode ser encomendado pela Amazon http://www.amazon.com/

PS - Este texto foi extraído do blog da "Associação Portuguesa de Fertilidade", nosso parceiro.

Escrito por Cláudia Collucci às 11h04
Homens também têm relógio biológico, sugere pesquisa
Os homens também teriam um relógio biológico e começam a perder a fertilidade a partir dos 30 anos, sugere uma pesquisa apresentada durante a última Conferência Européia de Fertilidade, ocorrida em Barcelona, na Espanha.

Os pesquisadores analisaram cerca de 12 mil casais em tratamento para infertilidade e observaram que a qualidade do sêmen começa a deteriorar a partir dos 35 anos e cai de maneira significativa após os 40 anos de idade.

Segundo o estudo, a índice de gravidez por ciclo de tratamento cai de 13,6% entre os casais com homens na faixa etária do início dos 30, para 9,3% entre aqueles com mais de 45 anos.

Os pesquisadores analisaram também a idade das mulheres, no entanto, o estudo sugere que a queda no índice de fertilidade estava associada com a idade dos homens e não de suas parceiras.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ainda não sabem identificar os mecanismos que levam à queda na fertilidade.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é a de que o DNA contido no sêmen dos homens mais velhos pode ser mais danificado e, por isso, rejeitado pelo óvulo de suas parceiras.

Os pesquisadores analisaram casais que estavam fazendo tratamento no Centro Eylau de Reprodução Assistida, em Paris, entre janeiro de 2002 e dezembro de 2006.

Os casais tinham feito inseminação artificial ou intra-uterina – técnica na qual o sêmen é inserido no útero da mulher quando ela está ovulando. Esse processo é usado no caso de casais em que as mulheres não têm problemas de fertilidade e é considerado menos invasivo que a fertilização in vitro.

Os pesquisadores analisaram o sêmen dos homens em algumas características como quantidade, habilidade de locomoção, tamanho e formato. Além disso, os cientistas registraram os índices de gravidez, aborto natural e nascimentos.

O estudo indica que a idade da mãe teve um impacto no caso de mulheres acima dos 35 anos. As mulheres dessa faixa etária tinham mais chances de ter um aborto e também menor taxa de concepção.

No entanto, os cientistas observaram ainda que, quando o pai estava na faixa etária de mais de 30 anos, os abortos eram mais comuns do que entre os casais com homens mais novos.

De acordo com a pesquisa, se o homem tivesse mais de 40 anos, as chances de a mulher engravidar eram ainda menores. No caso desses casais, cerca de 27% das gestações acabavam em aborto e apenas 10% dos tratamentos resultavam em gravidez.

De acordo com Stephanie Belloc, que apresentou o estudo durante a conferência, a pesquisa "tem implicações importantes para os casais que estão esperando para formar uma família".

"Métodos como a FIV (Fertilização in Vitro) , apesar de não serem garantia de sucesso, podem ajudar os casais com homens mais velhos a conseguirem engravidar suas parceiras de modo mais rápido e também reduzir o risco de aborto [por conta da seleção do melhor espermatozóide]", disse Belloc.

Para o especialista em fertilidade da Universidade de Sheffield e secretário da Sociedade Britânica de Fertilidade, Alan Pacey, há cada vez mais provas de que o homem não está imune à perda de fertilidade pela idade.

"Estudos anteriores com casais que estavam tentando engravidar naturalmente ou através da fertilização in vitro já indicaram que homens acima dos 40 anos são menos férteis do que os mais novos. Além disso, quando conseguem engravidar suas parceiras, há mais chances de aborto", afirmou.  "Esse estudo reforça a mensagem de que os homens não estão isentos da perda de fertilidade", concluiu.

 
Escrito por Cláudia Collucci às 09h08
Nasce nos EUA bebê concebido com sêmen congelado há 22 anos

Já tínhamos contato ano passado a história da gravidez com sêmen congelado já mais de 22 anos nos EUA. Agora, veio o final feliz. Ontem, médicos americanos anunciaram o nascimento da menina Stella, o bebê fruto desse feito. O pai do bebê, Chris Biblis, 39, teve leucemia na adolescência e, antes de iniciar o tratamento de radioterapia que o tornaria infértil, a família decidiu congelar seu esperma.

Stella Biblis foi gerada por meio de uma técnica de fertilização in vitro chamada ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóide). Os especialistas selecionaram um espermatozoide saudável, que havia sido descongelado, e o injetaram no óvulo de Melodie, mulher de Biblis. Depois, o embrião foi transferido para o seu útero.

Os especialistas responsáveis pelo tratamento, feito em uma clínica em Charlotte, na Carolina do Norte, em junho de 2008, afirmam que o intervalo de 22 anos entre o congelamento do sêmen, em 1986, e a concepção seja o mais longo já registrado.

Chris Biblis recebeu tratamento para leucemia entre os 13 e os 18 anos. O congelamento ocorreu aos 16, antes de ser submetido a sessões de radioterapia. Ele está livre da doença há 20 anos.

Em entrevista ao programa de TV "Good Morning America" (ABC News), Biblis disse que a ideia do congelamento do sêmen foi da sua mãe. "Não passava pela minha cabeça casar ou ter filhos. Mas minha mãe realmente acreditava que eu venceria o câncer e iria querer minha própria família."

Escrito por Cláudia Collucci às 22h18
Quando é para ser


A reportagem abaixo é da minha amiga Flávia Mantovani, repórter super competente da Folha. A história de Izabel é para lá de surpreendente e nos leva, mais uma vez, a ter certeza de que a natureza é muito sábia e dá sempre a palavra final. Não adianta a gente se espernear, se encher de por ques. Quando é para ser, as coisas simplesmente acontecem. Assim como aconteceu com a improvável gravidez de Izabel. Milagre? Não sei. Prefiro continuar acreditando que a Mãe Natureza sabe o que faz. No seu tempo, não no nosso. 

Tinha tudo para dar errado. Por algum motivo desconhecido, o óvulo fecundado, que normalmente é levado pelos cílios da tuba uterina até o útero, tomou o caminho contrário e se instalou na cavidade abdominal, perto do intestino.
A placenta, que em geral se adere à parede interna do útero para obter nutrientes que alimentam o bebê, ficou do lado de fora e poderia ter deixado o feto sem nutrição ou se descolado a qualquer momento, gerando uma hemorragia fatal para mãe e filho.
E a escassez de líquido amniótico (causada pelo funcionamento incompleto da placenta), em geral, deixa a criança sem espaço para se desenvolver e leva a más-formações de membros e órgãos.

Foi assim, contrariando uma sucessão de prováveis fracassos, que a gravidez da dona de casa Izabel Aparecida Rodrigues, 32, vingou. A placenta encontrou um jeito de nutrir o feto, expandindo-se mais do que o normal em busca de vasos sanguíneos por fora do útero. Durante a gestação, o órgão sofreu pequenos descolamentos que geraram hemorragias, mas elas puderam ser controladas com transfusões.
Izabel sentiu muita dor e teve que ser internada para receber sangue e repousar quase todo mês. Mas a barriga foi crescendo -inclinada para a esquerda, é verdade- e, no dia 12 de fevereiro deste ano, na 36ª semana de gestação, nasceu o bebê, uma menina de 2,2 quilos, chorando e saudável.

Natural de Cachoeiro do Itapemirim (ES) e mãe de mais três filhos, de 14, dez e nove anos, Izabel procurou um médico aos dois meses de gestação, queixando-se de dor e sangramento. As duas notícias, sobre a gravidez e o local inusitado onde o feto havia se instalado, vieram juntas.
"Fiz um ultrassom e vi que o bebê estava fora do útero. Pensei que poderia estar dentro da trompa, mas não parecia. Pedi que outro médico olhasse, fizemos uma ressonância magnética e confirmamos a gravidez abdominal", conta seu obstetra, Roberto Bastos, da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro do Itapemirim.

A reação, segundo Izabel, foi um misto de alegria e tristeza. Ela tinha o direito de abortar, pois estava com a vida em risco. Mas, quando perguntou ao obstetra se havia chance de a gestação ir adiante e ele disse que sim, apesar de remota, ela preferiu confiar. "Decidi deixar ir para a frente. Confiava sempre em Deus e no médico", diz.

A gravidez era acompanhada com ultrassom no mínimo a cada 15 dias associado a um doppler, que mostrava se a circulação da placenta estava funcionando. Todo mês, a dona de casa ficava internada por cerca de uma semana para receber sangue e repousar. Acabou tendo que abandonar um emprego que tinha conseguido dois meses antes, como doméstica.
O marido e amigos, ao vê-la passando tanto mal, chegaram a sugerir que ela abortasse, mas Izabel diz que essa hipótese não passou por sua cabeça.

Quando completou 36 semanas, o médico decidiu fazer uma cesárea, pois temia que a falta de líquido amniótico causasse sequelas. A incisão, geralmente transversal e acima do púbis, foi longitudinal e do lado esquerdo do umbigo. "Tivemos que descobrir o melhor local para tirar o bebê. Nossa preocupação era que o intestino estivesse na frente, pois não queríamos mexer nele", diz Bastos.

A placenta, que nos partos vaginais é expelida e nas cesáreas é retirada pelo médico, teve que ficar -e está até hoje no organismo de Izabel. "Como a placenta dela ficou ligada a vasos importantes, não podemos tirá-la sob o risco de causar hemorragia. É preciso esperar que ela seja reabsorvida naturalmente", diz Bastos, que acredita que o processo demorará dois ou três meses.
"Me senti muito feliz quando ouvi o choro. Foi nessa hora que fiquei sabendo que era uma menina", lembra Izabel. Ela não teve dúvidas: chamou a filha de Maria Vitória.

A recém-nascida foi levada para a UTI neonatal porque teve uma ligeira dificuldade respiratória, típica de prematuros. Mas, cinco dias depois, mãe e filha tiveram alta. Segundo Izabel, Maria Vitória é agitada, mas não dá muito trabalho. "Ela é espertinha e vive virando na cama e se mexendo, mas não é de chorar muito, não."

Caso raríssimo
A gravidez abdominal é muito rara. Segundo estudos, sua incidência varia de 1 para cada 10 mil a 1 para cada 64 mil partos. Mesmo entre as gestações ectópicas (fora do útero), trata-se de um caso incomum, pois, quase sempre, o embrião se instala na tuba, onde não se desenvolve por falta de espaço.

Mais raro ainda é esse tipo de gravidez ir adiante. A chance de sobrevivência neonatal é de no máximo 20%. "A gente estuda na faculdade que isso pode acontecer, mas eu estou formado há 22 anos e nunca tinha visto", conta Bastos.
O médico procurou referências na literatura científica e só encontrou um artigo no Brasil que reportasse uma gestação abdominal em que o bebê nasceu vivo, em 1999, em Recife (PE). O texto cita outros dois casos relatados em Fortaleza (CE) e em João Pessoa (PB). Bastos, agora, escreve um artigo sobre o caso de Izabel.

Escrito por Cláudia Collucci às 00h03

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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