"Viagens: a arte e a ciência de fazer bebês"

Estreou há um mês nos EUA um dos melhores documentários produzidos por clínicas de fertilização (no caso, a Fertility Centers of Illinois) sobre a experiência da infertilidade e o cotidiano dos tratamentos, acompanhando a história de quatro casais.

O filme documenta os sonhos e as dificuldades dessa jornada em busca de um filho. O casal Lia and Steve Sulkin, um dos participantes, relata sobre as inúmeras tentativas de FIV frustradas, a dor do aborto que sofreram e, finalmente, o nascimento do bebê tão esperado.

"Foi um caminho longo, mas nunca desistimos de procurar ajuda. Uma das mais difíceis experiências da nossa vida, agora parece nada quando olhamos nos olhos de nossa linda criança", dizem em um trecho do documentário.

Vocês podem ver o trailer (em inglês) do documentário "Journeys, The Art & Science of Making a Baby" no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=jrwDPvyABs0. Mais informações no site da clínica www.fcionline.com.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h52
Sarah Parker e "A Grande Família" reabrem debate sobre "barriga de aluguel"

  (Novela "Barriga de Aluguel, 1990)

Quase 20 anos depois do sucesso de "Barriga de Aluguel", novela de Glória Peres que tinha Cássia Kiss e Cláudia Abreu como protagonistas, o assunto volta a ter destaque na mídia. E mais uma vez com uma certa dose de sensacionalismo e desinformação. Dois fatos desencadearam as repercussões desse assunto polêmico: as gêmeas da atriz Sarah Jessica Parker, 44, famosa pelo seriado e filme homônimo, Sexy and the city, e do ator Matthew Broderick, 47, e o seriado da Globo "A Grande Família".

O casal Parker e Broderick , que já tem um filho de 6 anos, tomou a decisão depois de muitas tentativas frustradas de uma segunda gravidez. Agora reclama da perseguição que a família _e mais a mulher que está gerando as gêmeas_ está sofrendo por conta dos paparazzi.  No seriado A Grande Família, os personagens Bebel e Agostinho estão afundados em um mar de dívidas. E a solução mágica para o problema envolve uma proposta financeira para que a personagem seja “barriga de aluguel” de um casal de amigos.

Paralelamente a isso, em sites de relacionmento, como o Orkut, há dezenas de anúncios de mulheres oferecendo para "alugar" a barriga a preços que vão de R$ 4.000 mensais a R$ 80 mil por toda a gestação. No Brasil, esse tipo de "negócio" é proibido. O uso de uma barriga alheia para a gestação de um filho só é permitido em caráter solidário.  Ou seja, entre mulheres com algum vínculo afetivo (com parentesco de até segundo grau).

"A justificativa para essa recomendação é exatemente coibir a comercialização. Caso não haja vínculo familiar, é preciso pedir autorização ao Conselho Regional de Medicina onde o casal reside. É completamente desaconselhada a busca de incubadoras humanas na internet, nas redes sociais e em sites de classificados", diz o ginecologista Joji Ueno, diretor da Clínica GERA.

A legislação sobre barriga de aluguel varia de país para país. O procedimento só pode ser remunerado em alguns Estados americanos, como a Califórnia e a Flórida, e na Índia. Desde 2002, quando a prática foi legalizada pelas autoridades do país, as mulheres indianas vêm sendo muito procuradas por casais de estrangeiros. O motivo é o baixo preço do aluguel de sua barriga _7.000 dólares, em média. O negócio assumiu tal proporção que se fala, inclusive, em "turismo da medicina reprodutiva". Entre as americanas, o valor da barriga de aluguel gira em torno de 25 mil dólares.

"Como não há leis brasileiras sobre o tema, o que temos como elemento norteador é a resolução feita pelo Conselho Federal de Medicina, CFM, que se restringe à atividade médica, mas na lacuna de outras leis, é usada como orientação também para profissionais da Justiça também”, diz Ueno.

A prática da barriga de aluguel também envolve questões psicológicas delicadas, tanto para a gestante, quanto para a mãe e o pai biológicos. De um lado, está uma mulher que passa por todas as transformações físicas e psíquicas ocasionadas pela gravidez de uma criança que não é e nunca será sua.  "Esse processo é muito confuso para o psiquismo, uma vez que o registro mental existente é que toda mulher que dá a luz é mãe, sendo necessária uma redefinição interna do que vem a ser uma mãe”, explica a psicóloga Luciana Leis.

Do outro lado, está um casal que tem de recorrer ao útero de outra mulher para realizar o sonho de ter um filho. "O sentimento de impotência costuma aparecer neste momento. Além disso, há a entrada de um terceiro elemento na relação do casal, podendo mobilizar muitas fantasias. Outros medos comuns se relacionam com uma possível separação dos pais biológicos, em meio à gestação, ou então, com uma possível malformação da criança. Todos estes temas merecem um acompanhamento psicológico apropriado”, diz Luciana.

Escrito por Cláudia Collucci às 14h03
Mãe aos 66 anos

Elizabeth Munro (pic: John Alevroyiannis)

A empresária britânica Elizabeth Munro, de 66 anos, se tornará no próximo mês a mais velha mulher a dar à luz no Reino Unido. Em entrevista ao "Sunday Mirror" publicada neste domingo, http://www.mirror.co.uk/sunday-mirror/, a grávida de oito meses disse que não se importa com a idade.

"Não me interessa o fato de me tornar a mãe mais velha do meu país. A minha idade física não é o importante. É como eu me sinto. Alguns dias, sinto-me com 39 anos. Outros, com 56 anos."

Ela também disse que se sente mais em forma e saudável que algumas das meninas de 20 anos que trabalham com ela.

Munro, divorciada há mais de 15 anos e sem outros filhos, defendeu sua decisão de viajar à Ucrânia para fazer o tratamento de fertilização que permitiu que ela conseguisse engravidar. Ela disse ter pago o equivalente a 10 mil libras (quase R$ 32 mil).

A mulher afirmou que não importa com a polêmica criada em torno da gravidez. "É um assunto privado e não espero que as pessoas entendam isso. É um assunto meu e do meu bebê e de ninguém mais. Para mim, é maravilhoso." Ela, que vive e trabalha em Newmarket, Suffolk, também disse ao jornal não ter medo de criar seu filho sozinha.

Munro já marcou seu parto, que deve ocorrer no mês que vem, em um hospital privado em Cambridge. Ela já havia tentado antes tratamentos para engravidar, mas todos falharam.

Elizabeth Munro é quatro anos mais jovem do que a mãe mais velha do mundo. Omkari Panwar, da Índia, deu luz a gêmeos no ano passado aos 70 anos. Em ambos os casos, a fertilização in vitro foi feita com óvulos de uma mulher mais jovem.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h31
Lula sanciona lei que obriga planos de saúde a pagarem FIV. Será?

O presidente Luis Inácio Lula da Silva sancionou a Lei N.º 11.935, publicada hoje (12/05) no Diário Oficial da União, que, entre outras coisas, trata do custeio de tratamento de reprodução pelos planos de saúde. Tive curiosidade de acessar o texto da lei, que, na realidade, apenas altera o art. 35-C da Lei N.º 9.656, de 3 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde.

A novo texto tem a seguinte redação: "Art. 35-C. É obrigatória a cobertura do atendimento nos casos: I - de emergência, como tal definidos os que implicarem risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis para o paciente, caracterizado em declaração do médico assistente; II - de urgência, assim entendidos os resultantes de acidentes pessoais ou de complicações no processo gestacional; III - de planejamento familiar

Confesso que fiquei bem desapontada porque não há nenhum detalhamento no item III, que trata do planejamento familiar. Todos nós sabemos muito bem que, mesmo quando está tudo "preto no branco" já é difícil o cumprimento de leis nesse país, fico imaginando se algum plano vai realmente cumprir essa lei redigida de forma tão genérica.

Quem trabalhou em defesa da lei entende que ela obriga os planos de saúde privados a cobrirem os gastos com procedimentos médicos conceptivos e contraceptivos. E que a fertilização in vitro estaria incluída aí. Para mim, uma leiga em legislação, isso não está nem um pouco claro no texto da lei.

Querem saber mais? Duvido que, sem pressão popular, vá mudar alguma coisa. A menos que haja uma regulamentação desta lei (acho que, nesse caso, isso não vai ocorrer), deixando muito claro quais os procedimentos que serão bancados pelos planos de saúde.

É a mesma coisa que está acontecendo com a lei da mamografia. O presidente Lula sancionou uma lei que garante o acesso anual à mamografia no SUS a toda mulher acima de 40 anos. Mas o próprio braço do governo responsável pelas políticas de câncer no país, o Inca, acha um equívoco isso e diz que tudo continua igual ao que era antes: na faixa dos 40 anos, só se a mulher tiver indicação médica (histórico familiar de câncer, por exemplo) para o exame. Ou seja, é uma lei que já nasceu morta, pelo menos no que diz respeito à ampliação do acesso à mamografia.  

De qualquer forma, o que devemos fazer agora em relação à nova lei dos planos é fiscalizar. Entrar em contato com nossos planos de saúde e saber qual a posição deles. E botar a boca no trombone caso a coisa comece a cheirar a "enrolation". Já está mais do que na hora de os casais com dificuldade de gravidez deste país mostrarem sua cara. Todas as conquistas na área da saúde demandaram lutas. Ao vivo e a cores. E não apenas pela internet.  

Escrito por Cláudia Collucci às 00h06
Nós e o Dia das Mães

 

Pela primeira vez, desde que o blog foi inaugurado, não preparo nada de especial para o Dia das Mães. Para falar bem a verdade, só hoje caiu a ficha de que o famoso dia que tanto nos atormenta já tinha chegado novamente. A vida anda muito corrida desde que a gripe suína...

Ou talvez porque esse dia já não me atormenta mais. É estranho. Hoje, ao lembrar que depois de amanhã é o Dia das Mães, o que primeiro me veio a mente foi: Puxa! não comprei nada para a minha mãe! Aquela angústia, aquele vazio, aquela urgência pelo filho que ainda não veio simplesmente desapareceram.

Não que eu tenha jogado a toalha neste sonho. Mas creio que passei a viver melhor os dias que tenho, a amar mais e mais as pessoas que estão ao meu lado e não projetar minha felicidade em um projeto ainda não realizado.

 

De qualquer forma, a psicóloga Luciana Leis mais uma vez empresta sua sensibilidade para este espaço e nos presenteia com um novo artigo justamente sobre o tema. Que ele nos sirva de inspiração para continuar na luta!

 

Dia das Mães e infertilidade: cultivando o sonho

 

É véspera do Dia das Mães e o tom melancólico na fala das muitas mulheres que batalharam pelo objetivo de um filho revela uma coisa só: “Mais um Dia das Mães chega e o bebê não veio!”. Em meio aos muitos pensamentos... questionamentos: “Quando ele virá?”; “O que acontece comigo que não engravido?”; “Será que engravidarei um dia?”; “E se isso não ocorrer?”.

Essas são algumas das muitas perguntas sem respostas que a maioria das mulheres que vivencia essa dificuldade faz a si mesma; além disso, noto, nos atendimentos que realizo, que quanto maior o tempo de infertilidade menores ficam as esperanças de ver o sonho realizado um dia: é como se o sonho fosse ficando cada vez mais distante ao perceberem que tanto tempo se passou e nada ocorreu.

A vivência de frustração e tristeza costuma se intensificar nessa época e, em decorrência desses sentimentos, percebe-se a tendência ao negativismo, prevalecendo o pensamento de que nada dará certo. A infertilidade fragiliza a mulher, mexendo com sua autoestima e a fazendo acreditar que não é capaz de ser mãe em função dos diversos “nãos” a cada mês.

Desta forma, a crença interna nesta incapacidade de gerar pode dificultar ainda mais a gravidez, uma vez que escreve no psiquismo um “não” no lugar de um “sim” para o filho. Exemplo disso são as gravidezes que ocorrem de forma espontânea depois da conquista do primeiro bebê, após várias tentativas de tratamento, ou após adoção.

Assim, acredito que um dos desafios da mulher que apresenta dificuldades para engravidar é continuar acreditando que pode ser mãe, seja pela via “natural” ou por outros caminhos que ela consiga abrir para chegar ao seu objetivo.

O trabalho interno visando melhorar a autoestima ajuda no enfrentamento desse processo, uma vez que é preciso também olhar para as conquistas da vida em meio ao tempo de espera pelo filho; ao se dar conta de tudo que já realizou, a mulher pode construir uma autoimagem de pessoa mais forte e que pode lidar com dificuldades.

No atendimento a casais que vivenciaram muitos anos de infertilidade até a chegada do filho, percebo que, para eles se manterem estruturados, existiam outras fontes de investimentos das quais colhiam resultados enquanto o bebê não vinha (como trabalho, cursos, negócios, lazer etc.).

 Além disso, noto também que a religiosidade, a fé e a troca de experiências com pessoas que vivenciaram essa dificuldade ajudam a manter a crença interna de que o filho em algum momento será possível, mantendo assim a esperança que impulsiona a realização do sonho.

 

 Luciana Leis   e-mail: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 22h29
Os planos de saúde e os tratamentos de reprodução

Meninas, está no ar um abaixo-assinado superimportante com o intuito de forçar nossos governantes a aprovar uma lei que determina que os planos de saúde cubram todos os métodos contraceptivos, como laqueadura e vasectomia, e também os que possibilitem a concepção, como a inseminação e a fertilização in vitro. O projeto já foi aprovado pela Câmara e aguarda agora a sanção do presidente Lula.

É uma iniciativa para lá de importante porque quem entra nessa via-crucis dos tratamentos de reprodução conhece muito bem o custo emocional e financeiro. Atualmente, poucos hospitais públicos oferecem esse tipo de tratamento gratuitamente. Nos serviços particulares, chegam a custar R$ 20 mil.

Por isso, vamos colaborar, assinar e encaminhar essa reivindicação. O endereço é o seguinte:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4157

Escrito por Cláudia Collucci às 19h29

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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