Quando o desejo de ser mãe parece não ser possível

O texto abaixo é da psicóloga Luciana Leis, que sempre nos traz contribuições valiosas para tornar essa nossa jornada  um pouco menos espinhosa. Espero que gostem!

A maioria das mulheres cresce cultivando o sonho de ser mãe um dia; desde muito cedo brincamos com nossas “filhas-bonecas”, treinando esse papel para ser atuado em algum momento de nossas vidas. No entanto, esse sonho vai sendo colocado de lado para podermos desenvolver outros papéis (social, profissional etc.), para só então o resgatarmos em uma situação mais possível de realizá-lo.

         Assim, nos prevenimos de uma gestação em nossos namoros até encontrarmos um homem que pareça bom para estar ao nosso lado e construir uma família. Também evitamos um filho para nos estabilizarmos profissional e financeiramente. Nesse meio tempo, muitas vezes (sem percebermos) acabamos sendo meio “mães” de nossos amigos, maridos ou até mesmo de nossos pais. Desta forma, mais cedo ou mais tarde, acabamos tendo um “insight” e percebemos que o sonho de ser mãe, até o momento colocado de lado, pode sim ser priorizado, já que consideramos que aquele é o melhor momento de nossas vidas para isso.

         Porém, o tempo vai passando e a gravidez não acontece, fazendo-nos questionar o que pode estar errado. É muito difícil aceitar nossa falta de controle nessa área, uma vez que com esforço conseguimos garantir muitas coisas até ali. É preciso reconhecer nossa impotência para poder garantir a chegada de uma nova vida, afinal, não somos “deuses”.

         Faz-se necessário, então, certa flexibilidade interna para irmos em busca de alternativas que nos levem a atingir nosso objetivo. É fato que, na maioria das vezes, acreditamos que teríamos filho logo que parássemos de usar o método contraceptivo; no entanto, quando isso não acontece, precisamos encontrar novas possibilidades para chegarmos ao nosso destino. Talvez o caminho mais fácil esteja interditado, o que não significa que todos os caminhos estejam fechados, e então entra a flexibilidade de cada um para buscar a melhor forma de concretizar o sonho de se ter um filho.

         Acredito que o grande obstáculo desse percurso seja vencer o negativismo que essa situação nos coloca e se apegar às possibilidades reais desse sonho vir a acontecer. É comum, devido a sentimentos de insegurança e frustração, nos perdermos em meio a fantasias aterrorizantes nas quais parece que o desejo nunca será possível, quer pela via biológica ou da adoção. Em alguns momentos é necessário nos afastarmos um pouco do mundo das emoções e colocarmos mais objetividade e racionalidade para enfrentarmos os problemas, já que, se existem formas para resolvermos essa questão, é nelas que devemos nos respaldar.

         Lembro-me de uma amiga que, frente ao diagnóstico de infertilidade conjugal, ouviu de seu médico: “Suas chances são muito pequenas de engravidar.”. Frente a isso, ela perguntou: “Mas elas existem?”, e ele respondeu: “Sim.”; Essa resposta curta, porém honesta e positiva, foi o dado de realidade em que ela se apegou para enfrentar seus medos até a chegada de sua filha, hoje com cinco anos.

         Portanto, penso que a vivência e o reconhecimento de todos os sentimentos que a infertilidade traz em seu bojo são imprescindíveis para lidarmos com ela; no entanto, precisamos também de certa dose de racionalidade para enfrentarmos com determinação esse processo, sem nos perdermos em nossos medos e inseguranças.

 

Luciana Leis - luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 19h59
Doadores de sêmen devem ser identificados?

O governo britânico prepara uma lei que torna obrigatória a identificação de doadores de sêmen no país a partir de 2005. A ministra da Saúde da Inglaterra, Melanie Johnson, defende o direito de as pessoas conhecerem sua origem biológica. Outro argumento favorável é de que a identificação evitaria o casamento de consangüíneos. O fim do anonimato pode, inadvertidamente, desestimular as doações, embora os países escandinavos que têm leis nesse sentido não tenham registrado fuga significativa de voluntários. Há mais de cinco anos o governo britânico discute a revisão da lei do anonimato.


O debate sobre o assunto mobiliza a sociedade. A Rede BBC de Notícias também produz há anos uma série de matérias e serviços sobre o tema, inclusive disponibilizou um e-mail para cooptar as notícias com a seguinte mensagem: “se você for uma criança nascida de esperma doado e quer buscar seu pai envie um e-mail para nós. A BBC tentará divulgar o máximo possível seus comentários, mas não garante que todos os e-mails serão publicados e se reserva o direito a editá-los”.

Em 2002, o doador Ben Shepherd, de 21 anos, declarou à BBC que “ficaria feliz em ser identificado” se uma pessoa o procurasse no futuro. “Estou dando aos casais a oportunidade de constituir família”, afirmou. Em janeiro deste ano, a rede de notícias entrevistou outro doador, identificado apenas como Nick, de 29 anos. Na época em que era estudante, Nick fez duas doações ao banco de sêmen e recebeu cerca de 12 libras por cada uma delas. “Minha decisão não foi altruísta. Eu fiz isso apenas por dinheiro para comprar cerveja”. Ele disse que não teria doado se pudesse ser identificado posteriormente.

A BBC ainda entrevistou, em 2002, um casal suíço que resolveu fazer inseminação na Dinamarca, onde vale o anonimato para o doador. Também baseada no direito de as crianças conhecerem os pais biológicos, desde 1985 a Suíça não tem mais doação anônima. Em 2002, a agência de notícias France Presse entrevistou uma jovem norte-americana, identificada como Claire. Em 1983, o banco de esperma da Califórnia, usado por sua mãe, introduziu o primeiro programa que permite que crianças conheçam a identidade do doador quando completam 18 anos. Claire foi a primeira a se beneficiar do programa e, no seu aniversário, recebeu um pacote com o nome, endereço e até uma fotografia de seu pai biológico. Ela, que esperava a atenção da mídia diminuir para entrar em contato com ele, fez algumas declarações a respeito:

“Não sei se pareço com ele. Acho que pareço com minha mãe (...) Eu tento ser realista, vejo os pais de meus amigos e ninguém é perfeito. Ele pode me decepcionar ou eu posso decepecioná-lo. (...) Quero conhecer, porque ele é a metade da minha herança genética e uma parte da minha vida sobre a qual não tenho conhecimento. (...) Seria interessante se ele tivesse uma família. Espero que sua família o apóie. Se não for assim, seria desconfortável e influenciaria nosso encontro. Se eles não quiserem um contato mais detalhado, então, que assim seja”.

Pela política do banco de esperma da Califórnia, os homens podem optar por doação anônima ou não. Os que dizem sim, podem mudar de idéia depois. Mas os doadores não têm direitos sobre a criança e, conseqüentemente, nenhuma responsabilidade legal. “Fizemos pesquisas com nossas crianças mais velhas e descobrimos que elas não estavam procurando um pai perdido há muito tempo, mas só curiosos sobre seus genes e qual era sua aparência física. O máximo que queriam era a amizade”, declarou Maura Riorden, diretora executiva do banco da Califórnia, à France Presse.

No Brasil

No Brasil, não há lei específica sobre o assunto, mas a Resolução CFM 1.358/92 prevê o sigilo sobre a identidade do doador, que só poderá ser aberto em situações especiais, exclusivamente para médicos. Segundo a Resolução, além do consentimento informado de pacientes inférteis e doadores, “as informações devem também atingir dados de caráter biológico, jurídico, ético e econômico”. Também diz que os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Prevê ainda que “na região de localização da unidade, o registro das gestações evitará que um doador tenha produzido mais que duas gestações, de sexos diferentes, numa área de um milhão de habitantes.”

O Código Civil faz referência à inseminação artificial no artigo 1.597: “presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.” Em relação aos filhos adotivos, o Código Civil privilegia a relação sócio-afetiva e põe limites às ações de contestação de paternidade. De acordo com o artigo 1.614, aquele que foi reconhecido como filho enquanto era menor de idade “pode impugnar o reconheci-mento” apenas “nos quatro anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação”.

Opiniões

Evitar o casamento de consangüíneos e garantir o direito de uma pessoa de saber quem é seu pai biológico são argumentos sustentáveis para permitir a identificação de doadores?

“Em um primeiro momento, vejo mais desvantagens. Se pensarmos nos riscos e benefícios, pode trazer conseqüências de ordem jurídica como ações judiciais de pedidos de pensão ou heranças. Alegar o direito de saber quem é o pai biológico é um endeusamento da biologia; é valorizar o laço biológico, quando ele tem cada vez menos importância. Quem é o pai? O sujeito que cria com amor e carinho ou aquele que, por motivos que desconhecemos, resolveu doar um pouco de sêmem? A identificação dos doadores fará com que ninguém mais queira doar.”
MARCO SEGRE
Titular aposentado de Bioética da FMUSP e ex-conselheiro do Cremesp

“Ao pensar no benefício que representa aos casais que querem ter filhos, acredito que o sigilo deve ser mantido, ou ninguém mais vai querer ser doador. A Resolução do CFM prevê que não se pode utilizar o sêmem do mesmo doador mais de duas vezes numa determinada área. A possibilidade de casamento de consangüíneos é remota e não é maior do que a entre parentes gerados por relação sexual. Quanto ao direito de a pessoa saber quem é seu pai biológico, a forma como se faz inseminação hoje no Brasil não impede que isso seja possível no futuro. O laboratório ou clínica têm de preservar, sob sigilo, a identidade do doador. Se algum dia um juiz solicitar essa identificação, o médico pode consultar o Conselho de Medicina se deve ou não abrir o seu sigilo médico”.
NILSON DONADIO
Presidente da Comissão de Laparoscopia da Febrasgo, ex-presidente da Comissão de Reprodução Assistida e responsável pelo procedimento que gerou o primeiro bebê de proveta do Brasil

 “A proposta de Lei da Inglaterra não é boa, mas o argumento de alguns de que pode trazer ações judiciais aos doadores de sêmem também não o é. O Código Civil considera que o registro civil, quando se trata de relação heteróloga com pai afetivo, é imutável, irrevogável e imprescritível, pelo princípio de igualdade dos filhos, portanto sem os maus efeitos que se colocam. Quando se trata de menor que não tem pai, o direito dele é definitivo. Porém, se ele não reivindica o conhecimento do pai nos quatro anos seguintes à maioridade, o direito à retificação do registro se extingue. Ora, se na adoção e no assento feito por pai não biológico, a lei exclui a possibilidade de retificação do registro civil, o mesmo princípio deve ser aplicado para o casal que tem um filho por reprodução heteróloga”.
WALTER CENEVIVA
Jurista e advogado, colunista do jornal Folha de São Paulo

“O problema maior é que o Brasil faz bebê de proveta desde 1982 e não tem lei nenhuma sobre o assunto. Isso é um indicativo de que o tema precisa ser exaustivamente debatido, técnica, moral e juridicamente no país. Em princípio, as duas argumentações têm fundamento lógico e sólido. Um é moral e o outro é biológico. Acredito que o sujeito desse processo deve ser sempre o ser humano, nunca poderá ser a clínica de inseminação ou as técnicas reprodutivas. Sobre o casamento de consagüineos, o uso do sêmem de um mesmo doador não mais do que em duas mulheres, previsto na Resolução do CFM, é válido, mas é frágil, pois não elimina o risco.”
VOLNEY GARRAFA
Presidente da Sociedade Brasileira de Bioética

“Sou favorável à Resolução 1.358 do CFM, de cuja elaboração eu participei. Ela diminui o risco de casamentos consagüíneos, embora não os elimine totalmente. Também prevê o anonimato, mas os dados do doador devem ser preservados e mantidos em sigilo, caso seja necessário procurar uma doença que tenha relação com a ancestralidade no futuro. Tornar a identificação do doador obrigatória seria um desestímulo à doação. É preciso contrabalançar os argumentos. Quantas pessoas serão beneficiadas pela quebra do anonimato em nome do direito da pessoa que vai nascer? Acredito que o número de prejudicadas será maior do que a de beneficiadas. Por enquanto, acho importante preservar o anonimato, mas, no futuro talvez seja preciso chegar a um consenso que contemple mais satisfatoriamente as várias correntes. Como solução intermediária penso que aquele doador que quiser ter sua identidade revelada, pode tê-la. Mas o receptor também tem de saber que o trato é esse”.  
GABRIEL OSELKA
Pediatra, diretor do Centro de Bioética do Cremesp

“As soluções são boas, mas podem trazer mais problemas do que aqueles que se pretende evitar, podendo gerar uma série de situações constrangedoras. No afã de salvaguardar determinados direitos de alguns, não se pode deixar de preservar os de outros”.
ERIKSON MARQUES
Advogado, membro da Comissão de Bioética da OAB

* Extraído da revista do Cremesp: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=133

 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h16
A Grande Corrida dos Espermatozoides*

É provável que todos tenham visto alguma das cenas hilariantes do filme de Woody Allen intitulado “O ABC do Amor” (1972). Burt Reynolds fazia de espermatozoide-chefe, animando esta adaptação ao cinema de um livro muito divulgado de David Reuben (”Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar”). Pois em breve vai estrear no Discovery Channel uma versão educativa (é o que se diz por aí…), com o título promissor de “A Grande Corrida dos Espermatozoides”. A produção não poupou esforços e deslocou centenas de figurantes para os mais empolgantes cenários naturais do Canadá, de modo a recriar a incrível aventura dos espermatozóides, entre os testículos e o útero. Fica uma breve apresentação, com uma reserva: fica por saber se o espermatozoide vencedor desta corrida passaria o teste da centrifugação numa clínica de fertilidade…

 O filme:
http://www.youtube.com/watch?v=o6wlyDoDS1c

O jogo:
http://www.channel4.com/programmes/the-great-sperm-race/articles/the-great-sperm-race-game

PS _ Agradeço a parceria com a Associação Portuguesa de Fertilidade

http://www.apfertilidade.org/blog/

Escrito por Cláudia Collucci às 16h39
Marcadas como gado
Quando a gente pensa que já viu todas as formas de descaso neste país, sempre aparece algum fato para nos lembrar que a lama é mais profunda. O que aconteceu com a carioca Manuela Costa, 29, na última quinta-feira é de revirar o estômago, de nos deixar de luto. Como mulheres, como mães que desejamos ser. Manuela, grávida de uma menina, chegou ao Hospital Miguel Couto, no Rio, em trabalho de parto, com fortes dores e sangramento.
Após ser examinada pelo obstetra de plantão, ela teve seu braço rabiscado de caneta com os dizeres: "Fernando Magalhães" e "476 e 460". Significavam o nome da maternidade que ela deveria procurar e as linhas dos ônibus que, por conta própria, pegaria para chegar lá. Assim como ela, outras DUAS grávidas, depois de examinadas no mesmo hospital, foram "marcadas" pelo plantonista e encaminhadas para a maternidade de São Cristóvão.
Quando conseguiu chegar à maternidade, Manuela foi submetida a uma cesárea de emergência e a criança já estava morta. O caso era uma emergência, um quadro clássico de descolamento prematuro da placenta. Ela jamais poderia ter sido dispensada de um hospital, ainda mais tendo que se virar por conta própria.
A dor de Gabriela, pela humilhação e pela perda da sua tão sonhada filha (ela tem dois meninos e queria uma menina), poderia ter passado em branco não fosse a coragem de um funcionário da maternidade São Cristovão. Indignado com a atitude do médico, ele fotografou o braço da mulher e fez a denúncia ao jornal "O Globo".
Graças a isso, o médico foi afastado, o prefeito determinou apuração rigorosa etc.
É pouco, muito pouco. Não é apenas com atitudes administrativas que se paga a vida de um bebê e a dor de uma mãe. Fico me perguntando onde está o Conselho Regional de Medicina do Rio neste momento?
Aliás, para sair em defesa do fechamento da Casa de Parto, em Realengo, o CRM-RJ moveu mundos e fundos há pouco mais de um mês. O conselho acusou as parteiras de colocarem em risco a vida de mães e bebês que ali nasciam e conseguiu fechar temporariamente a única casa de parto do Rio _que foi reaberta depois graças a uma liminar. Será que os nobres conselheiros já visitaram alguma maternidade pública do Rio para falar em riscos?
Em vez de levantar essa bandeira corporativista, o CRM-RJ deveria aprender com as parteiras o conceito de humanização. Quem sabe assim poderia ensinar seus obstetras a serem mais humanos, a acolherem grávidas como se fossem suas próprias mães, mulheres ou filhas. Não apenas ignorar suas dores, marcá-las como gado e encaminhá-las ao matadouro mais próximo.
Escrito por Cláudia Collucci às 20h00
Aumenta o número de nascimentos por reprodução assistida no mundo

De 219 mil a 246 mil bebês nascem a cada ano no mundo graças ao desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, segundo um estudo internacional publicado no periódico científico Human Reproduction.

A pesquisa indica um grande aumento no número de procedimentos do tipo: mais de 25% em apenas dois anos, de 2000 a 2002. Os pesquisadores usaram dados de 1.563 clínicas em 53 países, mas ressaltam a insuficiência de dados em partes da Ásia, África e Oceania.

O professor Jacques de Mouzon, do Instituto Nacional de Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm), na França, coordena o Comitê Internacional para Monitoramento de Tecnologias de Reprodução Assistida (Icmart, na sigla em inglês), responsável pelo estudo.

“Este é o oitavo relatório produzido pelo Icmart desde 1989. Trata-se de um relatório muito importante, pois ele, ainda que imperfeito, fornece dados capazes de auxiliar em debates e tomadas de decisão em temas como a disponibilidade, benefícios e riscos dessa cada vez mais importante prática médica. O relatório permite que comparemos países e regiões e que façamos análises a partir da comparação com relatórios anteriores”, disse.

Mouzon destaca o crescente aumento no número de nascimentos a partir de técnicas como a injeção espermática citoplasmática, que tem crescido mais do que a fertilização in vitro. “Entretanto, há muitas variações entre os países em relação à disponibilidade e à qualidade das técnicas de reprodução assistida”, ressaltou.

“Há muitos motivos para isso, como diferenças nas taxas de fertilidade, nas idades das mulheres, na cobertura de saúde e na economia do país. Mas o mais importante é certamente a disparidade no acesso aos sistemas de saúde e às tecnologias de reprodução assistida. No oeste da Europa, por exemplo, essas condições se mostram bem mais favoráveis do que nos países em desenvolvimento”, disse.

Segundo Mouzon, isso levanta a questão de se desenvolver técnicas de baixo custo para aplicação em países mais pobres, que permitam um maior acesso por parte da população interessada.

“Nos países em desenvolvimento, o tratamento é muitas vezes mais agressivo, podendo levar a nascimentos múltiplos e a problemas como síndrome da hiperestimulação ovariana ou a necessidade de reduções fetais”, disse.

O relatório World collaborative report on assisted reproductive technology, de Jacques de Mouzon e outros, pode ser lido em http://humrep.oxfordjournals.org/cgi/content/full/dep098.

Escrito por Cláudia Collucci às 11h58

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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