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Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a Gra- videz Não Vem?", editora Atheneu) ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() "Quero Ser Mãe"O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas ![]() "Por Que a Gravidez Não Vem?"Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema ![]() ![]() ![]() ![]() Ginecologistas
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As mudanças necessárias na reprodução assistida
O escândalo motivado pelos processos, e, nesta semana, pela prisão do médico Roger Abdelmassih desencadeou uma série de discussões sobre a necessidade de se atualizar a legislação sobre a reprodução assistida no país. A única resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) foi publicada 17 anos atrás e, além de desatualizada, não é seguida à risca. Os conselhos de medicina querem incluir o assunto na reforma do código de ética médica, que está em andamento. O certo é que pouco avanço haverá enquanto o Congresso não aprovar regras claras para o setor. Apesar de o primeiro bebê de proveta brasileiro já ter completado 25 anos, não existe sequer um projeto de lei aprovado que regulamente a reprodução assistida no país. Todos os projetos apresentados nos últimos anos eram de deputados ligados à Igreja ou a organizações não governamentais, continham sérios viéses ideológicos e não foram em frente. Enquanto isso, as clínicas privadas nadaram de braçada. Não só ganhando muito dinheiro (já que os valores dos tratamentos são altíssimos), mas também com práticas nada éticas, como receber comissões de laboratórios que fabricam os remédios usados no tratamento e das distribuidoras que vendem as drogas. Eu mesma já denunciei essa prática há alguns anos na Folha, mas, infelizmente, nenhuma investigação séria (nem dos conselhos de medicina e nem do Ministério Público) foi realizada. Anos atrás, também foi denunciado que Roger Abdelmassih anunciava abertamente a prática de transferência de citoplasma de óvulos de mulheres jovens como forma de "turbinar ou vitaminar" óvulos de mulheres mais velhas, mesmo isso não tendo evidência científica e nem aval de nenhuma sociedade médica do mundo. Nada aconteceu. Outras denúncias foram feitas dando conta que, não só Roger, mas outros médicos da área admitiam a prática da sexagem para a escolha do sexo do bebê (não para a evitar a transmissão de doenças genéticas, o que é permitido pela resolução, mas por vontade do casal de ter menino ou menina) e de compra de óvulos, o que também é proibido pela norma do CFM. Nada aconteceu. As denúncias de abuso e assédio sexual (agora, as acusações são de estupro. A mudança aconteceu em razão de uma nova legislação sobre crimes de natureza sexual, em vigor desde 7 de agosto) que recaem sobre Abdelmassih também não são novas. Ouço histórias, no meio médico, há mais de uma década sobre elas. As poucas vítimas com as quais tive contato tinham medo de denunciá-lo por falta de provas. Os médicos conheciam essas histórias por meio das pacientes, mas também usavam dos mesmos argumentos para justificar o silêncio em vez da denúncia ao conselho regional de medicina. Agora, a casa caiu graças à coragem de um grupo de mulheres, que fez a primeira denúncia, e de outras que apareceram em seguida, encorajadas pelas primeiras. Espero que tudo isso seja o início de uma grande limpeza nessa área da reprodução assistida. Espero que o Ministério Público, a Receita Federal e os conselhos de medicina foquem investigações nesse setor e estejam atentos a outras práticas também graves que, por ventura, estejam ocorrendo. E mais: que o Ministério da Saúde e o sistema suplementar (planos e seguros de saúde) cumpram o direito constitucional de todo casal com dificuldade de gravidez ter acesso a serviços de reprodução assistida. Somente com a expansão dos serviços públicos, baseados em protocolos científicos, a criação de uma legislação federal para área da reprodução assistida e uma fiscalização sistemática das autoridades competentes é que essa limpeza no setor será possível.
Escrito por Cláudia Collucci às 19h02
![]() Grávida de 12 bebês
O tabloide britânico "The Sun" traz hoje uma reportagem, no mínimo, assustadora. Uma professora da Tunísia está grávida de 12 bebês. Depois de fazer um tratamento em uma clínica de fertilidade, a mulher espera seis meninas e seis meninos, segundo o relato. Dr Mark Hamilton, da Sociedade Britânica de Fertilidade, disse: "Doze bebês é uma situação extraordinária e de muitos riscos. Essa mulher deve ter recebido tratamentos de estimulação hormonal sem controle. Na FIV (fertilização in vitro), há mais controle (o casal decide quantos embriões serão transferidos)." Em janeiro, Nadya Suleman, da Califórnia (EUA), surpreendeu o mundo quando deu luz a óctuplos. Se a gravidez da tuniasiana realmente se confirmar (o que eu duvido; quando se trata de "The Sun", é preciso ter cautela), será mais um capítulo na história das irresponsabilidades médicas que, vez ou outra, abalam o mundo da reprodução assistida. http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/2592012/Woman-in-Tunisia-pregnant-with-12-babies.html
Escrito por Cláudia Collucci às 15h34
![]() O perigo da endometriose
M., 30, sempre teve cólicas menstruais horríveis. Nos últimos anos, só conseguia ter alívio da dor com potentes analgésicos e anti-inflamatórios, alguns deles aplicados intra-muscular em pronto-socorros. Além das cólicas, sentia também dor abdominal durante a relação sexual, dor no intestino na época das menstruações, entre outros sintomas clássicos da endometriose. Mas esses sinais não foram suficientes para que a sua ginecologista suspeitasse da doença. Nas entrelinhas, a médica chegou a sugerir que as queixas eram "manhas de menina mimada". Enquanto isso, M. e o marido tentavam há dois anos uma gravidez. No início do ano, M. engravidou e sofreu um aborto com sete semanas de gestação. Após conversas com amigas, procurou um novo ginecologista que, na primeira consulta, suspeitou da endometriose. Logo em seguida, pediu exames de imagem (ultrassonografia e ressonância pélvica), que apontaram uma endometriose severa, impregnada em vários órgãos. Há poucos dias, M. fez uma laparoscopia. O susto foi grande. A doença havia tomado grande parte do intestino, o que motivou a retirada de 15 cm do órgão e oito dias de internação. Acompanhei, aflita, o drama de M., que é mulher de um grande amigo meu. Bem sei que a endometriose é ainda uma doença bastante subnotificada. É muito comum suas vítimas demorarem anos para ter o diagnóstico e o tratamento corretos. Difícil é entender a razão disso. As fontes de informação são imensas e as mais variáveis possíveis. Basta darmos um "google" para aparecer uma lista de 476 mil páginas sobre o assunto. Também sabemos que o não-tratamento da endometriose acarreta consequências desastrosas à saúde e à vida da mulher. Uma das principais é a infertilidade. Ainda assim, há ginecologistas que acompanham anos uma mulher, ouve suas queixas e nem ao menos se dão o trabalho de investigá-las. Falta de conhecimento? Desatenção? Não sei responder. A pergunta que não se cala é: como isso é possível????
Escrito por Cláudia Collucci às 19h42
![]() Descoberta uma nova mutação genética associada à infertilidade masculina
Escrito por Cláudia Collucci às 18h51
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