Procurando Luciana
Em meio a uma depressão pós-parto, Luciana fugiu de casa em junho sem dinheiro nem documentos, deixando uma bebê de 11 meses. Desde então, a família não teve mais notícias.

A irmã dela criou o blog
http://www.procurandoluciana.blogspot.com/ na tentativa de obter qualquer informação sobre o paradeiro da Luciana. O blog não só serve de ajuda à família como também é um importante alerta sobre a seriedade e gravidade da depressão pós parto.

Vale a pena dar uma olhada no site e divulgá-lo entre seus amigos.

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h27
O patrimônio genético

Um assunto muito importante circula hoje nas agências internacionais: um doador de esperma de 23 anos, que desconhecia ter uma cardiopatia, passou a doença cardíaca para nove filhos biológicos, causando a morte de um deles. O tema levanta a discussão sobre o o rigor dos exames feitos no sêmen e no óvulo doado. Quando doam esperma ou óvulos, os/as candidatos/as respondem a perguntas sobre o histórico de doenças na família, mas algumas não são óbvias ou conhecidas.

Em um artigo publicado na revista especializada "Journal of the American Medical Association", médicos americanos argumentaram que a cardiomiopatia deveria ser incluída entre os testes rotineiros dos doadores. Mas os especialistas britânicos acham que a medida poderia desencorajar potenciais doadores. Estima-se que a cardiomiopatia hipertrófica atinja uma a cada 500 pessoas da população adulta e é uma das causas mais comuns de morte súbita entre jovens.

Esta é uma doença genética dominante, o que significa que os filhos de alguém que carregue o gene têm uma chance de 50% de herdar o problema. Os sintomas podem ser inexistentes ou vagos, como dores no peito, falta de ar, palpitações e desmaios, mas um exame cardíaco pode identificar a condição.

O fato é que esse problema é apenas a ponta do iceberg. Há várias doenças genéticas para as quais não são feitos testes no sêmen ou no óvulo doado e nem sempre os casais são alertados para isso no momento em que decidem tentar uma gravidez por ovo/esperma/doação.

No Brasil, todas as amostras doadas são testadas previamente para doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e hepatite. Mas os testes genéticos ainda são raros aqui e em todo mundo. O que acaba valendo é a palavra do doador, que nem sempre sabe que carrega um gene mutante.

Para o especialista britânico Allan Pacey, da Universidade de Sheffield e da Sociedade Britânica de Fertilidade, esta é uma questão que precisa ser debatida. "Se você for considerar todas as doenças, a lista seria interminável. E algumas coisas sempre vão passar pela peneira", disse ele. Mas o especialista afirma que a questão deve ser investigada mais a fundo para determinar se as regras devem ser modificadas.

Ou seja, a decisão de uma gravidez com ovodoação/espermadoação vai muito além do dilema emocional. Muitos casais no Brasil omitem a verdadeira origem biológica com medo de uma futura rejeição do filhos. Mas esses mesmos casais devem estar cientes de há os riscos relacionados à genética de cada um. E hoje cada vez mais é importante sabermos, de antemão, as doenças que podemos herdar dos nossos antepassados.

Eu, por exemplo, sei que minha avó e minha tia materna morreram após derrame cerebral (AVC). Minha mãe é hipertensa e tem altas taxas de HDL (colesterol ruim). Por saber dos meus riscos cardiovasculares, desde dos 30 anos, tomo cuidados preventivos: faço exercícios físicos, evito comidas gordurosas, prefiro alimentos integrais, entre outros.

Por isso tudo, tenho a convicção de que os filhos têm sempre o direito de conhecer seu patrimônio genético. Eles precisam saber, por exemplo, se têm maior risco de desenvolver um câncer de mama ou de próstata e começar os exames preventivos o quanto antes. Eles precisam conhecer seus riscos cardiovasculares. Eles não serão crianças a vida toda.

Escrito por Cláudia Collucci às 13h12
A polêmica do teste genético

Publiquei hoje na Folha uma reportagem que merece atenção: a validade ou não de fazer o teste genético pré-implantacional (PGD) para casos de idade avançada (após 39 anos), abortos recorrentes ou sucessivas falhas de FIV. Quando foi criado, esse teste se propunha a evitar a transmissão de doenças hereditárias, identificadas previamente na família. Após tratamento de reprodução assistida, são retiradas uma ou duas células de um embrião de três dias (estágio de 6 a 12 células) para análise. Os embriões alterados são descartados, e os saudáveis transferidos para o útero.

O que muitas clínicas de reprodução não informam é que existem ao menos três riscos associados ao teste: ele pode destruir o embrião, falhar em 10% dos casos ou simplesmente descartar embriões saudáveis (apresentaram alteração no exame, mas se "autocorrigiriam" na divisão celular). A validade ou não do exame tem sido tema dos últimos congressos de reprodução.

Entre os médicos, há opiniões divergentes. Uns concordam que os últimos estudos mostram que o exame não é tão benéfico em casos que não sejam evitar doenças hereditárias já conhecidas na família. Outros dizem que o teste melhora a taxa de implantação, mas é preciso ser feito por uma equipe experiente.

Para o médico Antonio Fernandes Moron, professor titular de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em medicina fetal, o teste continua muito importante na detecção de doenças gênicas hereditárias, mas o seu uso é questionável nos outros casos. "Não há evidência científica. Vende-se a falsa impressão de que, fazendo o teste genético em mulheres mais maduras, o processo de fertilização seria mais controlado. Isso é um absurdo. Não é um processo seguro até porque há riscos de doenças associadas à manipulação embrionária", afirma. A matéria completa pode ser acessada pela Folha Digital: http://edicaodigital.folha.com.br. Ao abrir, vá para a Editoria Saúde.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h46
Famílias alternativas

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Assisti recentemente a um ótimo documentário canadense (http://www.fatherhooddreams.com/) sobre as chamadas famílias alternativas. Inclui uma série de entrevistas de pais gays e lésbicos, solteiros ou casados, de seus filhos, amigos e familiares. O documentários nos convida a conhecer o dia a dia dos pais gays Scott, Steve, Randy e Drew, que realizaram o sonho da paternidade por meio da adoção, barriga de aluguel ou "co-parenting". Há depoimentos muito emocionantes que nos mostram como a questão gênero ou opção sexual é totalmente irrelevante quando o assunto é maternidade/paternidade. O que importa é o amor, a atenção, a dedicação e o carinho que essas pessoas dedicam aos filhos. Abaixo, segue um pequeno trecho do documentário disponível no "You Tube".

http://www.youtube.com/watch?v=IozpcuGR174

Escrito por Cláudia Collucci às 12h10

Hoje, dia 17/10, é comemorado o Ano Novo hindu. 

Os indianos orientam que haja flores e velas acesas nas nossas casas para que a divindade Lakshmi nos abençoe. Lakshmi é a personificação da beleza, amor, fartura e generosidade. É o principal símbolo da potência feminina, reconhecida por sua eterna juventude e beleza. É esposa de Vishu, o sustentador do Universo.

A imagem de Lakshmi é repleta de simbolismos. As duas mãos abaixo, significam doação e proteção. E as duas mãos levantadas, com o lótus cor de rosa (apesar de a ilustração mostrar o lótus amarelo...), sugere que você deve ter amor no seu coração. Rosa é o símbolo do amor e da compaixão. Acreditando ou não nisso tudo, é uma ótima oportunidade para comemoramos a Vida. Feliz Ano Novo para todas!

 

Escrito por Cláudia Collucci às 12h52
Onde você coloca o sal?

O velho Mestre pediu a uma jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo de água e bebesse.
- Qual é o gosto?, perguntou o Mestre.
- Ruim,  disse a aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu à jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e a jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse: - Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo da jovem, o Mestre perguntou: - Qual é o gosto?
- Bom!, disse ela.
- Você sente o gosto do sal?, perguntou o Mestre.
- Não, disse a jovem.
O Mestre, então, sentou-se ao lado da jovem, pegou em suas mãos e disse - A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um lago.

Após dois meses de dor (pelo aborto e pelo infarto do meu pai), quase já não sinto mais o gosto do sal. As férias em cidades acolhedoras de Minas (Tiradentes, Ouro Preto e, por último, Gonçalves) me fizeram muito bem. Encantei-me, sobretudo, com Gonçalves. Os bosques de araucárias, as majestosas cachoeiras, os pássaros multicores, o arco-íris após a chuva, a boa comida, a visita ao ateliê da minha amiga ceramista Cynthia Gavião (que trocou a loucura de Sampa pelo paraíso). Tudo isso ajudou a cicatrizar as feridas abertas. E a trazer as cores para os dias cinzentos. E a agradecer ao Universo por tudo. Abaixo, alguns registros de Gonçalves.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h59
Inspiração na dor

É possível encontrar inspiração na dor? Nossa amiga portuguesa, que mantém um blog no site da Associação Portuguesa de Fertilidade, nos mostra que sim. Também uma tentante que enfrentou abortos anteriores, ela compôs uma linda poesia sobre esse sentimento que a gente conhece tão bem. Conheçam o trabalho dela no seguinte link  http://aromadeamora.blogspot.com/ 

Fica comigo

-me a mão e deixa-me conhecer-te
Dá forma aos meus sonhos tornando-te na minha realidade
Faz com que possa ouvir o teu nome, chamar-te,
presenciar-te, viver-te e sentir-te
Permite que a felicidade me inunde
E que o mundo se decomponha numa gargalhada

Fica comigo

Para que troquemos vida para além dos afectos
Para que a minha alegria adquira um rosto
Para que possa desprezar este enfado, este desânimo
Dando um abraço apertado ao nosso amor

Fica comigo

Para que respiremos um ar de beijos
Para que falemos somente palavras de ternura
Para que olhemos somente para o amor que nos consome

Não me deixes somente com a luta
Com o sabor inglório de uma guerra perdida
Com a face impregnada de sal de lágrimas
Deixa-me saborear a aroma da vitória,
o cálido prazer de te ter finalmente conhecido.

Deixa-me acreditar que tudo valeu a pena.

Por isso... fica comigo.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h41

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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