ICSI reduz nascimento de meninos

 

A técnica ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides)

O número de meninos concebidos pela técnica de reprodução assistida conhecida como ICSI pode ser inferior ao que é produzido pela "Mãe Natureza", sugere um novo estudo. Em média, existem 105 meninos nascidos para cada 100 meninas _ uma vantagem natural que ajuda a equilibrar o fato de que os meninos morrem mais no primeiro ano de vida em relação às meninas.

Entre os mais de 15 mil bebês nascidos nos EUA em 2005, por meio de reprodução assistida, os pesquisadores descobriram que, entre aqueles que foram gerados por meio da ICSI, a taxa de meninos foi de menos de 50%. Já as meninas representaram 52,5% dos nascimentos em 2005, de acordo com os resultados publicados na revista "Fertility and Sterility". 
 
A ICSI é normalmente usada para tratar problemas de infertilidade masculina, como uma baixa contagem de espermatozoides ou espermatozoides de má qualidade. No entanto, às vezes, ela também é utilizada quando a causa da infertilidade do casal não é clara, e algumas clínicas de fertilidade optam pela utilização de ICSI para todos os pacientes.

As implicações dos resultados atuais não são claras, de acordo com os pesquisadores, liderados pela médica Barbara Lucas, da Michigan State University em East Lansing. Cerca de 1% dos nascimentos nos EUA é resultado das técnicas de reprodução assistida. Portanto, é improvável que os efeitos dessa diminuição dos nascimentos de meninos tenha "implicações importantes para a saúde pública", avaliam os pesquisadores.

Ainda assim, eles recomendam que a ICSI só seja feita se necessário em um esforço para evitar este efeito colateral em potencial

Escrito por Cláudia Collucci às 20h00
Manicures e martines

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A Associação Americana de Fertilidade lançou há algum tempo um programa de informação e prevenção com o nome intrigante de “Manicures & Martinies”! À primeira vista, álcool e cosmética não misturam bem com fertilidade. No entanto, a presença de tais estimulantes visa criar um ambiente relaxado, favorável à conversação aberta sobre as questões relacionadas com a fertilidade, atraindo também mulheres mais jovens, que assim poderão ajustar a tempo algumas das suas opções e comportamentos, em função do desejo de terem filhos no futuro.

É uma iniciativa interessante, porque mostra como é quase indispensável recorrer a meios “ilícitos” para alguém hoje ouvir falar sobre prevenção da fertilidade. Na verdade, por que razão devia uma mulher jovem e saudável preocupar-se com isso? Por que razão a possibilidade distante de ter filhos deveria sequer ocorrer a adolescentes ou jovens adultos?

As pessoas que passaram pela experiência da infertilidade conhecem muito bem a resposta a estas perguntas: simplesmente porque o sofrimento causado pela infertilidade pode ser devastador e alterar para sempre a vida de cada um. É a força (e o trauma) desta experiência que move as pessoas que por ela passaram. E se for preciso oferecer um martini e um tratamento cosmético para que escutem, havendo patrocinadores, pois que assim seja…

* O texto foi extraído do blog da Associação Portuguesa de Fertilidade, nossa parceira

Escrito por Cláudia Collucci às 11h15
"O homem não é apenas um espermatozoide"

Estou em Goiânia desde domingo, no Congresso Brasileiro de Urologia, aprendendo um pouco mais sobre a saúde do homem. Ontem, uma importante discussão sobre infertilidade masculina aconteceu por aqui. Os urologistas presentes criticaram a forma como a maioria das clínicas de reprodução lidam com a infertilidade masculina, ou seja, em vez de investigar e tratar o problema do homem, indicam de imediato as técnicas de fertilização, como a FIV e a ICSI. "A FIV deveria ser a última escolha do tratamento", afirmou Sandro Esteves, da clínica Androfert, de Campinas (SP).

Segundo ele, caso o homem tenha varicocele, é recomendável primeiro a cirurgia. Mesmo que a gravidez não aconteça de forma natural, as chances de o homem engravidar a parceira por meio da FIV aumentam quase três vezes quando ele opera antes a varicocele. "O homem não é apenas um espermatozoide. É uma pessoa. Precisa checar como está sua saúde, sua alimentação, parar de fumar", explica o médico.

Para ele, a reprodução assistida poderá gerar uma série de riscos no futuro. “No momento, nós podemos especular que pode haver um aumento da população infértil, pois muitos indivíduos herdarão a infertilidade dos pais, especialmente nos casos genéticos de infertilidade masculina. Poderá aumentar também as doenças hereditárias, pois muitas serão transmitidas pela fertilização, o que seria evitado pelo mecanismo de seleção natural.”

 

Outra questão que Esteves levantou foi a da incidência de múltiplos com a fertilização in vitro. Dados apresentados por ele mostraram que no Brasil 44% dos casos de fertilização geram mais de um bebê. “Publicações recentes têm sugerido uma associação entre a fertilização artificial e o aumento da frequência de certas doenças raras que aparecem quando há defeito no processo de imprinting genômico”. Imprinting é o processo de ativação ou desativação de genes paternos ou maternos que ocorre durante a formação e desenvolvimento do embrião.  

Já o urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da Universidade de São Paulo (USP), apresentou dados que mostram o impacto dos poluentes ambientais na saúde reprodutiva do homem. “A poluição atrapalha a produção de espermatozoides. E a qualidade do gameta influencia no número de abortos." 

De acordo com Hallak, os homens que trabalham nas ruas e inalam muita poluição têm uma maior concentração de radicais livres de oxigênio no sangue, o que prejudicaria também na fabricação de espermatozóides de qualidade. 

O médico está finalizando um estudo sobre a influência da maconha na infertilidade masculina. Segundo ele, as drogas como maconha, crack e cocaína também causam estragos na fertilidade do homem.

“A maconha altera a produção do espermatozóide. Ele muda de formato e perde a mobilidade. Basta consumir a droga uma vez por semana para desenvolver esses efeitos”, disse Hallak. A pesquisa vem acompanhando 32 homens, no período de dois a sete anos, que consomem a erva.

Hallak afirma que há tratamento nos dois casos (poluição e maconha). “É preciso administrar vitaminas como a E e a C para melhorar a qualidade do espermatozoide. Mas o tratamento dura em média sete meses”, explicou.

COMENTÁRIO:

O dr. Eduardo Motta, diretor da clínica Huntington, enviou o seguinte comentário referente a este post: 

 

 

"Em parte concordo com as afirmaçoes, mas existem diversos questionamentos a serem levados em consideração:
 
1 - Embora o tratamento do homem seja mandatório nestas situçõesa, ainal ele participa com um dos gametas, ninguém sabe até hoje se podemos culpar unica e exclusivamente a varicocele e mais, se a cirurgia tem este poder rejuvenescedor. Certamente ela estabiliza o processo, mas não recupera tudo.
São raríssimos os homens que teriam sua indicação de uma FIV, tal a gravidade da varicocele, transformada em gestação natural por conta da cirurgia, ou seja, mesmo com a cirurgia é muito provável que a indicação da FIV nestes casos ainda exista, mas, lógico, que com um prognóstico melhor, pelo lado masculino;
2 - Se realizada, a varicocelectomia, por mãos inapropriadas e não por microcirurgia, o risco de piorar o quadro aumenta, levando até a falência testicular se forem ligadas as artérias;
3 - Nunca se esqueçam da IDADE DA MULHER. Pouco adianta operar um homem, esperar 6 a 12 meses e a mulher entrar na faixa dos 40. Seguramente perdemos tempo,
 
Enfim, na verdade gostaria de dar a ATENÇÃO que o contexto do tratamento não é do "homem" ou da "mulher", nem do "urologista" ou do "ginecologista", mas integrado, por equipes que tenham ambos os profissionais, e que juntos possam avaliar o casal."
Escrito por Cláudia Collucci às 12h53
Rede internacional defende doação de gametas aberta e informada
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No final de 2008, foi criada em Toronto (Canadá) uma rede internacional de associações na área da doação de gametas http://inodco.org/. A rede defende um conjunto de princípios com vista a um novo equilíbrio entre as três partes envolvidas nos processos de doação: as pessoas com problemas de fertilidade, os doadores e as crianças. Para se conseguir uma doação de gametas aberta e informada, propõem a seguinte agenda, já respeitada em alguns países:

1. Acabar com a doação anônima de gâmetas, sendo obrigatória a identificação de doadores;
2. Preservar toda a informação sobre doadores em ficharios centrais, sob tutela de organizações governamentais, por prazo indeterminado;
3. Todos os nascimentos com doação de gâmetas devem ser declarados;
4. Fixar um limite para o número de crianças concebidas por cada dador;
5. Obrigar os doadores à manutenção atualizada do sua história clínica;
6. Todos os doadores devem ser submetidos a testes genéticos exaustivos;
7. Promover o acompanhamento clínico da doadoras de óvulos;
8. Tornar obrigatório o aconselhamento e a informação de todos os que pretendam recorrer à doação de gametas; 
9. Requerer apoio legal e financeiro para que todos os doadores anônimos se sintam seguros e possam futuramente facilitar a sua identificação, caso sejam procurados pelos filhos biológicos;

Para nós, pode parecer estranho isso tudo, mas eu não tenho dúvida de que logo, logo essa discussão chega aqui. Faço um paralelo com a adoção de crianças, que por muito tempo permaneceu em uma zona obscura, com os pais escondendo dos seus filhos essa preciosa informação. Hoje, é inconcebível que isso aconteça. O próximo passo será tirar a doação de gametas dessa zona cinzenta. Já disse e repito: doação de óvulos e de espermatozoides não é uma decisão simples. É preciso estar liberto do sentimento de apego e outras inseguranças. A criança a ser gerada tem um direito inquestionável de conhecer a verdadeira história da sua concepção. 

PS - Um especial obrigado à Associação Portuguesa de Fertilidade pela informação da criação da rede.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h00

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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