Encerrando ciclos

Queridas, com a proximidade do próximo ano, gostaria de compartilhar com vocês um texto que recebi de uma amiga e que, para mim, faz muito sentido nesse novo começo.
Sempre é tempo para aprender, reaprender, melhorar e mudar.
Quem 2010 seja muito melhor que 2009. E que, juntos, possamos conquistar muitas coisas boas e nos ajudar mutuamente.
Um novo ano iluminado para vocês, com muita saúde, serenidade, sabedoria e amor.


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

PS - Meu leitor Fabio alerta que a colunista colombiana Gloria Hurtado é autora deste texto que, inclusive, já acusou Paulo Coelho de plagiá-la.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h45
Boas notícias

Foi exigente este 2009. Uma montanha-russa de más notícias que me deixaram sem fôlego. Mas fecho o ano com uma ótima novidade. Não é uma nova gravidez, notícia que vocês tanto torcem e esperam receber. Mas é um projeto há muito tempo acalentado, talvez ainda mais antigo do que o próprio projeto-filho.

Ganhei um bolsa de estudo na Universidade de Michigan (EUA) e embarco para lá dia 1º de janeiro. Literalmente, um Ano Novo. Ficarei quatro meses estudando sobre os impactos das novas tecnologias em saúde nos países em desenvolvimento, nas faculdades de Medicina e de Saúde Pública. Quatro meses só estudando. Não é sensacional?

Tudo tem sido tão corrido que nem me dei conta que já estamos às vésperas de mais um Natal. Três meses atrás, logo após o aborto que sofri, lembro de ter postado um texto que dizia que, quando você sentir dor, a única coisa que deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. É incrível como isso faz total sentido agora.

É claro que as lembranças do filho que se foi sem ao menos ter chegado voltam muitas vezes. Mas elas vêm sem dor, sem lamento. Talvez apenas com uma certa melancolia. Ao mesmo tempo, vivo dias de intensa alegria com os preparativos da viagem e só tenho a agradecer ao Universo por mais esse presente delicioso. Boa sorte? Má sorte? Quem poderá dizer? 

Queridas, desejo que tenham um ótimo Natal e um 2010 repleto de férteis realizações. Darei notícias. Beijos a todas.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h53
Lições de vida

 

"O Regresso do Filho Pródigo", de Rembrandt

Renata não conheceu a mãe e tampouco o pai. Viveu parte da infância em abrigos em Minas Gerais e outra parte, trabalhando em casas de família. Aos dez anos, foi trazida para São Paulo para trabalhar como empregada doméstica. Estudou até o primeiro ano do colegial. Sempre gostou de ler e escrever. Aos 30 anos, viveu sua primeira crise existencial. "Não via sentido na vida. Vivia em estado de pânico, oprimida, sufocada."

Sentindo-se explorada pelas patroas, decidiu buscar sua liberdade. Nas ruas. Desde 1997, ela mora sob marquises e em "cantinhos seguros" que encontra pelas ruas de São Paulo. Durante esse período, até tentou voltar para a "civilização". Com o dinheiro de balas que vendia no sinal, conseguiu alugar um quarto na Baixada do Glicério. Construiu sua própria cama, mesa e estante com pedaços de madeira que encontrava na rua. Pintou o quarto de rosa e branco, com restos de tintas achados no lixo.

Mas a "opressão" continuou e novamente a rua passou a ser o seu endereço fixo. E foi nela que surgiu a luz no fim do túnel. Rê passou a recolher desenhos que achava no lixo e a reproduzi-los. E não parou mais. Já pintou mais de 20 quadros, entre paisagens, pessoas e natureza morta. Passou a frequentar sebos na região central e a ler sobre os grandes pintores. Identificou-se de imediato com o italiano Caravaggio (1571-1610), que em sua época foi considerado enigmático e perigoso.

Também ficou encantada com a obra de Rembrandt (1606-1669) e reproduziu, duas vezes, uma da principais obras do pintor holandês, "O Regresso do Filho Pródigo". Rembrandt foi um pintor tecnicamente brilhante e mostrou um novo tipo de percepção: ninguém antes dele fez as coisas comuns da humanidade parecerem tão profundamente sérias e interessantes.

"O Regresso do Filho Pródigo" está no Museu Ermitage, em San Petersburgo. A cabeça do filho encostada ao peito e aquela posição de sujeição ao pai são fatores que falam com eloquência do momento do retorno à casa. Não há palavras, apenas gestos. E aqueles silêncios que por vezes se tornam ensurdecedores. Roto, meio descalço, abatido, arrependido, surpreso pelo acolhimento paternal, está lá tudo. As mãos do pai repousam cuidadosa e delicadamente nas costas do filho regressado. Estão abertas, como que a acalmar o seu coração e a garantir-lhe, pelo toque, a sua intenção inequivocamente perdoadora e o desejo de ver este filho que estava perdido, agora restaurado, de novo “achado” para o pai.

Talvez seja esse retorno à casa que nunca teve que Renata aguarda. Ela sonha um dia poder ter uma casa-ateliê, onde possa pintar, cozinhar, receber os amigos. Por ora, ela não precisa de quatro paredes para pintar e fazer amigos. Com o dinheiro da venda dos quadros (ela vende cada um por R$ 20,00), compra mais telas e tintas. E segue a pintar. E a nos ensinar.

Conheci Renata nesta noite, na livraria Martins Fontes. Estava na fila do caixa, quando ela se aproximou para conversar com a atendente. Maltrapilha, com a roupa suja, um lenço na cabeça e dando sinais de que há dias não via um banho. Ela havia deixado um dos seus quadros na livraria para ser avaliado por uma pessoa que tinha se interessado pelo seu trabalho, mas a tal pessoa não apareceu. Sorte minha.

Conversamos durante uma hora e recolhi dela frases preciosas sobre a vida ("Precisamos nos concentrar no que é bom. Se a gente olha só para os problemas, deixamos de ver as coisas boas da vida"), sobre religião ("Sou protestante mas respeito o Catolicismo por causa das pessoas humanas, como São Francisco de Assis. Também gosto do Judaísmo pela sabedoria, pela valorização que os judeus dão, desde pequenos, à sua religião") e sobre a magia das artes ("Quando pinto, esqueço das minhas dores, das minhas angústias").

Ao final da nossa conversa, propus fazer uma reportagem sobre sua vida e sua arte. Tímida e encabulada, ela disse que iria pensar no assunto. Agradeci a conversa e deixei com ela o meu cartão. Vocês devem estar se perguntando: o que essa história tem a ver com infertilidade? Nada. Ela tem tudo a ver fertilidade. Fazia tempo que eu não escutava uma história de vida tão fértil, tão motivadora, tão emocionante.

Renata da Silva, 42 anos, uma flor de lótus em meio ao pântano que é o submundo de São Paulo.

Escrito por Cláudia Collucci às 23h50
Reino Unido tem nova diretriz para congelamento de óvulos

A Sociedade Britânica de Fertilidade e a Associação dos Embriologistas Clínicos emitiram novas diretrizes na revista "Human Fertility" sobre a eficácia e a segurança do congelamento de óvulos para fins médicos. As orientações seguem uma profunda revisão das pesquisas publicadas em diferentes tecnologias utilizadas no congelamento de óvulos e apresentam uma série de recomendações clínicas a serem seguidas. As principais são:

1 - O congelamento de óvulos é uma tecnologia emergente com resultados iniciais promissores. O valor do congelamento de óvulos é atualmente limitado por vários fatores, incluindo o número de ovos que podem ser obtidos e as taxas de sucesso alcançado. Há necessidade de uma grande escala mais adequada de ensaios clínicos controlados para melhorar a nossa base de conhecimentos das técnicas mais eficazes.

2 - As mulheres que desejam congelar seus óvulos devem receber informações precisas sobre a segurança e as taxas de sucesso prováveis. Devem ser dadas orientações sobre os benefícios e as limitações do congelamento de óvulos, em comparação com outras opções. Atualmente, o maior sucesso é provavelmente por meio do embrião congelado, em vez do armazenamento de óvulos.

3 - Existem dois métodos principais de congelamento de ovos: resfriamento lento e vitrificação. Estudos iniciais indicam que a vitrificação pode produzir maiores taxas de sucesso do que o resfriamento lento. Mais estudos são necessários para confirmar a segurança dos produtos químicos utilizados para congelar os ovos e a eficiência da vitrificação.

4 - Para melhores resultados, óvulos maduros devem ser recolhidos após a estimulação ovariana, semelhante ao tratamento de FIV (Fertilização In Vitro). O tipo de estimulação ovariana utilizado deve ser ditado pelas necessidades de cada paciente. Por exemplo, as mulheres com câncer hormonodependente (alguns tipos de tumor de mama, por exemplo) podem preferir os tratamentos que minimizem a exposição ao estrogênio.

A diretriz assinala ainda que, até o momento, o congelamento de óvulos está indicado apenas para mulheres que vão se defrontar com uma futura infertilidade por conta de uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Não deve ser usado como opção de preservação da fertilidade tendo em vista apenas o declínio da idade.

 

O professor Adam Balen, da Sociedade Britânica de Fertilidade, é enfático em dizer: "As atuais taxas de gravidez usando óvulos descongelados são muito pequenas, em torno de 2%. É fundamental que haja mais pesquisas e o desenvolvimento de técnicas que aumentem a segurança e o sucesso do congelamento de óvulos."

Essa é uma informação muito importante porque, no afã de conseguir clientes e aparecer na mídia, há clínicas brasileiras vendendo gato por lebre. Ou seja, estimulando mulheres na faixa dos 30, que ainda não tem um parceiro, a congelar seus óvulos para que no futuro realizem o sonho da maternidade.

Como vocês bem notaram nas diretrizes britânicas, a coisa não é bem assim. Entendo que, para uma mulher com chances reais de se tornar estéril por conta de uma doença, o congelamento de óvulo seja sua última esperança de maternidade. Dentro desse contexto, 2% de chance é melhor do que nada. É bem diferente da situação de uma mulher jovem e saudável, que pode ser induzida a acreditar que, congelando seus óvulos, seu passaporte futuro para maternidade estará garantido.

 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 17h14

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

 Visitas