Risco de natimorto é quatro vezes maior em gravidez após FIV ou ICSI

 Mulheres que engravidam por meio de Fertilização in vitro (FIV) ou Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI) têm quatro vezes mais chances de dar luz a natimortos em comparação a mulheres que engravidam naturalmente. O triste resultado vem de uma nova pesquisa publicada hoje no periódico científico "Human Reproduction".

O trabalho avaliou mais de 20 mil gravidezes (todas elas com um único feto). No entanto, os autores não sabem dizer se o problema está relacionado ao tratamento de fertilização em si ou algum outro fator associado à infertilidade do casal. A pesquisa envolveu dados de mulheres que tiveram bebês entre agosto de 1989 a outubro de 2006. O trabalho reúne informações importantes sobre a história obstétrica, tempo de espera que a mulher levou para conseguir engravidar, tratamento de fertilização que fez, idade, hábitos de vida, níveis educacionais e socioeconômicos.


Do total de 20.165 nascimentos, 82% foram bebês gerados espontaneamente no primeiro ano de tentativa, 10% depois do primeiro ano, 4% depois de tratamento que não envolveram FIV ou ICSI e outros 4% que foram por meio de FIV ou ICSI. Desse total de bebês, 86 nasceram mortos, um risco total de 4.3 por mil gravidezes. Entre as mulheres que fizeram FIV ou ICSI o risco foi de 16.2 bebês nascidos mortos por mil gravidezes. Já entre as mulheres que engravidaram espontaneamente, o risco foi de 2.3 por mil. Depois que foram ajustados todas as outras variáveis  (idade maternal, massa corpórea e hábitos que podem levar ao nascimento de prematuros, como tabaco e álcool durante a gravidez), as mulheres que fizeram FIV ou ICSI continuaram com um risco quatro vezes maior de dar luz a natimortos.


“Até agora havia muita especulação de que o nascimento de natimorto após a reprodução assistida podia estar relacionado à infertilidade do casal. Mas percebemos nesse trabalho que existem outros fatores ainda inexplicados, como a tecnologia envolvida na FIV e na ICSI ou alguma diferença psicológica nos casais que necessitam dessas técnicas", disse um dos pesquisadores. O trabalho vai continuar avaliando as crianças nascidas por meio dessas técnicas de fertilização.

 

Não tenho muito a acrescentar ao artigo, mas, para mim, é mais uma questão a ser levada em conta na hora de se decidir por um tratamento de reprodução assistida. Estou estudando muito sobre bioética e, por aqui, nos EUA, o termo de consentimento informado é cada vez mais detalhado, com todos os riscos envolvidos. É o mínimo que, nós, pacientes devemos exigir. 

 

Escrito por Cláudia Collucci às 13h23
Movimentar o embrião na fertilização in vitro pode aumentar chances de gravidez

A Universidade de Michigan tem um centro de estudo e de pesquisa em reprodução assistida considerado um dos melhores dos EUA. É de lá que veio essa pesquisa interessante que, embora seja experimental, ou seja, feita em ratos, pode ter grande potencial de aplicação em humanos.

Ela diz o seguinte: Movimentar ou balançar suavemente os embriões enquanto eles estão crescendo durante o processo de fertilização in vitro (FIV) pode aumentar as chances de gravidez em torno de 22%.

O estudo parte de uma premissa que parece básica, que é aproximar os ciclos de FIV ao máximo possível do que ocorre no corpo da mulher durante o processo de fecundação. Normalmente, durante a FIV, os óvulos são fecundados com os espermatozoides e ficam alguns dias dentro de uma cultura em um disco de vidro estático. Só depois são transferidos para o útero.

Os pesquisadores construíram um aparelho que imita o movimento do embrião nas trompas, a caminho do útero. "Fazendo as células se sentirem mais em casa, nós conseguimos melhores células, que é a chave para termos um tratamento da infertilidade mais eficaz" disse Shu Takayama, professor-associado no Departmento de Engenharia Biomédica da universidade.

Takayama e Gary Smith, professor do Departmento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Michigan, são co-autores desse estudo, que foi publicado no periódico científico Human Reproduction.

Comparado com embriões de ratos que cresceram em um disco estático, os que foram colocados no novo aparelhinho (que os movimenta e os nutre ao mesmo tempo) tornaram-se mais sadios e robustos após quatro dias.

Os que cresceram nos discos estáticos tinham em média 67 células. Os que cresceram dentro do novo aparelho tinham em média 109 células. Um grupo controle de ratos, que amadureceram dentro do corpo das ratas pelo mesmo periodo de tempo, tinha em média 144 células.

Cerca de 77% dos embriões que ficaram no novo aparelho resultaram em gravidez contra 55% dos que ficaram estáticos. No grupo controle de embriões, concebidos naturalmente, 83% resultaram em gravidez.

"Um dos nossos maiores objetivos durante anos tem sido modificar a maneira como os embriões crescem no laboratório para que seja da maneira mais próxima do que ocorre no corpo humano, que é a mais eficiente," afirma Smith. Nos EUA, cada ciclo de FIV custa em torno de US$ 15 mil e também não é bancado pelos seguros-saúde, da mesma forma como ocorre no Brasil. A taxa de sucesso também é em torno de 35%.

"Se conseguirmos crescer essa taxa para 45% será bem significante. Além disso, teremos embriões mais saudáveis, o que nos permitirá transferir menos e reduzir a incidência de gêmeos ou trigêmeos", completa Smith.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h32
Perda gestacional

Quem já viveu a dor de uma perda gestacional sabe bem o tamanho dela. Não há palavras que a amenizam, só o tempo de cada um e a certeza de que nesta vida nada é por acaso. No artigo abaixo, a psicóloga Luciana Leis mais uma vez consegue traduzir examente os sentimentos que explodem dentro da gente durante essa dura experiência. Espero que gostem. Por aqui em Michigan, tudo sensacional. Muitas descobertas, muitos novos aprendizados e inúmeros desafios. Sinto-me como uma criança no Jardim da Infância, Alice no País das Maravilhas. Bjos. Claudia

Aspectos da vivência emocional no processo de perda gestacional

O resultado positivo do teste de gravidez anuncia a realização de um grande sonho. Que gostoso é imaginar o bebezinho crescendo dentro do próprio ventre, fantasiar seu rostinho, seu olhar... Mas, de uma hora para outra, o sonho vira um pesadelo com a constatação da perda gestacional.

Se considerarmos que trauma é toda vivência de algo inesperado, onde não conseguimos atribuir representação ou sentido ao fato, podemos, sim, considerar o aborto como potencialmente traumático. É muito difícil aceitar o que não podemos entender, o que não nos oferece respostas. “Como alguém pode morrer, antes de nascer?”. Essa é a pergunta freqüente das mães que não puderam ter o filho em seus braços. A experiência do aborto costuma ser solitária, por mais que existam pessoas à volta. O vazio e a tristeza são sentimentos bastante comuns neste momento, sendo importante e necessária a vivência do luto frente a esse acontecimento.

Em nossa sociedade, há uma tendência em não se reconhecer a experiência de luto que o aborto traz consigo, dificultando, assim, que ele possa ser vivenciado por quem o sofre, para ser elaborado. Muitas vezes, a própria mulher que vivencia o aborto tenta negar para si mesma a importância desse evento, visando, desta maneira, evitar o sofrimento.

É verdade que o tempo ajuda a fechar feridas, mas as cicatrizes são para sempre. O medo de engravidar novamente e de que ocorram novas perdas é um fantasma que persegue quem já vivenciou um aborto. Percebemos que essas mulheres custam a confiar novamente no próprio corpo. Ao mesmo tempo em que uma nova gestação significa grande alegria, ela também representa um momento de angústia, devido ao receio da repetição do abortamento.

Durante os nove meses seguintes, comportamentos como “conferir a calcinha” - para ver se há algum tipo de sangramento - assim como solicitar vários ultrassons ao obstetra - para ter a certeza de que o bebê está bem e vivo – são freqüentes. O psiquismo humano funciona através de associações. Se numa gravidez ocorreu perda, existe uma tendência natural a considerar que nas próximas gestações, ocorrerão perdas também.

A mulher que vivenciou a perda gestacional apresenta dificuldades para se sentir segura. É necessário um trabalho psicológico para resgatar a confiança em si mesma e no próprio corpo, para conseguir separar uma história mal sucedida da próxima que virá.

Em casos onde uma nova gravidez, após um aborto, já aconteceu, percebemos uma dificuldade de investimento afetivo na criança a ser gerada. Dá muito medo amar intensamente e depois perder, então, num mecanismo de defesa e de proteção contra a dor, essas mães acabam evitando olhar o bebê no exame de ultrasson, não acariciam a barriga, adiam a compra das roupinhas... São muitas as manifestações de insegurança que só costumam chegar ao fim com o nascimento do bebê.

Durante os nove meses de trajetória, é preciso buscar formas de se fortalecer emocionalmente para passar por este período. É preciso encontrar um sentido positivo para a experiência do abortamento (apesar do sofrimento) para  seguir em frente.

Psicóloga Luciana Leis    e-mail: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 01h36

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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