50 anos de pílula anticoncepcional

blog_66.jpg Cartaz da época da criação da pílula

Comemora-se neste ano o cinquentenário da pílula anticoncepcional. Desde a sua aprovação oficial, no ano de 1960, a pílula transformou de modo profundo o controle da natalidade, permitindo à mulher um domínio inédito sobre o corpo e a fertilidade. Curiosamente, a produção do composto químico do comprimido mais famoso do mundo teve a participação de um médico e professor de medicina em Harvard, chamado John Rock, que procurava um tratamento para a infertilidade e não o contrário.

A pílula resultou portanto da investigação conjunta de médicos que pretendiam facilitar a gravidez e de outros médicos que pretendiam impedir a gravidez. E se as descobertas científicas se alcançam por vezes através de caminhos insondáveis, esta dupla origem lembra-nos que foi sobre a própria experiência da maternidade que a pílula teve maiores consequências. O controle da gravidez permitiu à mulher "tomar posse" do seu corpo e viver a maternidade sobretudo como uma experiência desejada.

Com parceria da Associação Portuguesa de Fertilidade

Escrito por Cláudia Collucci às 16h56
Outras formas de maternagem

"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer, como é "gande' o meu amor por vocêêê..."

Fui presenteada hoje com essa música, cantada por Sophia, minha sobrinha de três anos. A música foi ensaiada durante toda a semana para a festa do Dia das Mães, que será amanhã na escolinha onde ela estuda. Amanhã, a homenageada será minha mana, é claro. Mas hoje a pequena resolveu me homenagear com música e coração de cartolina vernelha com o meu nome, ou melhor, meu apelido: Cacau. Retribui o presente com um passeio no bosque com direito a cachorro-quente e chocalate. Durante esta tarde, ela propôs a brincadeira: eu seria a mamãe Cacau e ela, a filhinha Sophia.

A homenagem encerra uma semana de muita maternagem. Mal cheguei ao Brasil após quatro meses de estudos nos EUA e recebi a notícia do segundo infarto do meu pai, que completa 80 anos no próximo mês. Passei cinco dias no hospital, cuidando do meu velhinho. No período de UTI, dando comida na boca. No quarto, lendo o jornal, amparando-o nos primeiros passos, velando o seu sono. E respirei aliviada hoje cedo, quando ele recebeu alta hospitalar.

Hoje também, ao olhar minha agenda do ano passado, observei que, se não tivesse sofrido o aborto, meu bebê estaria nascendo neste mês. Mas não me entristeci com essa lembrança. As coisas são como são e, com o tempo, aprendi a encontrar outras formas de maternagem na minha vida. Posso ser mãe do meu pai, da minha mãe, das minhas sobrinhas, da minha irmã, das minhas amigas. Datas como o Dia das Mães não me abalam mais porque já me sinto homenageada das mais diversas formas. Sobretudo pela vida, que tem me presenteado com coisas e pessoas fantásticas.

Volto deste período sabático cheia de energia. Vivendo um dos períodos mais férteis da minha vida, gestando vários projetos. Não faço ideia do que Universo me reserva em termos de maternidade biológica ou adotiva. Minhas portas estão abertas, mas perdi a urgência e a vontade de insistir em tratamentos. Estou virando a página de cinco anos de luta, três FIVs e dois abortos espontâneos. E sinto-me totalmente em paz com essa decisão.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h10

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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