Mãe-avó

Talita beija a barriga da mãe, Eunice

A mãe mora na Itália e acompanhou a gestação da própria filha pela internet. Enquanto isso, o bebê crescia no útero da avó, no Brasil. Hoje, nasceu Alice, a protagonista desta história que mais parece filme de ficção.
A menina foi gerada pela avó, Eunice Martins, 59, de Franca (SP), porque a mãe, a esteticista Talita Cristina Andrade, 32, não tem útero.
A gravidez aconteceu na terceira fertilização in vitro, feita em uma clínica em Ribeirão Preto. Na primeira, o tratamento falhou e, na segunda, Eunice perdeu os bebês _eram gêmeos.
No processo de fertilização, os óvulos de Talita foram fecundados com os espermatozoides do marido, o italiano Guido Damiano. Depois, os embriões foram transferidos para o útero da avó.
O procedimento é chamado de útero de substituição. O Conselho Federal de Medicina só permite que ele seja feito entre parentes até segundo grau (mãe, irmã, tia), desde que exista um problema médico que impeça a gestação da mulher e não tenha caráter comercial.
“Quero passar para as mães que estão na mesma condição que eu para não desistir. Nada é impossível”, afirmou Talita, minutos antes de a filha nascer.
Ela e o marido chegaram ao Brasil nesta semana para acompanhar o parto. Talita está tomando hormônios para estimular a produção de leite e pode, assim, amamentar a filha. “É maravilhoso. Só uma mãe mesmo faz isso para a gente. Minha mãe me deu a vida duas vezes.”
Alice nasceu às 11h32 de ontem, por meio de uma cesariana, com 2,285 kg e 45 cm, na Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão.
A gestação estava na 36ª semana, e o parto foi antecipado em 15 dias a pedido de Eunice, que é mãe de outros dois filhos, além de Talita.
“Ela estava sentindo muitas dores na perna. Por haver risco de edema ou trombose, decidimos acatar o pedido dela e antecipar o parto”, diz o ginecologista e obstetra Fernando Marcos Gomes.
Segundo ele, por se tratar de gravidez de alto risco, em razão da idade avançada para a maternidade, Eunice passou por uma minuciosa avaliação, com exames cardiovasculares e hemodinâmicos, antes do tratamento.
“Ela tem ótima saúde. A gravidez transcorreu normalmente”, disse Gomes.
A cesárea durou meia hora. Avó e neta passam bem e devem ter alta até sábado. Os pais planejam voltar à Itália com a filha em um mês.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h07
Depressão pós-parto

Primeiro o imenso desejo de ser mãe, as dificuldades e toda a expectativa que envolve o nascimento do bebê. Depois, um sofrimento que parece não ter fim. Esses sentimentos conflitantes não são nada raros. Afetam quase 85% das mães no período seguinte ao parto.

Embora na maioria dos casos essa tristeza se manifeste de forma branda e desapareça espontaneamente no primeiro mês após o parto, há um outro número considerável de mulheres que desenvolvem a chamada depressão pós-parto.

Por mais fantasias que existam em torno da maternidade, o fato é um só: o parto é muito agressivo para a mulher. Ao longo de nove meses, ela vê o corpo se deformar, convive com toda espécie de fantasmas e, de repente, é esvaziada e ainda tem de virar adulta e ser a provedora da criança. Tudo isso em meio a uma verdadeira revolução hormonal.
Durante muito tempo não houve espaço para discutir essa realidade que, sim, o processo de maternidade pode deprimir. O espinhoso tema ficou trancado no armário dos tabus. Até hoje, seja por desconhecimento do assunto ou por preconceito em relação às chamadas dores da alma, muitos médicos não conseguem diagnosticar e tratar o problema precocemente e forma correta.
Sem o amparo necessário, a mulher que enfrenta a depressão pós-parto costuma se sentir culpada ou envergonhada pela inexplicável infelicidade. E se não encontrar apoio familiar e cuidados médicos necessário, os efeitos para ela e para o bebê podem ser devastadores.
Esse é o trecho do prefácio que escrevi para o livro da minha querida amiga Malu Favarato, que transformou sua experiência com a depressão pós-parto em um livro emocionante. "Diário de uma Mulher do Purgatório ao Paraíso" conta sua história real. As dificuldades de gravidez durante dois anos, a indicação de tratamentos, a gravidez natural e, finalmente, o nascimento de Helena, seguido da depressão pós-parto. Malu superou o problema com tratamento psiquiátrico combinado a terapia.

Desejo muito que esse livro sirva de inspiração e de guia para ajudar outras mulheres próximas que por ventura estejam ou venham a enfrentar uma depressão pós-parto. 

Contato com a autora Malu Favarato: mailto:malufavarato.psi@terra.com.br

Escrito por Cláudia Collucci às 21h19
Mãe do sobrinho

- Quer dizer que você é mãe do meu primo e, na realidade, ele não é meu primo e sim meu irmão?

A pergunta, feita há menos de três horas atrás, na casa de um casal de amigos americanos, em Ann Arbor (estou de volta a Michigan por uma breve temporada...) causou-me calafrios.

Apesar de já conhecer a história, só agora Olympia, a filha adolescente da Myra e do Kyle, conseguiu compreender o que significou o ato de amor da mãe, feito dez anos atrás. Myle doou seus óvulos para irmã, vítima de menopausa precoce. Os óvulos foram fecundados com o esperma do cunhado e dos quatro embriões transferidos, um resultou no lindo garotão, que sorri no porta-retrato na sala do casal.

Myra diz que ela e a irmã nunca esconderam da família a doação e que, para ela, o menino sempre foi o seu sobrinho. Nunca o viu como filho. E, mesmo hoje, sob o fogo cruzado da filha adolescente, ela permaneceu impassível, segura e absolutamente coerente nas respostas.

- Quer dizer que você é a mãe dele? insistiu Olympia.

- Biologicamente sim, minha filha, mas a mãe dele de fato é a sua tia, que o carregou na barriga por nove meses. Eu só doei minhas células.

- Mas ele é meu meio irmão, não é?, voltou a questionar a menina.

- Tecnicamente sim, Olympia. Mas nada muda na relação de vocês. Vocês são o que são. Duas pessoas adoráveis.

- Por que eu nunca soube disso?

- Nós nunca escondemos isso de ninguém, minha filha. Você já soube dessa história, mas provavelmente era pequena e esqueceu, respondeu Myra, já mudando de assunto.

Ao final desse diálogo entre mãe e filha, fiquei ainda mais orgulhosa da minha amiga. Mãe de outros dois filhos já adultos, ela acredita nos mesmos valores sobre os quais eu não abro mão: transparência e honestidade. Mas confesso que essa foi uma das conversas mais ´saia-justa´ que presenciei nos últimos tempos. Respirei aliviada ao ver que acabou bem. E tive a certeza do sucesso do diálogo franco ao ver, minutos depois, Olympia pendurada no telefone com a amiga fofocando sobre as novidades do primeiro dia de aula. 

Escrito por Cláudia Collucci às 23h27

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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