Quem é o pai?

"Estou com uma dúvida enorme. Será que vc pode me ajudar? Estou grávida, minha última menstruação foi dia 21/04/10, meu ciclo era bem desregulado, em média de 33 dias. No dia 03/05/10, tive relação com meu namorado, normal, sem preservativo e ejaculando dentro, mas no dia 13/05/10, tive uma recaída com um ex, mas, neste dia, foi uma transa com coito interrompido. Estou ficando maluca, de quem será que engravidei? Por favor, me ajude."

A dúvida da leitora que nos escreve é mais comum do que se imagina. Já recebi várias delas aqui no blog e posso imaginar a encrenca que ela possa acarretar não só na vida da mãe como do homem que até então imagina ser o mãe. Como não estamos aqui para julgar ninguém, vamos discutir algumas 

maneiras diferentes de descobrir quem é o pai do bebê, embora nem todas sejam exatas. O pessoal do "Baby Center" dá algumas dicas. Vamos a elas. 

O jeito mais simples e barato é tentar calcular qual foi seu período mais fértil, portanto a provável data de concepção, tomando como base sua última menstruação antes da gravidez. Isso funciona se você tem ciclos bem regulares _o que não é caso da nossa leitora acima. Nos casos de ciclos regulares, é grande a chance de o bebê ter sido fabricado mais ou menos duas semanas depois do primeiro dia da sua última menstruação.

Quando você não sabe direito quando foi sua última menstruação, fica mais difícil fazer o cálculo. Um exame de ultrassom nos três primeiros meses da gestação pode ajudar. Até esse estágio, os bebês têm mais ou menos o mesmo tamanho, por isso os médicos conseguirão calcular, só pelas medições, de quantas semanas você está grávida.

Um aviso: o médico provavelmente vai dar a idade gestacional "oficial". Aí você precisa tirar duas semanas, para chegar à provável data da concepção. Por exemplo, se ele disser que você está grávida de 8 semanas, tire 2 semanas, e ficam 6. Aí você vai voltando as 6 semanas no calendário, a partir da data do exame, para tentar chegar mais ou menos à data em que o bebê foi feito.

Outra possibilidade é o médico, depois do ultrassom, não dizer de quantas semanas você está, e só dar uma data provável de parto. Nesse caso, você pode usar nosso
calendário da gravidez. É só preencher a data provável do parto (DPP) e lhe diremos de quantas semanas você está. Aí basta diminuir aquelas duas semanas e ir voltando no calendário.

Lembre-se de que o ultrassom só funciona para descobrir a data da concepção se tiver sido feito até 13 ou 14 semanas. Depois disso, cada criança cresce numa velocidade diferente, e as datas ficam confusas e pouco confiáveis. O grande senão do método de adivinhar a data da concepção é se você tiver transado com mais de um parceiro na mesma fase, com poucos dias de diferença. Aí é impossível determinar desta forma quem é o pai biológico da criança.

Nesses casos, para tirar a dúvida de vez, será necessário realizar um exame de DNA, que dá quase 100 por cento de certeza. Só que é um exame que ainda tem um custo alto (mais de 1.000 reais na rede particular) e depende da colaboração dos possíveis pais.

Eles precisam concordar em fazer o teste, normalmente conduzido só depois do nascimento do bebê (até é possível fazer antes, através de
amniocentese ou biópsia do vilo corial, porém estes são exames invasivos e só feitos em casos de extrema necessidade, pois há risco de perder o bebê).

Existem exames de DNA gratuitos, dependendo do Estado onde você mora, mas para conseguir fazer você tem de entrar na Justiça, com uma ação de investigação de paternidade. Normalmente a demanda é enorme e há uma grande fila. O processo todo pode levar anos. Para tentar, você precisa arranjar um advogado ou então procurar a Defensoria Pública do seu Estado.

Escrito por Cláudia Collucci às 12h36
Beber pouco durante a gravidez não faz mal ao bebê

Em ciência é assim. Um dia, sai estudo dizendo que você tem que evitar ovo, manteiga. Outro dia, esses alimentos estão absolvidos. Nessa mesma linha fica a discussão sobre beber ou durante a gravidez. Há médicos que impõem tolerância zero. Nem uma cervejinha, nem uma tacinha de vinho. Outros são mais permissivos.

Agora, um novo estudo da University College London, no Reino Unido, aponta que as gestantes podem tomar uma taça de vinho (até 175 ml) ou uns dois copos de cerveja (até 475 ml) por semana sem prejudicar o desenvolvimento intelectual ou o comportamento do filho.

 

Avaliando, em longo prazo, a saúde e o comportamento de mais de 11 mil crianças nascidas no Reino Unido, além do consumo de álcool de suas mães na gravidez, os pesquisadores não observaram nenhum comprometimento do desenvolvimento comportamental e intelectual de filhos de mulheres com consumo leve de álcool durante a gestação. Por outro lado, crianças cujas mães bebiam em excesso na gravidez eram mais propensas a serem hiperativas ou apresentarem problemas emocionais ou de comportamento.

 

De acordo com os autores, muitos especialistas desaconselham o consumo de álcool na gravidez com base em estudos que mostram os terríveis efeitos do álcool em excesso para a gravidez e para a saúde do bebê. E o novo estudo ajuda a preencher uma lacuna nessa relação, apontando que o consumo leve pode ser permitido. “Estamos falando de uma ou duas doses por semana no máximo”, explicou a pesquisadora Yvonne Kelly, que coordenou o estudo. “Bebedoras leves incluem as mulheres que bebem muito ocasionalmente em uma celebração familiar, por exemplo”, completou.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 15h08
Contar ou não contar?

A psicóloga Luciana Leis escreveu sobre um tema recorrente aqui no blog: contar ou não contar aos filhos a forma como eles foram gerados. Normalmente, a grande questão está nos casos de ovo/esperma doação. O maior temor dos casais é que no futuro esse filho tenha os mesmos conflitos dos filhos adotivos e queiram procurar seus pais biológicos. Ainda que a preocupação seja compreensível, defendo que a verdade seja sempre o melhor caminho. É a única forma de construir uma relação saudável, calcada na confiança mútua.  Leiam e comentem o que vocês pensam sobre isso.

Nos dias de hoje, cada vez mais as técnicas de reprodução assistida são utilizadas por casais que enfrentam dificuldades para ter um filho. No entanto, apesar dos tratamentos para infertilidade terem se tornado comuns, nota-se que ainda existem diversos tabus relacionados ao assunto.

Geralmente, quando os casais optam por buscar algum tipo de tratamento para engravidar, dificilmente pensam se contarão ou não para a futura criança a forma como ela foi concebida. Mesmo em casos onde há a utilização de gametas de terceiros (óvulos ou espermatozóides doados), percebe-se que os casais preferem adiar o momento de pensar sobre essa questão, ou então, nem se questionam, dizendo que não há necessidade de revelar tal fato, afinal, houve gravidez, parto… E a criança não precisa saber de nada disso. 

A resistência dos pais em contar para o filho sua forma de concepção, na maioria das vezes, está atrelada à dificuldade dos mesmos em lidarem com as feridas deixadas pela infertilidade. Para alguns é muito dolorido encarar o fato de não ter podido engravidar como a maioria das pessoas, ou ainda, ter necessitado da doação de gametas de terceiros para gerar o filho.

A forma como cada casal lida com a sua experiência de infertilidade e com o tratamento de reprodução assistida irá refletir no modo como esse assunto será tratado com o  filho. Para os casais que trabalharam bem, psicologicamente, as questões trazidas pela dificuldade de gravidez e tratamentos de reprodução humana assistida, geralmente, há uma abertura maior para conversar sobre esse assunto. Já para os casais onde a infertilidade e os tratamentos para engravidar mantiveram-se, ainda, como uma área delicada, verificamos um certo receio em falar sobre o tema e o “não dito” acaba por se tornar um segredo para o filho.

As conseqüências de um segredo para o psiquismo de uma criança, nunca são positivas, já que o “não dito”, na maioria das vezes, é sentido ou percebido de alguma forma por ela e pode transformar-se em um sintoma, pela falta de entendimento e fantasias mobilizadas (ex.: dificuldade de aprendizagem, agressividade, insônia, enurese noturna etc).

A maior parte dos pais que omite da criança a forma que a mesma foi concebida busca proteger o filho de algo que eles julgam poder trazer-lhe sofrimento. Há pais que temem também que a criança possa sofrer algum tipo de discriminação, pois, apesar dos tratamentos de reprodução assistida serem cada vez mais utilizados, as crianças, frutos dos mesmos, ainda são minoria.

Os tratamentos de infertilidade fazem parte da história das crianças nascidas por meio deles e esse fato pode ser revelado a elas (se for vontade de seus pais) de forma aberta e natural, desde cedo, já que não há nada de errado com esse acontecimento. Não é preciso torná-lo um segredo. A verdade é sempre o  melhor caminho. A forma como cada pai e cada mãe escolhe contar esse fato para seu filho pode revelar à criança o quanto ela foi desejada, antes mesmo de nascer, pois seus pais não mediram esforços para tê-lo por perto. 

Por Luciana Leis, psicóloga  -   luciana_leis@hotmail.com

 

Escrito por Cláudia Collucci às 13h40
De vermes a tipo sanguíneo: os besteiróis sobre fertilidade

Os títulos chamam a atenção: "Tipo sanguíneo pode afetar fertilidade de mulheres acima de 35 anos"; "Pesquisa com verme sobre fertilidade pode trazer esperanças às mulheres". Nos últimos anos, mais e mais a mídia nacional e internacional dá destaque para pesquisas deste nível, com zero de medicina baseada em evidência.

A primeira tenta relacionar o tipo de sanguíneo à reserva ovariana. Mulheres com tipo "O" teriam uma reserva ovariana menor do que as com sangue tipo "A", por exemplo. Envolveu 560 mulheres americanas submetidas a tratamentos de fertilidade e descobriu que aquelas com tipo sanguíneo "O" tinham um nível de FSH  (hormônio folículo estimulante) maior, o que implicaria em um número menor de folículos no ovário.

A mulher tem um número fixo de óvulos ("reserva ovariana"), liberados gradualmente ao longo de sua vida fértil. Não há uma explicação clara para os resultados, apresentados em uma conferência da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em Denver. Especialistas ouvidos disseram o óbvio:  o tipo de sangue não é determinante para uma gravidez, pois, após os 35 anos, todas as mulheres passam a ter a diminuição da produção de óvulos. Ou seja, do ponto de vista científico, a pesquisa não tem relevância alguma.

Já o estudo com vermes é ainda mais bizarro. Publicado na revista "Cell" sugere que um dos animais favoritos para experimentos na ciência moderna, o C. elegans, pode proporcionar uma nova percepção sobre a fertilidade feminina. Para o verme, assim como para as mulheres, é a qualidade reduzida dos óvulos, e não a quantidade, que sinaliza o primeiro sinal do envelhecimento reprodutivo.

Os cientistas da Universidade de Princeton descobriram que, à medida que o C. elegans envelhece, seus ovócitos, ou óvulos não fertilizados, começam a se degradar, graças ao aumento na secreção de uma proteína chamada fator transformador de crescimento beta, ou TGF-beta (da sigla em inglês). A mesma proteína é encontrada em humanos e outros mamíferos.

Os pesquisadores também conduziram experimentos com vermes mutantes, que possuíam níveis baixos de atividade TGF-beta. Nesses vermes, a habilidade reprodutora foi prolongada e a qualidade dos óvulos não decaiu. Também nas mulheres, a idade traz um declínio na qualidade dos ovócitos, levando a uma maior probabilidade de defeitos de nascimento como a síndrome de Down. Cientistas testaram a proteína em ratos e descobriram um efeito similar, mas em humanos ela não desempenha exatamente o mesmo papel.

Ou seja, efeito prático zero. Mas a pesquisa mereceu destaque não só na imprensa brasileira como na internacional. Nessas horas, pergunto-me onde está o papel social da mídia? Enquanto besteiróis pseudocientíficos como esses têm espaço garantido, os reais problemas que envolvem a reprodução humana assistida permanecem quase intocados. Vamos a alguns deles:

1 - Pesquisas  - há anos não aparecem avanços que possibilitem a melhoria das taxas de gravidez/taxa de nascidos vivos na fertilização in vitro.

2 - Tratamentos - como não há grandes novidades, nada justifica os exorbitantes preços dos tratamentos/medicamentos em reprodução assistida, especialmente em tempos de dólar baixo.

3 - Acesso - as promessas do governo federal de abrir centros reprodutivos pelo país não saíram do papel. Os planos de saúde continuam ignorando essa área como se infertilidade não fosse um real problema que afeta a saúde física e mental.

Sem contar as questões bioéticas que, por si só, já renderiam um outro post. Penso que todas essas questões sejam importantes mas continuarão intocadas enquanto mulheres e homens que desejam um filho mantiverem-se em silêncio. Sem grito não há ouvido que escute.


Escrito por Cláudia Collucci às 11h14

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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