Rio já tem casal de gays interessado em filho por reprodução

O Rio já tem o primeiro casal de homens à espera para concretizar o sonho da paternidade por meio da reprodução assistida. O processo corre, em sigilo, no Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). Segundo as clínicas do Rio, após a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que regulamenta a prática, houve aumento de homossexuais procurando o serviço.

Norma do CFM, publicada em 6 de janeiro no Diário Oficial da União, autoriza casal de homens a recorrer à ’barriga de aluguel’ após aprovação do Conselho Regional de Medicina (CRM) - que avalia qualidade da clínica, estabilidade do relacionamento e legalidade do procedimento. O processo de validação dura, em média, uma semana e, se for negado, o casal pode recorrer ao CFM.

Segundo Valdemar Amaral, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e um dos médicos que elaborou a norma, óvulo desconhecido e útero familiar são práticas para evitar que a mulher exija a guarda da criança. Para ele, a medida é um avanço inédito que vai nortear o trabalho de médicos. "Muitos não sabiam o que fazer e negavam os pedidos dos gays. A sociedade mudou em relação a casos homoafetivos e não podemos negar esse direito", disse, acrescentando que, se não há parente mulher, o casal pode pedir recurso e tentar usar o útero de uma amiga ou conhecida.

Vivendo com o companheiro há 19 anos, o advogado Carlos Alexandre Lima, 48, quer um herdeiro. Há cinco anos, o casal tentou a fertilização artificial com uma amiga homossexual, mas, por um problema de saúde dela, o método não foi adiante. O sonho da paternidade, porém, permanece. Carlos considera a nova norma um avanço, mas questiona a necessidade de envolver um parente. Ele defende que há casais que não têm parente mulher ou sofrem preconceito em casa.

"Acho a adoção um processo lindo que deve ser estimulado, mas quero uma continuidade de mim, alguém com minha carga genética. A família fica completa com um filho", declara. Carlos será o doador do sêmen, e o casal ainda procura uma mulher que possa gerar a criança. Mas já começa a planejar e se preocupar com a educação do futuro filho. Apesar de não ter preferência pelo sexo do bebê, ele acredita que uma menina sofreria menos preconceito da sociedade. "Teria medo no dia em que meu filho ou filha ficasse doente. Sempre que fiquei doente era uma figura feminina que cuidava de mim", confessa.

No Natal do ano passado, o cantor Elton John e o companheiro, David Furnish, tornaram-se pais de um bebê gerado com a ajuda de uma barriga de aluguel. A criança do sexo masculino nasceu com 3,6 quilos e foi batizado com o nome de Zachary Jackson Sevon Furnish-John. Elton John e David Furnish não sabem qual dos dois é pai biológico do pequeno, pois ambos forneceram sêmen.

A nova família, com pais homossexuais, ganhou as telas de cinema e os tapetes vermelhos de Hollywood. O filme "Minhas Mães e Meu Pai", da diretora Lisa Cholodenko, conta a história do casal Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening) que recorreu à inseminação artificial de doador anônimo para ter os filhos Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson).

Na ficção, a pedido do irmão, a irmã mais velha decide procurar o doador do sêmen que gerou os dois. A descoberta de quem foi o doador muda o rumo de todos. Na vida real, no Rio, uma advogada de 37 e uma psiquiatra de 35, que pediram para não serem identificadas, também têm dois filhos concebidos por inseminação artificial.

Após processo judicial, elas conseguiram o direito de registrar as crianças, de 8 e 2 anos, com o nome das duas. A psiquiatra conta que escolheu o "perfil" dos doadores do sêmen ( é proibido conhecer a identidade). Um deles era químico e o outro, empresário. Uma das exigências era não ter doenças renais. ‘As pessoas pensam que por ser homossexual, os sonhos precisam ser abandonados. Foi tudo natural com a gente", diz a psiquiatra.

Além da inseminação artificial com doador anônimo, lésbicas podem doar o óvulo e recorrer à barriga de aluguel com parentes até segundo grau.

Com informações do Jornal "O Dia"

Escrito por Cláudia Collucci às 16h00
Cuidado com os antioxidantes!

Uma pesquisa do Weizmann Institute of Science (Israel) relaciona a ingestão de antioxidantes a problemas de fertilidade em mulheres. A informação foi publicada no site "Science Daily".

Segundo uma das autoras do trabalho, a pesquisadora Nava Dekel, pouco se sabe sobre os efeitos colaterais dos antioxidantes. Na maioria das vezes, são ignorados.

Um desses efeitos teria relação com menor produção de óvulos. Testes em camundongos fêmeas comprovaram a hipótese.

Para os pesquisadores, isso aconteceria porque o processo de ovulação tem mecanismos parecidos com os da inflamação.

Os antioxidantes, que ajudam a combater a inflamação em outras partes do corpo, poderiam, portanto, interferir no processo de ovulação normal.

"Nunca ouvi nada a respeito, mas faz sentido, porque realmente as substâncias antioxidantes influenciam no processo inflamatório. Uma inflamação produz radicais livres", diz Ana Lúcia dos Anjos Ferreira, médica e pesquisadora da Unesp.

O grupo de Dekel já pensa em usar os resultados dos estudos em mulheres que têm problemas para engravidar. Os pesquisadores também consideram a hipótese de os antioxidantes servirem até como anticoncepcionais.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h24
Saúde do útero é mais importante do que a qualidade do óvulo, diz pesquisa

Na fertilização in vitro, a saúde do útero é mais importante do que a qualidade do óvulo quando se trata de uma gravidez saudável. É o que mostra um novo estudo publicado na "Fertility and Sterility", uma revista internacional para os obstetras.

O estudo foi conduzido pelo médico William Gibbons, professor de obstetrícia e ginecologia na Faculdade de Medicina Baylor. Ele e os colegas da Sociedade de Tecnologias de Reprodução Assistida revisaram três anos de dados que compararam o peso ao nascer e o tempo médio de gestação de nascimentos únicos por meio de FIV padrão, FIV com óvulos de doadoras e FIV com barriga de aluguel.

Embora a capacidade de conseguir uma gravidez esteja ligada à qualidade do óvulo/embrião, os resultados obstétricos de peso ao nascer e a duração da gestação são mais significativamente associados ao meio ambiente uterino, segundo os pesquisadores.

Foram avaliados mais de 300 mil ciclos de FIV, equivalentes a mais de 70 mil gestações únicas.

"Esta é a primeira vez que um estudo demonstrou que a saúde do útero de uma mulher é um fator determinante para a obtenção de um feto com peso normal e duração normal da gestação", disse Gibbons.

Como as tecnologias de reprodução assistida estão aumentando muito nos EUA, cada vez mais a atenção é dirigida não só às taxas de gravidez, mas também para os resultados obstétricos das gestações_ o que significa o recém-nascido, peso ao nascer, a saúde e a idade gestacional. Atualmente, cerca de 1% dos nascimentos nos EUA é resultado da reprodução assistida.

Um dado curioso: os pesquisadores descobriram que bebês nascidos de embriões congelados tinham peso ao nascer significativamente maiores do que aqueles que nasceram como resultado da FIV padrão. Para eles, os hormônios usados no tratamento podem afetar a qualidade uterina. É claro que ainda são necessárias mais investigações, mas é uma dedução que faz sentido.

Escrito por Cláudia Collucci às 21h02

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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