Brincadeira express

Hoje, por volta das 11h, fui surpreendida pelo telefonema da minha sobrinha Sophia, 4 anos. Ela foi direta: “Cacau, tô aqui em São Paulo, na casa da vovó. Você pode vir brincar comigo?”

Com a mesa atulhada de livros e artigos sobre distúrbios alimentares (estou escrevendo um livro sobre o assunto), até pensei em dizer não. Afinal, cruzar a cidade, nesse trânsito caótico, em pleno horário do almoço, não é um programa lá muito atrativo.

Mas a pequena não precisou pedir duas vezes. Em poucos minutos, lá estava eu a caminho da brincadeira. Quando cheguei, ela já me esperava com uma revista das “Princesas” (para colorir), e duas “Barbies Moda e Magia”.

Avisei que o tempo era curto, uma hora no máximo, mas tenho certeza de que a frase não fez o menor efeito. Sophia já tinha programado tudo. Primeiro, colorimos as princesas. Depois, fomos brincar de Barbie. Barbie escolhendo a roupa (rosa, é claro), Barbie na escola, Barbie brincando com os coleguinhas, Barbie no restaurante, Barbie na praia, Barbie na balada. Ufa! Finalmente, Barbie na cama.

Foi a deixa que eu precisava. “Bom, agora que a Barbie já foi para a cama, sua tia precisa trabalhar. A gente continua essa brincadeira no fim de semana, certo?” "Quando é o final de semana, Cacau?". "Daqui a quatro dias. Passa rapidinho." Negócio fechado, sem choro ou reclamação.

Já estava manobrando o carro quando a pequena chegou esbaforida: “Cacau, você esqueceu o seu presente!” Era um desenho fofo, o qual fotografei e reproduzo abaixo. Ganhei o dia.

 

A pedidos, Sophia: a devoradora de coelhinhos de chocolate

 

Escrito por Cláudia Collucci às 20h21
GRUPO DE DISCUSSÃO
Você enfrenta ou já enfrentou dificuldades para engravidar?
Cláudia Collucci/Por que a gravidez não vem?

Um em cada cada dez casais em idade fértil enfrenta dificuldade de gravidez. No Brasil, estima-se que ao menos dois milhões passem por esse problema. A infertilidade não manda aviso prévio. Exames de rotina (hormonais e ultrassonografias) com resultados normais também não garantem facilidade na hora de engravidar.

As causas de infertilidade costumam ser divididas da seguinte maneira: 30% masculina, 30% feminina, 30% do casal e 10% de causas indeterminadas. O diagnóstico do casal pode ser realizado após 12 meses de tentativas ou se a gravidez não seguir em frente. Se a mulher tiver mais de 35 anos, o início da investigação cai para seis meses de tentativas.

Dependendo do diagnóstico, o casal poderá ter como uma indicação tratamentos que vão das relações sexuais programadas até a Fertilização in Vitro (FIV). O caminho nem sempre é fácil. De cada dez casais que tentam uma gravidez por meio da FIV, apenas três vão conseguir o tão sonhado filho.

Diante da infertilidade, o importante é você saber que não está sozinho.

Este espaço se destina a dividir experiências, angústias, alegrias, frustrações e conquistas envolvidas nesta trajetória. Sinta-se acolhida (o)!


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Escrito por Cláudia Collucci às 13h18
Pais mais velhos são mais felizes que os mais novos?

Deu no "New York Times: pais mais velhos são mais felizes que os mais novos. Os dados vêm de uma nova publicação chamada "Uma Perspectiva Global sobre a Felicidade e Fertilidade", de autoria das pesquisadoras Rachel Margolis e Myrskyla Mikko http://www.nytimes.com/2011/04/10/fashion/10Studied.html?_r=1&ref=health.

A conclusão é oposta a de um recente artigo publicado também no NYT. Em Why Parents Hate Parenting”, a autora diz que, "do ponto de vista da espécie, é perfeitamente compreensível porque as pessoas têm filhos. Do ponto de vista do indivíduo, no entanto, é mais um mistério que se poderia pensar. A maioria das pessoas assume que ter filhos irá torná-los mais felizes. No entanto, uma grande variedade de pesquisa acadêmicas dizem que os pais não são mais felizes do que seus pares sem filhos, e em muitos casos são menos."

Nesta publicação mais recente, os pesquisadores do Instituto Max Planck para Pesquisa Demográfica, em Rostock, Alemanha, e da Universidade da Pensilvânia descobriram que as pessoas com idade acima de 40 anos são mais felizes com filhos do que sem eles. Foram mais de 200 mil entrevistados de 86 países.

Eles fizeram vários cruzamentos de dados como idade, sexo, renda e estado de saúde, além de contextos institucionais e culturais (se as pessoas  viviam em países com um regime social, democrático conservador ou em desenvolvimento).
Isso levou a algumas conclusões interessantes como essa: as pessoas em países ex-socialistas mostram uma forte correlação positiva entre a felicidade e a criação de filhos.

Mas as descobertas mais impressionantes giravam em torno da paternidade e da idade: pais com menos de 30 são decididamente menos felizes do que seus pares sem crianças.
Depois, quando os pais batem nos 40 anos, a relação se inverte e as pessoas com crianças são mais alegres do que aquelas sem.

Quanto mais, melhor, também_ pelo menos para os pais mais velhos. Para as pessoas com menos de 30, a felicidade declina com cada criança adicional. Os pais de duas crianças são mais infelizes que os jovens pais com um. Mas nos casos de pais com idades entre 40 e 50 anos, o número de crianças não tem impacto.
E depois de 50 anos, cada criança traz mais alegria.

Os dados não levam em conta a idade das crianças envolvidas, deixando dúvidas se as pessoas estão felizes de ter filhos mais tarde na vida, ou se eles são mais felizes quando seus filhos são mais velhos e não tão exigentes.

O fato que é muito difícil mensurar esse tipo de assunto. Há questões subjetivas e que "flutuam" ao sabor das nossas emoções. Tenho amigas que amam os filhos que têm, mas que vivem me dizendo: "Você que é feliz de não ter filhos. Filho só dá trabalho etc etc".  Todo mundo tem seus momentos contraditórios. Há dias em que amo a vida sem filhos. Há outros, porém, que sinto falta dos filhos que ainda não tenho. E, talvez, ao tê-los, sentirei falta da vida sem eles. A dúvida é antiga: ser ou não ser? Eis a questão!

Escrito por Cláudia Collucci às 19h32
A gravidez da "dona Jura"

A atriz Solange Couto, a eterna "dona Jura", está radiante. Feliz da vida com o bebê que carrega no ventre, aos 54 anos, conforme o ótimo depoimento dado à repórter Mariana Versolato, na edição de hoje da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/898389-gravida-aos-54-solange-couto-achou-que-estava-na-menopausa.shtml

Feliz também estamos nós, as que tentam engravidar "tardiamente", segundo os padrões da medicina. Sim, ela é um caso raro. As chances de uma gravidez natural após os 50 anos são menos de 1%. E os riscos de abortamento e de nascimento de bebês com síndromes genéticas são altíssimos.

Na análise que fiz para acompanhar o depoimento, tentei discorrer os casos históricos de gravidezes tardias. É de uma britânica o título oficial de mãe mais velha do mundo por vias naturais. Dawn Brooke engravidou e deu à luz um bebê aos 59 anos, em 1997. Antes, o recorde mundial pertencia a uma norte-americana, de Los Angeles (EUA), que foi mãe aos 57 anos.

Com a fertilização in vitro, mulheres de até 70 anos (duas indianas) já foram mães por meio de óvulos doados. Venhamos e convenhamos, casos como esses representam uma deturpação total do uso das técnicas de reprodução assistida. E não estou aqui entrando no mérito do direito reprodutivo. Afinal, alguém poderia questionar: se um homem de 70 anos pode ter um filho, por que não uma mulher?

A resposta é simples: os riscos à saúde dela (eclâmpsia, por exemplo) e do bebê (prematuridade) são altíssimos. Os médicos dizem que, com passar da idade, há uma sobrecarga natural dos órgãos, que fica ainda mais acelerada na gravidez.

Vejamos o caso da mulher que figura no Guinness como a mãe mais velha do mundo, a espanhola Maria Del Carmen Bousada Lara, que teve gêmeos aos 66 anos em 2006, com óvulos de uma outra mulher e sêmen de um banco nos EUA. Cinco meses após o parto, ela teve descoberto um câncer de mama e morreu três anos depois, deixando órfãos os bebês.

Mesmo sabendo que a gravidez de Solange é uma exceção, casos como os dela enchem de esperança as "tentantes tardias". Especialmente porque, em tempos de fertilização in vitro indiscriminada, a mulher passa dos 40, 42 anos, os médicos já vêm com a indicação de óvulos doados. É como se decretassem a nossa "velhice reprodutiva". Jogam por terra qualquer esperança de uma gravidez natural, mesmo com a informação de que, até a menopausa, tudo é possível.

Sim, a gravidez da "dona Jura" é uma exceção, mas uma exceção que fortalece as mães tardias, que derruba preconceitos. Afinal, como dizia Albert Einstein (1879-1955): "Há duas formas para viver a sua vida: uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre".

Escrito por Cláudia Collucci às 13h34
O caso das trigêmeas de Curitiba

O assunto está entre os mais enviados na Folha.com: um casal que se submeteu a tratamento para engravidar e teve trigêmeas corre o risco de perder a guarda das meninas após tentar abandonar uma delas na maternidade, em Curitiba (PR).

A notícia parece surreal, especialmente para quem sofre de infertilidade. O que imprensa tem divulgado é que o pai queria, no máximo, dois bebês e tentou deixar no hospital uma das crianças, que tinha insuficiência pulmonar. Funcionários da maternidade, então, acionaram o Conselho Tutelar.

As trigêmeas nasceram em 24 de janeiro, prematuras, e passaram um mês na UTI. Em entrevista hoje, a advogada do casal sugeriu que o médico responsável pelo procedimento não deveria ter transferido três embriões, já que a mãe teria 28 anos.

A situação é complexa. A América Latina, com o Brasil como carro-chefe, é campeã mundial em gravidez múltipla, com taxa de 42%. Ou seja, quase metade das gravidezes por reprodução assistida são de mais de um bebê. Na Europa, os índices são de 25% e eles já acham muito. Em vários países, há um movimento crescente para que se transfira para o útero um único embrião. A técnica evolui bastante na última década e hoje já é possível reconhecer previamente o embrião com mais chances de implantação.

Mas não há garantias. Para aumentar as chances de sucesso da fertilização in vitro, os próprios pais acabam concordando_muitas vezes estimulados pelos próprios médicos_ com a transferência de mais embriões. Não posso dizer se é o que aconteceu com o casal de Curitiba porque o caso corre sob sigilo na Justiça.

O fato é que existe uma recente resolução do Conselho Federal de Medicina recomendando que, em mulheres até 35 anos, sejam transferidos apenas dois embriões porque, até essa idade, as chances de gravidez são maiores. Há exceções, é claro. Conheço muitas mulheres jovens que já fizeram vários ciclos de FIV, transferindo dois, três e quatro embriões e não conseguiram engravidar.

Não faço ideia do que motivou os pais a abandonar a terceira filha. Quero acreditar que estavam sob forte estresse e que, talvez, tenham tido uma reação maluca, impensada. Não consigo imaginar outra hipótese. Gravidezes por meio da reprodução assistida são, em geral, desejadas e planejadas. E quem entra nessa chuva sabe que vai se molhar. Não tem jeito. Pode tanto ter uma gravidez múltipla como não engravidar.

É claro que ninguém está preparado para ter trigêmeos, quadrigêmos ou quíntuplos. No máximo, o casal sonha com gêmeos. Mas até aí conseguir a gravidez, gerar os bebês e depois não querer um (coincidentemente, a mais doente) parece algo doido demais, difícil de acreditar. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Escrito por Cláudia Collucci às 17h44

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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