Quando o filho desejado virá?

No artigo abaixo, a psicóloga Luciana Leis chama atenção para uma questão interessante: a perda da crença interna em ser mãe. Com tantas frustrações, esse sentimento é recorrente. Mas é importante não perder de vista as outras possibilidades de maternagem. Espero que gostem:

É inevitável o questionamento sobre se algum dia chegará o “seu dia”, já que para muitas, às vezes, são meses ou até anos de espera para a concretização deste sonho. Sentimentos de insegurança e medo da não realização deste desejo costumam invadir muitas mulheres, que, muitas vezes, chegam até mesmo a perder as esperanças de que a maternidade também poderá ser para elas.

Penso que é bastante complicado quando acontece a perda da crença interna em ser mãe. Claro que compreendo que esse sentimento é bem comum, principalmente, entre as mulheres que tentam engravidar há bastante tempo.

A impressão que me dá é que, com tantas frustrações, fica inscrito internamente no psiquismo destas mulheres: “Incapaz de ser mãe”, quando, na verdade, não sabemos o porquê das coisas, e muito menos, podemos controlar o momento de chegada de uma nova vida, então, como nos responsabilizarmos por isso?

Escuto muitas vezes das pacientes que atendo: “Preciso conviver com a possibilidade de ser, como também com a de não ser mãe!”. Daí o meu questionamento: “Será?”.

Penso que a maternidade realmente só não será possível para as que desistirem dela, já que, se não podemos controlar a via biológica, podemos, sim, abrir novos caminhos para a realização desse desejo.

Hoje em dia, existem diversas formas de tratamentos que possibilitam, de alguma forma, a realização deste sonho; além disso, a adoção também pode ser um caminho a ser considerado.

Desta maneira, a força interna de cada mulher para perseverar neste sonho, bem como a crença em sua capacidade de cuidar e amar uma criança serão determinantes neste processo, até a chegada do dia de poderem ouvir “Feliz Dia das Mães”.

Luciana Leis é psicóloga. É especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h07
Isabella Fiorentino espera trigêmeos idênticos

Depois da Fátima Bernardes, mais uma famosa será mãe de trigêmeos. A modelo e apresentadora Isabella Fiorentino está grávida de trigêmeos idênticos, o que é ainda mais raro. E de gravidez natural, segundo ela. Em entrevista à "Veja São Paulo", ela contou que levou um susto quando soube da notícia.

"Fui para o consultório preparada para aquele momento de novela, em que a personagem comemora com o marido e faz mil planos para a gravidez. Logo no começo do ultrassom, o médico falou que eram gêmeos. Senti uma emoção grande, uma vontade boa de chorar e aí ele disse: "Peraí! Tem mais um!". Foi um susto, porque já saí do consultório preocupada e com uma lista de restrições enormes."

Ela afirma que recebeu recomendação de repouso absoluto. "Não posso pegar avião em hipótese nenhuma. Além disso, é preciso um acompanhamento muito mais rigoroso: faço ultrassom toda semana – se fosse uma gravidez comum, um por mês já bastaria. Um único espermatozoide fecundou um único óvulo e, depois, se dividiu em três. Por isso, é uma placenta só. O médico monitora se eles todos estão crescendo no mesmo ritmo."

Isabella está com 17 semanas de gestação e já engordou seis quilos _estava com 58 e, agora, chegou a 64. A modelo garante que não fez inseminação artificial ou algum tratamento para engravidar. Os bebês devem nascer em meados de setembro. Boa sorte para ela!

Escrito por Cláudia Collucci às 21h01
Aos bebês que morreram no lixo

Desde meados de abril, quando um bebê foi abandonado dentro de uma caçamba em Praia Grande, tornaram-se frequentes as notícias de abandono de bebês. Infelizmente, a maioria já estava morta quando foi localizada. Anteontem a noite, mais um bebê foi encontrado morto dentro de uma sacola plástica, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Era uma menina prematura, tinha cerca de 30 centímetros. Aparentava ter nascido após cerca de seis e sete meses de gestação.

Outro caso chocante aconteceu no fim de abril, quando uma mulher de 20 anos deu à luz no banheiro de um hospital em Jundiaí e jogou o bebê no lixo. Ele foi socorrido, mas morreu três dias depois após sofrer várias paradas cardíacas. Em depoimento, a mãe disse que não sabia que estava grávida e que, quando viu uma "bolsa arroxeada", jogou no lixo pensando em se tratar de sangue menstrual. O laudo necroscópico divulgado anteontem diz que o bebê morreu devido a um traumatismo craniano.

Não é possível saber se casos como esses estão aumentando ou apenas estão sendo mais noticiados. Ou ainda se a divulgação na mídia esteja estimulando que mais mulheres façam isso. O fato é que algumas vidas poderiam estar sendo poupadas se existisse nesse país algum tipo de assistência mais adequada às mulheres que engravidam e não querem seus bebês. Não vou entrar aqui no mérito dos métodos preventivos de gravidez e nem da descriminalização do aborto.

Vou direto ao ponto que nunca é tocado: à possibilidade de a mulher colocar seu filho para a adoção sem que seja penalizada por isso. É uma opção real, amparada na legislação, mas quem sabe disso? Provavelmente, nós, pessoas esclarecidas. As mulheres miseráveis, sozinhas, vindas de famílias totalmente desestruturadas, portadoras dos mais diversos transtornos psiquiátricos, certamente não fazem ideia de que isso seja possível. E, mesmo que soubessem, sozinhas não teriam recursos internos para tomar essa atitude.

A imagem que me vem à cabeça neste momento é a da "roda dos expostos" da Santa Casa de SP, onde 4.696 bebês foram deixados para adoção entre 1825 a 1950. Mães em desespero que queriam ou tinham de abandonar seus bebês os deixavam anonimamente no hospital. Em geral, os bebês vinham acompanhados de um bilhete da mãe. "Filho, não posso te criar, Deus te abençoe", diz um deles, com uma marca de beijo de batom, exposto no museu do hospital.

Uma vez a criança colocada na roda de madeira, instalada no muro da Santa Casa, automaticamente uma sirene era acionada, avisando as freiras. O bebê era então recolhido e encaminhado para o orfanato que ficava no Pacaembu. A mãe também não era punida. Era vista como alguém que não podia criar o filho. Ponto.

Não está na hora de tentar entender melhor as razões que levam essas mulheres a jogarem seus filhos no lixo e criar mecanismos para evitar que novas mortes ocorram? Não está na hora de se fazer uma campanha, dizendo claramente: "se você está grávida e não quer o seu filho, procure tais locais que você receberá assistência e poderá dar luz em segurança e, depois, deixar seu filho para adoção. Sem nenhuma punição." 

Quando penso no fim que tiveram essas crianças, me bate uma tristeza muito grande. Imagino que poderiam estar felizes, seguros e amados nos lares dos milhares de casais que estão à espera de um bebê para adotar. Também fico triste por essas mulheres, tão doentes. Quando penso nisso, vejo o quanto regredimos desde que a "roda dos expostos" foi criada, há mais de um século. E fico me perguntando: não seria o momento de reinventá-la?

Escrito por Cláudia Collucci às 12h23

E por falar ainda em Dia das Mães, republico aqui uma entrevista que o jornalista Esequiel Vieira fez comigo justamente sobre o tema. A entrevista foi feita há dois anos e republicada novamente agora no blog do Esequiel. Tem também um artigo da psicóloga Luciana Leis, que vocês já conhecem deste nosso espaço. Espero que gostem:  http://polimidia.blog.br/dia-das-maes-ansiedade-e-pressao-sobre-quem-tenta-ou-nao-quer-engravidar/

Escrito por Cláudia Collucci às 18h12
Amor de mãe, amor de filha

Este período do mês de maio sempre me invoca divagações. Antes, diante das propagandas alusivas ao Dia das Mães, pensava: 'que sorte tive eu de ter uma mãe tão especial, tão querida'.

Com as tentativas frustradas de gravidez e os abortos espontâneos, essa época passou a incomodar, até a doer, eu diria. Pensava: 'será que minha hora vai chegar? Será que terei meu filho?'

Creio que a dor seja maior porque o filho que desejamos e ainda não temos já mora dentro de nós. Não é um ser desconhecido. Ele visita sempre nossos pensamentos, nossos sonhos. Uma hora é menino, outra hora é menina. Às vezes, é apenas um ponto de interrogação. Será que ele virá? E se virá, vai demorar muito? E se demorar muito, vou suportar essa angústia?

Quem não conhece a infertilidade, dificilmente consegue imaginar o quanto ela é devastadora. O quanto consome nossas energias e nossas alegrias. Estudos já foram feitos e concluíram que o sentimento é semelhante à dor do luto de um ente querido.

Talvez, com essa referência, as pessoas possam se aproximar mais dos que desejam uma gravidez e não conseguem. E apenas ser solidárias. Nada daquele papo de adoção ou do "relaxa que você consegue". Para muitos, o desejo da adoção vai brotar naturalmente e o filho virá por essa via. Para outros, pode levar mais tempo ou, simplesmente, não aparecer. E isso tem que ser respeitado, sempre.

Também é bapo furado essa história do "relaxar". Quem está nessa chuva, vai se ensopar mesmo. Não tem jeito. Por mais que se tente o contrário, o estresse faz parte do processo e ninguém precisa ficar ainda mais angustiada achando que precisa "relaxar" para que uma gravidez aconteça. Se fosse assim, não teríamos tantas gravidezes resultantes de estupros...

Claro que seria ótimo poder estar mais tranquilas. Claro que conhecemos um monte de casos de pessoas que "relaxaram" e engravidaram. Mas, repito, isso não pode ser uma exigência, uma carga a mais de estresse.

O que eu quero dizer para vocês, nesses dias que antecedem o "Dia", é que a dor da infertilidade, tal como uma ferida, cicatriza com o tempo. Não desaparece. E que todo amor maternal que existe dentro do nosso peito pode ser direcionado a outras pessoas que a gente ama.

Nos últimos dez dias, fui mãe dos pais. Idosos, ambos contraíram dengue ao mesmo tempo e ficaram bem debilitados, prostrados _meu pai teve que ficar internado por cinco dias. Foram várias noites insones, medindo a febre, medicando e inventando possibilidades de hidratação, já que as náuseas recusavam a ingestão de qualquer espécie de líquido.

Ontem a noite, ao vê-los comendo com vontade uma sopa, fiquei extasiada, tal como uma mãe ficaria ao ver a recuperação de um filho doente. E me perguntei: afinal, não é o mesmo amor?

  

  

 

Escrito por Cláudia Collucci às 11h58

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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