Bebê nasce após um ano e quatro meses da morte do pai

Há pouco mais de um ano, fiz uma reportagem em que relatava que a professora Katia Lenerneier, 38, havia conseguido na Justiça o direito de tentar engravidar com sêmen congelado do marido, que havia morrido em fevereiro de 2010, de câncer de pele (melanoma).

Pois bem, ela engravidou em setembro do ano passado e ontem deu à luz a fofa Luísa Roberta. O caso é inédito no Brasil e deve abrir as portas para outras mulheres que estão na mesma situação. Ou seja, viúvas que querem engravidar dos seus maridos, que deixaram sêmen congelado.

Katia e o contador Roberto Jefferson Niels, 33, eram casados havia cinco anos. Tentavam engravidar naturalmente quando Niels foi surpreendido pelo câncer, em janeiro de 2009. Por indicação médica, congelou o sêmen antes de iniciar o tratamento de quimioterapia, que poderia deixá-lo infértil.

Em julho do ano passado, o casal iniciou o tratamento de reprodução, interrompido depois de um novo diagnóstico: o câncer havia se espalhado para os ossos.

"Preferi estar ao lado do meu marido. Combinamos que, assim que as coisas melhorassem, continuaríamos a luta para formar nossa família", contou Katia na época.  "Quis dar continuidade ao nosso sonho de ter filhos fazendo uma inseminação com o sêmen congelado", diz ela.

Mas, ao procurar o laboratório onde está o esperma de Niels, ela soube que não poderia utilizá-lo porque não havia um consentimento prévio do marido liberando o uso após sua morte. O laboratório alegou razões éticas para justificar a recusa.

Não há legislação brasileira que regulamente a matéria. Clínicas de reprodução e laboratórios se baseiam em norma do Conselho Federal de Medicina que os orienta a documentar o que os homens pretendem fazer com o sêmen congelado.

Luísa Roberta nasceu antes do previsto, com 45 centímetros, 2,79 quilos. “É uma emoção indescritível, um amor que já vem, já brota, já existia. Quando vi que parecia com o Beto foi emocionante”, diz Katia. É ou não é uma história emocionante?

Escrito por Cláudia Collucci às 17h34
Mãe dá à luz sem saber que estava grávida. Será?
Uma dona de casa de Atibaia deu à luz a um menino de 3,5 kg e 48 cm e diz que não sabia que estava grávida. Ela afirma que estava com o marido, Edmar Rodrigues dos Santos, na casa de uma tia, para celebrar o aniversário de 1 ano do outro filho, quando decidiu ir embora apór sentir fortes dores nas costas.

“Tomei um banho, tentei dormir e fui ao banheiro. Aí senti uma dor muito forte nas costas. Sentei no vaso e fiz força. Saiu algo e chamei meu marido pra ver”, conta ela. “Rapidamente percebi que era uma criança. Corri, peguei ela pela perninha, ergui, dei uns tapinhas na bunda da criança, e ela chorou”, relembra a mãe.

Segundo Fabiana, depois de dar à luz, ela ficou por 15 minutos debaixo do chuveiro com água quente para manter a temperatura do recém-nascido. Com a chegada dos bombeiros, a mãe e o bebê foram levados até a maternidade da Santa Casa de Atibaia. Eles passaram dois dias no hospital. A criança nasceu aos 9 meses, com 3,5 kg e 48 centímetros.

De acordo com Fabiana, três meses após ter o primeiro filho ela começou a tomar anticoncepcional. E diz não ter percebido que estava outra vez grávida. “Minha barriga não cresceu. O que inchou foi meu estômago. Não tive enjoo nem nada. E o bebê não mexia."

O médico Jorge Santos, que atendeu Fabiana na maternidade, acredita ser difícil alguém engravidar sem perceber mudanças no corpo. “Provavelmente ou ela tomou a medicação errada, ou começou a tomar a medicação já grávida. É estranho, mas temos que acreditar”, diz o obstetra.

Escrito por Cláudia Collucci às 11h55
Big brother embrionário: a nova moda das clínicas de reprodução

Centros de reprodução privados de São Paulo têm vendido um novo diferencial nos tratamerntos de fertilização in vitro: equipamentos que monitoram o embrião 24 horas e permite com que o casal acompanhe o desenvolvimento embrionário de casa, na tela do computador ou da TV. Ainda que esse aparelho tenha uma vantagem real (dispensa a necessidade de se retirar o embrião da incubadora para ser examinado), fico me perguntando qual será o impacto emocional dessa nova tecnologia aos casais tentantes.

Atualmente, os casais só vêem "a cara" do embriãozinho na hora da transferência. É um momento emocionante e, não raras as vezes, a mulher já sai da clínica acreditando que esteja carregando um filho na barriga. Recebe todas as orientações para se comportar como se já estivesse grávida (nada de peso, atividade física ou relações sexuais). Portanto, quando vem a menstruação ou quando o teste do Beta HCG dá negativo, a tristeza é imensa porque a sensação é de um verdadeiro luto.

Fico imaginando agora você poder acompanhar o seu embrião de casa. Um, dois, três dias (o tempo que, em geral, ele fica em cultura até atingir um número de células suficientes para transferência para o útero). Você ali, observando aquele amontoado de células se multiplicando e fazendo planos para aquele suposto filho que ainda não foi gestado.

Será que, em algum momento, você vai lembrar das cruéis estatísticas? De que, na melhor das hipóteses, são apenas 30% de chances de aquelas células se transformarem no bebê dos seus sonhos? Acho que não. Até a mais racional das mulheres se permite a sonhar nesses momentos e esquecer as lições da estatística e da lógica.

Para os centros de reprodução, "o big brother" embrionário pode render boas ações de marketing e poderá agradar muita gente. Talvez esse "mimo" também tenha um custo maior no preço final do tratamento _ainda que não mencionado.  Mas não vejo como ele possa ajudar no aspecto emocional. Vou ainda mais longe. Penso que ele seja um estressor a mais num momento de extrema fragilidade, ou seja, quando o tratamento falha. É só um palpite. Esperemos para ver.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 19h27

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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