Os mitos sobre fertilidade

Quanto o assunto é fertilidade, o que não faltam são mitos, receitas caseiras e conselhos. Você sabe distinguir o que é verdade e o que é lenda naquilo que se diz sobre a fertilidade? Conheça agora algumas das dúvidas mais frequentes entre as leitoras:

Mulheres que provocam aborto reduzem as chances de engravidar novamente
Verdade! O aborto provocado deixa seqüelas na maioria dos casos. Lesões nas trompas, aderência das paredes do útero e infecções são comuns.
Medicamentos, aspirações e curetagem são os métodos mais grosseiros e traumatizantes . No entanto, os abortos espontâneos com até 10 semanas de gestação não apresentam risco significativo para a mulher, já que a anatomia do útero permanece completa.

Mulheres com idade avançada têm mais dificuldade para engravidar
Infelizmente é verdade. Apesar da transformação cultural baseada na performance profissional, a chegada aos 35 anos inicia uma nova etapa cronológica na vida da mulher. Principalmente a partir dessa idade a qualidade dos óvulos cai. Por isso, diminuem as taxas de gravidez e aumentam a ocorrência de abortos.

Mulheres com ovário policístico não conseguem engravidar
Mito! As mulheres com ovário policístico não ovulam todo mês pela irregularidade que a sídrome causa, por isso é mais difícil engravidar. Porém é perfeitamente possível a indução da gravidez como relatado neste post.

Usar pílula anticoncepcional por muito tempo pode causar infertilidade
Mito! Não importa quanto tempo a mulher usou a pílula, isso não interfere em nada quando a mulher decide engravidar. É um consenso entre os ginecologista e obstetras especialista em reprodução humana.

O que pode ocorrer é a mulher pode ter alguma disfunção que será detectada apenas após a suspensão do uso da pílula. Alguns ginecologistas dizem que a pílula anticoncepcional pode até ajudar. Isso porque ela previne o surgimento de endromediose e de cistos nos ovários.

E o uso de pílula do dia seguinte? Pode interferir na fertilidade feminina
Mito! O único perigo da pílula do dia seguinte é que, se muito utilizada, ela pode perder o seu propósito original pois o medicamento quebra o ritmo hormonal. A pílula do dia seguinte é uma boa apenas em caso de emergências, de vez em nunca.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h20
"Há uma indústria muito forte em ascensão, a da fertilidade"

Dias atrás, a Maria Lígia Pagenotto entrou em contato comigo para sugerir uma pauta. Na mensagem, comentou rapidamente sua experiência com duas gravidezes tardias. Achei a história bárbara e pedi a ela um depoimento. Maria Lígia gentilmente escreveu um relato, o qual divido abaixo com vocês. Espero que gostem!

Fiquei grávida da minha primogênita, Isadora, prestes a completar 40 anos de idade (nasci em 6 de dezembro de 1960 e engravidei – naturalmente – no início de novembro do ano 2000).

Do Francisco, engravidei – também naturalmente – em julho de 2004, com 43 anos e meio. As duas gestações foram extremamente tranquilas: não tive nenhuma intercorrência que pudesse me perturbar. Nada de enjoo, pressão alta, diabetes, dor nas costas, varizes, hemorroidas. Pelo contrário: no meu caso os hormônios trabalharam extremamente a favor o tempo todo: fui uma grávida cheia de energia até o fim, a ponto de todos ao meu redor comentarem sobre isso.

Minha libido nunca esteve tão em alta – e isso não é exagero de forma alguma. Sentia-me muito feliz, bonita, satisfeita com meu corpo como nunca estive. Engordei uns 12 quilos na primeira gestação e mais ou menos 14 na segunda. Amamentei e voltei rapidamente ao meu peso normal, sem sofrimento. Trabalhei, nas duas vezes, até o dia de dar à luz. Ambos nasceram por meio de cesariana, mas da Isadora tive contrações na manhã do dia marcado para o parto.

Acho que minha história chama um pouco de atenção porque havia tentado engravidar mais cedo (1996/97), num outro relacionamento. Como tivemos dificuldade, recorremos a alguns especialistas (cinco ao todo, pois me sentia insatisfeita com o tratamento pessoal que recebia e decidia mudar de médico. Adianto que só me consultei com professores doutores da USP e Unifesp).

A explicação mais clara que recebi para o meu problema foi a de uma espécie de incompatibilidade orgânica para a gestação entre o meu então marido, que já tinha um filho de outra relação, e eu.  Nada foi encontrado de concreto, mas acatei o diagnóstico, porque sei que isso é provável. O tratamento, no caso, seria a fertilização in vitro.

No fundo, porém, nunca tive certeza de que queria fazer esse tratamento, por várias razões: meu casamento não andava muito bem das pernas; pensava que sempre haveria a opção de adotar; achava muito custoso economicamente e, especialmente, do ponto de vista emocional.

Não sentia também firmeza nos médicos quanto ao diagnóstico. Também não confiava tecnicamente pra valer em ninguém.

E, o mais sério: ouvi muitas coisas chatas desses doutores, do tipo: “Você já tem 36 anos, vai esperar até quando pra engravidar?”; “Melhor você fazer logo esse tratamento, porque, quando chegar aos 40 e resolver fazer, imagina se engravida de gêmeos? Melhor pular da janela, pois o risco de uma gestação dupla nessa idade é muito grande”; “Talvez você pudesse até esperar por uma gravidez natural se fosse mais jovem. Nessa idade (36/37 anos), a chance de você engravidar naturalmente é muito pequena. Se adiar, o bebê pode ter problemas e você também”.

Em todas as consultas me sentia pressionada a fazer o tratamento por uma questão de tempo.

Enfim, quando estava prestes a pegar a medicação com a última médica que consultei, desisti de vez. O casamento não tardou a acabar também. Isso foi em meados de 1999. No final desse ano conheci meu atual marido. Assim que nosso relacionamento ganhou mais fôlego, disse a ele que eu não sabia se poderia engravidar. Ele não se importou, e acenou com a possibilidade da adoção.

Mais pra frente, relaxamos um pouco na prevenção – foi quando fiquei grávida da Isadora, em novembro de 2000.  O resto da história já foi contado acima.

Sei que não sou nenhuma exceção. Conheço muitas mulheres que tiveram filhos aos 40 anos ou mais sem tratamento algum. O que me incomodou profundamente foi a postura dos médicos quando busquei tratamento. Eles insistiam que eu deveria apostar na ciência porque engravidar mais velha seria um grande risco.

Discuto especialmente isso e acho, de fato, que há uma indústria muito forte em ascensão, a da fertilidade. Há realmente muitas pessoas que precisam se submeter a tratamentos, mas acho ainda que há muitas que passam por isso absolutamente sem necessidade. Nem digo que seria o meu caso com o primeiro marido, talvez a única saída mesmo seria o tratamento.

Mas acredito que há outras situações bem gritantes - nos dizem que estamos velhas para gerar um filho naturalmente e embarcamos no tratamento, caro, dolorido, e, muitas vezes, sem resultado. Sei de uma mulher que decidiu fazer um tratamento, aos 35 anos, porque, depois de tentar alguns meses, o filho não veio. Ansiosa, procurou assistência, e o médico disse que não havia problema nenhum com o casal, mas seria melhor “tratar”, porque, se esperassem mais, a gravidez poderia só vir mais perto do 40, e ela já entraria na zona de risco.

Sinceramente, acho que subestimam muito ainda nossa capacidade de gerar um bebê aos 40 e de ter uma gestação absolutamente tranquila nessa idade. Repito mais uma vez: há casos e casos. O que só reforça a ideia de que o tratamento não é para todas, definitivamente.

E até quando esperar? Qual esse limite? Será que é apenas o que dita a ciência, a biologia, o tempo cronológico, a indústria da fertilidade? 

Cobro, sim, mais ética dos médicos e mais delicadeza em tratar com suas pacientes. Não fiquei grávida de gêmeos, mas “segurei” muito bem duas gestações com mais de 40 anos. E, nenhum momento, achei que pular da janela seria menos arriscado do que ir em frente, como me disse certo doutor – sua clínica hoje, em plena atividade, é, aliás, bastante próspera, e ele ficou bem famoso. Decerto, parte deste sucesso, deve às “velhas” mulheres, na faixa dos 35/40 anos, ávidas por ter um filho.

Escrito por Cláudia Collucci às 18h41
Indução de ovulação pode provocar anormalidades nos cromossomos

Por essa ninguém esperava. Um estudo inglês, que acaba de ser apresentado nesta segunda-feira na conferência anual da European Society of Human Reproduction and Embryology, em Estocolmo (Suécia), concluiu que a indução da ovulação em mulheres maiores de 35 anos que se submetem a tratamentos de fertilidade pode causar efeitos adversos no organismo.

Um grupo de pesquisadores do Centro de Fertilidade, Ginecologia, e Genética de Londres considera que esse procedimento --pelo qual se recorre à medicação hormonal para estimular a ovulação e que, dessa maneira, liberam um maior número de células reprodutoras-- altera o processo crítico da duplicação de cromossomos conhecido como meiose.

Segundo os especialistas, isso provocaria anormalidades no número de cromossomos --o que poderia, por sua vez, causar efeitos adversos como o fracasso do tratamento de reprodução assistida, um aborto ou, de maneira mais rara, o nascimento de um bebê afetado por condições como a Síndrome de Down.

O grupo de especialistas destacará que os resultados do estudo estão levando a um novo entendimento sobre o desenvolvimento das possíveis anormalidades que podem ocorrer. Para isso, o diretor do centro médico, Alan Handyside, e colegas de oito países diferentes desenvolveram uma nova maneira de detectar corpos polares (pequenas células produzidas durante as duas divisões meióticas no processo de amadurecimento dos gametas femininos).

Segundo Handyside, ainda é necessário "pesquisar mais sobre a incidência e o esquema dos erros meióticos após diferentes regimes de estimulação".

"Os resultados dessa pesquisa devem nos permitir identificar melhores estratégias clínicas para reduzir a incidência dos erros de cromossomos em mulheres mais velhas que se submetem a tratamentos de fertilização in vitro", indicou.

Espero que Handyside esteja certo. E que mais essa carga saia das ombros das mulheres mais velhas. Não é incomum os médicos atribuírem o fracasso do tratamento à idade reprodutiva da mulher. É bom que, a partir de agora, pensem melhor sobre isso. 

Escrito por Cláudia Collucci às 13h06

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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