E dá-lhe mais novela com o tema fertilização!

O tema fertilização voltará com tudo na próxima novela das 18h da TV Globo, "A Vida da Gente". A atriz Leona Cavalli está de volta às novelas como uma quarentona disposta a tudo para engravidar. Ela será Celina, uma pediatra com o relógio biológico apitando.

Cercada por crianças e com mais de 40 anos, a médica pediatra sonha em ter um filho a qualquer custo. O problema é que o marido, Lourenço, interpretado por Leonardo Medeiros, não quer o mesmo que ela.

Leona ainda não começou a gravar a novela, mas conta que a preparação da personagem está muito bacana. "Já fui a dois hospitais e a consultório de pediatras", contou ela à coluna Outro Canal, na edição da Folha de ontem.  "É uma experiência diferente de tudo que já fiz."

Ao mesmo tempo em que é uma personagem séria, Celina tem um pouco de humor. Ao longo da trama, tenta engravidar várias vezes -e não só do marido. Lourenço, aliás, vende seu sêmen para um banco de esperma e, ainda assim, se recusa a ter um filho com a mulher. "É muito divertido", diz Leona.

O desejo da personagem é tão grande que ela sairá pelas baladas à caça de um pai para uma produção independente.

Pergunto: será que a gente ainda vai ver uma novela que aborde o tema de forma menos esteriotipada? Que ajude as pessoas a entender melhor o desejo de maternidade e todas as suas nuances sem fazer disso uma comédia?

Escrito por Cláudia Collucci às 13h35
Próxima novela da Globo vai discutir fertilização com óvulos e sêmen doados

A fertilização in vitro com óvulos e sêmen de terceiros será tema da nova novela das 21h da Globo, Fina Estampa, que começa a partir do próximo dia 22. Sempre achei que esse tema renderia um belo drama, mas só espero que o autor Aguinaldo Silva consiga abordá-lo com um pouco mais de profundidade e não fique preso a uma visão simplista e equivocada, que, muitas vezes, permeia as novelas.

Na trama, que substituirá "Insensato Coração", Paulo (Dan Stulbach) é estéril, o que impede a mulher, Esther (Julia Lemmertz), de realizar o sonho de ser mãe. Mas o encontro com a médica Danielle Fraser (Renata Sorrah), especialista em fertilidade, irá mudar a vida do casal. Com a novela, Silva pretende trazer à tona a discussão sobre a paternidade das crianças geradas a partir de sêmen ou óvulos doados por terceiros.

"Como uma mulher fica nove meses com a criança dentro dela, alimentando-a com os próprios fluidos, depois dá à luz, amamenta e essa criança não é dela? Só porque não tem o seu DNA? É dela!", afirma o autor em reportagem na "Folha" de hoje.

Na minha opinião, não é esse o ponto. A questão que merece um debate é: os pais devem ou não contar para o filho a sua verdadeira origem?

No exterior, vários grupos que trabalham com o tema defendem que sim. E quanto mais cedo, melhor, dizem eles. O argumento é que o não-dito, ou o que é escondido, acaba criando um clima de segredo na família e isso é "captado" pela criança, o que pode ter um efeito deletério no futuro, muito parecido com aquelas situações em que filho descobre, depois de adulto, que foi adotado.

Segundo os psicólogos, se o casal souber conduzir de uma forma tranquila e segura essa revelação, contando-a, por exemplo, em forma de historinha, desde quando a criança é pequena, a "verdade" perde o peso que parece ter. Já foram feitos, inclusive, alguns estudos sobre isso e eles revelaram que, na maioria dos casos, a revelação não traz repercussões negativas à família.

Volto a insistir nisso porque é muito comum os médicos minimizarem as repercussões emocionais e físicas das doações de gametas. Alguns até chegam a aconselhar os casais _como já foi relatado aqui no blog_ a não contar sobre a doação de gametas aos filhos. Nunca me esqueço da frase que um dia ouvi de um especialista da área: "doação de óvulo é igual a doação de sangue." Definitivamente, não é. É fato que a herança genética vai determinar muita coisa na vida da pessoa, que estrapola as questões emocionais.

Vou me focar apenas na saúde, minha área de atuação. Eu, por exemplo, tenho tendência a ter altas taxas de colesterol por mais que me alimente bem e faça exercícios físicos. "É genético", dizem os médicos. Por conta disso, redobro meus cuidados. Outro exemplo: tenho uma amiga que descobriu um câncer de mama aos 35 anos. A mãe havia morrido vítima da doença aos 45 anos. Se ela não tivesse tido essa informação, provavelmente não teria começado a fazer mamografia desde os 30 anos e descoberto o tumor precocemente. 

Penso que sejam questões como essa que precisam entrar em pauta na hora de se decidir por uma fertilização in vitro com óvulos/sêmen doados. Nada contra essa opção. Cada um tem livre arbítrio para decidir o que é melhor para suas vidas. Mas será que omitir da criança a sua verdadeira história é o melhor para ela? Gostaria de ouvir a opinião de vocês sobre isso.  

 

Escrito por Cláudia Collucci às 22h07
Israel: a capital mundial da fertilização in vitro

A edição brasileira do "New York Times", que acompanha a edição de hoje da Folha, traz uma reportagem reveladora: Israel é a capital mundial da fertilização in vitro (FIV), e o Hospital Assuta, em Tel Aviv, que realiza cerca de 7.000 procedimentos por ano, é uma das mais movimentadas clínicas de reprodução assistida do planeta.

Ao contrário de países onde os casais podem ir à falência tentando engravidar, Israel fornece de forma gratuita e ilimitada os procedimentos da FIV até que resultem em dois "bebês para levar para casa". Mulheres de até 45 anos podem se beneficiar. Os procedimentos representem um dos maiores gastos do país com a saúde pública. Mas isso não é problema: quase todos os setores da sociedade israelense concordam com o investimento.

Há um crescente número de solteiras fazendo FIV, e seus esforços são aprovados por rabinos. Da mesma forma que o governo já pensa em aprovar FIV com barriga de aluguel para os casais gays que desejam um bebê.

Os israelenses já têm uma elevada taxa de fertilidade: uma média de 2,9 filhos por família. Além do imperativo bíblico de serem fecundos, alguns judeus israelenses se sentem motivados a repor seu contingente depois do Holocausto.

A demografia também é política. Israel tem historicamente promovido a natalidade dos judeus como forma de manter uma maioria judaica no país e, mais recentemente, como um contrapeso à taxa maior de fertilidade dos palestinos nos territórios ocupados. Cidadãos árabes de Israel, no entanto, têm os mesmos direitos a tratamentos de fertilização pagos pelo Estado.

Uma pesquisa publicada pela revista "Human Reproduction Update" em 2002 mostrou que Israel realizava 1.657 procedimentos de FIV por milhão de habitantes a cada ano, bem acima dos 899 na Islândia, o país com a segunda taxa mais elevada, e dos 126 nos EUA, que ficaram bem atrás de vários países europeus.

Mas a política de incentivo à FIV tem seus críticos. Hedva Eyal, que trabalha na entidade feminista Isha L'Isha, diz que deveria haver mais discussão sobre o potencial impacto físico e emocional do tratamento, que inclui uma bateria de injeções hormonais. Vered Letai-Sever, 32, fez oito tentativas no hospital Assuta até engravidar de Eitan, que nasceu há quatro meses e meio.

"Se vivêssemos em qualquer outro lugar, provavelmente nunca teríamos chegado aqui", disse ela, segurando o seu bebê.
"Há algo de profundamente humano nesta política, essa ideia de que a pessoa tem o direito de ser pai", acrescentou. "É algo que caracteriza a vida aqui: o valor depositado na vida."

Escrito por Cláudia Collucci às 15h15

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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