Casal adota filho por meio do Facebook

 Melissa, o marido Seah e o filho Noah

Sempre me surpreendo com as histórias do mundo de pais e filhos nos EUA e da forma como as pessoas levam essas questões reprodutivas de modo muito mais "easy going" do que a maioria dos brasileiros.
Na viagem anterior, já tinha relatado para vocês a história de uma amiga que havia doado óvulos para a cunhada e é mãe biológica do sobrinho. Todos sabem e encaram isso numa boa. Por aqui também há várias comunidades online de pessoas nascidas por meio de doação de gametas, muitas delas irmãos por parte de pai, que se encontram frequentemente.
Ontem li a história de um casal que, após perder seus gêmeos durante a gestação, fez um monte de tratamentos de fertilização e não conseguiu uma nova gravidez. Tiveram a ideia então de postar o desejo de adoção no Facebook. Não é que deu certo?
A amiga de uma amiga conhecia uma mulher que estava nas últimas semanas de gestação do seu quarto filho e não tinha condições financeiras de bancar mais uma criança. Tinha pensado em colocá-la para adoção, mas faltava-lhe coragem.
Bastou uma conversa entre o casal e a mãe para ela decidisse que não havia família melhor para seu filho. Antes mesmo de o bebê nascer, a papelada da adoção estava pronta. O garoto tem contato com os irmãos biológicos e, pelo menos aparentemente, tudo está correndo bem, sem maiores dramas.
Agora, o casal busca, também via Facebook, um irmão para o filho Noah. Não é incrível o que as redes sociais podem fazer hoje em dia?

Escrito por Cláudia Collucci às 09h31
Mudança de rumos
Queridas, ensaiei muito para escrever este texto mas decidi fazê-lo porque, do contrário, estaria traindo a confiança de vocês, que me acompanham há mais de uma década.
A verdade nua e crua é a seguinte: meu desejo de gravidez desapareceu. Durante sete anos, minha vida esteve muito focada neste propósito. Foram duas gravidezes, dois abortos e três FIVs (fertilização in vitro), todos os processos acompanhados de muita expectativa e dor.
O fato que, nos últimos meses, aos poucos, essa questão começou a ficar distante. A pressa de ser mãe, impulsionada pelo relógio biológico apitando, foi passando. Também desapareceram a preocupação com período fértil e o incômodo que sentia a cada notícia de amiga grávida.
A menstruação, antes um símbolo do fracasso, de mais um mês sem gravidez, passou a ser bem-vinda, e o luto pela criança que não veio já não me habita mais. Também não me sinto preparada para a adoção. Já pensei seriamente no assunto, cheguei a ir ao fórum, mas algo dentro de mim diz que não é o momento. Talvez esse momento ainda aconteça, talvez não. Só o tempo vai dizer. 
É claro que as coisas não aconteceram num passe de mágica. Contei com a ajuda de um longo e eficaz processo terapêutico para elaborar todas essas questões e descobrir o que de fato a Cláudia deseja neste momento da sua vida. Sem os véus das cobranças sociais e familiares que tantas vezes confundem os nossos reais sentimentos.
Essa trajetória toda foi fundamental para eu concluir que gosto muito da minha vida da forma como ela é. Novos projetos ganharam importância. Embarco na segunda-feira para mais uma temporada nos EUA. Ficarei na Georgetown University, em Washington, estudando os conflitos de interesse entre indústria farmacêutica, médicos e jornalismo de saúde.
Nesses últimos meses, em vários momentos pensei em encerrar o blog. Especialmente quando lia mensagens queridas desejando-me sorte na busca pela maternidade. Mas depois me lembrei que esse espaço surgiu por uma curiosidade jornalística e não pelo desejo da maternidade. O desejo veio depois e, em muitas ocasiões, ficou expresso aqui neste espaço.
Por isso, penso que seja muito coerente e honesto avisar vocês que a "tentante" não existe mais. A jornalista continuará, na medida do possível, abastecendo o espaço com informações sobre infertilidade. E convida vocês para ajudá-la nesta nova fase.
De que forma? Contando suas histórias e motivando outras mulheres a persistirem em seus sonhos, seja lá quais forem. A fertilidade de uma vida não se resume na maternidade. Estejam certas disso!
Escrito por Cláudia Collucci às 23h18
Implicações emocionais envolvidas na adoção de sêmen

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente frustrante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser homem” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

Em casos onde a qualidade do sêmen, avaliada através do espermograma, é muito baixa, percebemos que o nível de angústia masculina é ainda mais intenso, principalmente, quando a adoção de sêmen de outro homem é indicada pelo médico como a opção mais viável (ou até mesmo única) para a realização do sonho pelo filho.

É fato que a maioria dos casais que buscam por tratamentos de reprodução assistida espera sair desse processo com um filho geneticamente relacionado a eles. No entanto, em alguns casos isso não é possível, sendo necessária a desconstrução de um sonho idealizado para a de um sonho possível. Nota-se que o luto pela perda do filho biológico e sentimentos de dor e frustração advindos desse processo podem ser experimentados para, aos poucos, cederem lugar às novas possibilidades de paternidade, com suas perda e ganhos.

Muitas fantasias podem surgir em meio ao casal que vivencia esse tipo de técnica, principalmente, pelo fato do sêmen, na maioria das vezes, ser associado a um caráter mais sexualizado. Deste modo, sentimentos de ciúmes do doador (que é desconhecido) podem surgir por parte do homem, que sente-se abalado em sua autoestima e confiança em si mesmo. Alguns chegam a referir que é como se sua mulher estivesse se relacionando sexualmente com outra pessoa.

Além disso, nota-se que o caráter sexual atribuído ao sêmen não aparece somente nos homem, já que certas mulheres dizem que não conseguem nem imaginar o sêmen de outro homem, que não o de seu marido, dentro de seu corpo. Algumas preocupações podem surgir em meio ao casal que vivencia esse processo, como por exemplo, o medo por parte da mulher de que o marido não assuma a criança numa eventual separação, ou então, o temor por parte do homem de que a esposa venha lhe “jogar na cara” numa briga futura que o filho não é dele.

Receios a respeito da possibilidade de doenças genéticas e traços patológicos de caráter podem surgir em meio a esse processo, sendo necessário o esclarecimento de que algumas doenças, predisposições temperamentais e traços físicos podem ser herdados, no entanto, valores, crenças, formas de pensar e agir são adquiridos e aprendidos na convivência familiar.

Desta forma, nota-se que em meio a tantas questões importantes, é imprescindível a presença de um psicólogo junto ao processo de adoção de sêmen, trabalhando aspectos emocionais não somente junto ao homem, como também em meio ao casal que pode se fragilizar bastante em meio a esse tipo de procedimento.

Psicóloga Luciana Leis: luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 19h54

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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