Blog sobre endometriose

Pessoal,  o blog da jornalista Caroline Salazar "A Endometriose e Eu" foi classificado para a segunda fase do Prêmio Top Blog Brasil e ele . Dei o meu voto e gostaria de sugerir o mesmo vcs porque acho que ela faz um bonito trabalho. Sabemos o quanto esta doença é terrível para a mulher.

Para votar é fácil! É só entrar na página do blog http://aendometrioseeeu.blogspot.com, clicar no selo do Prêmio Top Blog Brasil, azul que está à direita piscando. Aí, você será redirecionado à página do prêmio, clica na seta votar e seleciona a sua opção de voto: ou por e-mail ou twitter.

 Se você selecionar por e-mail é necessário validar o voto em seu e-mail, clicando no link que estiver em sua caixa de entrada, pois você vai receber um e-mail do Top Blog pedindo a confirmação. É só clicar em cima do link e pronto! O seu voto foi validado. Se tiver e-mail e twitter pode votar com os dois.

 

Escrito por Cláudia Collucci às 16h14
Gravidez tardia: caso italiano reacende debate

Fiz recentemente uma reportagem para Folha que deu o que falar. Vejam os comentarios: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/997439-pais-velhos-perdem-guarda-de-bebe-na-italia.shtml

Abaixo, leiam a reportagem e comentem sobre o caso.

Ela, uma bibliotecária italiana de 57 anos. Ele, um aposentado de 70. Casados há 21 anos, decidiram ter um bebê com óvulos doados após anos tentando uma gravidez, sem sucesso. Há um ano e sete meses, nasceu Viola.

No mês passado, Gabriella e o marido, Luigi de Ambrosis, perderam a guarda da filha porque a corte de Turim (Itália) entendeu que eles são velhos demais e não têm condições de criá-la. A menina foi colocada para adoção.

O caso vem repercutindo nos meios médicos, jurídicos e bioéticos por trazer mais uma vez à tona a questão: quais os limites da maternidade/paternidade a partir das novas tecnologias?

No relatório de 15 páginas, ao qual a Folha teve acesso, os cinco juízes são taxativos: os pais foram "egoístas e narcisistas" por ter tido a criança em idade avançada. O casal já havia tentado adotar um bebê, mas foi reprovado por causa da idade.

"Eles nunca pensaram sobre o fato de que a filha poderia ficar órfã muito jovem ou seria forçada a cuidar de seus pais idosos na idade em que os jovens mais precisam de apoio", diz o relatório.

"Essa criança é fruto de uma aplicação distorcida das enormes possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias", afirmam os juízes.

QUESTÃO MORAL

Para a antropóloga Debora Diniz, professora da Universidade de Brasília e membro da diretoria da Associação Internacional de Bioética, a tentativa de relacionar gravidez tardia a egoísmo "é um valor cristão sobre a reprodução". "A certeza do projeto parental é a melhor aposta para o cuidado. Isso não tem idade", afirma.

O ginecologista Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, diz que hoje 20% das mulheres que buscam tratamento têm mais de 40 anos. A tendência é de aumento.

Ele afirma que os problemas acarretados pela gravidez tardia são sempre discutidos antes do tratamento, mas que as mulheres são muito "imediatistas". "Acho que tem até um certo egoísmo de não projetar o futuro e viver só o presente, aproveitando os avanços da medicina. Nesses casos, é mandatória uma avaliação psicológica do casal."

A partir dos 40 anos, muitas mulheres recorrem a óvulos doados, para aumentar as chances de gravidez. Segundo Dzik, com essa técnica, as possibilidades de engravidar são de 50%. Pesquisas mostram taxas menores, de 30%.

POLÊMICA

O caso italiano teve início no ano passado, quando a bebê tinha um mês. Um vizinho denunciou o casal por, supostamente, ter deixado a filha sozinha no carro por 40 minutos. A mãe diz que estava descarregando o carro com compras e que nunca perdeu a menina de vista.

Em outra ocasião, outro vizinho chamou a polícia e disse que o casal havia deixado a bebê no carro, chorando, para tentar fazê-la dormir. A criança foi recolhida e deixada sob a guarda de uma família autorizada pela Justiça.

Os pais foram submetidos a testes psicológicos e psiquiátricos que concluíram que a mãe não estabeleceu vínculos emocionais com a filha. O marido também não teria demonstrado preocupação com o bem-estar da filha.

O casal entrou com recurso para reverter a decisão judicial. "É como se ela tivesse sido roubada de nós. A principal vítima dessa injustiça não somos nós. É o nosso bebê", afirmou Gabriella ao jornal italiano "La Stampa". O casal só pode ver a menina a cada 15 dias.

Se a questão é idade avançada, os tribunais italianos ainda terão mais trabalho pela frente.

Só em setembro, outros dois casais mais velhos (elas, de 57 e 58 anos; eles, 65 e 70 anos) geraram gêmeos por doação de óvulos. Todos os tratamentos, inclusive o de Gabriella, foram feitos fora da Itália. O país não permite a doação de óvulos.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h48
Os riscos não ditos da fertilização in vitro

O número de mulheres que morrem na Inglaterra após fertilização in vitro todo ano é similar ao número daquelas que morrem após um aborto, segundo editorial publicado no "British Medical Journal" na última sexta-feira

A informação foi publicada no site do jornal britânico "The Telegraph".

Enquanto sete mulheres morreram como resultado direto do procedimento entre 2003 e 2005, duas morreram em consequência de abortos em 2007, observaram os obstetras autores do artigo.

Isso acontece porque há apenas um quarto do número de ciclos de fertilização in vitro em comparação a abortos, de acordo com os autores, liderados por Susan Bewley, obstetra da Fundação Guy's and St. Thomas, em Londres, ligada ao NHS (Sistema Público de Saúde Britânico).

Quatro das mortes depois de fertilização que aconteceram entre 2003 e 2005 foram causadas pela síndrome de hiperestimulação ovariana, provocada por medicamentos contra infertilidade, enquanto três ocorreram devido a gravidez múltipla.

Os autores dizem que as mortes após fertilização in vitro são "raras, porém relevantes", principalmente com o crescente número de mulheres mais velhas que recorrem ao método. 

Penso que esse seja um alerta importante porque é muito comum os médicos nem mencionarem os possíveis riscos que podem envolver a fertilização in vitro.

Lembro-me de que na minha primeira FIV sofri um hiperestímulo ovariano (produzi 39 óvulos, que resultaram em 25 embriões!!), mas, tks God, não desenvolvi a síndrome na forma severa. Para quem não sabe, ela pode apresentar sintomas leves, como desconforto abdominal, naúseas e diarreias (o que é mais comum) até complicações que levam à morte.

Naquela época, curiosa para saber mais sobre o problema, descobri que em apenas um ano seis mulheres estiveram internadas em UTIs de dois hospitais de São Paulo por conta da síndrome. Confesso que fiquei ao mesmo aliviada (por ter apresentado apenas desconforto abdominal} e bem irritada por não ter sido alertada para o risco.

Não sei como anda hoje a comunicação entre os médicos e os pacientes da reprodução assistida, mas gostaria de saber de vocês se, durante o tratamento, sofreram surpresas desse tipo. Não necessariamente a síndrome, mas algum problema, cujo risco poderia ter sido previsto e alertado no termo de consentimento informado, mas não foi. Boa semana a todos!

Escrito por Cláudia Collucci às 14h48
Os polêmicos testes embrionários

Testes que diagnosticam possíveis problemas que o embrião carrega_ antes mesmo da transferência para o útero_parecem estar mais eficazes (embora ainda muito caros), mas têm provocado uma certa tensão no mundo da reprodução assistida.
O motivo é simples: segundo pesquisas recentes, mais da metade dos embriões que passam pelo crivo desses testes são considerados inviáveis, pois carregam sérias anomalias em seus cromossomos.
Se transferidos nessas condições, existem ao menos três cenários possíveis: ou não há implantação do embrião e, portando, a gravidez não acontece; ou a mulher chega a engravidar, mas aborta; ou consegue levar a gravidez adiante, mas a criança nasce com graves má-formações.
É claro que ninguém em sã consciência deseja esse tipo de situação. Mas vamos para a vida real. O casal procura uma clínica e decide fazer uma fertilização in vitro. Reúne as economias, junta lá seus R$ 10 mil, R$ 15 mil, e bota toda fé no sucesso do tratamento.
Produz, vamos supor, cinco embriões. Aos olhos dos microscópios que existem nas clínicas, três dos embriões são considerados ótimos/bons, recebem notas A, B.
Mas aí como a mulher já está próxima dos 40 anos, quando a qualidade dos óvulos decai, ou já fez outras tentativas que não deram certo, o médico sugere a biopsia embrionária pré-implantacional. 
Para cada embrião que será biopsiado lá se vão mais R$ 1.500, em média. No final, vem a notícia: todos os embriões carregam algum tipo de problema nos cromossomos e são considerados inviáveis para a transferência. Ou seja, lá se vão mais de R$ 20 mil pelo ralo. Sem contar a tristeza, a decepção de ter que parar um ciclo de tratamento na metade.
Muitas clínicas não estão querendo pagar esse preço [com medo de perder o cliente] e sequer propõem aos casais a possibilidade desses testes. Deixam-os acreditar que aqueles lindos embriões vistos ao microscópio são realmente todos viáveis.
Muito provavelmente, os mais de R$ 20 mil vão para o ralo de qualquer jeito, mas pelo menos tem sempre alguém para culpar: Deus, o destino, a mulher que ficou nervosa e não fez repouso, o mordomo...
Já está passando da hora desse mundo da reprodução assistida trabalhar com uma coisa chamada medicina baseada em evidência. Ou seja, provas científicas consistentes (não aqueles estudozinhos para inglês ver) de que determinado tratamento/procedimento funciona de fato.
Um dos criadores desse movimento foi o professor Archie Cochrane, pesquisador britânico cujo trabalho resultou em centros de pesquisa de medicina baseada em evidência em todo o mundo.
O trabalho se baseia em meta-revisões da literatura existente, análise de risco-benefício, experimentos clínicos aleatórios e controlados etc. 
Bem na verdade nem os testes genéticos mais modernos passaram por esse tipo de escrutínio científico. E é esse argumento que muitos médicos usam para justificar a opção de não indicá-los aos seus pacientes.
Mas pelo menos é preciso que digam tudo isso aos casais, sem falsas promessas. De maneira clara, honesta, objetiva, deixando de lado os conflitos de interesse e olhando para aquele casal vulnerável, que busca o filho tão sonhado, como pacientes e não como clientes. Ou será que o Juramento de Hipócrates já foi esquecido?

Escrito por Cláudia Collucci às 16h44

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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