O adiamento da gravidez

O adiamento da maternidade, seja por que motivo for, tem se tornado um assunto corriqueiro entre as minhas amigas na faixa dos 30 anos. Várias delas estão tentando engravidar e fazendo tratamentos. A pergunta que nunca se cala é: faz realmente tanta diferença assim adiar a gravidez para perto dos 35 anos?

Especialistas afirmam que aos 35 anos, a fertilidade da mulher é metade da que era aos 25 anos, e que, aos 40, a fertilidade cai para a metade do que era aos 35. Isso significa que um ano pode fazer muita diferença quando a mulher está na casa dos 30 ou dos 40 anos, e de repente pode começar a enfrentar dificuldade para engravidar.

A maioria dos casais (92%) consegue engravidar em dois anos de relações sexuais frequentes e sem proteção. "Frequentes" neste caso significa sexo a cada dois ou três dias, ao longo de todo o ciclo menstrual. O Baby Centr Brasil fez uma reportagem especial sobre o assunto. Vale a pena conferir no site
http://brasil.babycenter.com/preconception/planejando/idade-afeta-fertilidade/

Escrito por Cláudia Collucci às 19h46
Como controlar o incontrolável?

Neste novo artigo, a psicóloga Luciana Leis trata de um velho conhecido tema de todas nós: o controle, ou melhor, a falta dele. Espero que gostem!

“Controlar os eventos da nossa própria vida” é algo que, desde muito cedo, achamos que podemos fazer.

Entendíamos que se tivéssemos um bom comportamento, de alguma forma, a recompensa de nossos pais viria; se estudássemos para as provas durante o ano, com certeza, passaríamos de ano; se batalhássemos bastante no emprego, uma promoção e um bom ganho financeiro seriam os resultados mais prováveis... E assim por diante.

Desta maneira, é inevitável acreditar que somos responsáveis, sim, pelos acontecimentos de nossa vida. Porém, o que pensar quando algo sai do esperado, apesar de estarmos fazendo tudo “conforme manda o figurino”?

Costumo dizer que a vida, mais hora, menos hora, nos coloca frente às situações onde o incontrolável predomina. Assim, como seres humanos, somos obrigados a rever nossa posição, muitas vezes onipotente, de acreditar que temos o controle sobre tudo, e reconhecer nossos limites, afinal, não somos deuses.

Momento de engravidar é incontrolável...

Percebo que a dificuldade de gravidez, para alguns casais, funciona como a primeira grande desilusão a respeito “deste controle” que venho falando até agora. É muito complicado para um casal que deseja engravidar entender que, apesar das relações sexuais sem uso de qualquer método anticoncepcional, o filho não vem.

Isso sem contar com as comparações inevitáveis com amigos que engravidam facilmente e com as pessoas que, mesmo sem querer engravidar, acabam engravidando...

Realmente, não é nada fácil lidar com essa frustração e, principalmente, com a falta de controle que ela traz consigo; uma vez que, nem mesmo os tratamentos de infertilidade podem garantir o tão esperado bebê.

Acredito que todo momento de crise é uma oportunidade para crescimento pessoal. Lidar com a infertilidade, sem dúvida, pode promover amadurecimento. O reconhecimento de nossos limites é algo nobre e que requer humildade para que possamos reconhecer que existem coisas que não podemos controlar.

Isso, de maneira alguma, significa “desistir da luta pelo filho”, mas sim, sermos menos rígidos com nós mesmos e não nos culparmos diante de resultados que não dependem somente de nós.

Psicóloga Luciana Leis- Contato: luciana_leis@hotmail.com.

Escrito por Cláudia Collucci às 20h30
Grávidas do crack

Chega a doer a alma ouvir o relato das grávidas da cracolândia. Mulheres-farrapos que perambulam pelas ruas carregando os filhos do crack na barriga. São ao menos 20, segundo a polícia. A maioria tem menos de 30 anos, mas parecem ter 70. Todas elas engravidaram nas ruas, sob efeito da droga. Já perderam tudo e, logo, também devem perder a guarda do filho, tão logo ele nasça.

Lilian, 26,  grávida há nove meses, diz ter começado a usar cocaína aos 22 anos quando frequentava, em Carapicuíba, estacionamentos de postos de combustível para ouvir música com colegas. O crack veio na sequência.

Ela descobriu ser soropositiva quando teve sua primeira filha, há dois anos e oito meses. Lucas, que carrega agora na barriga, pode nascer a qualquer momento. Lilian ainda não sabe como fará para tirá-lo do hospital sem ter endereço nem emprego fixo.

Joyce, 19, grávida há dois meses, temer ela saúde da criança que carrega, dada a vida que leva. Cogita entregar o bebê para adoção, a fim de que tenha "uma vida melhor". Ela diz já ter se prostituído para comprar drogas. Está na cracolândia, conta, para que sua filha de cinco anos não a veja nas atuais condições. "A gente é dependente químico. É uma doença. Quando entra na veia da gente, acabou, nunca mais sai."

Débora, 29, grávida há cinco meses, começou a usar crack aos 12 anos, quando, afirma ela, envolveu-se emocionalmente com um traficante em Franco da Rocha. Hoje, ela tem quatro filhos de três pais diferentes. Espera pelo quinto, que não será o último, ela promete. Débora diz que quer ter mais um filho para homenagear o atual companheiro. Débora diz ter sido internada várias vezes. Seu sonho, conta, é ter uma carroça para catar papelão e, assim, ganhar dinheiro, comprar um barraco e reunir os filhos.

Sara, 27, grávida há cinco meses, conheceu o crack ainda criança. Tinha 11 anos quando um tio lhe ofereceu a droga. Ela conta que se sentia rejeitada pela família, motivo pelo qual abraçou o vício. Ela diz ter conseguido abandoná-lo por alguns anos e, no período, teve três filhos. Em 2009, porém, teve uma recaída.

Isso aconteceu após o marido ser preso. Para sustentar a casa, passou a trabalhar até tarde da noite. Deixava os filhos com a sogra cadeirante. "Uma noite, quando cheguei, o conselho tutelar tinha levado todos os meus filhos. Aí, me afundei nas drogas." Nos últimos seis meses, ela morou na cracolândia.

Não sabe quanto pesa, mas trocou o número 44 de calça para 36, "que fica caindo". Sara afirma que esteve internada sete vezes. Ontem, tentava nova internação. "Não quero perder mais um filho."

Conheçam o drama dessas mulheres e_ também dos seus filhos_ nesta reportagem minha e do Rogério Pagnan, publicada hoje na Folha.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/19638-gravidas-do-crack.shtml

Escrito por Cláudia Collucci às 18h37
Arte maternal

Organizando as fotos no meu novo laptop, encontrei algumas que tirei no mês passado no Museu de Arte Moderna da Filadélfia (EUA). São quadros que retratam a maternidade, de santas e pessoas anônimas, com uma extrema delicadeza.

0 primeiro, de um autor alemão desconhecido, mostra a Virgem Maria, suas irmãs e sobrinhos (as). Dizem que a sua mãe, Anne, casou três vezes e todas as filhas se chamavam Maria. O segundo retrata a virgem amamentando.

E o terceiro quadro (Maternal Caress) é da artista americana Mary Cassatt e data de 1896. Inspirado nas "Madonas", ela dá um toque moderno, como mais foco na criança.

 Achei todas as imagens lindíssimas. Espero que gostem!

 

Escrito por Cláudia Collucci às 11h27

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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