Esperma de homem obeso é mais "pobre"

O esperma dos homens obesos é mais pobre em espermatozoides, o que pode ter impacto direto sobre sua fertilidade, segundo um estudo francês apresentado na semana passada.

 O estudo foi realizado com 1.940 pessoas por uma equipe liderada por Paul Cohen-Bacrie, diretor científico do Laboratório de Biologia Médica de Eylau-Unilabs, em Paris. O médico diz que “o sobrepeso causa uma modificação dos parâmetros do esperma, devido provavelmente a problemas hormonais”.

Os pesquisadores analisaram o volume de esperma, pH (nível de acidez), concentração de espermatozoides por mililitro de esperma, número total, mobilidade, vitalidade, taxa de formatos atípicos, etc. Depois, essas informações foram comparadas com o índice de massa corporal dos voluntários.

Com um IMC (peso dividido pelo dobro da altura) inferior a 20, a pessoa pode ser considerada magra. Entre 20 e 25, o peso é normal e entre 25,1 e 30, há sobrepeso. E o indivíduo é obeso quando o resultado supera 30.

O estudo mostra que, quanto maior o sobrepeso, menor a qualidade do esperma, particularmente no que se refere à concentração e ao número total de espermatozoides.

A concentração de espermatozoides é 10% menor para os pacientes com sobrepeso em relação àqueles com peso normal e chega a 20% para os obesos. A mobilidade dos espermatozoides também cai 10%.

O índice de pessoas que sofrem de uma ausência total de espermatozoides (azoospermia) é de 1% quando o peso é normal, mas cresce para 3,8% entre os obesos.

Cohen-Bacrie diz que, “quando um casal quer ter filhos, é preciso também tomar cuidado com o peso do homem, que é um aspecto importante”. Mas há um elemento reconfortante: o médico constatou em 300 pacientes que o problema é reversível, e que ao emagrecer a situação melhora.

Escrito por Cláudia Collucci às 22h08
Governo britânico debate fertilização com DNA de três pessoas

O governo britânico está promovendo uma consulta pública a respeito de uma polêmica técnica de fertilização, que envolve material genético de três pessoas e cujo objetivo é prevenir que doenças sejam transmitidas de mãe para filho.

A técnica substitui material genético defeituoso no óvulo para eliminar doenças raras presentes na mitocôndria (componente celular que tem a presença de material genético), como síndromes que podem causar a morte prematura de crianças.

Só depois da consulta pública sobre a "fertilização in vitro de três pessoas" -- com o material de fertilização de duas mulheres e um homem --, o governo da Grã-Bretanha decidirá se o método, atualmente usado apenas em pesquisas, poderá ser aplicado em pacientes.

Um centro de pesquisa da Universidade de Newcastle também investigará se a técnica é segura.

Defeitos hereditários

A mitocôndria pode ser encontrada em quase todas as células humanas, provendo a energia que essas células precisam para funcionar.

Como os núcleos da célula, a mitocôndria contém DNA, ainda que em pequenas quantidades.

Em média, um em cada 5 mil bebês nasce com problemas hereditários em seu DNA mitocondrial, cujos efeitos podem ser graves ou até mesmo fatais, dependendo de quais células são afetadas por eles.

Cientistas acreditam ter encontrado uma forma de substituir a mitocôndria defeituosa e, assim, eventualmente prevenir o feto de desenvolver uma doença.

A técnica consiste no uso de dois óvulos -- um da mãe do feto, e outro de uma doadora. O núcleo do óvulo doado é então removido e substituído pelo núcleo do óvulo da mãe.

O embrião resultante tem, dessa forma, uma mitocôndria em tese saudável e ativa vinda da doadora.

O procedimento pode ser comparado a uma troca de bateria. Não tem, portanto, impacto no DNA do feto nem na determinação de fatores como a aparência da criança.

'Manipulação genética'

No entanto, ainda que o procedimento conte apenas com uma limitada contribuição genética da terceira pessoa -- a doadora --, a técnica é criticada por alguns grupos, que defendem que tais manipulações genéticas trazem riscos.

Atualmente, seria necessária uma mudança legal na Grã-Bretanha para que o procedimento possa ser oferecido a pacientes.

Ao anunciar a consulta pública, o ministro britânico para Universidades e Ciência, David Willetts, disse que "cientistas fizeram uma descoberta importante e potencialmente salvadora de vidas ao conseguir prevenir doenças mitocondriais". Mas ele faz a ressalva de que, "com todos os avanços da ciência moderna, é vital que escutemos a opinião do público antes de considerar qualquer mudança".

A consulta deve durar até o final deste ano.

A ONG Wellcome Trust, que vai financiar as pesquisas da Universidade de Newcastle, defende que a técnica em discussão pode ser útil na prevenção de doenças incuráveis.

"Saudamos a oportunidade de discutir com o público o porquê de acharmos que esse procedimento é essencial para darmos às famílias afetadas (por doenças mitocondriais) a chance de ter filhos saudáveis", afirmou.

Segundo Douf Turnbull, professor da Universidade de Newcastle, a universidade recebe anualmente "centenas de pacientes cujas vidas são seriamente afetadas" por essas doenças.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h22

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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