Até quando esperar?

Até quando esperar? Até quando vale esperar? Quando parar para não virar paranóia? A pergunta da querida Jamile, feita em mensagem sobre o post anterior, foi direcionada à Luciana Leis. Mas não me contive e resolvi escrever o que penso sobre isso.

Durante sete anos em que tentei ter um bebê, essas perguntas fizeram parte da minha vida. A cada gravidez, a cada aborto, a cada tratamento frustrado, a cada menstruação não desejada. Em certos períodos, até pensei que essas respostas não chegariam. Que a dor nunca passaria. E não é que um dia ela passou?

Claro que não foi num passe de mágica. Foi preciso muito trabalho interno, com ajuda da minha excelente analista, para encontrar formas de resignificar a vida. Com as "resignificações", vieram os ganhos (duas bolsas de estudo no exterior, por exemplo) e as perdas (o fim de um casamento de 15 anos). Mas, sobretudo, veio uma paz interior imensa. Uma certeza de que o que dependia de mim foi feito. E que a minha felicidade está no dia a dia. No encontro com meus amigos queridos, nas brincadeiras com as minhas sobrinhas, nos cuidados com meus pais idosos, nos projetos profissionais, no amor. Enfim, na vida como ela é, não naquela que projetamos, aquela que só existe na nossa imaginação.

Sei que parece um tanto quanto "polianismo" essa conversa toda, mas não há luto que perdure para sempre. Perdas (e a gravidez que não veio pode ser enquadrada como tal) precisam ser elaboradas, "resignificadas". Só assim surge espaço para o novo. Só assim nos sentimos verdadeiramente livres.

Nunca acreditei na máxima do "filho a qualquer preço". Na verdade, me preocupo com um certo "ativismo" nessa questão. Frases do tipo "não desista nunca" precisam ser relativizadas. O mais correto seria dizer: "vá até onde é possível ir, até onde suas forças internas possam te conduzir". Cada um de nós temos limites próprios. O meu ficou claro na terceira fertilização in vitro, seguida de gravidez e, nove semanas depois, aborto. Para outras mulheres, ele está na 10ª, na 20ª fertilização in vitro.

Procure dentro de você os seus limites e os respeite. E tenha sempre a certeza de que não será nem mais e nem menos mulher se não engravidar. Como já disse, a fertilidade de uma vida vai muito além da maternidade. Se um filho for realmente essencial na sua vida e se seu limite para os tratamentos chegou ao fim, pense, de coração aberto, em adoção. Só não permita que o sofrimento e a frustração ocupem espaço demais na sua vida. Ninguém merece isso. Muito menos você!

Escrito por Cláudia Collucci às 15h42
A busca pelo filho

Em seu novo artigo para o blog, a psicóloga Luciana Leis fala sobre as vivências entre o "bebê imaginário" e o "bebê real". É uma boa reflexão. Espero que gostem!   

Quando se está tentando engravidar, é inevitável pensar em como será a sua vida com a chegada de um bebê. Pensamentos a respeito de como será o rostinho dele, que nome terá se for menino ou menina, como será tê-lo nos braços e muitas outras coisas... Tudo isso faz parte do processo de formação do “bebê imaginário”, sendo que, com a chegada do bebê real, todo esse arsenal de fantasias será projetado na criança e poderá ajudar na formação do vínculo, já  que esse bebê já era desejado e fantasiado muito antes de nascer.

Isso não quer dizer que quem, de repente, se descobriu grávida e, a partir de então, passou a desejar essa criança, não possa formar vínculo com o bebê. Afinal, existem nove meses que antecedem o nascimento do filho e que permitem, sim, que a mulher crie esse tipo de vínculo.

No entanto, o casal que consegue planejar uma criança, acaba tendo mais tempo de poder ir amadurecendo aos poucos o papel de pai e mãe dentro de si, pensar nos modelos que tiveram, nas coisas que desejariam repetir ou mudar a partir da experiência com os seus próprios pais e, inclusive, organizar-se financeiramente para poder receber seu rebento.

Acontece que nem tudo são flores! E quando a busca pelo filho demora por concretizar-se, os sentimentos de fracasso e frustração estão constantemente atrelados a esse processo. A mulher passa a se cobrar por não conseguir engravidar, em contrapartida, seu companheiro também se sente frustrado por não conseguir fecundá-la. Racionalmente, podem até compreender que isso não depende só  deles, afinal, nenhum ser humano tem o poder de trazer uma vida para esse planeta. Porém, no íntimo de seus sentimentos, está o fracasso por não ter conseguido mais uma vez e a insegurança de nunca conseguir alcançar esse sonho.

Realmente, não é nada fácil lidar com a frustração de uma menstruação ou com um resultado de beta negativo quando se buscava- quer seja em casa ou com os tratamentos de reprodução assistida- um desfecho bem diferente. A vivência é  muito semelhante a de um aborto, afinal, o “filho do imaginário” estava ali a todo tempo para ser personificado em um bebê real e não pode vir.

O reconhecimento de nossa impotência diante de muitos fatos da vida merece ser constatada e, principalmente, que nem tudo acontece exatamente no momento que desejamos. Jamais teremos explicação para tudo, entretanto, o fato de não acontecer na hora que queremos, em hipótese alguma, quer dizer que nunca será. O exercício da paciência é algo nobre, porém, nada fácil, já que nunca queremos nos frustrar.

Todo sonho tem um tempo próprio para se concretizar, assim, não resta alternativa para que aconteça, senão, esperar, buscar e acreditar!

Luciana Leis : luciana_leis@hotmail.com

Escrito por Cláudia Collucci às 15h36
Mulheres que fazem redução de estômago têm mais chances de dar à luz bebês prematuros

Um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, realizado em parceria com a Universidade Católica de Santos, aponta que mulheres que engravidaram após a realização da cirurgia bariátrica têm maiores chances de dar à luz bebês prematuros. Elas também amamentam menos.

O estudo analisou 35 mulheres, com idades entre 24 e 39 anos.  74% das mulheres engravidaram após um ano da cirurgia e 28,57% em período inferior a um anoA pesquisa indica que 88,6% das entrevistadas foram submetidas ao parto por cesárea, sendo que 50% dos bebês nasceram abaixo do peso adequado à idade gestacional e 14% das crianças tiveram intercorrências após o nascimento, como problemas respiratórios ou pulmonares, infecções e até necessidade de reanimação na sala de parto.

Do total de entrevistadas, 68,6% amamentaram os filhos por período inferior aos seis meses, com 43% realizando o aleitamento materno por apenas dois meses. Segundo África Isabel de la Cruz Perez, pesquisadora e nutricionista da Divisão de Doenças Não Transmissíveis do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria, o estado nutricional da mãe e do feto pode ficar comprometido devido à cirurgia bariátrica.

“Os resultados sugerem a necessidade de maior acompanhamento e intervenção nutricional no período pré-natal em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica”, afirma África. Por isso, a pesquisadora reforça a necessidade das pacientes serem acompanhadas com extremo cuidado devido às diversas deficiências nutricionais que podem sofrer após o procedimento cirúrgico, tais como déficit de proteínas, eletrólitos, cálcio e vitaminas A, D, K e B12.

A nutricionista recomenda ainda que a gestação só aconteça após 18 meses da cirurgia bariátrica. “Sérios problemas podem acometer os neonatos quando a suplementação na gestação é inadequada, tais como retardo do crescimento fetal, desequilíbrio de eletrolíticos, hemorragias cerebrais, lesão da retina permanente, anemia e morte fetal”, ressalta África.

Escrito por Cláudia Collucci às 19h49
Quando ele resiste em ser pai...

Daniela nos manda a seguinte mensagem:

"Sempre quis ter um bebê, mas meu marido coloca barreiras do tipo: 'você tem que administrar sua vida, como parar de trabalhar, dedicar-se ao seu filho...' Ele não admite ter uma mulher que trabalhe e deixe o filho em uma escolinha. Não quero abrir mão do meu trabalho e quero realizar meu sonho de ser mãe. Além disso, ele diz que eu é que tenho que resolver sozinha se quero ter um filho e depois falar com ele. Ele joga toda a responsabilidade em cima de mim. Tenho receio de ter um filho e isso continuar acontecendo e, principalmente, quando algo acontecer com a criança e precisar tomar atitudes sérias, ele dizer: 'tá vendo, você que quis ter filho!!! Não sei como agir!!! Já estou a ponto de abdicar do meu sonho, o que é frustrante!"

 

Queixas como as de Daniela são mais frequentes do que a gente imagina. Normalmente, a decisão de se ter um filho parte da mulher. O marido é o coadjuvante do processo. Pelo menos é o que percebo nesta última década de troca de experiências neste espaço. Claro, sempre há exceções, mas, no geral, é assim que acontece. Já falei sobre isso outras vezes e o que penso é que a única forma de se trabalhar isso seja por meio do diálogo. Ambos têm que abrir o coração e dizer claramente o que pensam sobre o assunto.

  

Na maioria das vezes, o filho faz parte do "contrato" de casamento dos casais, porém, o tempo de cada um pode ser diferente. Nessas situações, muitas mulheres se sentem "traídas" por seus companheiros(as), afinal, sempre sonharam que o desejo de filhos era mútuo. Em conversas anteriores, a psicóloga Luciana Leis, colaboradora do blog, disse perceber que muitos homens que tiveram problemas no relacionamento com a figura paterna, ou que assumiram precocemente o papel de pai (devido à morte do mesmo ou ausência dessa figura), têm dificuldades em entrar em contato com a paternidade.

Sendo assim, podem idealizar um modelo de pai que teriam que ser para compensar as faltas do que tiveram, que fica praticamente inatingível, sendo necessário um tempo de terapia para trabalharem-se essas questões, tornando, assim, a paternidade mais possível ou chegando-se à conclusão de que essa realmente não será uma escolha. Não há como ter um filho dentro de um casamento se essa realmente não for uma escolha de ambos.

Diante desse impasse, o casal precisa reavaliar o "contrato" de casamento e perceber se é possível continuar juntos sem filhos ou não. Cada um precisa olhar para as suas prioridades internas para fazer essa escolha. Muitos casais podem escolher ficarem juntos em nome da relação e dos sentimentos que vivem sem terem filhos, porém, para outros, o projeto de filhos pode ser muito importante para um dos parceiros e até mesmo mais forte do que o relacionamento que estão vivendo.

 

Ou seja, cada caso é um caso. Mas todos passam por um ponto em comum: o diálogo é fundamental. Não adianta "empurrar com a barriga" uma questão tão importante como essa. Isso só levará ao distanciamento, a primeira grande ameaça na vida de um casal.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h20
Células-tronco do líquido amniótico podem ser transformadas em embrionárias

Células-tronco encontradas no líquido amniótico podem ser transformadas em um estado mais versátil, com características semelhantes às células-tronco embrionárias. Cientistas do Imperial College de Londres conseguiram reprogramar essas células retiradas do líquido amniótico, sem ter de introduzir genes extras.

Os resultados abrem a possibilidade de que as células-tronco derivadas de líquido amniótico doado possam ser armazenadas em bancos e utilizadas para terapias e em pesquisas. Essa seria, segundo eles, uma alternativa viável para os estoques limitados e controversos de células-tronco embrionárias. O líquido amniótico envolve e nutre o feto no útero. Ele pode ser extraído através do abdômen da mãe, utilizando uma agulha, em um processo chamado amniocentese, que é muitas vezes utilizado para fazer exames de doenças genéticas.

O fluido contém células-tronco que vêm do feto. Estas células têm uma capacidade mais limitada para se diferenciar em diferentes tipos celulares do que as células-tronco no embrião. Os pesquisadores usaram células-tronco do líquido amniótico doado por mães submetidas à amniocentese para outros fins, durante o primeiro trimestre da gravidez. As células foram cultivadas em uma gelatina enriquecida com proteínas e reprogramadas para retornar a um estado mais primitivo, por meio da adição ao meio de cultura de uma droga chamada ácido valpróico.

Um extenso conjunto de testes revelou que essas células reprogramadas têm características muito semelhantes às células-tronco embrionárias, que são capazes de se desenvolver em qualquer tipo de célula no corpo - uma propriedade conhecida como pluripotência. Mesmo depois de crescer em cultura durante algum tempo, as células reprogramadas foram capazes de se desenvolver em células funcionais de vários tipos, incluindo fígado, osso e células nervosas. Elas também mantiveram a sua pluripotência mesmo depois de terem sido congeladas e descongeladas. Células-tronco sofrem alterações se guardadas por muito tempo.

 Alternativa às células-tronco embrionárias

Estes resultados sugerem que as células-tronco derivadas do líquido amniótico podem ser estudadas com vistas à utilização em tratamentos para uma ampla gama de doenças. As células doadas poderiam ser armazenadas em bancos e utilizadas em tratamentos, bem como na investigação de doenças e no desenvolvimento de novos medicamentos. Um estudo anterior estimou que as células de 150 doadores seriam suficientes para estabelecer uma correspondência para 38% da população.

Cientistas estão buscando alternativas às células-tronco embrionárias por causa das preocupações éticas e à disponibilidade limitada de embriões doados. Recentemente, uma equipe da Alemanha fez um trabalho similar, mostrando que as células-tronco derivadas do líquido amniótico possuem várias vantagens, incluindo uma espécie de "memória

Escrito por Cláudia Collucci às 14h51

Jornalista da Folha de S.Paulo, mestre em história da ciência pelo PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a gravidez Não Vem?", editora Atheneu)

Este espaço trata de questões relacionadas à fertilidade, como a angústia que envolve a dificuldade de gravidez, os aspectos físicos e emocionais da infertilidade, os tratamentos em reprodução assistida e a polêmica em torno das novas tecnologias.

Neste blog Na Web

"Quero Ser Mãe"

O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas

"Por Que a Gravidez Não Vem?"

Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema

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