Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela
PUC de São Paulo, autora dos
livros ("Quero Ser Mãe", editora
Palavra Mágica, e "Por Que a Gra-
videz Não Vem?", editora Atheneu)
"Quero Ser Mãe"
O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas
"Por Que a Gravidez Não Vem?"
Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema
Ginecologistas
- Artur Dzik
- Carlos Alberto Petta
- Cláudia Gazzo
- Daniel Faúndes
- Eduardo Motta
Urologistas
- Jorge Hallak
- Paulo Augusto Neves
- Rodrigo Pagani
Acupunturistas
- Maria Auxiliadora Florentino
- Lilian Fumie Takeda


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Perda gestacional
Quem já viveu a dor de uma perda gestacional sabe bem o tamanho dela. Não há palavras que a amenizam, só o tempo de cada um e a certeza de que nesta vida nada é por acaso. No artigo abaixo, a psicóloga Luciana Leis mais uma vez consegue traduzir examente os sentimentos que explodem dentro da gente durante essa dura experiência. Espero que gostem. Por aqui em Michigan, tudo sensacional. Muitas descobertas, muitos novos aprendizados e inúmeros desafios. Sinto-me como uma criança no Jardim da Infância, Alice no País das Maravilhas. Bjos. Claudia Aspectos da vivência emocional no processo de perda gestacional O resultado positivo do teste de gravidez anuncia a realização de um grande sonho. Que gostoso é imaginar o bebezinho crescendo dentro do próprio ventre, fantasiar seu rostinho, seu olhar... Mas, de uma hora para outra, o sonho vira um pesadelo com a constatação da perda gestacional. Se considerarmos que trauma é toda vivência de algo inesperado, onde não conseguimos atribuir representação ou sentido ao fato, podemos, sim, considerar o aborto como potencialmente traumático. É muito difícil aceitar o que não podemos entender, o que não nos oferece respostas. “Como alguém pode morrer, antes de nascer?”. Essa é a pergunta freqüente das mães que não puderam ter o filho em seus braços. A experiência do aborto costuma ser solitária, por mais que existam pessoas à volta. O vazio e a tristeza são sentimentos bastante comuns neste momento, sendo importante e necessária a vivência do luto frente a esse acontecimento. Em nossa sociedade, há uma tendência em não se reconhecer a experiência de luto que o aborto traz consigo, dificultando, assim, que ele possa ser vivenciado por quem o sofre, para ser elaborado. Muitas vezes, a própria mulher que vivencia o aborto tenta negar para si mesma a importância desse evento, visando, desta maneira, evitar o sofrimento. É verdade que o tempo ajuda a fechar feridas, mas as cicatrizes são para sempre. O medo de engravidar novamente e de que ocorram novas perdas é um fantasma que persegue quem já vivenciou um aborto. Percebemos que essas mulheres custam a confiar novamente no próprio corpo. Ao mesmo tempo em que uma nova gestação significa grande alegria, ela também representa um momento de angústia, devido ao receio da repetição do abortamento. Durante os nove meses seguintes, comportamentos como “conferir a calcinha” - para ver se há algum tipo de sangramento - assim como solicitar vários ultrassons ao obstetra - para ter a certeza de que o bebê está bem e vivo – são freqüentes. O psiquismo humano funciona através de associações. Se numa gravidez ocorreu perda, existe uma tendência natural a considerar que nas próximas gestações, ocorrerão perdas também. A mulher que vivenciou a perda gestacional apresenta dificuldades para se sentir segura. É necessário um trabalho psicológico para resgatar a confiança em si mesma e no próprio corpo, para conseguir separar uma história mal sucedida da próxima que virá. Em casos onde uma nova gravidez, após um aborto, já aconteceu, percebemos uma dificuldade de investimento afetivo na criança a ser gerada. Dá muito medo amar intensamente e depois perder, então, num mecanismo de defesa e de proteção contra a dor, essas mães acabam evitando olhar o bebê no exame de ultrasson, não acariciam a barriga, adiam a compra das roupinhas... São muitas as manifestações de insegurança que só costumam chegar ao fim com o nascimento do bebê. Durante os nove meses de trajetória, é preciso buscar formas de se fortalecer emocionalmente para passar por este período. É preciso encontrar um sentido positivo para a experiência do abortamento (apesar do sofrimento) para seguir em frente. Psicóloga Luciana Leis e-mail: luciana_leis@hotmail.com
Escrito por Cláudia Collucci às 01h36

Monique
Estou lendo um livro lindo sobre a amizade de uma voluntária da organização Peace Corps e uma parteira na África. A obra chama "Monique and the Mango Rains". A autora, Kris Holloway, passou dois anos em uma vila chamada Nampossela, em Mali, no oeste africano. Durante esse tempo, esteve ao lado de Monique Dembele, uma jovem que na época tinha de 24 anos e dois filhos. Como vocês bem sabem, a vida na África é para lá de muito difícil e em uma vila rural é muito mais. As mulheres têm em média sete filhos e a taxa de mortalidade materna está entre as dez maiores do mundo! Menos de 6% das mulheres têm acesso a algum tipo de contracepção e 96% delas são submetidas a algum tipo de mutilação genital durante a infância (aliás, assisti ontem uma aula sobre essas mutilações genitais sofridas pelas mulheres. Vocês não fazem ideia do horror que é isso...). Pois bem. Monique era uma mulher sensacional. Fazia partos sozinha, educava as mulheres sobre como cuidar delas próprias e dos seus filhos, apesar de uma parte da aldeia duvidar dos seus conhecimentos por conta da pouca idade. Chegou a enfrentar, sozinha, homens que espancavam suas mulheres pelo fato de elas não conseguirem engravidar. Por total ignorância, eles atribuíam a elas a culpa pela não gravidez, achando que elas tomavam, escondido, alguma coisa para evitar filhos. Também fez campanhas de conscientização sobre a importância do resguardo após o parto. Muitas mulheres eram obrigadas a trabalhar normalmente um dia após terem seus bebês. Infelizmente, Monique morreu durante o parto do seu quinto filho, aos 32 anos. Para o seu país, talvez ela seja apenas mais um número a compor as estatísticas de mortalidade materna (se é que eles contam de fato isso...). Mas para quem conhece Monique nas 200 e poucas páginas do livro, é impossível não se apaixonar pela sua história. E aprender muito com sua garra e determinação.
Escrito por Cláudia Collucci às 18h36

Saúde da Mulher
Conheci nesta semana o Hospital da Mulher, ligado à Universidade de Michigan. O diretor do departamento de ginecologia e obstetrícia, o Timothy Johnson, está sendo o meu orientador nos estudos sobre saúde da mulher. O hospital é sensacional, de vanguarda mesmo. Reúne em um mesmo local vários programas dedicados a toda fase da vida da mulher. Farei uma espécie de "estágio" por lá, com visitas e conversas com os diretores desses programas. Fora isso, estou fazendo duas aulas na Faculdade de Saúde Pública: saúde reprodutiva e políticas em saúde da mulher. Na última aula, discutimos sobre políticas de planejamento familiar. No final, foi exibido um documentário sobre a situação da mulher na India. De virar o estômago. Eles acompanharam a esterilização de várias mulheres, além de relatar em detalhes a discriminação que elas sofrem por lá. Para vocês terem um ideia, a mulher que não consegue ter filhos lá é um zero à esquerda. E aquela que só tem filhas mulheres, idem. Nesta semana, debatemos sobre mortalidade materna nos países em desenvolvimento. Lembrei muito da cobertura que fiz anos atrás em João Pessoa, quando várias mulheres morreram antes/durante/após o parto em menos de um mês. Na maioria das vezes, a causa da morte foi pré-eclampsia ou hemorragia. Mas, ao investigar melhor cada caso, percebe-se que o motivo é o mesmo que ocorre em outros países: uma total violação dos direitos das mulheres. São a maioria mulheres pobres, que não tiveram acesso a um bom pré-natal e tampouco a um atendimento adequado quando o estado de saúde tornou-se crítico. Ou seja, eram mortes preveníveis. São mulheres que não morreram em razão de doenças incuráveis, mas sim por ineficiência de vários seguimentos: médico, governamental e social. Li um texto (Human Rights - Aspectos of Safe Mortherhood) muito interessante que traz dados impressionantes: 100 mil mortes maternas poderiam ser evitadas por ano se a mulher que não deseja ter filhos tivesse acesso a programas efetivos de contracepção e ao aborto seguro (por falar nisso, aqui em Michigan, o aborto é permitido). Enfim, está sendo ótimo poder ampliar meus horizontes em saúde da mulher. Saúde reprodutiva vai muito além do microcosmo da dificuldade de gravidez. Sim. Há muitas mulheres pelo mundo sofrendo de infertilidade. É preciso olhar por elas. Mas há também milhares de outras morrendo (muitas vezes juntamente com seus bebês) de causas totalmente evitáveis. E não dá para se calar diante disso.
Escrito por Cláudia Collucci às 00h50
News from Michigan
Queridas, a mensagem é só para dizer que estou sobrevivendo ao frio estúpido que faz por aqui, em Ann Arbor (Michigan). As temperaturas têm variado entre 5 e 20 negativos... Em breve terei novidades. Estou mantendo contatos com professores do Instituto da Mulher da Universidade de Michigan e eles estão desenvolvendo pesquisas bem interessantes na área de infertilidade. Ainda estou tomando pé da situação e fazendo a minha agenda de cursos que farei por aqui. Manterei vocês informadas.
Escrito por Cláudia Collucci às 23h41

Encerrando ciclos

Queridas, com a proximidade do próximo ano, gostaria de compartilhar com vocês um texto que recebi de uma amiga e que, para mim, faz muito sentido nesse novo começo. Sempre é tempo para aprender, reaprender, melhorar e mudar. Quem 2010 seja muito melhor que 2009. E que, juntos, possamos conquistar muitas coisas boas e nos ajudar mutuamente. Um novo ano iluminado para vocês, com muita saúde, serenidade, sabedoria e amor.
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.... Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão PS - Meu leitor Fabio alerta que a colunista colombiana Gloria Hurtado é autora deste texto que, inclusive, já acusou Paulo Coelho de plagiá-la.
Escrito por Cláudia Collucci às 12h45

Boas notícias
Foi exigente este 2009. Uma montanha-russa de más notícias que me deixaram sem fôlego. Mas fecho o ano com uma ótima novidade. Não é uma nova gravidez, notícia que vocês tanto torcem e esperam receber. Mas é um projeto há muito tempo acalentado, talvez ainda mais antigo do que o próprio projeto-filho. Ganhei um bolsa de estudo na Universidade de Michigan (EUA) e embarco para lá dia 1º de janeiro. Literalmente, um Ano Novo. Ficarei quatro meses estudando sobre os impactos das novas tecnologias em saúde nos países em desenvolvimento, nas faculdades de Medicina e de Saúde Pública. Quatro meses só estudando. Não é sensacional?
Tudo tem sido tão corrido que nem me dei conta que já estamos às vésperas de mais um Natal. Três meses atrás, logo após o aborto que sofri, lembro de ter postado um texto que dizia que, quando você sentir dor, a única coisa que deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. É incrível como isso faz total sentido agora. É claro que as lembranças do filho que se foi sem ao menos ter chegado voltam muitas vezes. Mas elas vêm sem dor, sem lamento. Talvez apenas com uma certa melancolia. Ao mesmo tempo, vivo dias de intensa alegria com os preparativos da viagem e só tenho a agradecer ao Universo por mais esse presente delicioso. Boa sorte? Má sorte? Quem poderá dizer? Queridas, desejo que tenham um ótimo Natal e um 2010 repleto de férteis realizações. Darei notícias. Beijos a todas.
Escrito por Cláudia Collucci às 20h53

Lições de vida
"O Regresso do Filho Pródigo", de Rembrandt Renata não conheceu a mãe e tampouco o pai. Viveu parte da infância em abrigos em Minas Gerais e outra parte, trabalhando em casas de família. Aos dez anos, foi trazida para São Paulo para trabalhar como empregada doméstica. Estudou até o primeiro ano do colegial. Sempre gostou de ler e escrever. Aos 30 anos, viveu sua primeira crise existencial. "Não via sentido na vida. Vivia em estado de pânico, oprimida, sufocada." Sentindo-se explorada pelas patroas, decidiu buscar sua liberdade. Nas ruas. Desde 1997, ela mora sob marquises e em "cantinhos seguros" que encontra pelas ruas de São Paulo. Durante esse período, até tentou voltar para a "civilização". Com o dinheiro de balas que vendia no sinal, conseguiu alugar um quarto na Baixada do Glicério. Construiu sua própria cama, mesa e estante com pedaços de madeira que encontrava na rua. Pintou o quarto de rosa e branco, com restos de tintas achados no lixo. Mas a "opressão" continuou e novamente a rua passou a ser o seu endereço fixo. E foi nela que surgiu a luz no fim do túnel. Rê passou a recolher desenhos que achava no lixo e a reproduzi-los. E não parou mais. Já pintou mais de 20 quadros, entre paisagens, pessoas e natureza morta. Passou a frequentar sebos na região central e a ler sobre os grandes pintores. Identificou-se de imediato com o italiano Caravaggio (1571-1610), que em sua época foi considerado enigmático e perigoso. Também ficou encantada com a obra de Rembrandt (1606-1669) e reproduziu, duas vezes, uma da principais obras do pintor holandês, "O Regresso do Filho Pródigo". Rembrandt foi um pintor tecnicamente brilhante e mostrou um novo tipo de percepção: ninguém antes dele fez as coisas comuns da humanidade parecerem tão profundamente sérias e interessantes. "O Regresso do Filho Pródigo" está no Museu Ermitage, em San Petersburgo. A cabeça do filho encostada ao peito e aquela posição de sujeição ao pai são fatores que falam com eloquência do momento do retorno à casa. Não há palavras, apenas gestos. E aqueles silêncios que por vezes se tornam ensurdecedores. Roto, meio descalço, abatido, arrependido, surpreso pelo acolhimento paternal, está lá tudo. As mãos do pai repousam cuidadosa e delicadamente nas costas do filho regressado. Estão abertas, como que a acalmar o seu coração e a garantir-lhe, pelo toque, a sua intenção inequivocamente perdoadora e o desejo de ver este filho que estava perdido, agora restaurado, de novo “achado” para o pai. Talvez seja esse retorno à casa que nunca teve que Renata aguarda. Ela sonha um dia poder ter uma casa-ateliê, onde possa pintar, cozinhar, receber os amigos. Por ora, ela não precisa de quatro paredes para pintar e fazer amigos. Com o dinheiro da venda dos quadros (ela vende cada um por R$ 20,00), compra mais telas e tintas. E segue a pintar. E a nos ensinar. Conheci Renata nesta noite, na livraria Martins Fontes. Estava na fila do caixa, quando ela se aproximou para conversar com a atendente. Maltrapilha, com a roupa suja, um lenço na cabeça e dando sinais de que há dias não via um banho. Ela havia deixado um dos seus quadros na livraria para ser avaliado por uma pessoa que tinha se interessado pelo seu trabalho, mas a tal pessoa não apareceu. Sorte minha. Conversamos durante uma hora e recolhi dela frases preciosas sobre a vida ("Precisamos nos concentrar no que é bom. Se a gente olha só para os problemas, deixamos de ver as coisas boas da vida"), sobre religião ("Sou protestante mas respeito o Catolicismo por causa das pessoas humanas, como São Francisco de Assis. Também gosto do Judaísmo pela sabedoria, pela valorização que os judeus dão, desde pequenos, à sua religião") e sobre a magia das artes ("Quando pinto, esqueço das minhas dores, das minhas angústias"). Ao final da nossa conversa, propus fazer uma reportagem sobre sua vida e sua arte. Tímida e encabulada, ela disse que iria pensar no assunto. Agradeci a conversa e deixei com ela o meu cartão. Vocês devem estar se perguntando: o que essa história tem a ver com infertilidade? Nada. Ela tem tudo a ver fertilidade. Fazia tempo que eu não escutava uma história de vida tão fértil, tão motivadora, tão emocionante. Renata da Silva, 42 anos, uma flor de lótus em meio ao pântano que é o submundo de São Paulo.
Escrito por Cláudia Collucci às 23h50

Reino Unido tem nova diretriz para congelamento de óvulos

A Sociedade Britânica de Fertilidade e a Associação dos Embriologistas Clínicos emitiram novas diretrizes na revista "Human Fertility" sobre a eficácia e a segurança do congelamento de óvulos para fins médicos. As orientações seguem uma profunda revisão das pesquisas publicadas em diferentes tecnologias utilizadas no congelamento de óvulos e apresentam uma série de recomendações clínicas a serem seguidas. As principais são:
1 - O congelamento de óvulos é uma tecnologia emergente com resultados iniciais promissores. O valor do congelamento de óvulos é atualmente limitado por vários fatores, incluindo o número de ovos que podem ser obtidos e as taxas de sucesso alcançado. Há necessidade de uma grande escala mais adequada de ensaios clínicos controlados para melhorar a nossa base de conhecimentos das técnicas mais eficazes. 2 - As mulheres que desejam congelar seus óvulos devem receber informações precisas sobre a segurança e as taxas de sucesso prováveis. Devem ser dadas orientações sobre os benefícios e as limitações do congelamento de óvulos, em comparação com outras opções. Atualmente, o maior sucesso é provavelmente por meio do embrião congelado, em vez do armazenamento de óvulos. 3 - Existem dois métodos principais de congelamento de ovos: resfriamento lento e vitrificação. Estudos iniciais indicam que a vitrificação pode produzir maiores taxas de sucesso do que o resfriamento lento. Mais estudos são necessários para confirmar a segurança dos produtos químicos utilizados para congelar os ovos e a eficiência da vitrificação. 4 - Para melhores resultados, óvulos maduros devem ser recolhidos após a estimulação ovariana, semelhante ao tratamento de FIV (Fertilização In Vitro). O tipo de estimulação ovariana utilizado deve ser ditado pelas necessidades de cada paciente. Por exemplo, as mulheres com câncer hormonodependente (alguns tipos de tumor de mama, por exemplo) podem preferir os tratamentos que minimizem a exposição ao estrogênio.
A diretriz assinala ainda que, até o momento, o congelamento de óvulos está indicado apenas para mulheres que vão se defrontar com uma futura infertilidade por conta de uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Não deve ser usado como opção de preservação da fertilidade tendo em vista apenas o declínio da idade. O professor Adam Balen, da Sociedade Britânica de Fertilidade, é enfático em dizer: "As atuais taxas de gravidez usando óvulos descongelados são muito pequenas, em torno de 2%. É fundamental que haja mais pesquisas e o desenvolvimento de técnicas que aumentem a segurança e o sucesso do congelamento de óvulos." Essa é uma informação muito importante porque, no afã de conseguir clientes e aparecer na mídia, há clínicas brasileiras vendendo gato por lebre. Ou seja, estimulando mulheres na faixa dos 30, que ainda não tem um parceiro, a congelar seus óvulos para que no futuro realizem o sonho da maternidade. Como vocês bem notaram nas diretrizes britânicas, a coisa não é bem assim. Entendo que, para uma mulher com chances reais de se tornar estéril por conta de uma doença, o congelamento de óvulo seja sua última esperança de maternidade. Dentro desse contexto, 2% de chance é melhor do que nada. É bem diferente da situação de uma mulher jovem e saudável, que pode ser induzida a acreditar que, congelando seus óvulos, seu passaporte futuro para maternidade estará garantido.
Escrito por Cláudia Collucci às 17h14

ICSI reduz nascimento de meninos
A técnica ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides) O número de meninos concebidos pela técnica de reprodução assistida conhecida como ICSI pode ser inferior ao que é produzido pela "Mãe Natureza", sugere um novo estudo. Em média, existem 105 meninos nascidos para cada 100 meninas _ uma vantagem natural que ajuda a equilibrar o fato de que os meninos morrem mais no primeiro ano de vida em relação às meninas. Entre os mais de 15 mil bebês nascidos nos EUA em 2005, por meio de reprodução assistida, os pesquisadores descobriram que, entre aqueles que foram gerados por meio da ICSI, a taxa de meninos foi de menos de 50%. Já as meninas representaram 52,5% dos nascimentos em 2005, de acordo com os resultados publicados na revista "Fertility and Sterility". A ICSI é normalmente usada para tratar problemas de infertilidade masculina, como uma baixa contagem de espermatozoides ou espermatozoides de má qualidade. No entanto, às vezes, ela também é utilizada quando a causa da infertilidade do casal não é clara, e algumas clínicas de fertilidade optam pela utilização de ICSI para todos os pacientes.
As implicações dos resultados atuais não são claras, de acordo com os pesquisadores, liderados pela médica Barbara Lucas, da Michigan State University em East Lansing. Cerca de 1% dos nascimentos nos EUA é resultado das técnicas de reprodução assistida. Portanto, é improvável que os efeitos dessa diminuição dos nascimentos de meninos tenha "implicações importantes para a saúde pública", avaliam os pesquisadores.
Ainda assim, eles recomendam que a ICSI só seja feita se necessário em um esforço para evitar este efeito colateral em potencial
Escrito por Cláudia Collucci às 20h00

Manicures e martines

A Associação Americana de Fertilidade lançou há algum tempo um programa de informação e prevenção com o nome intrigante de “Manicures & Martinies”! À primeira vista, álcool e cosmética não misturam bem com fertilidade. No entanto, a presença de tais estimulantes visa criar um ambiente relaxado, favorável à conversação aberta sobre as questões relacionadas com a fertilidade, atraindo também mulheres mais jovens, que assim poderão ajustar a tempo algumas das suas opções e comportamentos, em função do desejo de terem filhos no futuro. É uma iniciativa interessante, porque mostra como é quase indispensável recorrer a meios “ilícitos” para alguém hoje ouvir falar sobre prevenção da fertilidade. Na verdade, por que razão devia uma mulher jovem e saudável preocupar-se com isso? Por que razão a possibilidade distante de ter filhos deveria sequer ocorrer a adolescentes ou jovens adultos? As pessoas que passaram pela experiência da infertilidade conhecem muito bem a resposta a estas perguntas: simplesmente porque o sofrimento causado pela infertilidade pode ser devastador e alterar para sempre a vida de cada um. É a força (e o trauma) desta experiência que move as pessoas que por ela passaram. E se for preciso oferecer um martini e um tratamento cosmético para que escutem, havendo patrocinadores, pois que assim seja… * O texto foi extraído do blog da Associação Portuguesa de Fertilidade, nossa parceira
Escrito por Cláudia Collucci às 11h15

"O homem não é apenas um espermatozoide"

Estou em Goiânia desde domingo, no Congresso Brasileiro de Urologia, aprendendo um pouco mais sobre a saúde do homem. Ontem, uma importante discussão sobre infertilidade masculina aconteceu por aqui. Os urologistas presentes criticaram a forma como a maioria das clínicas de reprodução lidam com a infertilidade masculina, ou seja, em vez de investigar e tratar o problema do homem, indicam de imediato as técnicas de fertilização, como a FIV e a ICSI. "A FIV deveria ser a última escolha do tratamento", afirmou Sandro Esteves, da clínica Androfert, de Campinas (SP).
Segundo ele, caso o homem tenha varicocele, é recomendável primeiro a cirurgia. Mesmo que a gravidez não aconteça de forma natural, as chances de o homem engravidar a parceira por meio da FIV aumentam quase três vezes quando ele opera antes a varicocele. "O homem não é apenas um espermatozoide. É uma pessoa. Precisa checar como está sua saúde, sua alimentação, parar de fumar", explica o médico.
Para ele, a reprodução assistida poderá gerar uma série de riscos no futuro. “No momento, nós podemos especular que pode haver um aumento da população infértil, pois muitos indivíduos herdarão a infertilidade dos pais, especialmente nos casos genéticos de infertilidade masculina. Poderá aumentar também as doenças hereditárias, pois muitas serão transmitidas pela fertilização, o que seria evitado pelo mecanismo de seleção natural.” Outra questão que Esteves levantou foi a da incidência de múltiplos com a fertilização in vitro. Dados apresentados por ele mostraram que no Brasil 44% dos casos de fertilização geram mais de um bebê. “Publicações recentes têm sugerido uma associação entre a fertilização artificial e o aumento da frequência de certas doenças raras que aparecem quando há defeito no processo de imprinting genômico”. Imprinting é o processo de ativação ou desativação de genes paternos ou maternos que ocorre durante a formação e desenvolvimento do embrião.
Já o urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da Universidade de São Paulo (USP), apresentou dados que mostram o impacto dos poluentes ambientais na saúde reprodutiva do homem. “A poluição atrapalha a produção de espermatozoides. E a qualidade do gameta influencia no número de abortos."
De acordo com Hallak, os homens que trabalham nas ruas e inalam muita poluição têm uma maior concentração de radicais livres de oxigênio no sangue, o que prejudicaria também na fabricação de espermatozóides de qualidade.
O médico está finalizando um estudo sobre a influência da maconha na infertilidade masculina. Segundo ele, as drogas como maconha, crack e cocaína também causam estragos na fertilidade do homem.
“A maconha altera a produção do espermatozóide. Ele muda de formato e perde a mobilidade. Basta consumir a droga uma vez por semana para desenvolver esses efeitos”, disse Hallak. A pesquisa vem acompanhando 32 homens, no período de dois a sete anos, que consomem a erva.
Hallak afirma que há tratamento nos dois casos (poluição e maconha). “É preciso administrar vitaminas como a E e a C para melhorar a qualidade do espermatozoide. Mas o tratamento dura em média sete meses”, explicou.
COMENTÁRIO: O dr. Eduardo Motta, diretor da clínica Huntington, enviou o seguinte comentário referente a este post: "Em parte concordo com as afirmaçoes, mas existem diversos questionamentos a serem levados em consideração: 1 - Embora o tratamento do homem seja mandatório nestas situçõesa, ainal ele participa com um dos gametas, ninguém sabe até hoje se podemos culpar unica e exclusivamente a varicocele e mais, se a cirurgia tem este poder rejuvenescedor. Certamente ela estabiliza o processo, mas não recupera tudo.
São raríssimos os homens que teriam sua indicação de uma FIV, tal a gravidade da varicocele, transformada em gestação natural por conta da cirurgia, ou seja, mesmo com a cirurgia é muito provável que a indicação da FIV nestes casos ainda exista, mas, lógico, que com um prognóstico melhor, pelo lado masculino;
2 - Se realizada, a varicocelectomia, por mãos inapropriadas e não por microcirurgia, o risco de piorar o quadro aumenta, levando até a falência testicular se forem ligadas as artérias;
3 - Nunca se esqueçam da IDADE DA MULHER. Pouco adianta operar um homem, esperar 6 a 12 meses e a mulher entrar na faixa dos 40. Seguramente perdemos tempo, Enfim, na verdade gostaria de dar a ATENÇÃO que o contexto do tratamento não é do "homem" ou da "mulher", nem do "urologista" ou do "ginecologista", mas integrado, por equipes que tenham ambos os profissionais, e que juntos possam avaliar o casal."
Escrito por Cláudia Collucci às 12h53

Rede internacional defende doação de gametas aberta e informada
No final de 2008, foi criada em Toronto (Canadá) uma rede internacional de associações na área da doação de gametas http://inodco.org/. A rede defende um conjunto de princípios com vista a um novo equilíbrio entre as três partes envolvidas nos processos de doação: as pessoas com problemas de fertilidade, os doadores e as crianças. Para se conseguir uma doação de gametas aberta e informada, propõem a seguinte agenda, já respeitada em alguns países: 1. Acabar com a doação anônima de gâmetas, sendo obrigatória a identificação de doadores; 2. Preservar toda a informação sobre doadores em ficharios centrais, sob tutela de organizações governamentais, por prazo indeterminado; 3. Todos os nascimentos com doação de gâmetas devem ser declarados; 4. Fixar um limite para o número de crianças concebidas por cada dador; 5. Obrigar os doadores à manutenção atualizada do sua história clínica; 6. Todos os doadores devem ser submetidos a testes genéticos exaustivos; 7. Promover o acompanhamento clínico da doadoras de óvulos; 8. Tornar obrigatório o aconselhamento e a informação de todos os que pretendam recorrer à doação de gametas; 9. Requerer apoio legal e financeiro para que todos os doadores anônimos se sintam seguros e possam futuramente facilitar a sua identificação, caso sejam procurados pelos filhos biológicos; Para nós, pode parecer estranho isso tudo, mas eu não tenho dúvida de que logo, logo essa discussão chega aqui. Faço um paralelo com a adoção de crianças, que por muito tempo permaneceu em uma zona obscura, com os pais escondendo dos seus filhos essa preciosa informação. Hoje, é inconcebível que isso aconteça. O próximo passo será tirar a doação de gametas dessa zona cinzenta. Já disse e repito: doação de óvulos e de espermatozoides não é uma decisão simples. É preciso estar liberto do sentimento de apego e outras inseguranças. A criança a ser gerada tem um direito inquestionável de conhecer a verdadeira história da sua concepção. PS - Um especial obrigado à Associação Portuguesa de Fertilidade pela informação da criação da rede.
Escrito por Cláudia Collucci às 17h00
Procurando Luciana
Em meio a uma depressão pós-parto, Luciana fugiu de casa em junho sem dinheiro nem documentos, deixando uma bebê de 11 meses. Desde então, a família não teve mais notícias.
A irmã dela criou o blog http://www.procurandoluciana.blogspot.com/ na tentativa de obter qualquer informação sobre o paradeiro da Luciana. O blog não só serve de ajuda à família como também é um importante alerta sobre a seriedade e gravidade da depressão pós parto.
Vale a pena dar uma olhada no site e divulgá-lo entre seus amigos.
Escrito por Cláudia Collucci às 19h27

O patrimônio genético

Um assunto muito importante circula hoje nas agências internacionais: um doador de esperma de 23 anos, que desconhecia ter uma cardiopatia, passou a doença cardíaca para nove filhos biológicos, causando a morte de um deles. O tema levanta a discussão sobre o o rigor dos exames feitos no sêmen e no óvulo doado. Quando doam esperma ou óvulos, os/as candidatos/as respondem a perguntas sobre o histórico de doenças na família, mas algumas não são óbvias ou conhecidas. Em um artigo publicado na revista especializada "Journal of the American Medical Association", médicos americanos argumentaram que a cardiomiopatia deveria ser incluída entre os testes rotineiros dos doadores. Mas os especialistas britânicos acham que a medida poderia desencorajar potenciais doadores. Estima-se que a cardiomiopatia hipertrófica atinja uma a cada 500 pessoas da população adulta e é uma das causas mais comuns de morte súbita entre jovens. Esta é uma doença genética dominante, o que significa que os filhos de alguém que carregue o gene têm uma chance de 50% de herdar o problema. Os sintomas podem ser inexistentes ou vagos, como dores no peito, falta de ar, palpitações e desmaios, mas um exame cardíaco pode identificar a condição. O fato é que esse problema é apenas a ponta do iceberg. Há várias doenças genéticas para as quais não são feitos testes no sêmen ou no óvulo doado e nem sempre os casais são alertados para isso no momento em que decidem tentar uma gravidez por ovo/esperma/doação. No Brasil, todas as amostras doadas são testadas previamente para doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e hepatite. Mas os testes genéticos ainda são raros aqui e em todo mundo. O que acaba valendo é a palavra do doador, que nem sempre sabe que carrega um gene mutante. Para o especialista britânico Allan Pacey, da Universidade de Sheffield e da Sociedade Britânica de Fertilidade, esta é uma questão que precisa ser debatida. "Se você for considerar todas as doenças, a lista seria interminável. E algumas coisas sempre vão passar pela peneira", disse ele. Mas o especialista afirma que a questão deve ser investigada mais a fundo para determinar se as regras devem ser modificadas. Ou seja, a decisão de uma gravidez com ovodoação/espermadoação vai muito além do dilema emocional. Muitos casais no Brasil omitem a verdadeira origem biológica com medo de uma futura rejeição do filhos. Mas esses mesmos casais devem estar cientes de há os riscos relacionados à genética de cada um. E hoje cada vez mais é importante sabermos, de antemão, as doenças que podemos herdar dos nossos antepassados. Eu, por exemplo, sei que minha avó e minha tia materna morreram após derrame cerebral (AVC). Minha mãe é hipertensa e tem altas taxas de HDL (colesterol ruim). Por saber dos meus riscos cardiovasculares, desde dos 30 anos, tomo cuidados preventivos: faço exercícios físicos, evito comidas gordurosas, prefiro alimentos integrais, entre outros. Por isso tudo, tenho a convicção de que os filhos têm sempre o direito de conhecer seu patrimônio genético. Eles precisam saber, por exemplo, se têm maior risco de desenvolver um câncer de mama ou de próstata e começar os exames preventivos o quanto antes. Eles precisam conhecer seus riscos cardiovasculares. Eles não serão crianças a vida toda.
Escrito por Cláudia Collucci às 13h12

A polêmica do teste genético
Publiquei hoje na Folha uma reportagem que merece atenção: a validade ou não de fazer o teste genético pré-implantacional (PGD) para casos de idade avançada (após 39 anos), abortos recorrentes ou sucessivas falhas de FIV. Quando foi criado, esse teste se propunha a evitar a transmissão de doenças hereditárias, identificadas previamente na família. Após tratamento de reprodução assistida, são retiradas uma ou duas células de um embrião de três dias (estágio de 6 a 12 células) para análise. Os embriões alterados são descartados, e os saudáveis transferidos para o útero. O que muitas clínicas de reprodução não informam é que existem ao menos três riscos associados ao teste: ele pode destruir o embrião, falhar em 10% dos casos ou simplesmente descartar embriões saudáveis (apresentaram alteração no exame, mas se "autocorrigiriam" na divisão celular). A validade ou não do exame tem sido tema dos últimos congressos de reprodução. Entre os médicos, há opiniões divergentes. Uns concordam que os últimos estudos mostram que o exame não é tão benéfico em casos que não sejam evitar doenças hereditárias já conhecidas na família. Outros dizem que o teste melhora a taxa de implantação, mas é preciso ser feito por uma equipe experiente. Para o médico Antonio Fernandes Moron, professor titular de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em medicina fetal, o teste continua muito importante na detecção de doenças gênicas hereditárias, mas o seu uso é questionável nos outros casos. "Não há evidência científica. Vende-se a falsa impressão de que, fazendo o teste genético em mulheres mais maduras, o processo de fertilização seria mais controlado. Isso é um absurdo. Não é um processo seguro até porque há riscos de doenças associadas à manipulação embrionária", afirma. A matéria completa pode ser acessada pela Folha Digital: http://edicaodigital.folha.com.br. Ao abrir, vá para a Editoria Saúde.
Escrito por Cláudia Collucci às 20h46
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